Um peso, duas medidas

Por Jorge Angrisano Santana | Em 29 de julho de 2010

Recebi este e-mail do Dr. Silvério Cândido, advogado e cruzeirense incondicional.

Vai dar briga, pois os empedernidos defensores do Atlético-MG, que pululam neste blog, vão chiar.

Prometo não entrar na confusão. Vou apreciar a o rebolation dos adversários mal disfarçados à distância.

Prezado blogueiro:

Sócrates, principal referência da tradição filosófica ocidental, dizia que “não pode haver para um peso, duas medidas”.

Embora compreenda que este espaço azul é democrático e aberto a todas as opiniões e manifestações de torcedores, não gostaria de usá-lo para falar da situação do nosso maior rival (se é que existe, de fato, rivalidade em razão da disparidade de títulos conquistados por nós).

Mas é impossível acompanhar a cobertura da mídia mineira sem ao menos tecer alguns comentários sobre sua inc0erência.

Após a 7ª derrota no Brasileiro, Vanderlei Luxemburgo, considerado um dos melhores técnicos do país, disse que a derrota para o Internacional serviu pra “encaixar o jogador Serginho como volante” e  que isso foi positivo.

Nessas horas, é que percebo como a imprensa mineira está prenhe de hienas.

Grande parte da midia local bate no peito pra dizer que o time do lado de lá da lagoa tem um elenco “fantástico”, um presidente “profissional” e o “melhor treinador do país”.

E considera normal o time preto e branco estar na zona de rebaixzamento acumulando sete derrotas em onze jogos.

A cada rodada, o presidente e o treinador do rival citadino inventam novas balelas pra justificar o fracasso do projeto alvinegro.

Pra justificar a derrota frente ao Inter, o técnico disse que prepara um time para o ano que vem. E isto foi absorvido com naturalidade pela imprensa local.

Com menos de um terço do torneio disputado, um treinador joga a toalha e nenhum cronista esportivo mineiro (excluo aqui Tostão, talvez o único comentarista sensato e imparcial de Minas Gerais) discute a sério a situação do rival.

Não derramam sobre o técnico emplumado as mesmas críticas que despejavam sobre o ex-treinador cruzeirense, Adilson Batista.

Quantas pedras os entendidos da mídia estariam atirando em Zezé Perrella e Adílson Baptista se o Cruzeiro estivesse na posição em que se encontra seu rival?

Quais seriam as manchetes se o Cruzeiro, que tem a maior torcida de Minas, superioridade em títulos, nacionais e internacionais, estivesse na Zona do Rebaixamento, treinado por um técnico sem grandes títulos no currículo e dirigido por um presidente que não dá papo para intrigas da imprensa?

A resposta, todos nós já sabemos: crise total!  Entretanto, para as hienas, está tudo normal do outro lado da lagoa.

Um peso e duas medidas, este é o critério da mídia esportiva mineira.

Saudações cruzeirenses,

Silvério Cândido

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