Uma alegria, uma mala vazia

Por Jorge Angrisano Santana | Em 31 de dezembro de 2009

Sem engenho e arte pra escrever algo novo sobre a passagem de ano, o Síndico recorre a poemas de Drummond, até há pouco inéditos, pra desejar, aos amigos do PHD, um 2010 pleno de saúde e felicidade.

Poemas de Dezembro

Carlos Drummond e Andrade

Dezembro de 1968

Procuro uma alegria
uma mala vazia
do final de ano
e eis que tenho na mão
-flor do cotidiano-
é vôo de um pássaro
é uma canção.

Dezembro de 1973

Uma vez mais se constrói
a aérea casa da esperança
nela reluzem alfaias
de sonho e de amor: aliança.

Dezembro de 1981

Fazer da areia, terra e água uma canção
Depois, moldar de vento a flauta
que há de espalhar esta canção
Por fim tecer de amor lábios e dedos
que a flauta animarão
E a flauta, sem nada mais que puro som
envolverá o sonho da canção
por todo o sempre, neste mundo

Dezembro de 1985

Quem me acode à cabeça e ao coração
neste fim de ano, entre alegria e dor?
Que sonho, que mistério, que oração?
Amor.

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