Um Constellation pousou na Mantiqueira

Por Jorge Angrisano Santana | Em 6 de junho de 2011

Franklin Bronzo

Vila do Carmo x Olimpic sempre foi o maior clássico de Barbacena. Era jogado nos estádios São Sebastião, do Vila, e Santa Tereza, do Olimpic.

Os coadjuvantes – de respeito! – eram o América e o Andaraí.

Importante é que havia futebol de boa qualidade na Mantiqueira. Futebol que, vez ou outra, desafiava os grandes times de centros maiores.

Lembro-me de um destes confrontos em especial. Em fins da década de 50, o América, que, na época, era um dos grandes do futebol carioca, fez um amistoso contra o Olimpic Club.

Eu, menino, livre nas férias escolares (ô tempo bom…), tive o privilégio de acompanhar, dentro do gramado do Santa Tereza, o aquecimento de americanos e olimpiquenses.

No gol do Olimpic, estava Danton, o maior goleiro barbacenense de todos os tempos.

Do lado oposto, junto à lateral, perto de mim, batia bola um negro alto, esguio e forte. Era Pompéia, o famoso goleiro do time rubro, que seria campeão carioca em 1960.

Eu admirava sua elasticidade. Observava atentamente seus vôos em direção à bola, chutada pelos seus companheiros.

De repente, notando meu interesse, ele se aproximou e me perguntou:

– Garoto, parece que você gosta mesmo de futebol… Pra que time você torce?”

Respondi:

– Vasco, no Rio, Olimpic, aqui.

Uma simples troca de palavras com um ídolo valia boas recordações para os garotos de então.

No dia seguinte, eu estava nas arquibancadas, para assistir ao duelo entre Danton, sóbrio e sempre bem colocado, e o elástico Pompéia, eternizado na história do futebol brasileiro como o Ponte Aérea.

Ou, como dizia Waldir Amaral, locutor da Rádio Globo, “O Constellation”.

Não me recordo do placar. Mas jamais vou me esquecer dos ídolos.

Franklin Bronzo, engenheiro, cruzeirense, nasceu em Barbacena e mora em Belo Horizonte.

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