Posts com a Tag ‘Rio de Janeiro’

Pelas Olimpíadas, Rio foi à guerra

domingo, 28 de novembro de 2010

Numa resposta aos atos terroristas do narcotráfico, o governo carioca associou-se às Forças Armadas e ocupou a Vila Cruzeiro durante a semana. Hoje, invadiu o Complexo do Alemão.

Acuados, alguns bandidos estão se entregando. Mas ainda não se tem idéia dos desdobramentos dessa guerra. O Rio precisará de tempo, muito tempo, pra curar suas feridas.

Completar a pacificação da cidade, que está apenas se iniciando, é mais importante do que sediar jogos da Copa das Confederações e da Copa do Mundo.

(mais…)

Carmona: “Foi um jogo de encher os olhos”

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

pitacos de protagonistas e blogueiros acerca do Botafogo 2×2 Cruzeiro, no Engenhão, Rio de Janeiro, pela 23ª rodad do Campeonato Brasileiro de 2010, em 18set10:

(mais…)

O Bom Montillo estraçaiou. De novo!

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Atuações dos celestes e seus adversários no Botafogo 2×2 Cruzeiro, no Engenhão, Rio de Janeiro, pela 23ª rodada do Campeonato Brasileiro de 2010, em 18set10:

(mais…)

Botafogo 2×2 Cruzeiro: Noite dos artilheiros Montillo e Montinho

sábado, 18 de setembro de 2010

Em 3º lugar com 40 pontos, se vencer, o Cruzeiro pode até chegar à liderança. Se perder, fica em 4º lugar.

Marquinhos Paraná e Wellington Paulista, contundidos, desfalcam o time celeste.

Em 4º lugar com 37 pontos, o Botafogo pode chegar à vice-liderança, se vencer. Perdendo, pode cair uma ou duas posições.

Jobson, Marcelo Cordeiro e Marcelo Matos, contundidos, desfalcam o alvinegro carioca.

(mais…)

Itatiaia fará falta?

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Esta notícia postada pelo Sangue Azul (quem a confirma?) traz uma dúvida: a Itatiaia é ou não é importante para o Cruzeiro?

A Rádio Itatiaia de Uberlândia foi vendida. A partir de hoje, pertence ao Grupo Vitoriosa e ostentará este nome.

O novo dono é o Senador Wellington Salgado que “investe” em Universidades, radios e TV no Distrito Federal, no Rio de Janeiro e no Triângulo Mineiro.

Será que não teremos mais transmissões dos jogos do Cruzeiro pra Uberlândia ?

Se isto acontecer, ser’um golpe terrível para o crescimento da torcida cruzeirense na região.

E agora? Mais Itatiaia ou menos Itatiaia?

Torcida só não leva 10 por causa do rojão

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Atuações dos celestes e seus adversários no Vasco 1×1 Cruzeiro, em São Januário, Rio de Janeiro, pela 17ª rodada do Campeonato Brasileiro de 2010, em 28ago10:

  • Cuca – Armou bem o time e fez as substituições recomendadas. Quando se preparava pra colocar dois meias, Montillo pediu pra sair. (João Chiabi Duarte)
  • Torcida – Compareceu em bom número, empurrou o time e só não leva dez com louvor porque um gaiato atirou um rojão na torcida local. Vai ser desajuizado assim lá no raio que o parta! (Síndico)

(mais…)

Vasco 1×1 Cruzeiro: Empate foi pouco

sábado, 28 de agosto de 2010

Em 6º lugar com 24 pontos, o Cruzeiro pode avançar até 3 posições. Se perder, pode cair 5 posições.

Cuca terá Fabrício e Thiago Ribeiro de volta, mas pode ficar sem Jonathan, que, após sentir-se mal pode ficar fora da equipe.

Em 9º lugar com 22 pontos, o Vasco pode entrar no G4 se vencer. Perdendo, cai de uma a quatro posições.

PC Gusmão poderá escalar Carlos Alberto, que volta de suspensão, mas não terá o volante Rômulo, suspenso pelo terceiro amarelo.

Felipe deve ceder a lateral-esquerda a Irrazábal e ser transferido para o meio de campo.

(mais…)

Cruzeiro: 1º em Minas, 4º no Sudeste, 7º no País

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

JS:

Segue o resultado da Pesquisa Placar / Lance! 2010 para alguns Estados. Eles estão publicados no site do jornal.

Dstque negativo é o desempenho dos clubes paranaenses em casa. O positivo é o da torcida gaúcha, que torce por seus clubes. 

Minas Gerais

  1. Cruzeiro – 30,5%
  2. Atlético-MG – 23,6%
  3. Flamengo – 7,7%
  4. Corinthians – 5,5%
  5. América – 1,1%
  6. Ipatinga e Uberaba – 0,1%
  7. Demais grandes de RJ e SP – 8,7% 

São Paulo

  1. Corinthians – 35,2%
  2. São Paulo – 20,8%
  3. Palmeiras – 11,8%
  4. Santos – 9,2%
  5. Flamengo – 1,1%
  6. Cruzeiro, Grêmio, Vasco, Guarani e Ponte Preta – 0,3%
  7. ASA de Arapiraca, Sport, Santa Cruz, Fortaleza, Botafogo, Atlético e Atlético-MG – 0,1% 

2º clube de preferência em SP

  1. Flamengo – 7,0%
  2. Vasco – 1,3%
  3. Cruzeiro – 1,1%
  4. Fluminense – 0,8%
  5. Grêmio – 0,7%
  6. Botafogo – 0,6% 

Rio de Janeiro

  1. Flamengo – 45,5%
  2. Vasco – 17,8%
  3. Fluminense – 10,2%
  4. Botafogo – 9,3%
  5. Cruzeiro, América, Avaí – 0,5%
  6. Demais grandes de Minas e São Paulo – 0,2% 

2º clube de preferência no RJ

  1. Corinthians – 3,5%
  2. Cruzeiro – 0,7%
  3. Avaí – 0,5% 

Rio Grande do Sul

  1. Grêmio – 52,1%
  2. Internacional – 35,3%
  3. Juventude – 0,9%
  4. Coritiba – 0,5% 

Paraná

  1. Corinthians – 17,8%
  2. Palmeiras – 13,3%
  3. Atlético – 10%
  4. São Paulo – 9,5%
  5. Coritiba – 6,0%
  6. Paraná – 1,5%

Abs,

Marcos Pinheiro

Cruzeiro na Libertadores V: 1976, Mundial em BH

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Mauro França e Jorge Santana

Mundial

Com a conquista da Libertadores 1976, o Cruzeiro se credenciou à disputa da Copa Intercontinental, nome oficial do Mundial Interclubes, naquela época disputado em dois jogos entre os campeões da América do Sul e da Europa.

O Bayern Munich, tri-campeão europeu, que se recusara a enfrentar o Independiente nos dois anos anteriores, aceitou jogar contra o Cruzeiro. As partidas foram marcadas para 21nov76 em Munique e 21dez76 em Belo Horizonte.

Excursão

Os jogadores celestes mal puderam comemorar o título da Libertadores. A delegação nem retornou para Beagá, onde certamente teria uma recepção triunfal. De Santiago, o time seguiu diretamente para Paris, escala inicial de uma excursão que se prolongou por todo o mês de agosto.

Nem houve tempo para descanso. Apenas quatro dias depois do histórico 3×2 sobre o River, em 03ago76, o Cruzeiro empatou por 1×1 com o Saint-Étienne, tri-campeão francês e vice-campeão europeu. Em 08ago176, o time celeste venceu o Nice por 4×3, com uma grande exibição.

A excursão continuou na Espanha, onde se realizavam vários torneios de verão, que os clubes brasileiros aproveitavam pra reforçar o caixa. Em La Coruña, no Estádio Riazor, o Cruzeiro disputou o Torneio Tereza Herrera, pela segunda vez consecutiva. Venceu o PSV Eindhoven por 2×0 e perdeu para o Real Madri pelo mesmo placar, com dois gols de pênalti.

No torneio seguinte, no Estádio Vicente Calderón, em Madri, o Cruzeiro perdeu para o Athletic Bilbao por 3×1 e venceu o Racing White, da Bélgica,  por 2×0.

No Ramon Sanchez Pizjuan, em 24ago76, o Cruzeiro empatou com o Sevilla por 1×1, mas foi eliminado nos pênaltis, por 5×3. Raul Plassmann defendeu uma penalidade, mas o juiz mandou repeti-la. Dois dias depois, o campeão sul-americano bateu o Hajduk Split, da Croácia, por 4×2, terminado em 3º lugar no Torneio de Sevilla.  

A excursão encerrou-se em 29ago76, no Estádio Municipal de Almeria com uma vitória por 3×2 sobre o time local. Foram 9 jogos, 5 vitórias, 2 empates, 2 derrotas, 18 gols a favor, 14 contra.

Financeiramente, o saldo da viagem foi ótimo, mas o custo técnico foi alto. Jairzinho, Vanderlei Lázaro, Nelinho e Wilson Piazza voltaram contundidos. Os dois últimos com mais gravidade, ficaram três semanas afastados do Campeonato Brasileiro, na época, chamado Copa Brasil.

Copa Brasil

Em 04set76, menos de uma semana depois do último amistoso na Europa, com cinco desfalques, o Cruzeiro estreou na Copa Brasil empatando com o Botafogo por 0x0 perante 10.294 torcedores, no Mineirão.  

Os desfalques constantes afetaram o rendimento do time. Zezé Moreira jamais conseguiu escalar o time completo no campeonato. Para complicar, Joãozinho também se contundiu com gravidade e ficou de fora da maior parte dos jogos.

Em um grupo de 9 equipes, o Cruzeiro ficou em 2º lugar ao lado de Coritiba, Atlético e São Paulo. Pelos critérios de desempate, ficou na 5ª posição (3 vitórias, uma por mais de dois gols de diferença, que valia 3 pontos; 4 empates e uma derrota). Como somente os quatro primeiros se classificavam, o time celeste teve que disputar a repescagem, que valia uma vaga para a 3ª fase do torneio.

Na repescagem, o Cruzeiro enfrentou Portuguesa, Londrina, Uberaba e Confiança. Somou 8 pontos (3 vitórias, uma de 3 pontos, e 1 empate) e ficou em 2º, um ponto a menos do que a Portuguesa. No último jogo, precisava derrotar o Londrina por dois gols de diferença pra ficar em 1º. Em 27out76, no Mineirão, diante de um público de quase 40 mil torcedores, Palhinha fez 1×0 no início do 2º tempo e foi só. Para surpresa de muitos, a menos de um mês do duelo contra o Bayern, o campeão sul-americano foi eliminado do Brasileiro.  

Racha

A eliminação precoce conturbou o ambiente na Toca. Carmine Furletti, vice-presidente de futebol, e Elias Barburi, o Tóia, diretor de futebol, criticaram Zezé Moreira, cujo esquema de jogo consideravam ultrapassado. Barburi queria a demissão do treinador. Mesmo afastado por doença, Felício Brandi bancou o treinador e responsabilizou os dirigentes, que teriam reforçado mal a equipe, pela desclassificação.

Em meados de outubro, o clube contratou o uruguaio Pablo Forlan, que aos 31 anos estava aposentado em Montevidéu. Zezé Moreira contava com a experiência e a garra do lateral, que disputara duas copas do mundo e havia sido campeão intercontinental com o Peñarol em 1966.  

Inverno

O Cruzeiro embarcou para a Alemanha com problemas. Nelinho, Piazza e Joãozinho vinham de longa inatividade. Dirceu Lopes, há mais de um ano parado, também estava fora de forma. O time estava sem ritmo, pois só jogou duas vezes após a eliminação no Brasileiro. Com equipes mistas, empatou em Maringá, com o Grêmio local, e no Mineirão, com o América carioca, por 0x0.

Além de tricampeão europeu, o Bayern era a base da Seleção Alemã campeã do Mundo em 74. Tinha celebridades como Sepp Maier, Franz Beckenbauer, Gerd Muller e Paul Breitner entre outros. No campeonato alemão, estava em 3º, a 4 pontos do líder.

Os alemães até foram corteses. De acordo com Raul, forneceram agasalhos e material de treino aos cruzeirenses. O próprio goleiro foi presenteado por Maier com luvas apropriadas para jogos com neve.

O jogo foi disputado sob uma nevasca. Em tais condições, o Cruzeiro foi cauteloso. Queria ao menos empatar e trazer a decisão para o Mineirão. Nelinho e Joãozinho, que foi substituído por Dirceu Lopes no 2º tempo, não estiveram bem. Mesmo assim, o time resistiu até os 35 o 2º tempo, quando Ulli Hoeness cruzou da direita, Morais não alcançou e Gerd Muller, na entrada da pequena área, dominou e chutou no canto direito de Raul Plassmann.

Dois minutos depois, Rummenigge começou a jogada pela esquerda, Muller fez corta-luz e Kapellmann, da entrada da área, bateu rasteiro no canto direito de Raul pra definir o placar e colocar os alemães em vantagem na decisão.

  • Cruzeiro 0×2 Bayern München, terça-feira, 23nov76, 1º jogo da decisão do Mundial Interclubes 1976, Olympiastadion, Munique, Alemanha – Público: 22.000 pagantes – Juiz: Luis Pestarino (Argentina) – Gols: Muller, 35, Kapellmann, 37 do 2º tempo – Cruzeiro: Raul Plassmann, Nelinho, Morais, Ozires e Vanderlei Lázaro; Wilson Piazza e Zé Carlos; Eduardo Amorim, Palhinha, Jairzinho e Joãozinho (Dirceu Lopes). Tec: Zezé Moreira / Bayern: Sepp Maier, Bjorn Andersson, Franz Beckenbauer, Hans-Georg Schwarzenbeck e Udo Horsmann; Bernd Dürnberger, Conny Torstensson e Jupp Kapellmann; Uli Hoenes, Gerd Müller e Karl-Heinz Rummenigge. Téc: Dettmar Cramer. 1: Maier, Schwarzenbeck, Beckenbauer, Hoenes, Kapellmann e Muller conquistaram a Copa do Mundo 74 pela Alemanha. 2. Torstensson e Andersson disputaram as Copas de 74 e 78 pela Suécia. 3: Maier jogou as Copas de 66, 70, 74 e 78. Beckenbauer jogou as de 66, 70 e 74 e foi técnico da Alemanha em 86 e 90, quando conquistou o título. 4. Rummenigge tinha 21 anos à época. Era um talento em ascensão. Jogou as Copas de 78, 82 e 86.  

Mesmo apontando a neve como vilã, Nelinho não deixou de observar que muitos jogadores –os principais– estavam fora das suas melhores condições físicas e técnicas, em entrevista à Placar:

  • “A neve deixou o nosso time muito inseguro. Logo no início, perdi umas três bolas bobas porque ia dar o drible e ela corria ao invés de ficar no meu pé. Além disso, eu –como o Jair, o Joãozinho, o Piazza, o Palhinha e o Dirceu– estava em péssimas condições. Tanto que joguei plantado. Só desci umas duas vezes.”

Revanche

Sem compromissos oficiais, os jogadores voltaram à rotina de treinamentos. Palhinha, com dores musculares, e Jairzinho, gripado, não participaram da primeira semana de treinamentos. Zezé Moreira, que pretendia apurar a condição física e técnica do elenco, era só preocupação.

O Cruzeiro disputou apenas um amistoso entre os dois jogos. Em 11dez76, venceu o Uberaba por 3×0, no Mineirão, perante 4 mil torcedores. Raul e Jairzinho ficaram de fora, enquanto Dirceu Lopes e Joãozinho atuaram o tempo todo.

Mesmo reconhecendo a força do adversário, o clima entre os jogadores era de confiança. Todos achavam possível reverter o resultado e conquistar o título. Acreditavam no pouco tempo de adaptação dos alemães ao calor fizessem a diferença, como o frio e a neve tinha feito na Alemanha. Zezé Moreira analisou o adversário e deu a receita para vencê-lo, em entrevista à Placar:

  • “Eles praticamente não têm posição fixa em campo. Há sempre um jogador a mais na marcação dos atacantes adversários e a recuperação deles é impressionante. Temos que partir para um jogo coletivo, rápido e objetivo, como naquelas partidas contra o Internacional, pela Libertadores.”

Zezé Moreira ficou aborrecido com o desfecho do jogo de ida:

  • Nós nunca poderíamos ter nos apavorado com o primeiro gol e partido pra cima deles que nem loucos. Deveríamos ter ficado quietinhos, no nosso esquema, porque a derrota de 1×0 era um excelente resultado para o Cruzeiro. Agora, eles entram aqui com 2×0 no placar. Isso lhes dá muita segurança e apóia qualquer sistema defensivo.

Mas não havia perdido a esperança:

  • Chegaremos lá. Precisamos entrar com os onze jogadores em perfeitas condições técnicas e físicas, caso contrário, será difícil vencer. Estamos treinando duro porque não adianta apenas marcar os gols necessários. É preciso, também, não tomar.

Verão

Enfim, na quinta-feira, 21dez76, o Mineirão recebeu pela primeira e única vez na sua história uma decisão de título mundial. O público oficial foi de 113.715 pagantes.

Saí da Fafich, no Bairro Santo Antônio, por volta de 13h e parei pra tomar cerveja e fazer a resenha do futebol com os colegas no Jorobó, um boteco na Contorno, quase na esquina de Carangola.

Por volta de 15h, saímos para o Mineirão em vários táxis. Eu e o Nílton Figueiredo, colega de Sociologia, tomamos um fusca amarelo sem banco dianteiro.

Na Catalão, sobre o viaduto do Anel Rodoviário, o motorista puxou o freio de mão e recomendou: “Se vocês querem ver o jogo, melhor irem a pé.”

Travou tudo. As pessoas largavam os carros no meio da pista e saiam correndo em direção ao estádio. No estacionamento, saquei o lance: havia dezenas de ônibus de todas as partes do país: Bahia, Rio, Goiás, Espírito Santo, Mato Grosso, Paraná, São Paulo e inúmeras cidades do interior de Minas.

Quando consegui entrar, não havia mais divisão de setores. Tentei furar os bloqueios de cada um dos acessos às arquibancadas, cadeiras e geral, sem sucesso. O Mineirão estava entupido.

O jeito foi assistir à decisão no corredor. Escolhi o Bar 22, cuja televisão, uma Philco com Bombril –aquela palha de aço que dizia ter mil e uma utilidades- nas pontas antenas, atendia a uma multidão incalculável. Havia superlotação até nas áreas de circulação.

No dia seguinte, o Estado de Minas estampava a manchete “Trânsito infernal na ida e na volta. A decisão mudou a vida da cidade”.  Os jornais informaram também sobre a invasão de mais de 20 mil torcedores vindos em caravanas, que não encontrando ingressos à venda, arrombaram os portões do estádio. Esse foi, sem dúvida, o maior público da história do Gigante da Pampulha. (Jorge Santana)

O Bayern chegou à BH no dia do jogo. Os jogadores foram para o hotel, descansaram poucas horas e foram para o Mineirão. Reconheceram o gramado e se aqueceram sob estrepitosas vaias da torcida.

Zezé Moreira escalou uma formação mais ofensiva, com um ataque com Jairzinho pela direita, Palhinha, Dirceu Lopes e Joãozinho. Eduardo ficou no banco.

O calouro de Engenharia, João Chiabi Duarte, relata suas impressões:

“Eu me lembro de ter chegado ao estádio por volta das 16 h. Os portões se abriram por volta das 18 h. Lá dentro, não dava pra levantar e sair, porque se perdia o lugar. O time deles era uma verdadeira seleção campeã do mundo. Fiquei no hall de entrada para vê-los passar. Sepp Mayer o goleiro tinha mãos imensas. Beckenbauer carregava os sacos como qualquer outro jogador. Não tinha essa de roupeiro, cada um fazia a sua parte. Lembro até hoje da cena. O Bayern entrou para aquecer com os seus agasalhos vermelhos da Adidas (sonho de consumo de todos nós naquela época), um calor infernal. Foi a maior vaia que eu já tinha visto em um estádio de futebol…

O Cruzeiro precisava de uma vitória por dois gols no tempo normal para forçar a prorrogação e pênaltis. A gente acreditava demais nos nossos craques. O jogo começou depois das 21h. O Cruzeiro fez uma ótima partida e parou sempre nas mãos de Maier ou nos desarmes fantásticos de Beckenbauer ou do Schwarzenbeck (jogava duro e não perdeu uma antecipação naquele dia). Houve lances incríveis durante o jogo. Uma cabeçada do Jairzinho, de costas, que o Sepp Maier só defendeu porque tinha mãos enormes. Ou a grande defesa do Raul no chute rasteiro e forte do Rumenigge, que ele tirou com a ponta do pé.  

No Cruzeiro, Dirceu Lopes parecia se ressentir da longa inatividade e não conseguia ter vantagem sobre a marcação implacável de Kapellmann. No 2º tempo, Zezé Moreira trocou-o por Forlan, que entrou na lateral direita, e adiantou Nelinho para a meia, para aproveitar o chute do lateral. E ele mandou três ou quatro varadas em direção ao gol alemão. Todas espalmadas ou socadas por Maier.

Rumenigge dava trabalho nos contra-ataques, mas sentiu uma contusão e deu lugar a Arbinger, que entrou para marcar as boas combinações que Nelinho e Forlan faziam pela direita. Palhinha, Joãozinho e Jairzinho brigaram com valentia contra os gigantes do time alemão e criaram as oportunidades. Embora não tivessem feito os gols, lutaram muito, como de resto, todo o time celeste.”

Mesmo sem o título, os jogadores celestes deixaram sob os aplausos da torcida, em reconhecimento pelo que fizeram. Foi um belo espetáculo proporcionado por dois grandes times. Um show de técnica e tática

  • Cruzeiro 0×0 Bayern München, terça-feira, 21dez76, 2º jogo da decisão do Mundial Interclubes-76, Mineirão, Belo Horizonte. Público: 113.715 pagantes – Juiz: Patrick Partridge (Inglaterra) – Cruzeiro: Raul Plassmann, Nelinho, Morais, Ozires e Vanderlei Lázaro; Wilson Piazza (Eduardo Amorim) e Zé Carlos; Jairzinho, Palhinha, Dirceu Lopes (Pablo Forlan) e Joãozinho. Tec: Zezé Moreira / Bayern: Sepp Maier, Bjorn Andersson, Franz Beckenbauer, Hans-Georg Schwarzenbeck e Udo Horsmann, Weiss, Conny Torstensson e Jupp Kapellmann, Uli Hoeness, Gerd Müller e Karl Heinz Rummenigge (Alfred Arbinger). Tec: Dettmar Cramer.  

Alguns lances ficaram da decisão mundial ficaram eternizados: duas incríveis defesas de Raul Plassmann, um drible de Joãozinho deixando o Kaiser Beckenbauer de bunda no chão e uma cabeçada de Jairzinho que, com o arco escancarado, mandou a bola no travessão.

João Saldanha culpou a cabeleira Black Power do atacante pelo desperdício. Segundo ele, a bola amorteceu naquela touceira ornamental. Para provar sua tese, o cronista saiu pelas ruas do Rio de Janeiro com uma bola e uma câmera filmando cabeçadas de outros cabeludos. Todas sairam chochas. 

Links:

  1. Vídeo de uma emissora alemã, com os gols da partida, com uma impagável participação do repórter Paulo Roberto escalando o time do Bayern.
  2. Trecho de um documentário do Sportv sobre Jairzinho, com imagens rápidas do jogo do Mineirão.
  3. Fernando Sasso narra alguns momentos ada decisão.

País das Maravilhas

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Victor Pimentel, torcedor do Fluminense, síndico do blog Blablagol postou este comentário no PHD.

Vale a pena discutir as idéias desse cara inteligente, ponderado e, especialmente, neutro nas rusgas mineiras. 

Ao “exigir” uma crítica imparcial e pertinente ao rival, os cruzeirenses, jogam contra seu próprio time.

Tiro pelo Rio de Janeiro, onde a mídia rubronegra (nem digo os jornais em si, mas torcedores com voz como nós) é useira em tergivesar os problemas como vocês sinalizam que a mídia atleticana faz.

O que percebe-se é que os desmandos na Gávea só são coibidos quando a vaca foi para o brejo.

Os demais clubes cariocas não são assim “uma Brastemp”, mas é perceptível maior agilidade no debate e exposição dos problemas por parte dos próprios torcedores e consequentemente, das midias voltadas para esses times.

Claro está que, cornetar por cornetar, não ajuda. Mas colocar o dedo na ferida é sempre útil, especialmente, se for feito antes de infeccionar de vez. É a auditoria.

Tirar o Atlético-MG do País das Maravilhas só o ajudaria em médio prazo.