Henrique e uma Amarga derrota
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Num dia azul como hoje – Amarga derrota

Amarga Derrota

Doze anos atrás vivenciei o que posso dizer que foi a maior amarga derrota da minha história de cruzeirense. Estas derrotas deveriam servir de aprendizado para todos os torcedores, entretanto não é isto que acontece com a maioria.

Surpreendentemente, o resultado é que importa e não o que foi feito para conseguir aquele resultado. Assim sendo, meu entendimento de que para a torcida do Cruzeiro, os fins ( títulos ) justificam os meios ( não importa como ! ) está correto.

Num dia azul escuro

Num dia que era para ser azul como hoje, aquela amarga derrota doeu muito, principalmente porque a vivenciei antes, durante e depois.

Enfim, aquele vice na Libertadores da América, da forma como foi, dói até hoje. Os torcedores não entendem que uma partida de futebol não começa e muito menos termina ao apito do árbitro. Em outras palavras, para jogadores e gente que não pensa, basta dar entrevista dizendo que ” gol não vai fazer falta …” ou que ” a gente lutou, bola pra frente …”

Libertadores

Em primeiro lugar, naquela temporada, vários jogadores estavam no ápice de suas formas físicas e técnicas, o time vinha muito bem e era candidato ao título. A torcida foi ao estádio para comemorar. Desse modo, o que se viu nas redondezas do estádio, desde a madrugada, poderia tornar-se épico. Por outro lado, esqueceram-se quase todos que a comemoração deve ser guardada para depois do apito final.

Reunimos várias pessoas de toda parte do mundo que integravam a “Lista-Cruzeiro” (Yahoo!), já extinta, e comentaristas do site Cruzeiro.Org. Curioso é que muitos destes torcedores, presentes nas mesas de boteco, atualmente, são especialistas em Cruzeiro nas redes sociais, “historiadores”, escritores de livros. Entretanto, nunca li ou ouvi uma palavra sequer do que eles fizeram naquele dia,  que era para ser uma amarga derrota para todos os cruzeirenses.

A Libertadores tem um apelo especial para os cruzeirenses, os que são da minha geração podem ter percepções diferentes de mim, mas sobre a Libertadores, por termos vivenciado de perto as conquistas de 76 e 97, é diferente da geração de Millennials.

É provável que esta percepção diferente tenha levado uma grande massa de torcedores ao estádio para comemorar, antes de vencer o jogo.

Torcida no pré-jogo

Antes do jogo, fora do estádio, vendedores de faixas de campeão e vendedores de turbantes azuis e branco faziam a festa. Alguns amigos estavam em festa e eu disse: não quero, após o jogo pago mais caro. Compraram para mim um turbante ( que tenho até hoje intacto ) e me empurraram ele, guardei-o e não entrei no estádio com ele.

Durante o jogo, outra situação me entristeceu; após Henrique marcar o gol, torcedores que estavam como convidados no camarote da empresa de cerveja, foram para o espaço onde servia whisky “comemorar” – e o jogo ainda estava em andamento.

Torcida no pós-jogo

O historiador Henrique Ribeiro, em seu Almanaque do Cruzeiro, escreve:

Amargo Vice

Após 12 anos, o Cruzeiro chegava a uma final de Libertadores. Os finalistas eram considerados os times mais técnicos da competição, com o melhor toque de bola, mas fizeram duas partidas pouco inspiradas na decisão. O Cruzeiro sofreu uma virada surpreendente e perdeu o título. A derrota diante da torcida foi uma das mais amargas da história do clube na competição.

Eu só discordo do “na competição“, reafirmo que, para mim, foi a mais amarga derrota da história centenária que acompanho como cruzeirense.

Enfim, o resultado todos devem saber e fica a dúvida sobre o aprendizado dos tais 9 milhões de cruzeirenses que são bons de comemoração mas não conseguem nem ver derrotas num dia que era para ser azul como hoje.

O jogo

Desse modo, como escrevi que um jogo começa muito antes do apito inicial, para mim, este jogo começou com a declaração de Kléber ( à época com camisa 25 ) sobre um gol perdido em La Plata.

Estive em algumas partidas em La Plata (ARG) naquela década, nossa “década de ouro”. Fiquei martelando a frase do K30 e fui recriminado por muitos torcedores pois critiquei o jogador. As desavenças começaram a aparecer logo após a participação dele (K30) em um programa de TV por assinatura.

Eu teria vontade de ver a versão de cada jogador sobre o que foram os dias após o jogo de La Plata e até 48 horas depois da amarga derrota na Toca 3. Eu conversaria com todos para chegar a alguma conclusão e jamais contaria quem disse o quê, mas este desejo tem poucas condições de acontecer.

Festa fora de campo

A Toca 3 recebeu quase pouco mais de 64 mil torcedores, e a festa era muito grande antes e durante grande parte do jogo. O gol da virada do Estudiantes jogou um balde de gelo na torcida que mostrou, claramente, poucos grupos nas torcidas organizadas tentando empurrar o time.

O time técnico Adílson Batista contou com os seguintes jogadores em campo: Fábio, Jonathan, Thiago Heleno, Leonardo Silva, Gerson Magrão, Henrique, Marquinhos Paraná, Ramires, Wagner, Kléber e Wellington Paulista. Entraram no decorrer da partida Athirson e Thiago Ribeiro.

Um jogo ruim, mas uma decisão que poderia colocar o Cruzeiro e muitos de seus jogadores noutro patamar. Dos que ali atuaram, muito depois destes 12 anos,  somente Fábio é ídolo, se bem que é mais por ainda estar jogando, ganhou títulos e, mesmo assim, não é unanimidade. Outros jogadores como Ramires, Wellington Paulista e Kléber têm torcedores que ainda louvam, mas são os torcedores do jogador.

Enfim, um ótimo relato desta partida ( o melhor ) pode ser lido em ” Cruzeiro 1×2 Estudiantes – 15/07/2009 “.

Oh ! Libertadores da América, um dia ainda nos veremos como campeões …

Melhores momentos

Observações

Com toda a certeza, a determinação do Independiente era bastante clara, jogaram como determinou o técnico, usaram e abusaram da tal “raça” e o Cruzeiro não soube controlar seus nervos.
A torcida discutia a escalação e os jogadores entraram em campo sob desconfiança da torcida, enquanto deveriam ser apoiados nos 105 minutos. E o técnico Adílson Batista sendo questionado por comentaristas e a torcida de radinho seguindo seus “influenciadores” murmurava contra este ou aquele jogador.
Li e ouvi muitos cruzeirenses reclamando até do fato de, no jogo dos rivais dias após, passarem imagem do Verón levantando a taça e eles comemorando. Eles deram um jeito de comemorar títulos próprios, e a torcida do Cruzeiro preocupada com eles.
Um comentário do PVC define, na minha opinião, a derrota “… A derrota do Cruzeiro para o Estudiantes aconteceu por uma única questão: o time argentino jogou mais. …”

Imagem: Reprodução Youtube

Nota do Autor

Este texto é uma homenagem pela luta do volante Henrique, tão execrado por torcedores que estão mais influenciados por bravatas de redes sociais e falsos “historiadores” do que praticarem o ato de respeitar a história do Cruzeiro. Valeu, Henrique !

 

Fontes de Pesquisa:

Almanaque do Cruzeiro, CruzeiroPedia, Arquivo Pessoal Evandro Oliveira

Autoria

Evandro Oliveira

Nota do editor

Desse modo, este texto e outros da trilha ” Num dia como hoje “, visam mostrar a história vivida pelo torcedor.

Trilhas PHD

2 Replies to “Num dia azul como hoje – Amarga derrota

  1. Que jogo, que história!!! Me lembro de tudo… e sofri muito, não dormi a noite! Fiquei mal uma semana.
    O time do Estudiantes jogou demais na Argentina e Fábio salvou um gol certo num chute preciso do Veron de longa distância. Ali vinha muita confiança de que seriamos campeões, mesmo após um erro fatal do Kleber. Confesso que toda a ladainha sobre o que aconteceu no vestiário do Cruzeiro me deixou muito triste. Faltou uma moral do técnico? De alguém mais influente (ou menos moleque)?
    A úinca polêmica que aind anão consegui esclarecer é o porquê de não entrar com Sorin? Birra com do terinador por ser argentino? Nosso lateral esquerdo era Gerson Magrão, que apesar de jogar com comprometimento, faltava uma pegada firme.
    Como não lembrar do tiro no poste do tRibeira já no final da partida, quando as esperanças já estavam indo embora? Apesar da profunda tristeza, guardo com carinho essa Libertadores (o que foi aquele jogo contra o São Paulo?), esse ano de 2009, e a “era Adilson Batista” em geral!

    É bom ser Cruzeirense…. é sofrido, mas é emocionante!

    1. Pois é…
      Que jogo!
      Não creio que seja “sofrido” (seja lá o que isto signifique para você).
      Tb não dormi naquela noite e não fiquei bem por alguns dias.
      Jogos e dias como este tem MUITA HISTÓRIA e é uma pena que a maioria dos torcedores não fazem seus relatos e, por consequência, ficam mais distantes de qualquer aprendizado.
      Vamos renascer ! CONSTRUIR TUDO DO ZERO.

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