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Apesar da sapatada, torcida foi o destaque

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Atuações dos celestes e seus adversários no Cruzeiro 0x0 Grêmio Prudente, no Ipatingão, pela 13ª rodada do Brasileiro 2010, em 08ago20.

Por Matheus Reis, 26, cruzeirense, itabirano, doutorando em Filosofia pela UFMG.

  • Fábio – Não teve que fazer os milagres costumeiros, embora tenha defendido bola difícil de Rafael Martins. Precisa melhorar o domínio de bola com os pés. Com os recorrentes recuos da zaga, pode acabar complicando.
  • Jonathan – Não encontrou o futebol de 2010. Parece estar saturado e como o Rômulo ainda não ameaça sua titularidade, continua confortável na posição. Fez primeiro tempo razoável e caiu com o time na segunda etapa.
  • Edcarlos – Boa partida. Seguro mais uma vez. E ainda se permite aparecer, vez ou outra, no ataque. Enquanto o time está com 4 volantes, tem quem segure. Só não pode se empolgar quando não tiver ninguém pra cobrir.
  • Cláudio Caçapa – Grande atuação que confirma seu crescimento desde que entrou no time. Firme nos desarmes e tranquilo nas saídas de bola. Limpou a barra do Diego Renan várias vezes.
  • Diego Renan – Não sei se a tal proposta do PSG chegara aos seus ouvidos, mas parecia um pouco desligado. Subiu muito menos do que o esquema de jogo lhe permitia. E, mesmo subindo pouco, teve problemas para conter os avanços do Grêmio Itinerante. Deu uma entrada dura em Paulo César no fim do primeiro tempo. Levou o revide na segunda etapa.
  • Marquinhos Paraná – O termômetro da meiuca celeste. Sai com a bola da defesa com tranquilidade, distribui o jogo, desafoga e lança. Hoje, até foi à linha de fundo, como o lateral daquela estréia em 2008 contra o Uberaba. Aquela em que queimou alguns milhares de línguas. Foi visível como o time perdeu o meio campo depois de sua saída.
  • Rômulo – Terceira partida seguida em que joga no meio campo, revezando a lateral com Jonathan. (Há quem diga que jogar com dois laterais direitos é invenção.) E é a terceira partida seguida em que não vai bem. Não atacou e tampouco defendeu.
  • Henrique – Ficou um pouco mais preso e marcou bem o time do Grêmio. Não conseguiu aparecer de cabeça como na partida contra o Grêmio. Pareceu um pouco perdido depois da entrada do Rômulo.
  • Fabrício – O leão de sempre no meio campo. Dos volantes, era quem mais saía. No primeiro tempo, ocupou bem o lado direito do ataque criando algumas situações e cruzando a maioria das bolas. No segundo tempo, ficou mais no meio sem arrumar muita coisa, mas com muita marcação.
  • Francisco Everton – Partida ruim. Caindo mais pelo lado esquerdo, não conseguiu criar, nem ajudou Diego Renan no setor defensivo. É um jogador que pode ser útil no decorrer do campeonato, mais ainda não mostrou qualidades para ser titular. É uma espécie de “Elicarlos do Cuca”.
  • Sebá – Até se movimentou, mas não conseguiu criar nada demais: apenas dois cruzamentos e uma cabeçada sem muito perigo.
  • Pedro Ken – Teve dez minutos para fazer algo e não fez. Até hoje não sei qual a real posição do garoto: 1°, 2° ou 3° volante? Meia? Precisa aproveitar essas raras chances que surgem porque, ao que parece, não terá muitas oportunidades de jogar.
  • Wellington Paulista – Muita luta, literal e figurada. A estrela que lhe brilhou no clássico não acendeu hoje. No primeiro tempo, carimbou duas traves. No segundo, chutou uma bola num lance em que poderia ter trabalhado com o Jonathan, mas estava de cabeça baixa. Tomou mais um cartão estúpido para a coleção. A coisa precisa começar a doer no bolso pra ver se aprende.
  • Robert – Partida pavorosa. Precisa melhorar e muito. Do contrário entrará para a história do clube ao lado de Carlinhos Bala e Weldon, jogadores que marcaram nas estréias oficiais e depois… Bem, melhor nem lembrar.
  • Cuca – Sofreu com os desfalques como o amigo de carnaval Cecílio. A diferença é que Toninho mexeu bem, enquanto Cuca foi infeliz. Como o Cruzeiro tinha dois atacantes presos, Cecílio meteu 3 zagueiros e o Cruzeiro pouco criou no segundo tempo. Ao tirar o Paraná, Cuca perdeu o meio campo. Na tentativa de recuperar o meio, Fabrício deixou de ocupar a faixa direita do campo, responsável pelas parcas chances do primeiro tempo. Rômulo, mais uma vez, entrou mal e não se entendeu com os companheiros. Robert e Francisco Everton, que não rendiam, ficaram em campo por tempo demais. Os meias devem voltar na próxima rodada, mas talvez seja interessante pescar um meia de criação nato lá na base, porque desfalques ocorreram, ocorrem e ocorrerão.
  • Torcida – Ótima presença. 10.109 dos 11.000 ingressos disponíveis. Um energúmeno jogou um tênis em campo e foi preso pela polícia, depois de receber alguns carinhos de outros torcedores. Não há de ser nada.
  • Juiz & Bandeiras – Nenhum erro muito grave, embora tenha deixado de dar amarelo para um jogador do Grêmio em lance de cartilha. O sujeito segurou Wellington Paulista na saída de um contra-ataque. No mesmíssimo instante, zapeei para Atlético x São Paulo e um jogador do Furacão recebia amarelo por falta idêntica. Vai entender esses critérios…
  • Grêmio Prudente – O rodado Paulo César deu algum trabalho para a defesa do Cruzeiro. E a dupla de zaga Paulão e Diego conseguiu anular o ataque celeste.

Cruzeiro 0x0 Prudente: Faltaram idéias

domingo, 8 de agosto de 2010

Em 5º lugar com 19 pontos, o Cruzeiro pode terminar a rodada em 3º se vencer.

Leonardo Silva, Gilberto e Roger Galera, contundidos, Gil e Thiago Ribeiro, suspensos, desfalcam o time celeste.

Em 13º com 14 pontos, o Prudente pode subir duas posições se vencer.

O treinador Toninho Cecílio não contará com os beques Leonardo e Anderson Luís e o volante Marcelo Oliveira, suspensos, e o atacante Wanderley, emprestado pelo Cruzeiro e, por isto, impedido de atuar.

Lances + importantes do 1º tempo

  • 18h20 – Prudente em campo com camisa branca, calções e meias azuis.
  • 18h27 – Cruzeiro entra em campo com uniforme tradicional.
  • 18h28 – Robert promete um gol para o pai, Seu Totó.
  • 18h30 – Cantora Sheila Regina canta o Hino Nacional a capela.
  • 18h35 – Começa o jogo. Cruzeiro à direita das tribunas.
  • 01 seg – WP chuta do meio de campo, goleiro defende.
  • 01 – Lançamento longo sobre a área prudentina, Giovanni defende.
  • 02 – DR, MP, Jonathan, Fabrício. Cruzamento da direita, goleiro defende.
  • 03 – Fabrício cruza da direita, Giovanni defende com dificuldade.
  • 04 – Fabrício, do meio de campo, joga bola na área. Giovanni defende.
  • 05 – Francisco Everton cruzada direita, Henrique cabeceia, pra fora.
  • 06 – Anderson acerta cotovelada em Henrique. Juiz manda seguir o jogo.
  • 08 – Prudente triangula pela direita, Paulo Cesar deixa bola escapar pela linha de fundo.
  • 09 – Robert tenta cruza pela direita, Anderson Pedra cede escanteio.
  • 10 – Robson lança. Fabrício, à frente da zaga, fica com a bola.
  • 11 – Diego renan arrisca de fora da área, bola pela linha de fundo.
  • 12 – Jonathan cruza da direita, bola sai pela linha de fundo.
  • 13 – Cláudio Caçapa, de carrinho, desarma Wesley na entrada da área.
  • 14 – Robson cobra falta sobre a área, Fábio defende.
  • 15 – Jonathan cruza da direita, WP arremata de primeira, pra fora.
  • 16 – Rafael Martins deixa Caçapa pra trás e chuta forte, cruzado. Fábio voa e espalma a bola pra escanteio.
  • 17 – Wesley cruza da esquerda, DR rebate dentro da área.
  • 19 – WP cruza da esquerda, Jonathan chega atrasado, bola sai pela linha de fundo.
  • 20 – Anderson Pedra para João Victor no meio, para Paulo Cesar, que cruza. Cláudio Caçapa rebate. Novo cruzamento, bola passa pela área sem perigo.
  • 22 – Everton bate falta sobre a área. Paulão, de cabeça, desvia para escanteio.
  • 23 – João Victor derruba Jonathan. Everton cruza sobre a área, defesa prudentina rebate.
  • 25 – Paulo Cesar faz lançamento de 50 metros procurando Rafael. Fábio sai do arco e fica com a bola.
  • 26 – João Victor chuta de longe, bola pra fora.
  • 27 – Com duas linhas de quatro, Cruzeiro tem posse de bola, mas nenhuma criatividade. Prudente é mais objetivo.
  • 28 – Robson derruba Everton e, depois, WP. Cartão amarelo.
  • 30 – Bola recuada, Fábio despacha. Marquinhos Paraná fica com a bola, avança e chuta forte, por cima do travessão, com perigo.
  • 32 – Paulo Cesar desarma Francisco Everton e dá um esticão. Edcarlos cede escanteio. Francisco Everton cobra, defesa rebate.
  • 33 – Everton cobra escanteio, pela direita, Edcarlos cabeceia, defesa corta.
  • 34 – WP chuta forte, de virada, da entrada da pequena área, bola acerta os dois postes, não vai pras redes e ainda volta para os braços de Giovanni, que não dá rebote.
  • 25 – Wesley recebe lançamento, chuta da entrada da área, bola pra fora.
  • 36 – DR tenta cruzar, defesa cede escanteio.
  • 37 – Jonathan cobra falta pela esquerda, Fabrício cabeceia pra fora.
  • 38 – Douglas Silva afasta bola da área com um chutão.
  • 39 – MP faz jogada de ponta direita e cruza. Paulão desvia pra escanteio.
  • 40 – Jonathan cobra escanteio pela direita, WP não consegue concluir e volta pra Henrique, que chuta por cima do travessão.
  • 41 – Fábio falha ao tentar rebater e cede escanteio. Paulo Cesar cobra escanteio, Caçapa afasta a bola da área.
  • 42 – Marquinhos Paraná passa a Fabrício, que cruza da direita. Douglas rebate.
  • 43 – Fabrício cruza da direita, Diego corta. Fabrício volta a cruzar, Robert conclui pra fora.
  • 44 – Robson cruza da esquerda, Everton corta.
  • 45 – MP lança Jonathan, que cruza. Diego despacha a bola.
  • 46 – Fabrício cruza da direita, Paulão corta de cabeça. Jonathan cruza da direita, bola sai pelo lado oposto. Fim de 1º tempo

Lances + importantes do 2º tempo

  • 19h37 – Prudente volta a campo.
  • 19h39 – Cruzeiro volta a campo.
  • 00 – Flávio Boaventura e Deyvid Saconni substituem Anderson Pedra e Robson. Toninho Cecílio adota o 3-5-2.
  • Jonathan: “Contra três zagueiros, ficará mais difícil pros nossos atacantes.”
  • 19h40. – Começa o 2º tempo.
  • 30 seg – Jonathan derrubado por Wesley.
  • 01 – Jonathan cruza, defesa corta.
  • 02 – Falta na intermediária prudentina. Francisco Everton cobra curto, Diego Renan chuta rasteiro, pra fora.
  • 03 – Francisco Everton cruza, Diego sai jogando.
  • 04 – Paulo Cesar cobra falta pela direita, Fábio tira de soco. Bandeira marca impedimento de Rafael.
  • 05 – Bola na área, Paulão corta.
  • 06 – Saconni cruza, caçapa corta pra escanteio. Saconni cobra escanteio, Marquinhos Paraná tira de cabeça.
  • 07 – Jonathan fica com rebote e chuta de fora da área. Giovanni defende.
  • 08 – Caçapa derruba Rafael próximo à área. Paulo Cesar cobra, Paulão aparece pra concluir, em impedimento.
  • 10 – Rafael Martins erra lançamento, bola fica com Fábio.
  • 11 – Rômulo substitui Marquinhos Paraná. Vai jogar no meio de campo, Jonathan continua na lateral direita.
  • 12 – Caçapa recua bola para Fábio.
  • 13 – WP recebe falta na intermediária. Everton cobra, Edcarlos cabeceia pra fora.
  • 14 – Wesley cruza pela direita, Fábio sobe sozinho e fica com a bola.
  • 15 – Rafael Martins chuta de longe, por cima do travessão.
  • 16 – Mancha desarma Fabrício, corre com a bola e chuta de longe. Fábio defende.
  • 17 – Caçapa cabeceia bola cruzada de escanteio, pra fora.
  • 18 – Diego dá rasteira em Wellington Paulista, na ponta-direita, e recebe cartão amarelo.
  • 19 – Everton cobra falta pela direita, Giovanni fica com a bola.
  • 20 – Bola esticada na área, Fábio com ela.
  • 21 – Rômulo comte falta em Douglas Silva e recebe cartão amarelo.
  • 22 – WP passa a DR, que é desarmado na entrada da área.
  • 23 – WP chuta de longe, pra fora.
  • 24 – Sebá substitui Francisco Everton.
  • 25 – Paulo Cesar e Saconni trabalham pela direita. Caçapa faz o corte.
  • 26 – Paulo Cesar pisa no tornozelo de Diego Renan e recebe cartão amarelo.
  • 27 – Paulão dá bicicleta na entrada da área e quase acerta o rosto de Wellington Paulista. Tiro livre indireto na entrada da área.
  • 28 – Fabrício rola a bola pra WP, que chuta. Bola sai rente ao poste esquerdo de Giovanni.
  • 29 – Edcarlos recua, Fábio dá um chutão.
  • 30 – Diego Renan lança Wellington Paulista, que cruza. Robert não alcança.
  • 31 – Sebá cruza duas vezes da esquerda. Paulão corta a primeira, WP conclui a segunda pra defesa de Giovanni.
  • 32 – Prudente contra-ataca, Saconni chuta forte, da entrada da área, bola passa rente ao poste esquerdo.
  • 33 – Wesley chuta de fora da área, Fábio defende.
  • 34 – Rômulo cobra falta da direita, Giovanni defende pelo alto.
  • 35 – WP reclama e recebe cartão amarelo. Pedro Ken substitui Robert, que sai vaiado.
  • 36 – Sebá cabeceia, Giovanni defende. Prudente ataca com Wesley, Edcarlos recua pra Fábio.
  • 37 – Carlos Eduardo substitui Wesley. Fabrício levanta bola na área, Giovanni defende, mesmo recebendo falta de Edcarlos.
  • 38 – Torcedor arremessa tênis sobre o gramado. Juiz entrega o pisante para o quarto árbitro. Briga na arquibancada.
  • 39 – Bola cruzada na área, Edcarlos corta. Idiota que lançou o tênis no gramado é detido pela Polícia Militar.
  • 40 – DR cruza da esquerda, Paulão corta.
  • 41 – Fabrício cruza da direita, WP cabeceia, Giovanni defende.
  • 42 – Diego Renan derruba Rafael Martins na ponta direita. Paulo Cesar cobra falta, bola sai pelo lado oposto.
  • 43 – Wellington Paulista joga de beque e corta, sem querer, lançamento para área prudentina.
  • 44 – Cruzeiro troca passes, Sebá cruza da direita, DR chuta, defesa cede escanteio.
  • 45 – Rômulo lança bola sobre a área, WP cabeceia pra fora.
  • 46 – Pedro Ken trabalha bola com Jonathan pela direita. Bola fica com Rômulo, que chuta por cima do travessão.
  • 47 – Cláudio Caçapa derruba Carlos Eduardo, que puxava contra-ataque pela direita.
  • 48 – Fim de jogo. Torcida celeste vaia o time, que permanece no 5º lugar.
  • Rômulo: “Prudente veio fechado e nós não conseguimos trabalhar a bola. Montillo vai ajudar nosso time.”
  • Paulo César: “Wanderley faz falta, mas Wesley e Rafael deram conta do recado. Não jogamos pra empatar, mas o resultado não foi ruim.” 

Cruzeiro 0x0 Prudente, domingo, 08ago10, Estádio Municipal Epaminondas Mendes Brito, Ipatingão, Ipatinga, 13ª rodada do Campeonato Brasileiro 2010 – Transmissão: PFC – Público: 10.109 pagantes – Renda: R$165.984,00 – Juiz: André Luiz de Freitas Castro (GO) – Bandeiras: Fabrício Vilarinho da Silva e Marco Antônio de Mello Moreira (GO) – Amarelos: Robson, Diego (Pru); Rômulo, Wellington Paulista (Cru) – Cruzeiro: Fábio; Jonathan, Edcarlos, Cláudio Caçapa e Diego Renan; Fabrício, Marquinhos Paraná (Rômulo, 9 2º), Henrique e Francisco Everton (Sebá, 23 2º) Robert (Pedro Ken, 35 2º) e Wellington Paulista. Tec: Cuca / Prudente: Giovanni; Paulo César, Paulão, Diego e Douglas Silva; Rodrigo Mancha, Anderson Pedra (Flávio Boaventura, intervalo), Robson (Deyvid Sacconi, intervalo) e João Vitor; Wesley (Carlos Eduardo, 35 2º) e Rafael Martins. Tec: Toninho CecílioHistórico – Foi o 3º Cruzeiro x Grêmio Prudente (os outros dois aconteceram no Brasileiro de 2009 quando o clube se chamava Grêmio Barueri). Cada time venceu uma partida e houve um empate. O Cruzeiro marcou 3 gols e sofreu 4.

Falta vender ingresso numerado

domingo, 1 de agosto de 2010

Os estádios andam encolhendo.

Os torcedores engordam. Estão mal educados como nunca. As cadeiras engolem parte do cimento. E as autoridades ficaram espertas.

O Pacaembu, que já recebeu 72 mil torcedores, hoje, mesmo com o tobogã no lugar da concha acústica, suporta a metade.

O Maracanã já recebeu 183 mil torcedores num jogo da Seleção, hoje em dia, agora fica entupido com 90 mil.

O Mineirão dos 133 mil daquele histórico Cruzeiro 1×0 Villa, de 1997, depois de reformado, oferecerá 70 mil lugares.

E o Independência, cujo recorde foram os 33 mil do Brasileiro de Seleções de 1963, apesar de ampliado, ficará com 20 mil cadeiras.

A Arena do Jacaré, que já recebeu mais de 20 mil, só poderá abrigar 13.600 atleticanos no RapoCota de hoje à tarde.

Quando as obras estiverem concluídas, será um estádio pra 18 mil.

Corpo de Bombeiros, Ministério Público e Polícia Militar estão marcando os cartolas e administradores de estádios em cima do lance. 

Não permitem mais as superlotações e os poucos e inseguros acessos dos estádios.

Agora, falta impor -isto mesmo, impor- o lugar numerado. Com monitores pra conduzir o torcedor e passar uma flanelinha no assento antes de liberá-lo.

Se isto já estivesse em vigor, seria possível receber as duas torcidas num jogo como o de hoje.

Jonas: “Gente, eu e o Rodrigo somos amigos…”

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Pitacos de protagonistas e blogueiros acerca do Cruzeiro 2×2 Grêmio, pela 11ª rodada do Campeonato Brasileiro 2010, na Arena do Jacaré, Sete Lagoas, em 25jul10:

  1. André Kfouri, em seu blog: Henrique impediu, duas vezes, a vitória que tiraria o Grêmio da zona do espanto. Como diz o PVC: a Arena, por enquanto, é do Jacaré mesmo. Não é da Raposa e nem do Galo.
  2. Mário Marcos de Souza, em seu blog: Em Sete Lagoas, interior mineiro, o Grêmio ficou tão frustrado com o empate em 2 a 2, em um jogo em que foi melhor, que o vestiário entrou em crise no fim. Segundo relato do repórter André Silva, Jonas e o zagueiro Rodrigo brigaram no vestiário, chegaram a partir para a troca de tapas e tiveram de ser contidos pelo técnico Silas. Silas negou. Para ele, foi apenas uma discussão normal de vestiário, típica de um grupo que luta até o fim pelas vitórias. Em campo, jogando com três zagueiros, o Grêmio dominou o Cruzeiro, esteve sempre em vantagem (Borges e Douglas marcaram), mas cedeu o empate em duas falhas da defesa (Henrique fez os dois de cabeça). No segundo tempo, o Grêmio seguiu melhor. Jonas fez um gol de falta, mas surpreendentemente foi substituído pelo técnico logo depois, deixando o time sem seu melhor atacante. A maior frustração do torcedor do Grêmio certamente foi ver a equipe desperdiçar uma vitória que seria fundamental nesta altura do campeonato. Terá de partir para a recuperação.
  3. Vitor Birner, em seu blog: O 1° tempo em Minas Gerais se desenrolou em ritmo lento. No minuto final, Borges fez 1×0 para os visitantes e ajudou a mudar a história da segunda etapa. O Cruzeiro voltou do vestiário com Sebá, atacante, no lugar do lateral Rômulo. Mostrou mais pegada, empatou antes dos 2 minutos com Henrique, e foi ao ataque tentar a virada. A partida ficou imprevisível. Ambas as equipes criaram oportunidades suficientes para chegarem ao gol. Quem o fez primeiro foi Jonas, pelo Grêmio, aos 34. Henrique igualou o jogo aos 40, premiando a luta da Raposa na etapa final. O Grêmio segue na zona de rebaixamento.
  4. Wianey Carlet, em seu blog: O Grêmio não para de errar: Se não tivesse falhado no final do jogo, o Grêmio teria derrotado o Cruzeiro, voltaria para casa fora da zona da morte e não teria havido a lamentável briga no vestiário, após a partida. Este reprovável acontecimento não deveria ser maquiado por Silas e pelos dirigentes. Nessas ocasiões, melhor é assumir o erro e tomar as providências cabíveis. Victor, mais uma vez, falhou. Tem sido uma rotina. E Silas cometeu a proeza de substituir Jonas quando este acabara de marcar o segundo gol e se constituía em figura de destaque do time. O Grêmio anda mal porque muitos erros estão sendo cometidos. Em todos os níveis. Está na hora de Silas acertar e manter uma escalação e um esquema tático. Nem que seja preciso afastar medalhões que jogam como se estivesse fazendo um favor ao Grêmio.
  5. Valdir Barbosa, gerente de futebol do Cruzeiro: Tivemos uma rápida reunião agora por telefone, o presidente Zezé Perrella, o Dimas Fonseca e eu, e rapidamente o presidente definiu que os nossos dois próximos jogos marcados aqui para a Arena do Jacaré, contra o Prudente e o Vitória-BA, serão disputados em Ipatinga. Já tínhamos confirmado para o Parque do Sabiá Corinthians, Flamengo e Internacional. E a sequência seguinte a gente vai avaliar nesta semana para sabermos onde jogaremos e não estamos descartando definitivamente a Arena do Jacaré. Hoje (domingo), ao meio dia e meia, estávamos acabando de almoçar, e veio a notícia de um acidente na BR-040. Procuramos nos informar, ligamos para a Polícia Rodoviária Federal e para as pessoas do Cruzeiro que estavam transitando para saber como estava a estrada. Os jogadores já estavam no quarto descansando para a palestra e tivemos um corre-corre, chamamos todo mundo para descer e anteciparmos a vinda para Sete Lagoas. Tivemos que buscar uma alternativa, passamos por Pedro Leopoldo, uma estrada que não dá nenhuma segurança para circulação de ônibus, ainda mais em uma velocidade um pouco maior. Duas pistas simples sem acostamento. Você coloca em risco os jogadores do Cruzeiro e as pessoas que transitam nessa estrada. Não se pode praticar futebol profissional sem saber que horas vai ser a preleção, que horas vai sair da Toca da Raposa, se vai chegar a tempo. O pessoal do doping ficou preso. A sorte é que o doping é depois do jogo. E se o trio de arbitragem não estivesse informado e fica preso na BR-040? O Cruzeiro avisou ao Grêmio e eles sairiam pela 040. A coisa está meio complicada.
  6. Cuca, treinador do Cruzeiro: Para um time grande, de estatura competitiva como o Grêmio, o campo irregular torna as coisas mais difíceis para a gente. Acho que o placar foi justo, até pelo que as duas equipes fizeram em campo. O Grêmio por uma parte e nós pela busca do resultado até o final. Não sou de chorar, mas nos fizeram muita falta alguns jogadores. Nós tentamos uma estratégia no primeiro tempo com o Jonathan no meio e não deu. Antes do intervalo passamos ele para o lado do campo e o Rômulo por dentro, e também não surtiu efeito. Quando tomamos o gol e fomos para o vestiário, tínhamos que voltar e empatar em cinco, dez minutos, senão não empataríamos mais. Pusemos um atacante na direita, o Sebá, um na esquerda, o Thiago, e fizemos um 4-3-3. O Grêmio não conseguiu encaixar a marcação e nós fizemos o gol. Estávamos melhor, até tomar o gol. Aí tivemos que nos superar e buscar o empate na base da raça, com a cabeçada do Henrique. Pelo que foi o jogo, o empate não foi um mau resultado. No segundo tempo nós tivemos uma atitude diferenciada. Temos ter essa atitude desde o começo. Nós buscamos o resultado com os meninos jogando, o Reina, o Sebá, o Fabinho improvisado na zaga e muito bem por sinal. A gente tem que analisar o jogo, ver o que pode melhorar para o futuro. Tudo está em aberto, podemos melhorar muitas coisas.
  7. Henrique, volante do Cruzeiro: Nunca tinha marcado dois gols em uma mesma partida como profissional, só na base. E também faltava um gol de cabeça na minha carreira. Felizmente acabei marcando dois desta vez. Isso é trabalho, o Cuca me posicionou bem. É trabalho, dedicação e fico muito feliz por conquistar isso, por ajudar a equipe. Fico chateado em ficar de fora do clássico, que é muito importante para as duas equipes. A gente vem há três anos jogando contra o Atlético-MG, tendo vitórias contra eles. Mas, por outro lado, fico tranqüilo porque nosso elenco está bem servido e quem entrar, com certeza vai dar conta do recado e vai ajudar o Cruzeiro a buscar a vitória, que é o mais importante.
  8. Jonathan, lateral-direito do Cruzeiro: Aqui já deu. Isso vai beneficiar os outros times. Foi assim contra o Goiás, foi assim hoje. A nossa equipe é muito técnica, precisa de espaço para jogar. Todas as vezes que o Cruzeiro joga num campo menor, nós temos dificuldades, porque são jogadores leves e rápidos e, às vezes, não temos tempo de fazer isso. Ainda mais com o gramado do jeito que está, a bola quica muito. A minha é a (camisa) 2. O Cuca percebeu isso logo no início do 1º tempo, eu estava meio perdido. Não posso dizer nunca, já joguei por essa função, mas fiquei um pouco perdido. Não estou acostumado com o Rômulo, a gente tem de ter entrosamento melhor, mas a minha preferência é a lateral direita, sem dúvida nenhuma.
  9. Cláudio Caçapa, beque do Cruzeiro: É o que nós temos. A gente queria jogar no Mineirão. Mas não dá para culpar o campo. Nós não fizemos um bom jogo. Nosso time é de toque de bola. Nós não conseguimos trocar passes.
  10. Thiago Ribeiro, atacante do Cruzeiro: Sem dúvida, no 2º tempo, se a gente não fez aquele jogo tecnicamente bom, a gente voltou com mais pegada, mais vibração, encurtando os espaços do Grêmio, na base da garra, da determinação. Quando não dá na técnica, tem que ir na raça. As duas vezes em que a gente buscou o empate, foi na base da raça, corremos atrás e conseguimos ao menos o empate. A gente esperava vencer, não importa o placar. Na medida do possível, a gente procurou se superar. Conseguimos o empate, que não foi o resultado que a gente gostaria, mas melhor somar um ponto do que nada. No todo, acho que nossa equipe não foi bem. Coincidência ou não, nos dois jogos (Goiás e Grêmio) nesse campo, a apresentação nossa não foi tão boa. Não é porque empatou. Contra o Goiás, a gente já tinha alertado. Não podemos usar como desculpa, porque o campo é ruim para os dois lados. Os jogadores do Grêmio a todo momento reclamaram do campo. Nesse estádio, não tem condição de acontecer esse tipo de jogo.
  11. Jonas, atacante do Grêmio: Gente, eu e o Rodrigo somos amigos, eu nunca tinha trabalhado com ele, é a primeira vez. Não tem nem o que falar dele porque a gente brinca muito. Não houve nada, só houve discussão e não só eu e ele, mas todo o elenco. Não queríamos tomar um gol no final do jogo e também houve discussão sobre a arbitragem. Não podemos brigar entre nós, mas sim com os adversários.
  12. Rodrigo, beque do Grêmio: Não aconteceu nada, eu não sei nem o que colocaram. Estão falando que discutimos, mas isso é uma coisa de jogo. A gente está vendo que todos os jogos estamos sendo prejudicados e ninguém faz nada. Se houvesse agressão não se chegaria a lugar nenhum. Se tiver brigando e nessa situação estaríamos acabados. Não houve nada, discutimos situações de jogo e a questão da arbitragem.
  13. Borges, atacante do Grêmio: O gol saiu em um momento importante e espero que a gente saia dessa situação. O campo está muito ruim, com o gramado ondulado e está difícil ficar tabelando. A gente tem que jogar sério para sair com o resultado. Não teve nada de agressão. O que aconteceu é que nós jogadores saímos muito chateados com a arbitragem. E fica complicado para nós jogadores falarmos sobre isso, tem que deixar para a diretoria. E quando se trabalha igual estamos fazendo e os resultados não saem, a gente fica muito irritado. Estávamos conversando entre a gente, e essas cobranças tem que existir. Nós corremos, conseguimos fazer dois gols e merecíamos sair com a vitória. Mas tem também o detalhe do campo, que é horrível e fica difícil tocar a bola. Acho que o Grêmio encontrou uma forma boa de jogar fora de casa e vamos evoluir.
  14. Silas, treinador do Grêmio: É normal os jogadores discutirem após o jogo. Não aconteceu nada demais, todos estavam de cabeça quente, mas é natural devido ao resultado do jogo. Não teve nada disso. Foi uma discussão normal no vestiário e vocês (da imprensa) estão querendo criar uma notícia que não existe. O que aconteceu foi uma cobrança mútua entre os jogadores, que já aconteceu outras vezes. A diferença é que essa vocês (da imprensa) viram. – Nunca tive problemas com arbitragem. Fui expulso porque estava conversando com o trio de arbitragem, como sempre faço. Mas desta vez ele me expulsou. O Grêmio é muito grande, e não pode haver isso que aconteceu aqui hoje. O jogo foi muito difícil, contra um adversário qualificado. E acho que a questão do gramado não tem nada a ver. Os jogadores dos dois times brigaram pela bola, e dentro de campo a partida foi muito boa e disputada.
  15. Luiz Onofre Meira, assessor de futebol do Grêmio: Considero absolutamente normal. Os jogadores estão juntos e todos mostram que houve somente um desentendimento sem nenhum agravante. Eu já vi muitas vezes isso acontecer, não só aqui no Grêmio. É normal, o que prevalece é que há indignação pelo resultado e a situação que vivemos.
  16. Duda Kroeff, presidente do Grêmio: Não tem nada de anormal, vi isso acontecer umas 300 vezes no futebol. É bom e positivo. Há uma indignação muito grande por tomar um gol no final. É o que achamos que estava faltando, mas ficou provado que não está.
  17. Arísio França, no PHD: Eram previsíveis as dificuldades que o Cruzeiro teria na armação de jogadas com a ausência do Gilberto e a falta de um substituto. Acho que o Cuca até acertou ao apostar no Jonathan. Como não funcionou, além da atuação ridícula do Robert mais a jornada pouco inspirada do Thiago Ribeiro o time fui uma nulidade no campo ofensivo. Os gols premiaram toda a vontade e raça do Henrique. Fará muita falta no clássico.
  18. Edenílson Marra, no PHD: Fui de novo à Arena do Jacaré. O 10 do Grêmio, Douglas, joga muito. Foi o melhor gremista em campo. Entre os cruzeirenses, o melhor foi Henrique disparado. Robert tem muita disposição e pouca técnica. Reina me surpreendeu. Pode ser trabalhado pra se tornar uma opção para o time. Everton começou bem, depois, sumiu. Rômulo e Jonathan bateram cabeça no 1º tempo. Depois que voltou para lateral, o Jonathan melhorou.
  19. Naldo Morato, no PHD: Ótimo resultado este empate com Grêmio, principamente, porque estivemos por duas vezes atrás no placar. Não podemos esperar muito de um time que tem carências na zaga, na armação e no ataque. Fabinho na zaga, Everton de armador, Jonathan no meio campo e Robert no ataque. Robert consegue ser pior que o WP, mas é injusto cobrar muito dele com um time sem armação, em que a bola pouco chega ao ataque. O time ressente muito dos jogadores ausentes. E os reforços ainda não estão a disposição. No curto prazo, a coisa vai ser muito complicada. E o Reina parece que tem habilidade, mas está sendo improdutivo. Vamos ver se com o tempo, melhora.
  20. Bruno Barros, no PHD: Henrique jogou por ele e mais dez. Fez uma de suas melhores atuações com a camisa do Cruzeiro. Marcou, passou, chegou e fez gol. Sem dúvida, vai receber nota dez na Bola de Prata. Mas tomara que ele não seja convocado, pelo menos agora enquanto a janela tá aberta. Depois, não só pode como deve. Nesses 3 últimos jogos ele arrebentou. Jogou demais. Faz tempo que eu não via uma situação assim: todo mundo jogando mal desde o início e o Henrique muito bem o tempo todo. Eles carregou o time nas costas. Bateu escanteio e correu pra cabecear. Impressionante.

Já avacalharam a Arena do Jacaré

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Depois da Copa, Paulo César Vasconcelos, do SporTV, manifestou sua preocupação com a falta de educação brasileira.

Veladamente, sugeriu que a torcida nativa terá de aprender a se comportar em estádios até 2014 ou o país passará vergonha.

Pois, se é assim, podem anotar: o Brasil passará vergonha.

Amostra do comportamento idiota do torcedor brasileiro pôde ser visto, ontem, no jogo da Cocota, na Arena do Jacaré, em Sete Lagoas.

Apesar do público diminuto, centenas de torcedores ficaram colados no alambrado desrespeitando quem estivesse interessado em sentar nas primeiras filas de cadeiras.

Isto acontece há tempos no Mineirão. Mas não no Independência onde a Polícia Militar mantinha os mal educados longe do alambrado.

O cruzeirense e setelagoano, João Noaves, registrou a avacalhação de ontem:

  • “No jogo dos emplumados, que muita gente estava colada no alambrado. Quando o torcedor -não importa de que time- se revoltar com a atuação do trio de arbitragem, terá facilidade pra arremessar objetos no campo. Temo que um problema assim não demore a acontecer, por isto, o melhor seria isolar o local com um cordão de policiais.”

Eu apóio o João. Resta saber se a Ademg e a Polícia Militar também o apóiam.

Arena do Jacaré para iniciantes

terça-feira, 13 de julho de 2010

Arísio França Jr.

Em 28 de Janeiro de 2006, realizou-se o primeiro jogo oficial no Estádio Joaquim Henrique Nogueira – Arena do Jacaré -, antigo sonho dos amantes do futebol em Sete Lagoas.

A idéia do estádio começou a brotar ainda na década de 80 quando o pecuarista e ex-atleta do Democrata Futebol Clube, Joaquim Nogueira, doou ao clube um terreno às margens da Av. Perimetral.

Somente em 2004, com a proposta do Grupo Bretas para aquisição do Estádio José Duarte de Paiva, localizado no centro da cidade, foi possível alavancar o projeto da Arena.

O Democrata apurou cerca de R$1,5 milhão com a venda do antigo estádio. Ao término das obras, o custo final da Arena girou em torno de R$3,5 milhões.

Assim, o leitor já pode imaginar o que levou o clube para a 3ª divisão do futebol mineiro em 2009 e a razão para as dívidas trabalhistas e com fornecedores de R$1,5 milhão acumulada pelo Jacaré.

Apesar de todas as dificuldades, sem benfeitorias no entorno do estádio e sem iluminação, o estádio foi inaugurado com capacidade para 20 mil torcedores, com 750 cadeiras, 19 cabines de imprensa, 20 bilheterias e 8 banheiros.

A partida inicial foi uma festa só. O Jacaré tinha um time aguerrido, comandado por Brandãozinho. Empolgado com a nova casa, venceu o Atlético-MG por 3×0. O primeiro gol foi marcado por Paulo César, do Democrata, aos 15 do 1º tempo.

O jogo com maior público foi outro Democrata x Atlético-MG, pela 1ª rodada do Campeonato Mineiro de 2008, com nova vitória alvirrubra, dessa vez por 1×0, gol de Tuta.

O público oficial foi de 20.500 pessoas, mas a verdade é que havia 25 mil numa tarde marcada pela desorganização completa, desde a entrada dos torcedores.

A idéia de se aproveitar a Arena do Jacaré para jogos durante as reformas do Independência e do Mineirão foi do ex-Secretário de Esportes do Estado, Gustavo Correa.

A proximidade da Capital e do Aeroporto de Confins e o desenvolvimento econômico por que passa Sete Lagoas deram ao estádio a preferência para receber os primeiros investimentos do Estado para a Copa de 2014.

O acordo com o Governo do Estado tem validade de 10 anos e 4 meses, contados a partir de 18jun09.

Por ele, a Ademg ditará as regras na Arena que, após 10 meses do início das reformas, será oficialmente reinaugurada em 15jul10 com um novo jogo do Atlético-MG.

O total do investimento do Estado deve girar em torno de R$12,7 milhões, para uma previsão inicial de R$5 milhões, e uma capacidade inicial prevista de 21 mil torcedores.

Na semana passada, após avaliações para emissão de laudos de segurança, ficou estabelecida a redução da capacidade para 15 mil presentes, muito em função dos transtornos decorrentes das obras se prolongarem até o final de julho. O escritório da Construtora responsável pela reforma ainda permanece intacto.

Esta determinação fez com que Cruzeiro e Atlético-MG de majorassem os preços dos ingressos. As cadeiras no setor de imprensa custarão R$100. Os demais setores terão entrada custando R$40. Valores bem acima dos padrões do futebol mineiro e “salgados” para o padrão do estádio.

Seguem alguns dados relativos às reformas e condições da nova Arena do Jacaré:

  • Todo o maquinário que era utilizado no Mineirão para manutenção e conservação do gramado foi transferido para a Arena.
  • A Itograss, empresa responsável pelo gramado, calcula que o novo piso tem capacidade média de suportar 5 horas de bola rolando por semana.
  • A dimensão do gramado é de 105 x 68m. As medidas do Mineirão são 110x75m.
  • Foram construídas salas exclusivas para coletivas de atletas, dirigentes e treinadores, assim como duas capelas e salas para Juizado Especial, Polícias Militar e Civil e Promotoria de Justiça.
  • Foram criadas 21 saídas de emergência e outras 14 para acesso ao gramado em situações de risco para os presentes.
  • Haverá 5 bares com banheiros ao lado.
  • Além da reforma dos vestiários antigos, foram criados mais dois para equipes dos jogos preliminares.
  • A Arena tem um gerador exclusivo de energia para o sistema de iluminação.

Algumas dicas para o acesso ao estádio:

  • Quem vier a Sete Lagoas pela BR040, saindo de Belo Horizonte, deve evitar o trânsito do centro. Assim que entrar na avenida de acesso à cidade, Marechal Castelo Branco, fique atento pra virar a direita no primeiro viaduto a fim de entrar Av. Perimetral, que contorna a cidade e onde se localiza o estádio.
  • Quem chegar a Sete Lagoas, deixando Paraopeba, deve passar a primeira entrada, logo após a barreira da Polícia Rodoviária, para evitar o Centro e optar pela entrada de quem vem de Belo Horizonte.
  • Pela estrada velha, a MG-424 que passa por Pedro Leopoldo e Prudente de Morais, a chegada ao estádio é mais tranquila. Ao término da rodovia, após o semáforo, vira-se à esquerda na Perimetral. A Arena está a 500 metros do entroncamento.
  • No acesso externo das cadeiras do setor das cabines já existe estacionamento asfaltado de propriedade do Democrata com 600 vagas. Devem ser cobrados R$10 ou R$15 por veículo (a confirmar).
  • Quem ficar nos demais setores, não encontrará, de início, estacionamentos definidas pela Prefeitura e Ademg. Os donos de lotes vagos, contudo, vão criar estacionamentos particulares. Num primeiro momento, estas serão as opções mais seguras.

Fonte: Encarte do jornal Sete Dias de 09jul10.

Arísio França Jr., 33, cruzeirense, administrador de empresas, nasceu e mora em Sete Lagoas.

Sete Lagoas, a nova capital do futebol mineiro

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Arísio França Jr.

Com a escolha da Arena do Jacaré para receber os jogos dos times mineiros até a reinauguração do estádio Independência, minha cidade natal, Sete Lagoas, tende se tornar a capital do futebol mineiro nos próximos meses. A intenção deste post é servir, um pouco, como guia para os torcedores que estão dispostos a pegar a estrada pra acompanhar o Cruzeiro em terras setelagoanas.

Distante 65km de Belo Horizonte, Sete Lagoas foi emancipada em 24 de novembro de 1867, com territórios desmembrados de Santa Luzia e Curvelo. Como cidade pólo da Região do Alto Rio das Velhas, está compreendida numa área de influência de 500 mil habitantes, totalizando 38 municípios. Em Sete Lagoas existem no perímetro urbano dez lagoas, sendo 17 em toda a região próxima a cidade. A Lei que denomina as lagoas oficiais do município é a 4.113, de 11 de Novembro de 1989. As lagoas são: Boa Vista, Catarina, Chácara, Cercadinho, José Félix, Matadouro e Paulino.

A economia local, por muito tempo baseada na agricultura, pecuária e ferro gusa passou por enorme transformação a partir da vinda da Iveco Fiat e seus fornecedores. Há menos de um ano foi inaugurada a fábrica da AmBev que, juntamente com a Brennand Cimentos (a ser inaugurada em dez/10), fecha uma tendência inevitável de potencialidade industrial da cidade, Este desenvolvimento industrial, em grande parte, é o responsável pelo crescimento populacional da cidade que já passa dos 235 mil habitantes. O comércio, ainda arraigado pelo provincianismo e pela pouca qualidade na prestação dos serviços, já começa a se movimentar diante da inauguração do Shopping Sete Lagoas, pertencente à BR Malls, com data marcada para 30 de Setembro de 2010.

Para os que virão aos jogos na Arena, partindo da capital ou do Aeroporto de Confins, são dois os acessos à cidade. O principal é pela BR-040, sentido Brasília. Estrada duplicada que requer muita atenção devido aos inúmeros trechos com falhas na pavimentação e pelo elevado volume de carros e caminhões em trânsito. Outra opção de acesso é a MG-424, rodovia estadual que parte de Vespasiano, passa por Pedro Leopoldo, Confins, Matozinhos e Prudente de Morais. Boa parte dos seus 50km é duplicada. Não é tão movimentada, mas tem o agravante de ter um trecho de pista única complicado pelo trânsito de caminhões das cimenteiras da região e por passar dentro do perímetro urbano de Matozinhos e Prudente de Morais. Requer paciência fazer este caminho.

Uma boa pedida para quem for aos jogos aos sábados e/ou domingos é fazer uma programação de fim de semana para conhecer os atrativos turísticos locais e as opções de entreternimento. Nos jogos aos domingos à tarde, sugiro aos interessados que cheguem no sábado após o almoço, façam um passeio à Serra de Santa Helena e Parque da Cascata para ver o por do sol, seguido de uma parada na Lagoa Paulino (Centro e principal lagoa) e suas inúmeras opções de bares e restaurantes (Ilha do Milito, Fiorenza Pizzaria, Grillus, Choperia 4 Estações, Gôndola Ristorante).

Em família, vale uma passada na Feira de Artesanato e Alimentação que funciona todas as sextas e sábados à noite em uma praça ao lado da lagoa do centro. Para os mais animados, os programas que varam a madrugada acontecem na boate Night Lounge (centro – música eletrônica, público selecionado), Opinião Pub (centro – só rock de primeira, ambiente para descolados) e na casa de shows Estação Brasil (próxima ao acesso da BR-040). No domingo, café da manhã no hotel e visita à Gruta Rei do Mato (BR-040, entrada da cidade). Uma boa para o almoço é o Restaurante Mirante na orla da Lagoa Boa Vista (bairro Boa Vista).

É isso. Não escondo minha satisfação pela possibilidade de ver jogos do Cruzeiro aqui no quintal de casa. Mas, também, estou muito preocupado com as condições locais para receber torcedores, delegações das equipes e membros da imprensa de todo lugar. Sete Lagoas padece pelas últimas péssimas administrações municipais e enfrenta problemas nas áreas de segurança e saúde. Como outras cidades, o poder público local não está conseguindo acompanhar o desenvolvimento privado.

Repasso uma lista bem selecionada de contatos que poderão ser úteis aos que virão assistir jogos na Arena e me coloco à disposição aos companheiros do PHD para esclarecimentos, emergências, indicações e dúvidas sobre a cidade e os jogos: arisio@hotmail.com. Será um prazer recebê-los aqui!

Abraços.

Atrativos Turísticos:

  • Lagoa Paulino: centro da cidade. Principal lagoa e ponto de referência para opções de alimentação.
  • Gruta Rei do Mato: localizada junto ao trevo de acesso da BR-040. Muito bonita mas é preciso ter fôlego para circular por suas passarelas e escadas que atravessam os salões.
  • Serra de Santa Helena e Parque da Cascata: Complexo com acesso pelo bairro Jardim Arizona. Do alto da Serra é possível observar toda a cidade. Aos sábados, é possível voar de paraglider com um grupo local de praticantes deste esporte.
  • Museu Histórico Municipal: No centro, ao lado da Catedral de Santo Antônio.
  • Museu do Ferroviário: Avenida Antônio Olinto.

 Hospedagem e alimentação:

  • Real Hotel: Praça Martiniano Carvalho, 06 – Canaan – (31) 3773-3301
  • Sete Lagoas Residence – Rua Nestor Fóscolo, 284 – Centro – (31) 3775-1010
  • Lago Palace Hotel: Praça Carmelo Mota, 273 – Centro – (31) 3774-6044
  • Hotel Riviera: Rua Santa Helena, 125 – Canaan – (31) 3027-0800
  • Cantina Bom Sabor (self service) – Centro – (31) 3774-6633
  • Lagoa Espetos (churrasco e self service) – Centro – (31) 3775-2888
  • Ilha do Milito (a la carte e choperia) – Centro – (31) 3771-8939
  • Pizzaria Boca do Forno (massas) – Centro – (31) 3771-0103
  • Fiorenza Pizzaria (carnes e massas) – Centro – (31) 3771-8931

Telefones úteis:

  • Corpo de Bombeiros: (31) 3773-0207 ou 193
  • Polícia Rodoviária Federal: (31) 3774-7038
  • Rodoviária: (31) 3773-1133
  • Secretaria de Turismo: (31) 3772-9927
  • Hospital Municipal: (31) 3774-8668 ou 192 (SAMU)
  • Prefeitura Municipal: (31) 3779-7000
  • Pontos de táxi: (31) 3771-4211 / 3773-4747 / 3771-4141 / 3776-3012

Arísio França Jr., 33, Administrador, nasceu e mora em Sete Lagoas.

Lo que pasó en la Argentina

sábado, 29 de maio de 2010

Encerrada a temporada argentina -torneios Apertura 2009 e Clausura 2010-, apurou-se o ascesso e descenso direto e os jogos de promoção.

Caíram, sem escalas, o Chacarita Juniors, dono da torcida mais belicosa do país, e o Atlético Tucuman (nome é destino).  Eles deram lugar ao Quilmes e ao Olimpo (de Bahia Blanca, terra do Jorge Schulman).

Os confrontos da promoção colocaram frente a frente Rosario Central (que meteu 4xo na Cocota, numa final de Conmebol) contra All Boys e Gimnasia y Esgrima (rival citadino do Estudiantes) contra Atlético Rafaela.

Em Rafaela, o Atlético (nome é destino, como se verá adiante) fez 1xo sobre o Lobo. Em La Plata, levou o troco: 3×1. Marco Perez, goleador colombiano, avaliado em US$5 mi, fez os dois gols da classificação.

Pelo segundo ano, o Gimnasia escapa da queda, jogando em casa. Ano passado, teve de remontar um 0x3 pra se manter na elite. Um dia a casa cai.

Desta vez, o presidente Walter Gisande foi insultado com gritos de “hijo de puta” vindos da tribuna. Pior: vários referentes da equipe não aguentam mais disputar promoções e querem sair.

O treinador Diego Cocca só fica se o clube contratar reforços. Mas com uma dívida fora de controle, é pouco provável que tal aconteça.

Mais do que certa é a saída do artilheiro colombiano Marco Perez e do volante Rinaudo, destaque do time.

Dramático foi o duelo entre o All Boys e o Central. Na primeira partida, empataram, em Floresta, Buenos Aires, por 1×1. Na segunda, Los Blancos venceram por 3×0, no Gigante de Arroyito, em Rosário.

Desatou-se, então, uma crise sem precedentes na história auriazul. Um torcedor suicidou, outros fizeram passeata e sairam no braço com a polícia.

O presidente Horácio Usandizaga, caudilho político, que remodelou o estádio e prometeu o título nacional, renunciou e sumiu do mapa, ameaçado de morte pelos termocéfalos.

Futebol virou coisa de dementes. Pra muitos torcedores ele já não mais um esporte. São tapados que nunca estão preparados pra rebaixamentos e perdas de títulos que têm como conquistados com antecedência.

De tudo o que li, o mais interessante foi esta reflexão de um torcedor do Boca Juniors na área de comentários do La Nacion: 

  • Todo esto me puso a pensar en por qué nos resulta tan dramático irse a la B, y creo que es en primer lugar porque el el futbol nos enferma, no lo podemos ver como solo un deporte y reflejamos en él todas las frustraciones que tenemos viviendo en este país, y en segundo lugar por la mala organización de nuestro futbol, ya que un equipo que se va a la B tiene más solo una categoría por perder, pierde millones por la tv, miles de socios, baja la calidad en sus instalaciones por falta de mantenimiento, la calidad de sus jugadores por no poder pagar sus contratos, en fin terminan haciendo de un club grande (por su gente e historia e infrastructura) un club más como le pasó a los equipos de Córdoba (pienso en Talleres de Córdoba que ni en el Nacional está). A mi me gusta que suban nuevos equipos a primera porque intento pensar en el futbol como algo más democrático, pero deberíamos luchar para que la riqueza que se genera en el futbol de primera también le llegue a los equipos del Ascenso.

Ele está certo. Pra começar a desatar o nó da estupidez, é preciso reduzir a tremenda desigualdade que está transformando clubes grandes em pequenos.

Se algum dia isto for possível, uma passagem pela B será menos dramática. O futebol brasileiro, infelizmente, está na contramão desta proposta.

E a estupidez permanece latente. A começar por aqui mesmo, nestas Páginas Heróicas Digitais, em que a desclassificação nas quartas de final de Uma Libertadores se transformou num dramalhão digno de novela mexicana.

Troperistas, ciclotímicos e termocéfalos consideram a Série B como território privativo de outros clubes. O que é sintoma de oligofrenia. E prenúncio de desatino.

Menos, galera. Futebol, por mais que tenha se transformado em negócio, continua sendo, na essência, um esporte. E, como tal, sujeito a surpresas, a vitórias impossíveis e derrotas inesperadas.

Encarnados batem minhotos com golo de Luisão

domingo, 28 de março de 2010

De um lado, Luisão e Ramires, do outro, Renteria. Coitado do Braga. Perdeu a chance de campeonar pela primeira vez.

E ainda perdeu Mossoró, que fraturou o perônio e ficará fora dos relvados por seis meses.

Dez brasileiros participaram da partida que, praticamente, decidiu o Campeonato Português, ontem, em Lisboa.

O Braga conta ainda com os brasileiros André Leone, Paulão, Osvaldo, Olberdam, Alan, Adriano Louzada, Vandinho e Matheus.

O Benfica também tem vários suplentes brasileiros: Júlio César, Sidnei, Felipe Menezes, Aírton, Weldon e Eder Luís.

Ao todo, 24 brazucas estão fichados nas duas equipas. Confiram a reportagem do Diário de Notícias.

Benfica cimenta liderança com golo de Luisão

O Benfica está cada vez mais perto do título nacional de futebol, depois de, este sábado, ter batido o Sp. Braga, por 1-0 (golo de Luisão). Agora, as águias têm seis pontos de avanço sobre os minhotos, segundos classificados da Liga.

Num jogo muito emotivo, “rasgadinho” quanto baste, os encarnados tiveram quase sempre o “sinal mais”, mas sofreram até ao fim para segurar um triunfo que os deixa mais perto da conquista da Liga, a seis jogos do final.

Ao minuto 23, Saviola perdeu a primeira grande oportunidade: isolado na área deixou-se antecipar pelo guarda-redes Eduardo. O lance começou com um erro de Filipe Oliveira.

Um livre de Cardozo (32′) e um cabeceamento de Saviola (37′) ainda criaram perigo, mas o golo só chegou no período de descontos da 1.ª parte, aos 45+2′: Após um canto na direita marcado por Di María, o espanhol Javi García cabeceou contra Luisão. A bola ficou mesmo à frente do central, que, sem qualquer falta, rematou de pé esquerdo para a baliza de Eduardo: 1-0.

No intervalo, as equipas demoraram a entrar nos balneários. Os incidentes no túnel em Braga, no primeiro jogo, estariam na memória dos jogadores e técnicos de ambos os clubes.

Depois, houve agitação nas bancadas dos adeptos do Sp. Braga. Houve um carga policial sobre os adeptos minhotos e um chegou a ser levado pela polícia.

Do lado do Benfica, Cardozo esteve perto do golo por três ocasiões, aos 67′, 75′ e 82′, mas falhou sempre no aproveitamento dos cruzamentos dos colegas de equipa. O jogo acabou com a vitória das águias, por 1-0. O Benfica tem agora 61 pontos, contra 55 do Braga. O FC Porto, com menos um jogo, leva 47.

Benfica 1×0 Sporting Braga, sábado, 27mar10, Estádio da Luz, Lisboa 28ª rodad ado Campeonato Português 2009/10 – Público: 60.000 –  Juiz: Pedro Proença (Lisboa) – Golo: Luisão, 47 do 1º tempo – Benfica: Quim; Maxi Pereira, Luisão, David Luiz, Fábio Coentrão; Javi Garcia, Ramires (Ruben Amorim, 76), Carlos Martins (Aimar), Di María, Saviola (Alan Kardec, 87), Cardozo. Tec: Jorge Jesus / Sporting Braga: Eduardo; Filipe Oliveira, Moisés, Rodríguez e Evaldo; Andrés Madrid; Mossoró (Luís Aguiar) e Hugo Viana (Rafael Bastos, 58); Alan, Rentería (Matheus, 58) e Paulo César. Tec: Domingos Paciência – Nota – Os negritos registram os brasileiros, não necessariamente os melhores em campo.

Cruzeiro na Libertadores: 1976, a conquista (III)

sábado, 20 de março de 2010

Mauro França e Jorge Santana

Com a classificação confirmada, Felício Brandi articulou e trouxe para Belo Horizonte a reunião da Confederação Sul-Americana que definiria a composição dos grupos e a tabela das semifinais.

O evento, realizado no final de abril, contou com a presença dos presidentes da CBD, Heleno Nunes, e da CSA, o peruano Teófilo Salinas. Ao final do encontro, Felício havia conseguido todos os seus objetivos.

O principal deles, evitar o confronto com os times argentinos nessa fase, como havia acontecido em 1975. Dessa vez, os adversários seriam a LDU, do Equador, e o Alianza Lima, do Peru. No outro grupo, Peñarol, River Plate e Independiente.

A tabela também foi favorável ao Cruzeiro, que jogaria primeiro fora de casa, decidindo a vaga no Mineirão. O diretor de futebol Carmine Furletti resumiu a expectativa geral, em entrevista à revista Placar:

  • “Se a gente não ganhar agora, nunca mais”.

À exceção de um amistoso disputado em Brasília logo após os 2×0 sobre o Inter, o Cruzeiro vinha se dedicando exclusivamente à Libertadores.

Isto porque o regulamento da Taça Minas Gerais, então em disputa com 22 times divididos em 2 grupos, previa que o último campeão mineiro estava automaticamente classificado para a semifinal. Dessa forma, o time ficou desobrigado de fazer 10 jogos pelo torneio estadual.

Atlético e Uberaba se classificaram para as finais. Um sorteio com cheiro de cartas marcadas definiu o time do Triângulo como adversário do Cruzeiro na semifinal. O Cruzeiro venceu por 4×2 em 18abr76, no João Guido, em Uberaba, perante 27 mil espectadores.

Uma semana depois, Cruzeiro perdeu por 2×1 para o Atlético perante 101 mil torcedores, no Mineirão.

Neste jogo, Cafuringa, que jamais marcava gols, abriu o placar para o Clube de Lourdes, aos 14 do 1º tempo. Palhinha empatou para o Cruzeiro, aos 30 do 2º, levando a decisão para a prorrogação.

Pela primeira vez, desde que chegara ao Cruzeiro, 11 anos antes, Raul Plassmann sofreu um gol de pênalti –Piazza sobre Reinaldo- do rival citadino. O autor foi Toninho Cerezo, indicado a força pelo treinador Barbatana, após os atacantes riscados terem se recusado a encarar a maldição.

No bate-boca, seguido e empurra-empurra, Palhinha, Jairzinho e Reinaldo foram expulsos. No final, Felício Brandi não se fez de rogado, segundo a revista Placar:

  • “Tudo bem. Nós queremos é a Libertadores”.

O Cruzeiro ainda fez uma partida pela 1ª fase do Campeonato Mineiro antes de embarcar para Quito.

 A LDU, campeã equatoriana, vencera o Alianza Lima por 2×1, em casa, no jogo de abertura do grupo.

A altitude foi um problema considerável. O treino recreativo na véspera da partida foi paralisado na metade. Osíres, com tonteiras e vômitos, foi vetado. Outros jogadores também passaram mal.

No domingo, 09mai76, a LDU começou pressionando na base da correria e mandou duas bolas no travessão nos primeiros 25 minutos. Mas o time celeste se impôs e abriu o marcador aos 33. Palhinha recebeu de Joãozinho, dentro da área, ajeitou e acertou o ângulo de Maesso.

Aos 5 do 2º tempo, Palhinha recebeu de Jairzinho, driblou seu marcador e chutou no canto abrindo 2×0. Aos 13, Palhinha foi ao fundo, cruzou e Jairzinho ajeitou com o peito pra Joãozinho soltar uma bomba: 3×0.

Daí em diante o time administrou o resultado e a LDU diminuiu aos 30, com um pênalti duvidoso convertido por Polo Carrera, o melhor dos equatorianos. No final da partida, o exigente Zezé Moreira, resmungou:

  • “Não creio que o Cruzeiro possa jogar pior do que aqui”.

Cruzeiro 3×1 LDU, domingo, 09mai76, estádio Atahualpa, Quito, semifinais da Libertadores 1976 – Público: 50.000 pagantes – Juiz: Angel Coerezza (Argentina) – Gols: Palhinha, 33 do 1º tempo; Palhinha, 5, Joãozinho, 13, e Carrera, 30 do 2º.  – Cruzeiro: Raul Plassmann, Nelinho, Morais, Darci Menezes e Vanderlei Lázaro; Wilson Piazza e Eduardo Amorim (Zé Carlos); Roberto Batata (Isidoro), Palhinha, Jairzinho e Joãozinho. Tec: Zezé Moreira / LDU: Walter Maesso, Moreno (Ramiro), Luis De Carlos, Villena, Ramiro Tobar; Juan Carlos Gomez, Jorge Tapia; Oscar Zubia (Aguirre), Ruben Jose Scalise, Polo Carrera e Gustavo Tapia. Tec: Leonel Montoya. – Notas – 1. A LDU foi rebaixada à 2ª divisão equatoriana em 72. Na volta à 1ª, em 75, foi campeã nacional. 2. Maesso, Zubia, Gomez e De Carlos eram uruguaios; Leyes, que jogou apenas a 2ª partida, e Scalise, argentinos. O técnico Montoya era colombiano. 3. Jorge e Gustavo Tapia, Tobar e Polo Carrera defenderam a Seleção equatoriana na Copa América de 75. 

De Quito o Cruzeiro seguiu pra Lima. Na quarta-feira, 12mai76, o Alianza armou um forte bloqueio defensivo e parou o ataque celeste no 1º tempo e nem a expulsão de Velasquez, aos 38, abriu uma brecha em sua retranca.

O 0x0 persistiu até os 17 minutos do 2º tempo, quando Roberto Batata, deslocado pelo meio do ataque, recebeu de Palhinha, ajeitou e, da entrada da área, bateu no ângulo do goleiro peruano. Porteira aberta, os gols saíram naturalmente.

Aos 26, Joãozinho recebeu passe de Jairzinho nas costas do lateral, fechou para a área e, na saída do goleiro, deu um lindo toque de cobertura para marcar o segundo. Aos 31, Vanderlei foi expulso depois de cometer falta dura no centroavante Suarez.

A expulsão não abalou o time que marcou o 3º, dois minutos depois. Foi uma obra-prima, registrad a no livro Páginas Heróicas:

  •  “O que ele marcou em Lima, contra o Alianza, até os adversários aplaudiram. Num escanteio, quase todo o time peruano foi para a área do Cruzeiro. Raul saiu bem, defendeu e entregou a bola a Joãozinho, no bico da área. O ponteiro disparou. Os adversários foram todos atrás dele. “Ganhei a corrida, passei pelo goleiro e toquei para o gol vazio. Pra minha surpresa, a torcida aplaudiu de pé”. Joãozinho jamais tocava a bola para os lados ou para trás. “Atacante tem que partir pra cima da defesa; é isso que ensino ao meu filho.”

Cruzeiro 4×0 Alianza Lima, quarta-feira, 12mai76, Lima, Peru, semifinais da Libertadores 1976 – Público: 35.000 – Juiz: Ramon Barreto (Uruguai) – Expulões: Velasquez, 38 do 1º tempo e Vanderlei, 31 do 2º – Gols: Roberto Batata, 17, Joãozinho, 26 e 33, Jairzinho, 42 do 2º – Cruzeiro: Raul Plassmann, Nelinho, Morais, Osires (Darci Menezes) e Vanderlei Lázaro; Wilson Piazza e Eduardo Amorim; Roberto Batata (Isidoro), Palhinha, Jairzinho e Joãozinho. Tec: Zezé Moreira / Alianza: Jose Manuel Gonzalez Ganoza, Moises Palacios, Javier Castillo, Salvador Salguero, Julio Ramirez; Santiago Ojeda e José Velasquez; Manuel Lobaton, Suarez, Cesar Cueto e Freddy Ravello (Carlos Gomez). Tec: Marcos Calderon. – Notas – 1. Com esta base, o Alianza foi campeão peruano em 75, 77 e 78. 2. Velasquez, Cueto, Ganoza, Ojeda e o técnico Marcos Calderon foram campeões da Copa América-75. Os dois primeiros jogaram as Copas de 78 e 82. 3. Cueto e Ganoza foram ídolos históricos do clube. O goleiro é o recordista de jogos (475). 4. Teófilo Cubillas, considerado o maior jogador da história do futebol peruano, foi revelado pelo Alianza. Jogou as Copas do Mundo de 70, 78 e 82.

A viagem de volta foi cansativa. A delegação desembarcou na Pampulha no final da manhã de quinta-feira, 13mai76. Na bagagem, veio a classificação para a final muito bem encaminhada.

Roberto Batata foi para casa, almoçou e, com saudades da esposa e do filho, resolveu buscá-los em Três Corações, a 300 km de Belo Horizonte, no Sul de Minas. Sérgio Carvalho, da Placar, conta o que ocorreu em seguida:

  • Às 11h do dia 13, quinta- feira, o Cruzeiro chegava enfim, festivo, a Belo Horizonte. Roberto Batata foi para casa. A mulher e o filho estavam em Três Corações. Almoçou, telefonou para o pai, Geraldo Monteiro: – Vou buscar Denise em Três Corações. Ouviu uma advertência, quase um pedido: – Por que não telefona e pede a ela que venha de ônibus? Você está cansado, meu filho. Mas Roberto já fizera coisa parecida, muitas vezes. No fim de um jogo, de volta de uma viagem, pegava o carro e ia para Juiz de Fora – quando Denise , morava lá – ou Três Corações, onde está sua família. Ligou o Chevette verde, entrou na Fernão Dias. No quilômetro 182, perto de Santo Antônio do Amparo, a 111 quilômetros de Três Corações, Roberto saiu de sua pista. Vinham dois caminhões. Bateu no primeiro. Perdeu o controle. E bateu de frente no segundo. E foi o fim. Instantâneo. Explicação? Foi driblado pelo sono diziam.

Roberto Monteiro tinha 27 anos, 281 jogos e 110 gols com a camisa do Cruzeiro.

Milhares de torcedores foram às ruas prestar-lhe homenagem. Torcedores e companheiros de equipe ficaram abalados. Além da técnica, velocidade e do chute forte e certeiro, Batata era brincalhão,  amigo de todos, sempre pronto a ajudar os amigos.

Ainda sob o impacto da tragédia, o time retornou ao Mineirão seis dias depois para enfrentar o mesmo Alianza, justamente o adversário do último jogo de Batata. Na vaga do atacante, Zezé Moreira escalou Zé Carlos, que era reserva, e deslocou Eduardo Amorim, o Rabo-de-vaca, para a ponta-direita.

João Chiabi Duarte, cronista do Cruzeiro.Org, relata o clima dos minutos que antecederam o início partida:

  • Com Piazza à frente, calados e cabisbaixos, os jogadores celestes perfilaram na linha lateral, onde estava estendida uma camisa  azul-estrelada número 7, e fizeram o sinal da cruz. Depois, foram até o meio de campo, saudaram a torcida e começaram a bater bola. Só que aí aconteceu algo sensacional. O capitão do Alianza, Castillo, entregou a Piazza uma placa em homenagem a Roberto Batata e cada jogador peruano abraçou os colegas brasileiros. O estádio foi às lágrimas com a execução de O Silêncio pelo pistonista da Polícia Militar, Antônio Samuel de Oliveira, que, em 1978, seria meu colega no curso básico de Engenharia na UFMG. Durante a execução do Hino Nacional, todos os jogadores do Cruzeiro, a começar pelo capitão Wilson Piazza, choravam. Ele teve que ser amparado por Raul, tal era sua emoção. Eduardo Rabo de Vaca, mal conseguia levantar a cabeça, Nelinho e Joãozinho estavam abalados. Mas, os gritos de “Cruzeiro, Cruzeiro!” vindos das arquibancadas fizeram o time despertar.

Mesmo apático no 1º tempo, o Cruzeiro não teve trabalho para sair na frente. Jairzinho, de cabeça, fez o primeiro aos 14. Cueto, também de cabeça, empatou aos 21. Aos 36, Joãozinho cruzou da esquerda, Jair ajeitou de cabeça e Palhinha, livre na entrada da pequena área, só empurrou para o gol.

No 2º tempo, aos 9, Jair recebeu lançamento longo de Zé Carlos, ganhou do marcador na força, entrou na área e com um corte seco tirou o goleiro da jogada e  bateu rasteiro para o gol vazio. Aos 14, Nelinho, deslocado pela esquerda, recebeu de Eduardo e levantou na área para Jair, entre dois zagueiros, dominar no peito e bater na caída da bola.

Aos 18, Nelinho recebeu lançamento longo de Eduardo, driblou seu marcador, foi ao fundo e cruzou para trás. Palhinha pegou de primeira e acertou o ângulo. Aos 27, Eduardo recebeu de Jair na entrada da área e bateu para o gol. O goleiro fez a defesa parcial e Palhinha apareceu livre para empurrar para o fundo das redes.

Aos 32, Mariano, que substituíra o suspenso Vanderlei, passou para Jairzinho, que arrancou em velocidade da intermediária até a entrada da área e bateu rasteiro no canto direito do goleiro. Nelinho ainda acertou o travessão no último lance, mas o placar ficou mesmo 7×1. Coincidentemente, o número da camisa de Roberto Batata (ainda que na Libertadores ele jogasse com a 14).

O placar deu margem ao surgimento de várias histórias. Os 7 gols teriam sido feitos intencionalmente, como uma última homenagem. Ou que a combinação teria sido feita no intervalo. Enfim, cada jogador e cada torcedor presente ao estádio têm a sua própria versão. O jogo virou lenda.

Cruzeiro 7×1 Alianza Lima, quinta-feira, 20mai76, Mineirão, semifinais da Libertadores 1976 – Público: 28.235 pagantes Renda: Cr$512.060,00 – Juiz: Luis Pestarino (Argentina) – Gols: Jairzinho, 14, Cueto, 21 e Palhinha, 36 do 1º tempo; Jairzinho, 9, 14, Palhinha, 18, 27 e Jairzinho, 32 do 2º. – Cruzeiro: Raul Plassmann, Nelinho, Morais, Darci Menezes e Mariano Schimitz; Wilson Piazza e Zé Carlos (Isidoro); Eduardo Amorim (Ronaldo Drummond), Palhinha, Jairzinho e Joãozinho. Tec: Zezé Moreira / Alianza: Jose Manuel Gonzalez Ganosa (Oscar Candia), Moisés Palacios, Javier Castillo, Salvador Salguero, Julio Ramirez; Jaime Duarte, Augusto Palacios; Manuel Lobaton, Suarez, Cesar Cueto e Freddy Ravello. Tec: Marcos Calderon. – NotaMariano Noé Schimitz, nasceu em Cerro Largo-RS e passou, diretamente dos campinhos de pelada, para o time profissional do Internacional de Santa Maria, pelo qual se destacou no Campeonato Gaúcho antes de ser contratado pelo Cruzeiro no início dos Anos 70. Reserva dos laterais Nelinho e Vanderlei, além do clube de origem e do Cruzeiro, ele só atuou pelo Sertãozinho, então na 2ª divisão paulista. Ao encerrar a carreira, ele trabalhou no Ministério do Trabalho, pela manhã, no Projeto Dente-de-leite, criado pelo ex-goleiro João leite, à tarde e na gerência do bar de um cunhado, em Venda Nova, região norte de Beagá, à noite. Esta trabalheira toda teve fim quando, aos 44 anos, devido a uma osteoporose, o lateral campeão da Libertadores 76 submeteu-se a uma cirurgia e passou por longo processo de recuperação até voltar a andar. Embora magoado por não ter conseguido uma oportunidade no clube para seu filho Rafael, que ele diz ser bom de bola, o “alemão” Mariano se manteve cruzeirense de coração e mineiro por adoção.

Com a 3ª vitória, 6ª consecutiva na competição, a classificação para a final estava praticamente sacramentada. A LDU também poderia fazer 6 pontos caso vencesse suas duas partidas restantes, ambas fora de casa, a última delas no Mineirão. Isto pra forçar um jogo extra. 

No dia 26mai76, a LDU foi derrotada pelo Alianza, em Lima, por 2×0. O resultado garantiu a classificação matemática do Cruzeiro à final pela primeira vez, na sua 3ª participação no torneio.

Dessa forma, o jogo com a LDU virou amistoso. No domingo, 30mai76, o Mineirão recebeu 26 mil pagantes e o time manteve o pique com outra goleada.

Nelinho fez o primeiro cobrando pênalti, aos 4 minutos de jogo. Gustavo Tapia empatou aos 11. No 2º tempo, Jairzinho marcou aos 2, Palhinha aos 27 e Ronaldo fechou o placar aos 29.

Cruzeiro 4×1 LDU, domingo, 30mai76, Mineirão, semifinais da Libertadores 1976 – Público: 26.078 pagantes – Cr$484.415,00 – Juiz: Angel Coerezza (Argentina) – Gols: Nelinho, de pênalti, 4, Gustavo Tapia, 11 do 1º tempo; Jairzinho, 2, Palhinha, 27 e Ronaldo, 29 do 2º.  – Cruzeiro: Raul Plassmann, Nelinho, Morais, Osires (Darci Menezes) e Vanderlei Lázaro; Wilson Piazza (Valdo) e Eduardo Amorim; Silva, Palhinha, Jairzinho e Ronaldo. Tec: Zezé Moreira / LDU: Miguel Angel Leyes, Moreno, Luis De Carlos, Villena, Ramiro Tobar; Juan Carlos Gomez (Rivadeneira), Aguirre; Roberto Sussman, Ruben Jose Scalise (Jorge Tapia), Polo Carrera e Gustavo Tapia. Tec: Leonel Montoya.

A campanha na semifinal foi irretocável. 4 jogos, 4 vitórias, 18 gols marcados (média de 4,5 por partida!) e 3 sofridos.

Àquela altura, o ataque celeste tinha feito 38 gols em 10 jogos e era disparado o melhor da competição. Restava apenas aguardar pelo adversário na final.