Niginho - Tank Palestrino
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Nos tempos de Palestra – O retorno de Niginho

O ídolo Niginho

Leonízio Fantoni, conhecido como Niginho, fez seu nome na história do futebol mineiro, brasileiro e europeu. Era um jogador de altíssimo nível, suas atuações com a camisa verde e vermelha do Palestra e a Azul Estrelada, alçaram-no ao status de ídolo. Nos últimos anos os torcedores mineiros encontram, com toda a certeza, vários textos a respeito desse grande craque ( Niginho ) da primeira “era” do futebol mineiro.

A primeira volta

Antes de entrarmos na primeira volta do “Menino Metralha” ( apelido que recebeu da torcida palestrina ) é importante destacar, que esse texto não é biográfico. Portanto, abordaremos a sua consagração como o maior ídolo da história do Cruzeiro, de sua época.

Formado na base do Palestra, pouco antes da implantação do futebol profissional, Leonizio atuou pelo time principal, entre os anos de 1929 a 1932. Logo após a temporada de 1931, transferiu-se para a Lazio de Roma (ITA), onde atuou até 1935.

No entanto, sua volta aos gramados mineiros aconteceu no dia 19 de maio de 1935, contra o Siderúrgica. Uma vitória por 3 a 0 com gol derradeiro do artilheiro aos 77 minutos. No entanto, no ano de 1937 o atacante foi vendido ao Vasco por 30 contos de Réis.

O retorno

O ano era 1939 e o Palestra estava indo para os 10 anos de jejum do título máximo do futebol mineiro. O clube do Barro Preto não apenas se mobilizou como moveu esforços para conseguir a volta do ” Menino Metralha”. O Palestra acertou com o Vasco(RJ) por um valor bem abaixo do que havia vendido, alguns anos atrás. De acordo com os jornais da época, foram exatos Cinco Contos de Réis e a confirmação da transação deixou a torcida eufórica.

Portanto, a volta do matador do Barro Preto, fez uma enorme diferença técnica para a equipe. Os resultados expressivos, como a vitória sobre o Vasco por 2 a 1, ainda no ano de 1939 vieram rápido.

Foram, várias vitórias sobre América(MG) e Atlético(MG). Um inesquecível 4 a 0 sobre o rival citadino com 3 gols de Niginho. Um magnífico 6 a 0 no América, novamente com 3 gols do “Tank”, tudo isso já no ano de 1940.

Além disso, não esqueçamos das incríveis viradas do Palestra sobre o Botafogo por 4 a 3 e sobre o Flamengo por 4 a 2. Com toda a certeza que Niginho era protagonista e comandante.

A consagração

No título mineiro de 1940, que tirou o Palestra da fila de 10 anos, teve o protagonismo do atacante máximo do Barro Preto.

O conturbado ano de 1942, com as resoluções do Governo Vargas, culminaram na mudança de nome do Palestra. Desse modo passamos ao nome e fase do  Cruzeiro Esporte Clube, o craque manteve seu foco.

 

Foto do Tricampeonato 1945 - Acerto do Cruzeiro
Foto do Tricampeonato 1945 – Acerto do Cruzeiro

Leonízio liderou, acima de tudo, a equipe rumo ao título mineiro de 1943. Logo na estreia do novo nome, uma brilhante conquista, com grande participação do craque, que “carregou” em muitos momentos, a equipe em campo.

Logo após, na temporada seguinte (ano de 1944) novamente o título, levando ao delírio a torcida do Cruzeiro. Daí surgiu o apelido “Cruzeiro Duro”, o codinome pegou e passou a estampar várias matérias dos jornais da cidade. Era o bicampeão da cidade em tempos de guerra mundial.

Se o menino Metralha era fora de série, o Cruzeiro era ” duro ” mesmo, o clube conquistou o tricampeonato em 1945, naquele momento, para a torcida o Cruzeiro só havia um nome que era unânime, e esse nome era Niginho. Inegavelmente, naquele momento já era considerado pela torcida como o maior ídolo da história do Cruzeiro.

Naquela temporada de 1945, ainda havia espaço para uma goleada acachapante sobre o Flamengo, por 5×1, e uma brilhante vitória sobre o Fluminense por 3×1.

Ídolo inconteste

Niginho em 1945

Na primeira vitória internacional, Niginho também esteve em campo sobre o Rosário Central em 1946, uma das últimas partidas do craque estrelado. Assim sendo, o ” Tank Palestrino ” aposentou-se alguns meses depois, como o maior artilheiro da história do clube. Foram 210 gols marcados e, como se não bastasse, superando seu irmão Ninão ( 158 gols ) e seu amigo Bengala ( 172 gols ).

Certamente, Niginho era o ídolo máximo da torcida estrelada e o maior artilheiro do clube. Posição que durou mais de 20 anos, sendo superado apenas por Dirceu Lopes e Tostão no início dos anos 70.

 

Imagem: Reprodução Niginho – Jornal Folha de Minas

Nos tempos de Palestra é uma página dedicada à história não contada do Cruzeiro desde os tempos de Palestra  por Romero Marconi.

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