Meu ano de 1987
Cruzeiro Torcida

Histórias Centenárias – Meu ano: 1987

Por Walisson Ferreira

Em primeiro lugar, essa coluna tem a pretensão de abrir uma sequência de coluna sobre o Centenário do Cruzeiro Esporte Clube. O objetivo dessas colunas é que o torcedor Celeste fale sobre sua história com o Cruzeiro e o ano mais marcante para ele na história do Cruzeiro.

Minha História

Minha história com o futebol e com o Cruzeiro começou cedo. Nascido em 1970, no interior de Minas, mais especificamente em Lavras. Minha família era dividida quanto ao time de futebol.

A família por parte do meu pai, assim como meu pai, não era muito ligada ao futebol e não tinha um time bem definido. Meu pai gostava de assistir um bom jogo. A família do lado da minha mãe, assim como minha mãe, era atleticana. A  família da minha mãe era muito atuante no futebol. Vale abrir um parêntese e deixar registrado minha gratidão ao meu tio Ruy (irmão de minha mãe) que sempre me levou ao estádio Coronel Juventino Dias para torcer para o
Fabril, mas isso é outra história. Hoje tenho irmãs atleticanas, irmãos cruzeirenses e sou casado com uma atleticana.

Tinha, e ainda tenho, uma paixão enorme pelo futebol. Minhas principais diversões na infância eram jogar futebol (em um campinho no meio do lixão em Lavras) e jogar futebol de botão. Na fazenda que meu falecido pai tinha e que eu passei boa parte da minha infância, ouvia jogos em um bom e velho rádio.

Naturalmente, os jogos eram basicamente do eixo Rio-São Paulo.

Logo, a predominância de torcedores do eixo Rio-São Paulo era forte.

Futebol

Sobre jogar futebol, embora eu jogasse praticamente todos os dias, o talento (ou falta dele) não permitiu seguir carreira. Sobre o futebol de botão, nesse eu tinha talento. Eu usava lentes de relógios como jogadores de linha e caixa de fósforo como goleiro. Acredito que todos relojoeiros de Lavras me conheciam, pois semanalmente passava em todas joalherias, pedindo lentes de relógio.

Organizava campeonatos de pontos corrido, mata-mata, jogava horas e horas sozinho. Tinha cadernos por temporada, artilheiros, histórico de campeões.

Enfim, tinha um Wikipedia do meu mundo de futebol de botão. Organizava campeonatos na rua e no bairro, com agenda, datas, horários… era mais organizado que a CBF.

E foi exatamente o futebol do botão que me levou ao Cruzeiro. Por essas ironias do destino, meu primo Celinho, primo por parte de pai que não ligava para futebol, nos idos 1977 me deu um time de botão com o escudo do Cruzeiro. Meu primo me apresentou esse time como campeão da Libertadores (eu não tinha menor ideia do que era isso) de 1976.

Nesse time o centroavante era o Revetria e ainda tinha Nelinho, Zé Carlos, Eli Carlos, entre outros.

Após 1977, eu tinha 7 anos, como foi difícil ser Cruzeirense. Interior de Minas dominado pelo eixo. Minas dominada pelo atual rival citadino. Seleção Brasileira de 1982 que faz parte da minha vida do futebol (outra coluna). Cruzeiro conhecido como a geração de Tobi e Bendelak, tenho ressalvas (outra coluna).

Minha estréia no Mineirão foi no último jogo da final do Mineiro de 1984, apesar do título, derrota por 1 a 0. Não foi fácil, mas para usar palavra da moda: RESILIÊNCIA.

O ano mais marcante, 1987.

O ano que marcou minha relação com o Cruzeiro foi em 1987. Mudei de Lavras para BH em agosto de 1987 para terminar o 3º ano científico (3º ano do ensino médio atual) com o objetivo de fazer Computação. E no início de agosto, meu primeiro dia a caminho de BH, acompanhei o Cruzeiro ser campeão mineiro em 02/08/1987 com vitória de 2 a 0 sobre o rival local pelo rádio.

Durante o segundo semestre de 1987 aconteceu a Copa União e passei efetivamente a frequentar as arquibancadas do Mineirão. Saia do Santo Antônio, passava pela Rua Bahia, encontrava meus amigos Paulo César e Guilherme e íamos para a Getúlio Vargas pegar o 2004 com destino ao Magalhães Pinto.

Em 03/12/1987 o Cruzeiro fez semifinal

No dia 03/12/1987 o Cruzeiro fez o jogo de volta semifinal da Copa União após um empate em 0 a 0 no Beira Rio. Sai do Pitágoras após uma aula de reforço para o vestibular na correria para o Mineirão.

Melhores Momentos (Narração Galvão Bueno – Youtube)

Estava com diarreia das bravas, mas fui assim mesmo (usei o banheiro do Mineirão umas 3 vezes rsrsrs). Na entrada a torcida zoava o rival local que havia sido eliminado pelo flamengo na noite anterior…

Quando o Cruzeiro entrou em campo, estava de azul, quem conhece a história do Cruzeiro a importância da camisa branca em 1987. Além de jogar de azul, o Cruzeiro não entrou em campo com o Edson que para mim era uma referência.

Maus pressentimentos… resultado Cruzeiro derrotado e eliminado.

Em tempos difíceis para o Cruzeiro Esporte Clube quis resgatar essa história de amor ao clube para, quem sabe, servir para a torcida do Cruzeiro refletir sobre o papel dela na história do clube.

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