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(Re)Aprendendo a ser torcedor do Cruzeiro

O Colapso

Em primeiro lugar, este texto é uma adaptação, com pequenas mudanças e correções de um texto publicado anteriormente: “(Re)Aprendendo a ser torcedor do Cruzeiro“, em 18ago2004. Pode parecer absurdo, entretanto, 16 anos atrás eu escrevia sobre o comportamento da torcida do Cruzeiro, com a visão obnubilada pela Tríplice Coroa e a história não mudou.

Eu dizia, à época, que aquele título nos custaria caro, a conta quase chegou em 2011 e finalmente, passaram a régua em 2019. Resolvi republicar o texto em função de alguns debates que tenho travado com neófitos e simpatizantes que em 2004 nem podiam ir ao estádio se o pai não levasse.

Em suma, a torcida do Cruzeiro não reaprendeu e outros que não eram torcedores naquele momento estão confusos. Estes são ágeis nos teclados dos telefones e redes sociais mas não são torcedores, em outras palavras, são meros simpatizantes e muito mal educados.

 

(Re)Aprendendo (versão 2004)

Oscilante

Mais oscilante do que gangorra. Mais indecifrável do que escritos de ruínas nas cavernas existentes mundo afora. Assim está o Cruzeiro neste Brasileirão/2004.

Poucas pessoas conseguiram realmente determinar os motivos para que o Cruzeiro fique com uma performance como estão. Já trocaram o  treinador, saíram e entraram muitos jogadores, testaram as mais diversas alternativas, dentro e fora de campo. Entretanto, nada de convencer o torcedor de que dos motivos e as tentativas foram objeto de planejamento sério e profissional.

Está difícil até interpretar as motivações e desejos de cada uma das pessoas que decidem e encaminham as ações no Cruzeiro.

Talvez o mais esperto tenha sido o treinador Vanderlei Luxemburgo que arrumou um jogo de cena para pular fora do barco que tinha tudo para ficar a deriva. Ainda não está à deriva, mas está totalmente sem rumo e, como se não bastasse, Luxa ainda saiu argumentando que queria ficar.

Torcedor (Re)Aprendendo

Ao torcedor resta (re)aprender a torcer.

Torcer imaginando (só imaginando) que os objetivos e sonhos do torcedor sejam os mesmos da direção, do time e da comissão técnica.

A fase de 2003 acabou, torceremos para voltar, independente dos comandantes e das comissões técnicas.

Com toda a certeza, é muito difícil a readaptação deste torcedor, até mesmo porque parcela da torcida, de tão inebriada que ficou, faz a defesa cega de inúmeros erros apresentados nesta temporada pelos majestosos títulos de 2003.

Tem muito torcedor que não quer reaprender a torcer, quer ficar com o sonho de 2003 para sempre. Não passam de tolos simpatizantes e torcedores de ocasião; e desconhecem que é o espírito crítico que sempre teve a torcida do Cruzeiro (que a mídia define como exigente). Esse espírito crítico é que sempre levou os dirigentes a fazerem as coisas da melhor maneira possível, de forma a rever de tempos em tempos seus encaminhamentos e seus resultados.

A torcida do Cruzeiro ficou mal acostumada, como dizem muitos torcedores, aos títulos, as conquistas e o ápice foi o ano de 2003. Como nas parábolas e analogias, subir como o Cruzeiro subiu foi muito difícil e sofrido mas cair é muito fácil e quanto mais se sobe o tombo é mais dolorido, mais desesperador.

Mas isso tudo só acontece quando o torcedor não tem a disposição de entender o (Re)Aprendendo a torcer.

Aprender ou Reaprender

O torcedor do Cruzeiro é privilegiado e torna-se natural quando ele ainda permanece na comemoração das glórias de 2003. Contudo, pelas discussões e opiniões que vemos na lista-cruzeiro (mantida pelo site www.cruzeiro.org) ficamos apreensivos pelo tempo que a maioria dos torcedores irão reaprender a torcer.

Não se trata de mera suposição, trata-se de análise do tem tem levado estes torcedores a verem somente agora a deficiência de certos jogadores, alguns até então titulares e ídolos, que não era observada no ano passado.

Os critérios de avaliação vão ficando, cada vez mais, diferentes e absurdos, o que tende a se acirrar e levar a posicionamentos extremos, só para sustentar opinião. Por exemplo, torcedores pedem a dispensa de jogadores e contratação de outros sem ao menos parar e pensar no conjunto e necessidades do elenco. Não querem nem saber se a base pode oferecer algum jogador e muito menos nas metas e objetivos a serem atingidos pelo clube e pelo time.

Convido os torcedores cruzeirenses a ampliarem as fileiras dos que discutem as coisas do Cruzeiro a colaborarem para que reaprendamos a torcer e entender que títulos são sempre títulos e que títulos como o Brasileiro não vêem por acaso.

(Re)Aprendendo (Versão 2020)

Esse texto manteve-se, do ponto de vista do conteúdo, fiel ao espírito do texto original (certamente, podem ir lá conferir!). Por outro lado, existe uma grande diferença que é a falsa premissa sobre democracia no Cruzeiro e no país ou da importância de torcedor de rede social.

Como diria um professor que tive, “… meus meninos, vocês ainda não entenderam que as melhores ferramentas não fazem ninguém melhor profissional ou exímio conhecedor do que pode fazer aquela ferramenta …”.

Este texto é dedicado aos interlocutores recentes que tive e tentei mostrar que, mesmo “diplomados” em redes sociais, não conhecem de Cruzeiro. Desse modo, fica muito pior para eles quando são mal treinados em ferramentas, não conhecem de analogias e paralogismos aplicados à realidade.

Escrevo pouco sobre o Cruzeiro nesse blog pessoal. Entretanto, recomendo que os simpatizantes leiam “Príncipe Azul- Entendendo a Crise“. pode ser um bom caminho para (re)aprender a torcer (cruzeirenses e não-cruzeirenses) e, desse modo, #FicaaDICA !

Imagem: Reprodução Internet (O Vinho Azul entornou)

 

P. S. Rodapé da coluna original, do mesmo autor de “Contrato foi feito para quebrar” foi omitido.

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