Ney Franco - Gustavo Aleixo - CEC/DIV
Clube Cruzeiro Esporte Futebol Opinião Profissional

Os Problemas Técnicos do Cruzeiro

Os Problemas Técnicos do Cruzeiro

O atual técnico do Cruzeiro, Ney Franco, teve o pior começo no Cruzeiro entre os técnicos cruzeirenses após a demissão do Mano Menezes, conforme apurou o jornal O Tempo. Enderson Moreira, por incrível que pareça, teve o melhor começo. Abel Braga e Adilson Batista tiveram 50% de aproveitamento e Rogério Ceni teve somente 38,8%. Enderson saiu esculachado pela falta de inspiração do elenco, Adilson foi demitido após uma campanha terrível no Campeonato Mineiro, Abel Braga caiu no final do Brasileirão e Rogério Ceni, o único que conseguiu fazer o time render, saiu após brigas com o elenco. Considerando que os trabalhos dos últimos técnicos tenderam a progressivamente diminuir em desempenho, o início desesperador do Ney Franco indica que o time só vai piorar.

A falta de criatividade do time do Cruzeiro foi evidenciada mais uma vez no jogo contra o Sampaio Corrêa, e a torcida já começa a questionar a permanência do Ney Franco no comando do time. Vale lembrar que a torcida não o queria desde o início e a sua vinda foi muito criticada. Entre todos os técnicos desde a saída do Mano, Ney Franco foi a contração que menos animou a torcida. Menos ainda que Adilson Batista, que assumiu o time no antepenúltimo jogo do Campeonato Brasileiro e foi um indício claro da falta de bom senso do Zezé Perrella. O Ney Franco não é um bom técnico há tempos. É verdade que foi ele que foi técnico daquele time milagroso do Ipatinga, foi ele que levou o São Paulo ao seu último título e que também foi ele que levou o Vitória à quinta posição do Brasileirão. Ele fez isso, porém, num tempo que parece agora tão remoto, em que o Cruzeiro jogava o melhor futebol do Brasil. A campanha do ano passado do Goiás sob o treinador também foi boa, mas ele foi demitido esse ano após só conquistar um ponto em 3 jogos no Brasileirão e ter ficado no terceiro lugar do Campeonato Goiano.

Agora, é certo demitir mais um técnico?

São, até agora, 5 demissões em 14 meses, dando uma média de uma demissão a cada 84 dias. Isso contando as férias que teve no verão e o período em que não houve futebol graças à COVID-19.

Não há como saber quantas demissões a mais teriam sem esses dois intervalos. A soma de todas as rescisões, conforme o Globo Esporte apurou mês passado, dá mais de 9 milhões de reais. Com esse dinheiro, a dívida com o Zorya pela contratação do William, que é a que impede o Cruzeiro de registrar novos jogadores, poderia ser paga. Também seria o equivalente a 3 meses de salário para o elenco, o qual está atrasado desde agosto.

Ao mesmo tempo, o desempenho em campo do time é pífio. Lembra o Cruzeiro do ano passado: um time sem inspiração, que engole gols nos últimos minutos e cujos principais jogadores não conseguem produzir. O único atleta que está atuando bem com certa regularidade é o Manoel, mas mesmo ele faz parte das panes defensivas que fazem parte dos jogos do Cruzeiro.

A sorte da torcida cruzeirense é que o time não está jogando contra times com ataques competentes, como o do Flamengo ou o do Atlético-MG, pois ele seria destroçado e humilhado, não que isso não esteja acontecendo agora.

Simultaneamente às desgraças defensivas, o ataque não produz nada. Todos os três centroavantes, Sassá, Marcelo Moreno e Thiago, erram chances claras na frente do gol. Os meias, que são inúmeros, não conseguem executar, erram passes de todo tipo e criam oportunidades sem querer. Inclusive, 40% dos gols do Cruzeiro no campeonato foram feitos em bolas paradas, um sinal claro que o time não consegue criar oportunidades com a bola rolando.

Claro, o desempenho do time era o mesmo sob o Enderson Moreira. Ele foi demitido. Em seguida, Ney Franco foi contratado, e ele deu mais do mesmo.

A má fase técnica é de quem então?

É dos jogadores, que apesar de não estarem jogando nada, tem a sétima mais cara folha salarial entre os times que a divulgam?

É do técnico, que não conseguiu encaixar o time, bem como todos depois do Rogério Ceni?

Se a culpa cair em um dos dois, então qual a responsabilidade da diretoria, que, querendo ou não, montou o elenco e contratou o técnico?

Infelizmente, independentemente do culpado, quem sofre é a torcida.

Diego de Carvalho é cruzeirense legítimo, nascido em Brasília.

Imagem: Gustavo Aleixo – Cruzeiro / Divulgação

One Reply to “Os Problemas Técnicos do Cruzeiro

  1. Boa tarde! Tem-se compreendido e divulgado, por muitos, que o acesso à série A é fator imprescindível à retomada da história futebolística de sucesso do cruzeiro, e, além disso, à própria sobrevivência da instituição. Se isso é verdade, e considerando que temos um time e um elenco frágeis, sem muitas condições de subir, e com boa chance de cair, torna-se imperioso o pagamento da dívida da fifa, para que possamos inscrever os jogadores que estão aguardando a oportunidade de jogar, visando à melhoria do futebol praticado. Alegar a inexistência de dinheiro e ficar esperando a situação ser resolvida, sabe-se lá quando, é desprezar a urgência temporal e penetrar o campo da omissão. Acorda presidente! Onde estão os cruzeirenses mais endinheirados, que poderiam ajudar nesse momento? Sem espírito de união e generosidade, a situação a curto prazo parece intransponível. Um abraço azul!

Deixe uma resposta