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Raposas Azuis

Por Carlos Ferrer / Baiano

Quando os imigrantes italianos tomaram a decisão de montar um time de futebol na capital mineira sabiam que não teriam moleza.
Teriam de enfrentar as famílias tradicionais, os intelectuais, a imprensa e seus jornalistas.
Mudar o nome de Palestra para Cruzeiro foi uma imposição que só o preconceito explica, pois nem todos os italianos eram fascistas.
A sobrevivência do time de operários italianos foi garantida pela esperteza das raposas que, naquela época, felizmente existiam. Lideraram e construíram um grande clube.
Felicio Brandi, Carmine Furletti, Lambertucci, Nicola Granata e tantos outros eram raposas azuis.
Colocaram o Cruzeiro em um alto patamar, de onde nunca poderia sair, pois, saindo, haveria de enfrentar todo tipo de perseguição e preconceito novamente.
O Cruzeiro ficou poderoso. E, onde tem poder e dinheiro, não faltam espertalhões para fazer carreira e enriquecer.
As famílias italianas se dividiram, e isso possibilitou a ascensão de um baixo clero que de Raposa nunca teve nada, mas fedem como os gambás.
O Clube trocou o ravioli e o panettone por linguiça e acabou se dando muito mal.
O Cruzeiro traz na alma a essência das flores de Morigerati, mas hoje vive perdido no mal cheiro da lama em que foi jogado.
Jogar a culpa apenas em Gilvan Tavares, que foi o presidente que mais títulos ganhou na história do clube, ou no Wagner Pires de Sá, é pura covardia.
Administrar um cardume de traíras não é nada fácil, quanto mais para o inepto presidente que hoje lidera o clube.
Se os nove milhões de torcedores do cabuloso soubessem realmente o que se passa no Cruzeiro certamente iriam rezar dobrado.
As raposas de volta ou os abutres para sempre.
Belo Horizonte, 29 de julho de 2021.
Imagem: Site Cruzeiro.Org
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