Um dia de sorte e glória

Por Jorge Angrisano Santana | Em 13 de agosto de 2010

Nesta sexta-feira, 13ago10, comemora-se os 13 anos da segunda conquista da Copa Libertadores pelo Cruzeiro.

Por e-mail, Davson Bruno Peixoto enviou o texto abaixo pra lembrar a efeméride.

Amigos cruzeirenses:

Hoje é sexta-feira, 13 de agosto. Para os superticiosos um dia temível, no qual se deve evitar passar debaixo de escadas, cruzar com gato preto, deixar os chinelos virados e outras tantas superstições. Segundo os historiadores não existe um fato exato que explique a origem da “sexta feira 13, dia de azar”, apesar das muitas estórias que tentam explicar a origem do tal mito.

O futebol também tem supertições que envolvem o 13. É impossível, por exemplo, esquecer Mário Jorge Lobo Zagallo, que tem fixação neste número. Vai saber se funciona ou não, mas o certo é que ele ganhou 4 Copas do Mundo.

Seja lá como for, a torcida cruzeirense tem motivos de sobra para comemorar este 13 de agosto de 2010, pois foi numa noite fria de 13 de agosto de 1997 que ela viu seu time entrar no gramado do Mineirão para conquistar mais um valioso troféu, o segundo de seu clube na Taça Libertadores da América.

A decisão era contra os peruanos do Sporting Cristal, um time mediano no cenário sul-americano, mas que chegava a decisão com propriedade, deixando no caminho gigantes do porte de Vélez Sarsfield (0x0 e 1×0), e Racing (2×3 e 4×1), além de, indiretamente, Peñarol e Racing, que estavam em seu emparceiramento a partir das oitavas-de-final e foram eliminados pelo Racing.

A primeira partida da decisão ocorreu uma semana antes, em Lima, e terminou 0x0.

O Cruzeiro não tinha um time de estrelas como o São Paulo, Palmeiras e Flamengo, mas era competitivo e com atletas acostumados a grandes decisões, casos de Palhinha II, Dida, Marcelo Ramos e outros.

O jogo de volta foi truncado. Os peruanos vieram com a proposta de se defenderem e tentarem a sorte em contra-ataques. Já o Cruzeiro partiu pra cima desde o começo querendo decidir logo.

Nas arquibancadas, mais de 100 mil cruzeirenes gritavam e cantavam empurrando o time. A torcida só se calou quando, aos 13 do 2º tempo, num lance rápido de contra-ataque do Cristal, o brasileiro Julinho sofreu falta na entrada da área.

Bonnet cobrou com força, rasteiro, no canto do goleiro Dida, que mergulhou praticando incrível defesa. Julinho ainda apanhou o rebote, mas Dida, mesmo caído, defendeu o chute à queima-roupa, com as pernas.

Quem estava naquele 13 de agosto de 1997 no Mineirão conhece bem a emoção que tento passar nesta minha narrativa do lance que ficou marcado como se fosse um gol. Eu me lembro bem, pois estava bem atrás do gol onde ele aconteceu.

Dois comentários chamaram a atenção em relação ao lance milagroso. Primeiro, o do saudoso radialista da Rádio Itatiaia, Carlos Cesar Pinguim, após a defesa do Dida. Ele animou os mais de 100 mil torcedores presentes dizendo: “O Cruzeiro nao perde mais a libertadores, o Cruzeiro não perde mais a Libertadores, depois dessa defesa do Dida…”

O segundo comentário foi do narrador da TV Globo, Galvão Bueno, que no momento da defesa afirmou: “Se o titulo vier, metade dele já tem dono!” Referia-se a Dida.

A defesa foi um aditivo para o entusiasmo das arquibancadas e para o time em campo. Depois dela, aos 30 minutos, veio o tão esperado gol, após cobrança de escanteio por Nonato.

O lateral cruzou da esquerda, a bola resvalou na defesa e sobrou para o canhoto Elivelton que, do lado direito, chutou meio mascado. Balerio falhou na tentativa de defesa e a bola beijou a rede. Gooooolll!!!

O grito ecoou pelas arquibancadas. A partir daí, o estádio ficou em festa até o final da partida. Fois uma das maiores emoções já vividas pelo Gigante da Pampulha. Era o Cruzeiro, de novo, no topo das Américas repetindo o feito de 1976.

Recordar é viver. Parabéns, torcida do Cruzeiro!!!

Abraços
Davson Bruno Peixoto

Notas do Blogueiro:

Sporting Cristal 0x0 Cruzeiro, quarta-feira, 06ago97, 21h50, Estádio Nacional, Lima, Peru, jogo de ida das finais da Copa Libertadores 1997 – Juiz: Byron Moreno (equatoriano) – Cartão Vermelho: Cleison (Cru, 44 do 2º) – Sporting Cristal: Júlio César Balério; Manuel Marengo, Marcelo Asteggiano, Miguel Rebossio (Erick Torres, 8 do 2º); Vasquez (Alex Magallanes, 17 do 2º), Jorge Soto, Manuel Marengo, Pedro Garay, Nolberto Solano e Alfredo Carmona (Andrés Mendoza, 17 do 2º); Julinho e Luiz Alberto Bonet. Tec: Sérgio Markarián / Cruzeiro: Dida; Vítor, Gelson Baresi, Wilson Gottardo e Nonato; Fabinho, Ricardinho e Donizete Oliveira; Palhinha II (Tico); Cleison e Marcelo Ramos (Da Silva). Tec: Paulo Autuori

Notas
1. Sporting Cristal era tricampeão peruano (94 / 95 / 96)
2. Não puderam ser escalados o meia Prince Amoako e o lateral-direito Jílio Rivera, suspensos.
3. Terceiro clube mais popular o Peru, o Sporting Cristal era patrocinado pela cerveja Cristal. Universitário e Alianza Lima, os mais populares, pelas concorrentes, Cuzqueña e Pilsen, respectivamente.
4. Clubes brasileiros não podiam ser patrocinados por marcas de cigarro e de bebidas alcoólicas. O Cruzeiro estampava a marca Energil C, uma vitamina do Laboratório EMS, em sua camisa.

Cruzeiro 1×0 Sporting Cristal, quarta-feira, 13ago97, 21h50, Estádio Magalhães Pinto (Mineirão), Belo Horizonte, jogo de volta das finais da Copa Libertadores 1997 – Público: 95.472 pagantes; 105.853 pagantes – Renda: R$888.072,50 – Juiz: Javier Castrilli (argentino) – Bandeiras: Luíz Olivetto e Gerado Bertoni (argentinos) – Gol: Elivélton, 30 do 2º tempo – Cruzeiro: Dida; Vítor, Gelson Baresi, Wilson Gottardo e Nonato; Fabinho, Ricardinho (Da Silva, 26 do 2º), Donizete Oliveira; Palhinha II; Marcelo Ramos e Elivélton. Tec: Paulo Autuori / Sporting Cristal: Julio César Balério; Júlio Rivera, Marcelo Asteggiano, Manuel Marengo e Nolberto Solano; Jorge Soto, Pedro Garay Erick Torres (Roger Serrano, 28 do 2º) e Prince Amoako (Alfredo Carmona, 11 do 2º); Julinho e Luiz Alberto Bonnet Bonnet (Ismael Abrahamson, 40 do 2º). Tec: Sérgio Markarián

Notas
1. Garay (paraguaio), Balerio (uruguaio), Asteggiano (argentino), Amoako (ganês) e Julinho (brasileiro) eram os estrangeiros do Cristal.
2. O Presidente do clube, Francisco Lombardi, era o cineasta mais famoso do Peru.
3. O técnico Sérgio Markarián era uruguaio.
4. Na véspera da decisão, Paulo Autuori informou que sairia do Cruzeiro, mesmo com uma vitória.
5. A Libertadores teve 21 participantes, 90 jogos, 242 gols. Os artilheiros foram Acosta (Universidad Catolica, 11 gols), González (Bolívar, 9) e Basay (Colo Colo, 8).
6. Vídeo com gols do Cruzeiro.

Deixe um comentário

Você precisa fazer o login para publicar um comentário.