Um tiro no pé

Por Jorge Angrisano Santana | Em 1 de junho de 2010

Matheus Penido

Há alguns dias, pedi ao Jorge Santana pra escrever um “projeto de post” sobre o elenco celeste.

Minha intenção era debater com os amigos do blog a questão das cobranças que a torcida faz ao treinador Adilson Baptista analisando o material que ele tem em mãos.

Depois da partida contrao Botafogo, porém, resolvi mudar um pouco o tema do post e voltá-lo mais pra relação da torcida com o time e menos  pras qualidades e deficiências do elenco, já que esse é o novo “tema da moda”.

Não estive no Mineirão. Por não morar em Belo Horizonte, compareço muito menos que é recomendável prum torcedor fiel (se é que isso existe) ao Gigante da Pampulha.

Mas vi o jogo todo pela TV e percebi que a maioria esmagadora da torcida celeste foi ao estádio pra fuzilar o time com sua ira, de modo que só um chocolate em cima do Botafogo ia acalmar a turma, o que previsivelmente não aconteceu.

Os motivos da ralhação geral são variados, indo desde a implicância eterna com o treinador e alguns jogadores até a revolta pela falta de contratações da diretoria.

Não chego a tirar a razaão deles, afinal a decepção com a eliminação frente ao São Paulo foi grande e a maioria da turma, inocente como ela só, acreditou no papo de microfones provincianos e federais de que o Cruzeiro era mesmo favorito contra um time que lhe é superior em estrutura, grana, poder de atração e, por consequencia, com um elenco muito mais completo e variado.

Somado isso  com a postura que muitos classsificam de inerte da diretoria e a lendária infidelidade do torcedor tupiniquim, tivemos o show de horrores das arquibancadas na quarta.

Afinal, a maioria dos torcedores é absolutamente incapaz de diferenciar a posição de origem de um jogador de uma função que ele pode exercer em campo.

Dessa forma, quando qualquer coisa sai do que ele encara como “normal” apela pros “criativos” gritos de burro.

E como o treinador também se lixa pros gritos da arquibancada na hora de substituir, eles se se tornam mais constantes. O caso clássico foi a substituição de Roger por Ken na quarta.

Adílson Baptista, provavelmente, pensou que com Pedro Ken em campo teria alguém pra aacompanhar o perigoso ala-esquerdo do Botafogo Somália e assim liberaria Jonathan pra puxar contra-ataques como aliás ele já fez em outras partidas, e escolheu Roger pra sair porque esse já não tinha mais fôlego pra jogar em velocidade, o que o time precisava àquela altura.

Se dá certo ou não é outra história e depende da qualidade e capacidade de compreensão tática dos jogadores, mas pro torcedor é tudo simplismente fruto da covardia do treinador que troca um armador por um volante, com medo.

Motivos a parte, o fato é que o Botafogo jogou “em casa” e o Cruzeiro, que também jogou mal, só levou os 3 pontos pelos desfalques do adversário e pela grande fase de seu goleiro.

Claramente, o time titular do Cruzeiro está mal, devido basicamente a má fase de alguns jogadores e a falta de substitutos minimamente qualificados.

A zaga que já  não era uma “Brastemp” ano passado não foi reforçada e pra piorar o único zagueiro relamente confiável do elenco tem alternado boas e más partidas.

Nas laterais, Jonathan não brilha mais como em 2009, embora continue sendo um dos melhores da posição no Brasil, e Renan continua fraco na marcação e ficou mais previsível no ataque.

Na frente, Kleber também ainda não repetiu o primeiro semestre de 2009 e tem sido o antes odiado Ribeiro quem anda resolvendo as paradas.

E, finalmente, na linha de volantes, coração desse time desde sua formação, é que as contestações andam mais fortes. Menos pelo mau futebol e mais pelo eterno ódio que alguns nutrem pelos pupilos do treinador: Herique e, acima de tudo, e Maqruinhos Paraná.

E a armação também anda comprometida por depender de dois jogadores de muita categoria, mas pouquíssimo vigor físico.

É por essas e outras que em quase todas as partidas o time tem dependido dos milgares do iluminado goleiro Fábio.

Temos, portanto, um time bom, mas com vários jogadores vitais em viés de baixa, além um banco que parece não ter vindo ao mundo pra facilitar a vida do treinador.

E o x da questão do post é justamente sobre a relação da torcida com esse time que hoje representa o clube.

O que aconteceu na quarta, independentemente dos motivos, foi uma demosntração de burrice em seu estado mais puro da torcida celeste, que pra piorar, ainda foi vista em TV aberta por todo Brasil nas transmissões da Globo e da Band.

Burrice, sim, pois atitudes como essa, além de não transformarem jogadores toscos em craques (normalmente até atrapalha) dão força pros adversários.

Uma senha perigosa que já levou vários clubes do porte do Cruzeiro a Segunda Divisão nacional, a qual mtos “sábios” acreditam que o o time celeste é imune.

Torcedor que realmente gosta do clube devia ir ao Mineirão pra apoiar o time que anda em dificuldades, sem exigir espetáculos em troca, pois isso o time atualmente não pode dar.

Viórias simples como contra o Botafogo serão valiosas não só na tábua de classificação como também na recuperação de um time que dá sinais de decadencia.

Àqueles que atrelam seu apoio aos famigerados “reforços de peso”, algo que sabemos não acontecerá, recomendo o sofá de cara ou até mesmo um passeio no parque ou algo que o valha. É hora do torcedor ser, acima de tudo, inteligente.
 
P.S.: Antes que alguém me acuse de estar a serviço da direção do clube ou de ter uma visão “quase oficialista”, esclareço: não conheço ninguém da diretoria e também tenho duras críticas a ela, pricipalmente pela falta de transparência e também de alternativas de arrecadação. O objetivo do post foi passar minha visão sobre o que eu considero um “tiro no próprio pé” que parte da galera celeste anda dando. Quem duvida, recomendo que se lembre dos emplumados em 2005.
 
Matheus Tavares Penido, 23, cruzeirense, estudante de Direito na UIT, nasceu e mora em Itaúna.

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