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1997 vs 2011

terça-feira, 1 de março de 2011

Cruzeiro Bicampeão da Libertadores 1997 x Cruzeiro Tricampeão da Libertadores 2011. Qual dos times é melhor?

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Um dia de sorte e glória

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Nesta sexta-feira, 13ago10, comemora-se os 13 anos da segunda conquista da Copa Libertadores pelo Cruzeiro.

Por e-mail, Davson Bruno Peixoto enviou o texto abaixo pra lembrar a efeméride.

Amigos cruzeirenses:

Hoje é sexta-feira, 13 de agosto. Para os superticiosos um dia temível, no qual se deve evitar passar debaixo de escadas, cruzar com gato preto, deixar os chinelos virados e outras tantas superstições. Segundo os historiadores não existe um fato exato que explique a origem da “sexta feira 13, dia de azar”, apesar das muitas estórias que tentam explicar a origem do tal mito.

O futebol também tem supertições que envolvem o 13. É impossível, por exemplo, esquecer Mário Jorge Lobo Zagallo, que tem fixação neste número. Vai saber se funciona ou não, mas o certo é que ele ganhou 4 Copas do Mundo.

Seja lá como for, a torcida cruzeirense tem motivos de sobra para comemorar este 13 de agosto de 2010, pois foi numa noite fria de 13 de agosto de 1997 que ela viu seu time entrar no gramado do Mineirão para conquistar mais um valioso troféu, o segundo de seu clube na Taça Libertadores da América.

A decisão era contra os peruanos do Sporting Cristal, um time mediano no cenário sul-americano, mas que chegava a decisão com propriedade, deixando no caminho gigantes do porte de Vélez Sarsfield (0x0 e 1×0), e Racing (2×3 e 4×1), além de, indiretamente, Peñarol e Racing, que estavam em seu emparceiramento a partir das oitavas-de-final e foram eliminados pelo Racing.

A primeira partida da decisão ocorreu uma semana antes, em Lima, e terminou 0x0.

O Cruzeiro não tinha um time de estrelas como o São Paulo, Palmeiras e Flamengo, mas era competitivo e com atletas acostumados a grandes decisões, casos de Palhinha II, Dida, Marcelo Ramos e outros.

O jogo de volta foi truncado. Os peruanos vieram com a proposta de se defenderem e tentarem a sorte em contra-ataques. Já o Cruzeiro partiu pra cima desde o começo querendo decidir logo.

Nas arquibancadas, mais de 100 mil cruzeirenes gritavam e cantavam empurrando o time. A torcida só se calou quando, aos 13 do 2º tempo, num lance rápido de contra-ataque do Cristal, o brasileiro Julinho sofreu falta na entrada da área.

Bonnet cobrou com força, rasteiro, no canto do goleiro Dida, que mergulhou praticando incrível defesa. Julinho ainda apanhou o rebote, mas Dida, mesmo caído, defendeu o chute à queima-roupa, com as pernas.

Quem estava naquele 13 de agosto de 1997 no Mineirão conhece bem a emoção que tento passar nesta minha narrativa do lance que ficou marcado como se fosse um gol. Eu me lembro bem, pois estava bem atrás do gol onde ele aconteceu.

Dois comentários chamaram a atenção em relação ao lance milagroso. Primeiro, o do saudoso radialista da Rádio Itatiaia, Carlos Cesar Pinguim, após a defesa do Dida. Ele animou os mais de 100 mil torcedores presentes dizendo: “O Cruzeiro nao perde mais a libertadores, o Cruzeiro não perde mais a Libertadores, depois dessa defesa do Dida…”

O segundo comentário foi do narrador da TV Globo, Galvão Bueno, que no momento da defesa afirmou: “Se o titulo vier, metade dele já tem dono!” Referia-se a Dida.

A defesa foi um aditivo para o entusiasmo das arquibancadas e para o time em campo. Depois dela, aos 30 minutos, veio o tão esperado gol, após cobrança de escanteio por Nonato.

O lateral cruzou da esquerda, a bola resvalou na defesa e sobrou para o canhoto Elivelton que, do lado direito, chutou meio mascado. Balerio falhou na tentativa de defesa e a bola beijou a rede. Gooooolll!!!

O grito ecoou pelas arquibancadas. A partir daí, o estádio ficou em festa até o final da partida. Fois uma das maiores emoções já vividas pelo Gigante da Pampulha. Era o Cruzeiro, de novo, no topo das Américas repetindo o feito de 1976.

Recordar é viver. Parabéns, torcida do Cruzeiro!!!

Abraços
Davson Bruno Peixoto

Notas do Blogueiro:

Sporting Cristal 0x0 Cruzeiro, quarta-feira, 06ago97, 21h50, Estádio Nacional, Lima, Peru, jogo de ida das finais da Copa Libertadores 1997 – Juiz: Byron Moreno (equatoriano) – Cartão Vermelho: Cleison (Cru, 44 do 2º) – Sporting Cristal: Júlio César Balério; Manuel Marengo, Marcelo Asteggiano, Miguel Rebossio (Erick Torres, 8 do 2º); Vasquez (Alex Magallanes, 17 do 2º), Jorge Soto, Manuel Marengo, Pedro Garay, Nolberto Solano e Alfredo Carmona (Andrés Mendoza, 17 do 2º); Julinho e Luiz Alberto Bonet. Tec: Sérgio Markarián / Cruzeiro: Dida; Vítor, Gelson Baresi, Wilson Gottardo e Nonato; Fabinho, Ricardinho e Donizete Oliveira; Palhinha II (Tico); Cleison e Marcelo Ramos (Da Silva). Tec: Paulo Autuori

Notas
1. Sporting Cristal era tricampeão peruano (94 / 95 / 96)
2. Não puderam ser escalados o meia Prince Amoako e o lateral-direito Jílio Rivera, suspensos.
3. Terceiro clube mais popular o Peru, o Sporting Cristal era patrocinado pela cerveja Cristal. Universitário e Alianza Lima, os mais populares, pelas concorrentes, Cuzqueña e Pilsen, respectivamente.
4. Clubes brasileiros não podiam ser patrocinados por marcas de cigarro e de bebidas alcoólicas. O Cruzeiro estampava a marca Energil C, uma vitamina do Laboratório EMS, em sua camisa.

Cruzeiro 1×0 Sporting Cristal, quarta-feira, 13ago97, 21h50, Estádio Magalhães Pinto (Mineirão), Belo Horizonte, jogo de volta das finais da Copa Libertadores 1997 – Público: 95.472 pagantes; 105.853 pagantes – Renda: R$888.072,50 – Juiz: Javier Castrilli (argentino) – Bandeiras: Luíz Olivetto e Gerado Bertoni (argentinos) – Gol: Elivélton, 30 do 2º tempo – Cruzeiro: Dida; Vítor, Gelson Baresi, Wilson Gottardo e Nonato; Fabinho, Ricardinho (Da Silva, 26 do 2º), Donizete Oliveira; Palhinha II; Marcelo Ramos e Elivélton. Tec: Paulo Autuori / Sporting Cristal: Julio César Balério; Júlio Rivera, Marcelo Asteggiano, Manuel Marengo e Nolberto Solano; Jorge Soto, Pedro Garay Erick Torres (Roger Serrano, 28 do 2º) e Prince Amoako (Alfredo Carmona, 11 do 2º); Julinho e Luiz Alberto Bonnet Bonnet (Ismael Abrahamson, 40 do 2º). Tec: Sérgio Markarián

Notas
1. Garay (paraguaio), Balerio (uruguaio), Asteggiano (argentino), Amoako (ganês) e Julinho (brasileiro) eram os estrangeiros do Cristal.
2. O Presidente do clube, Francisco Lombardi, era o cineasta mais famoso do Peru.
3. O técnico Sérgio Markarián era uruguaio.
4. Na véspera da decisão, Paulo Autuori informou que sairia do Cruzeiro, mesmo com uma vitória.
5. A Libertadores teve 21 participantes, 90 jogos, 242 gols. Os artilheiros foram Acosta (Universidad Catolica, 11 gols), González (Bolívar, 9) e Basay (Colo Colo, 8).
6. Vídeo com gols do Cruzeiro.

Cruzeiro na Libertadores V: 1976, Mundial em BH

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Mauro França e Jorge Santana

Mundial

Com a conquista da Libertadores 1976, o Cruzeiro se credenciou à disputa da Copa Intercontinental, nome oficial do Mundial Interclubes, naquela época disputado em dois jogos entre os campeões da América do Sul e da Europa.

O Bayern Munich, tri-campeão europeu, que se recusara a enfrentar o Independiente nos dois anos anteriores, aceitou jogar contra o Cruzeiro. As partidas foram marcadas para 21nov76 em Munique e 21dez76 em Belo Horizonte.

Excursão

Os jogadores celestes mal puderam comemorar o título da Libertadores. A delegação nem retornou para Beagá, onde certamente teria uma recepção triunfal. De Santiago, o time seguiu diretamente para Paris, escala inicial de uma excursão que se prolongou por todo o mês de agosto.

Nem houve tempo para descanso. Apenas quatro dias depois do histórico 3×2 sobre o River, em 03ago76, o Cruzeiro empatou por 1×1 com o Saint-Étienne, tri-campeão francês e vice-campeão europeu. Em 08ago176, o time celeste venceu o Nice por 4×3, com uma grande exibição.

A excursão continuou na Espanha, onde se realizavam vários torneios de verão, que os clubes brasileiros aproveitavam pra reforçar o caixa. Em La Coruña, no Estádio Riazor, o Cruzeiro disputou o Torneio Tereza Herrera, pela segunda vez consecutiva. Venceu o PSV Eindhoven por 2×0 e perdeu para o Real Madri pelo mesmo placar, com dois gols de pênalti.

No torneio seguinte, no Estádio Vicente Calderón, em Madri, o Cruzeiro perdeu para o Athletic Bilbao por 3×1 e venceu o Racing White, da Bélgica,  por 2×0.

No Ramon Sanchez Pizjuan, em 24ago76, o Cruzeiro empatou com o Sevilla por 1×1, mas foi eliminado nos pênaltis, por 5×3. Raul Plassmann defendeu uma penalidade, mas o juiz mandou repeti-la. Dois dias depois, o campeão sul-americano bateu o Hajduk Split, da Croácia, por 4×2, terminado em 3º lugar no Torneio de Sevilla.  

A excursão encerrou-se em 29ago76, no Estádio Municipal de Almeria com uma vitória por 3×2 sobre o time local. Foram 9 jogos, 5 vitórias, 2 empates, 2 derrotas, 18 gols a favor, 14 contra.

Financeiramente, o saldo da viagem foi ótimo, mas o custo técnico foi alto. Jairzinho, Vanderlei Lázaro, Nelinho e Wilson Piazza voltaram contundidos. Os dois últimos com mais gravidade, ficaram três semanas afastados do Campeonato Brasileiro, na época, chamado Copa Brasil.

Copa Brasil

Em 04set76, menos de uma semana depois do último amistoso na Europa, com cinco desfalques, o Cruzeiro estreou na Copa Brasil empatando com o Botafogo por 0x0 perante 10.294 torcedores, no Mineirão.  

Os desfalques constantes afetaram o rendimento do time. Zezé Moreira jamais conseguiu escalar o time completo no campeonato. Para complicar, Joãozinho também se contundiu com gravidade e ficou de fora da maior parte dos jogos.

Em um grupo de 9 equipes, o Cruzeiro ficou em 2º lugar ao lado de Coritiba, Atlético e São Paulo. Pelos critérios de desempate, ficou na 5ª posição (3 vitórias, uma por mais de dois gols de diferença, que valia 3 pontos; 4 empates e uma derrota). Como somente os quatro primeiros se classificavam, o time celeste teve que disputar a repescagem, que valia uma vaga para a 3ª fase do torneio.

Na repescagem, o Cruzeiro enfrentou Portuguesa, Londrina, Uberaba e Confiança. Somou 8 pontos (3 vitórias, uma de 3 pontos, e 1 empate) e ficou em 2º, um ponto a menos do que a Portuguesa. No último jogo, precisava derrotar o Londrina por dois gols de diferença pra ficar em 1º. Em 27out76, no Mineirão, diante de um público de quase 40 mil torcedores, Palhinha fez 1×0 no início do 2º tempo e foi só. Para surpresa de muitos, a menos de um mês do duelo contra o Bayern, o campeão sul-americano foi eliminado do Brasileiro.  

Racha

A eliminação precoce conturbou o ambiente na Toca. Carmine Furletti, vice-presidente de futebol, e Elias Barburi, o Tóia, diretor de futebol, criticaram Zezé Moreira, cujo esquema de jogo consideravam ultrapassado. Barburi queria a demissão do treinador. Mesmo afastado por doença, Felício Brandi bancou o treinador e responsabilizou os dirigentes, que teriam reforçado mal a equipe, pela desclassificação.

Em meados de outubro, o clube contratou o uruguaio Pablo Forlan, que aos 31 anos estava aposentado em Montevidéu. Zezé Moreira contava com a experiência e a garra do lateral, que disputara duas copas do mundo e havia sido campeão intercontinental com o Peñarol em 1966.  

Inverno

O Cruzeiro embarcou para a Alemanha com problemas. Nelinho, Piazza e Joãozinho vinham de longa inatividade. Dirceu Lopes, há mais de um ano parado, também estava fora de forma. O time estava sem ritmo, pois só jogou duas vezes após a eliminação no Brasileiro. Com equipes mistas, empatou em Maringá, com o Grêmio local, e no Mineirão, com o América carioca, por 0x0.

Além de tricampeão europeu, o Bayern era a base da Seleção Alemã campeã do Mundo em 74. Tinha celebridades como Sepp Maier, Franz Beckenbauer, Gerd Muller e Paul Breitner entre outros. No campeonato alemão, estava em 3º, a 4 pontos do líder.

Os alemães até foram corteses. De acordo com Raul, forneceram agasalhos e material de treino aos cruzeirenses. O próprio goleiro foi presenteado por Maier com luvas apropriadas para jogos com neve.

O jogo foi disputado sob uma nevasca. Em tais condições, o Cruzeiro foi cauteloso. Queria ao menos empatar e trazer a decisão para o Mineirão. Nelinho e Joãozinho, que foi substituído por Dirceu Lopes no 2º tempo, não estiveram bem. Mesmo assim, o time resistiu até os 35 o 2º tempo, quando Ulli Hoeness cruzou da direita, Morais não alcançou e Gerd Muller, na entrada da pequena área, dominou e chutou no canto direito de Raul Plassmann.

Dois minutos depois, Rummenigge começou a jogada pela esquerda, Muller fez corta-luz e Kapellmann, da entrada da área, bateu rasteiro no canto direito de Raul pra definir o placar e colocar os alemães em vantagem na decisão.

  • Cruzeiro 0×2 Bayern München, terça-feira, 23nov76, 1º jogo da decisão do Mundial Interclubes 1976, Olympiastadion, Munique, Alemanha – Público: 22.000 pagantes – Juiz: Luis Pestarino (Argentina) – Gols: Muller, 35, Kapellmann, 37 do 2º tempo – Cruzeiro: Raul Plassmann, Nelinho, Morais, Ozires e Vanderlei Lázaro; Wilson Piazza e Zé Carlos; Eduardo Amorim, Palhinha, Jairzinho e Joãozinho (Dirceu Lopes). Tec: Zezé Moreira / Bayern: Sepp Maier, Bjorn Andersson, Franz Beckenbauer, Hans-Georg Schwarzenbeck e Udo Horsmann; Bernd Dürnberger, Conny Torstensson e Jupp Kapellmann; Uli Hoenes, Gerd Müller e Karl-Heinz Rummenigge. Téc: Dettmar Cramer. 1: Maier, Schwarzenbeck, Beckenbauer, Hoenes, Kapellmann e Muller conquistaram a Copa do Mundo 74 pela Alemanha. 2. Torstensson e Andersson disputaram as Copas de 74 e 78 pela Suécia. 3: Maier jogou as Copas de 66, 70, 74 e 78. Beckenbauer jogou as de 66, 70 e 74 e foi técnico da Alemanha em 86 e 90, quando conquistou o título. 4. Rummenigge tinha 21 anos à época. Era um talento em ascensão. Jogou as Copas de 78, 82 e 86.  

Mesmo apontando a neve como vilã, Nelinho não deixou de observar que muitos jogadores –os principais– estavam fora das suas melhores condições físicas e técnicas, em entrevista à Placar:

  • “A neve deixou o nosso time muito inseguro. Logo no início, perdi umas três bolas bobas porque ia dar o drible e ela corria ao invés de ficar no meu pé. Além disso, eu –como o Jair, o Joãozinho, o Piazza, o Palhinha e o Dirceu– estava em péssimas condições. Tanto que joguei plantado. Só desci umas duas vezes.”

Revanche

Sem compromissos oficiais, os jogadores voltaram à rotina de treinamentos. Palhinha, com dores musculares, e Jairzinho, gripado, não participaram da primeira semana de treinamentos. Zezé Moreira, que pretendia apurar a condição física e técnica do elenco, era só preocupação.

O Cruzeiro disputou apenas um amistoso entre os dois jogos. Em 11dez76, venceu o Uberaba por 3×0, no Mineirão, perante 4 mil torcedores. Raul e Jairzinho ficaram de fora, enquanto Dirceu Lopes e Joãozinho atuaram o tempo todo.

Mesmo reconhecendo a força do adversário, o clima entre os jogadores era de confiança. Todos achavam possível reverter o resultado e conquistar o título. Acreditavam no pouco tempo de adaptação dos alemães ao calor fizessem a diferença, como o frio e a neve tinha feito na Alemanha. Zezé Moreira analisou o adversário e deu a receita para vencê-lo, em entrevista à Placar:

  • “Eles praticamente não têm posição fixa em campo. Há sempre um jogador a mais na marcação dos atacantes adversários e a recuperação deles é impressionante. Temos que partir para um jogo coletivo, rápido e objetivo, como naquelas partidas contra o Internacional, pela Libertadores.”

Zezé Moreira ficou aborrecido com o desfecho do jogo de ida:

  • Nós nunca poderíamos ter nos apavorado com o primeiro gol e partido pra cima deles que nem loucos. Deveríamos ter ficado quietinhos, no nosso esquema, porque a derrota de 1×0 era um excelente resultado para o Cruzeiro. Agora, eles entram aqui com 2×0 no placar. Isso lhes dá muita segurança e apóia qualquer sistema defensivo.

Mas não havia perdido a esperança:

  • Chegaremos lá. Precisamos entrar com os onze jogadores em perfeitas condições técnicas e físicas, caso contrário, será difícil vencer. Estamos treinando duro porque não adianta apenas marcar os gols necessários. É preciso, também, não tomar.

Verão

Enfim, na quinta-feira, 21dez76, o Mineirão recebeu pela primeira e única vez na sua história uma decisão de título mundial. O público oficial foi de 113.715 pagantes.

Saí da Fafich, no Bairro Santo Antônio, por volta de 13h e parei pra tomar cerveja e fazer a resenha do futebol com os colegas no Jorobó, um boteco na Contorno, quase na esquina de Carangola.

Por volta de 15h, saímos para o Mineirão em vários táxis. Eu e o Nílton Figueiredo, colega de Sociologia, tomamos um fusca amarelo sem banco dianteiro.

Na Catalão, sobre o viaduto do Anel Rodoviário, o motorista puxou o freio de mão e recomendou: “Se vocês querem ver o jogo, melhor irem a pé.”

Travou tudo. As pessoas largavam os carros no meio da pista e saiam correndo em direção ao estádio. No estacionamento, saquei o lance: havia dezenas de ônibus de todas as partes do país: Bahia, Rio, Goiás, Espírito Santo, Mato Grosso, Paraná, São Paulo e inúmeras cidades do interior de Minas.

Quando consegui entrar, não havia mais divisão de setores. Tentei furar os bloqueios de cada um dos acessos às arquibancadas, cadeiras e geral, sem sucesso. O Mineirão estava entupido.

O jeito foi assistir à decisão no corredor. Escolhi o Bar 22, cuja televisão, uma Philco com Bombril –aquela palha de aço que dizia ter mil e uma utilidades- nas pontas antenas, atendia a uma multidão incalculável. Havia superlotação até nas áreas de circulação.

No dia seguinte, o Estado de Minas estampava a manchete “Trânsito infernal na ida e na volta. A decisão mudou a vida da cidade”.  Os jornais informaram também sobre a invasão de mais de 20 mil torcedores vindos em caravanas, que não encontrando ingressos à venda, arrombaram os portões do estádio. Esse foi, sem dúvida, o maior público da história do Gigante da Pampulha. (Jorge Santana)

O Bayern chegou à BH no dia do jogo. Os jogadores foram para o hotel, descansaram poucas horas e foram para o Mineirão. Reconheceram o gramado e se aqueceram sob estrepitosas vaias da torcida.

Zezé Moreira escalou uma formação mais ofensiva, com um ataque com Jairzinho pela direita, Palhinha, Dirceu Lopes e Joãozinho. Eduardo ficou no banco.

O calouro de Engenharia, João Chiabi Duarte, relata suas impressões:

“Eu me lembro de ter chegado ao estádio por volta das 16 h. Os portões se abriram por volta das 18 h. Lá dentro, não dava pra levantar e sair, porque se perdia o lugar. O time deles era uma verdadeira seleção campeã do mundo. Fiquei no hall de entrada para vê-los passar. Sepp Mayer o goleiro tinha mãos imensas. Beckenbauer carregava os sacos como qualquer outro jogador. Não tinha essa de roupeiro, cada um fazia a sua parte. Lembro até hoje da cena. O Bayern entrou para aquecer com os seus agasalhos vermelhos da Adidas (sonho de consumo de todos nós naquela época), um calor infernal. Foi a maior vaia que eu já tinha visto em um estádio de futebol…

O Cruzeiro precisava de uma vitória por dois gols no tempo normal para forçar a prorrogação e pênaltis. A gente acreditava demais nos nossos craques. O jogo começou depois das 21h. O Cruzeiro fez uma ótima partida e parou sempre nas mãos de Maier ou nos desarmes fantásticos de Beckenbauer ou do Schwarzenbeck (jogava duro e não perdeu uma antecipação naquele dia). Houve lances incríveis durante o jogo. Uma cabeçada do Jairzinho, de costas, que o Sepp Maier só defendeu porque tinha mãos enormes. Ou a grande defesa do Raul no chute rasteiro e forte do Rumenigge, que ele tirou com a ponta do pé.  

No Cruzeiro, Dirceu Lopes parecia se ressentir da longa inatividade e não conseguia ter vantagem sobre a marcação implacável de Kapellmann. No 2º tempo, Zezé Moreira trocou-o por Forlan, que entrou na lateral direita, e adiantou Nelinho para a meia, para aproveitar o chute do lateral. E ele mandou três ou quatro varadas em direção ao gol alemão. Todas espalmadas ou socadas por Maier.

Rumenigge dava trabalho nos contra-ataques, mas sentiu uma contusão e deu lugar a Arbinger, que entrou para marcar as boas combinações que Nelinho e Forlan faziam pela direita. Palhinha, Joãozinho e Jairzinho brigaram com valentia contra os gigantes do time alemão e criaram as oportunidades. Embora não tivessem feito os gols, lutaram muito, como de resto, todo o time celeste.”

Mesmo sem o título, os jogadores celestes deixaram sob os aplausos da torcida, em reconhecimento pelo que fizeram. Foi um belo espetáculo proporcionado por dois grandes times. Um show de técnica e tática

  • Cruzeiro 0×0 Bayern München, terça-feira, 21dez76, 2º jogo da decisão do Mundial Interclubes-76, Mineirão, Belo Horizonte. Público: 113.715 pagantes – Juiz: Patrick Partridge (Inglaterra) – Cruzeiro: Raul Plassmann, Nelinho, Morais, Ozires e Vanderlei Lázaro; Wilson Piazza (Eduardo Amorim) e Zé Carlos; Jairzinho, Palhinha, Dirceu Lopes (Pablo Forlan) e Joãozinho. Tec: Zezé Moreira / Bayern: Sepp Maier, Bjorn Andersson, Franz Beckenbauer, Hans-Georg Schwarzenbeck e Udo Horsmann, Weiss, Conny Torstensson e Jupp Kapellmann, Uli Hoeness, Gerd Müller e Karl Heinz Rummenigge (Alfred Arbinger). Tec: Dettmar Cramer.  

Alguns lances ficaram da decisão mundial ficaram eternizados: duas incríveis defesas de Raul Plassmann, um drible de Joãozinho deixando o Kaiser Beckenbauer de bunda no chão e uma cabeçada de Jairzinho que, com o arco escancarado, mandou a bola no travessão.

João Saldanha culpou a cabeleira Black Power do atacante pelo desperdício. Segundo ele, a bola amorteceu naquela touceira ornamental. Para provar sua tese, o cronista saiu pelas ruas do Rio de Janeiro com uma bola e uma câmera filmando cabeçadas de outros cabeludos. Todas sairam chochas. 

Links:

  1. Vídeo de uma emissora alemã, com os gols da partida, com uma impagável participação do repórter Paulo Roberto escalando o time do Bayern.
  2. Trecho de um documentário do Sportv sobre Jairzinho, com imagens rápidas do jogo do Mineirão.
  3. Fernando Sasso narra alguns momentos ada decisão.

Faltou experiência…

quinta-feira, 20 de maio de 2010

As chances não eram grandes. Uma em cem, talvez. Se desse pé, seria pra carnaval na Praça Sete. Não deu, vida que segue.

Faltou experiência ao time do Cruzeiro nesta série de quartas de final da Libertadores contra o São Paulo.

Garotos afoitos, com pouca quilometragem no futebol, dá nisso. No primeiro jogo, imaginaram poder definir a disputa na marra e bateram com a cara na porta.

Rodaram pouco a bola, tentaram penetrar na defesa tricolor no peito e na raça. Esqueceram-se de que, jogando em casa, melhor é não tomar gol.

No segundo, bem, o segundo jogo não aconteceu. Durou um minuto, se tanto. Por motivos fúteis.

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O quinta-coluna

domingo, 9 de maio de 2010

Transferido para Porto Alegre, o Capitão Renato levou na bagagem a admiração pelo futebol de Joãozinho, Zé Carlos, Palhinha e Nelinho.

Embora fosse torcedor do América, ele não perdia jogo do Cruzeiro. Por isto, se meteu no meio de 40 mil colorados naquele 18out75 pra assistir ao maior clássico daquela época.

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Cruzeiro 2×1 América-TO: Dragão bufou e perdeu

sábado, 20 de março de 2010

No Cruzeiro, que está em 1º lugar com 21 pontos, 2 acima do 2º colocado, o Ipatinga, retornam Gilberto e Guerron.

No América, que está  em 9º com 6 pontos, um jogo a menos, 5 pontos atrás do G8 e 2 a frente da zona de rebaixamento, não atuam Juliano Cabelo, contundido, e Araújo, suspenso.

Lances + importantes do 1º tempo

  • 17h – Começa o jogo. Cruzeiro com uniforme tradicional defende o Gol da Cidade. América joga todo de vermelho. 
  • 01 – Gilberto cruza, Rodrigo Sena corta.
  • 02 – Marquinhos Paraná tabela com Gilberto, invade a cruza para Kleber. Sena corta.
  • 03 – Júlio César lança Diogo Oliveira, Fábio sai da área pra cortar com o peito.
  • 04 – Jonathan cruza,da doreita, Gilberto pega de primeira, bola passa por cima do travessão.
  • 05 – Cruzeiro toca bola à espera de espaços para surpreender o América.
  • 09 – Wellington Paulista lança bola sobre a área, Sena corta.
  • 10 – Kleber recebe, de costas na intermediária, e sofre a falta.
  • 11 – Gilberto cobra falta sobre a área, Fábio Noronha defende.
  • 13 – Gilberto lança Marquinhos Paraná, que vai á linha de fundo e cruza. Jadson cede escanteio.
  • 14 – Gilberto cobra escanteio da ponta direita, Leonardo Silva cabeceia por cima do travessão.
  • 15 – América joga num 5-3-2, pois seus dois alas não saem muito para o ataque. Cruzeiro está aramdo num 4-2-2-2. Marquinhos Paraná, mais adiantado do que Fabinho e Henrique, arma o time ao lado de Gilberto, que pouco se movimenta. 
  • 16 – Osvaldir desce pela ponta direita, cruza, mas a bola escapa pela linha de fundo.
  • 19 – Diego Renan desarma Sena, avança pela esquerda, entra na área, cruza, mas Luis Henrique corta.
  • 20 – América pressiona e opbtém três escanteios pela direita. Fabinho, Marquinhos Paraná e, novamente, Fabinho, afastam as bolas cruzadas, de cabeça.
  • 21 – Kleber recebe na área, mas é desarmado por Jadson.
  • 22 – Chrys cruza, Diego Renan, na pequena área, corta.
  • 23 – Kleber invade a área pela direita, cruza pra trás, Henrique desvia de cabeça, Jadson corta.
  • 24 – Júlio César desce pela equerda, cruza, mas Diogo e Chrys não alcançam a bola, embora estejam sozinhos na área.
  • 25 – América domina a partida com forte marcação, ultrapassagens bem ensaiadas e  lançamentos precisos. Cruzeiro se enrola na tentaiva de furar o bloqueio defensivo do Dragão. Kleber e Gilberto estão apáticos.
  • 26 – Chrys recebe lançamento de Diego Palhinha, nas costas da zaga, deixa Fabinho pra trás, e chuta rasteiro no canto esquerdo de Fábio. América 1×0.
  • 27 – Jonathan cruza, Wellington paulista comete falta em Sena.
  • 29 – Diego Renan avança pelo meio e é parado com falta na intermediária.
  • 30 – Cruzeiro está muito mal. Kleber e Gilberto sem inspiração. Ataque imnoperante, defesa sendo surpreendida com lançamentos em suas costas.  
  • 31 – Júlio César puxa contra-ataque, invade a área pela direita e cruza rasteiro. Thiago Heleno corta.
  • 32 – Marquinhos Paraná lança Diego Renan, que recebe falta. Gilberto cobra, Henrique cabeceia, Luís Henrique corta.
  • 33 – Dioogo Oliveira lança Júlio César, que avança pela direita e cruza. Thiago Heleno corta.
  • 34 – Gilberto cobra escanteio na ponta direita, Fábio Noronha corta a bola com os punhos.
  • 35 – Gilberto cruza rasteiro, Jadson corta antes que Wellington Paulista alcance a bola.
  • 36 – Osvaldir cruza da direita, Fábio assiste a bola sair por cima do travessão.
  • 38 – Gilberto recebe lançamento de Wellington Paulista, livre na área, e chuta rasteiro. Fábio Noronha sai do arco e abafa a jogada evitando o gol de empate.
  • 39 – Marquinhos Paraná cruza da esquerda, Gilberto tenta arrematar de bicileta, mas não acerta a bola.
  • 40 – Cruzeiro pressiona, mas a zaga do América rebate as bolas alçadas na área.
  • 43 – Diego Renan cruza, mas Gilberto é desarmado na entrada da área.
  • 44 – Jonathan lança Kleber na área. Ele chuta cruzado, mas dois beques do América se atiram na bola e cedem escanteio.
  • 45 – Kleber recebe cartão amarelo por reclamação.
  • 46 – América toca bola na ponta-esquerda. Júlio César cruza, Diego Renan corta.
  • 47 – Fim de 1º tempo. Time celeste sai de campo vaiado.
  • Diego Renan: “Temos que conversar pra melhorar o time.”
  • Fábio: “O jogo está muito cadenciado e o América tiora vantagem disso tocando bem a bola.”

Lances + importantes do 2º tepo

  • 18h06 – Começa o 2º tempo. Equipes inalteradas.
  • 01 – Jonathan cruza da ponta direita, Gilberto cabeceia, Fábio Noronha salta e defende no canto direito, com dificuldade.
  • 02 – Marquinhos Paraná tabela com Kleber, que serve Wellington Paulista. O centroavante chuta forte, de canhota. Noronha faz grande defesa evitando o gol de empate.
  • 04 – Fabinho comete falta dura em Diego Palhinha e recebe cartão amarelo.
  • 05 – Jadson derruba Kleber e recebe cartão amarelo.
  • 06 – Kleber cruza rasteiro, Luís Henrique corta na pequena área.
  • 07 – Diego Renan comete falta em Chrys para impedir contra-ataque e recebe cartão amarelo.
  • 08 – Leonardo Silva reclama do Juiz e recebe cartão amarelo. Jonathan lança Fabinho, que cruza. Noronha defende.
  • 09 – Dênis cobra falta de longe, bola passa por cima do travessão.
  • 10 – Kleber invade a área pela esquerda, mas é desarmado por Jadson.
  • 11 – Roger Secco substitui Gilberto. Henrique é derrubado no bico da área. Jonathan cobra falta, Júlio César corta.
  • 12 – Guerrón substitui Diego Renan. Marquinhos Paraná fioca na lateral-esquerda.
  • 14 – Após tabelar com Henrique, Jonathan rola para Roger, que na meia lua, dribla Rodrigo Sena e chuta forte, de pé direito, rasteiro. A bola entra no canto direito de Fábio Noronha. Cruzeiro 1×1.
  • 15 – Guerrón cruza da direita, Noronha defende, cai, faz um pouco de cera.
  • 16 – Henrique lança Guerrón, que invade a área e cruza. Júlio César corta pra escanteio.
  • 17 – Dênis derruba Kleber e recebe cartão amarelo.
  • 18 – Roger fica caído no gramado e sai de campo no carrinho-maca pra ser atendido.
  • 19 – Jonathan lança Guerrón, que vai à linha de fundo e cruza na cabeça de Wellington Paulista. Noronha sai pra defender, choca-se com o centroavante, cai e o Juiz marca falta de ataque.
  • 21 – Thiago Heleno erra  um passe no meio de campo, Diego Palhinha parte em contra-ataque, mas é derrubado por Marquinhos Paraná, que recebe cartão amarelo.
  • 22 – Guerrón tenta driblar Júlio César, mas o lateral corta pra escanteio.
  • 24 – Guerrón avança pela direita, cruza rasteiro, Wellington Paulista ajeita de calcanhar, Fabinho é desarmado quando tenta o arremate.
  • 26 – Kleber lança rasteiro pra Roger na área. Fábio Noronha sai do arco e fica com a bola.
  • 27 – Pablo comete falta em Kleber e recebe cartão amarelo.
  • 28 –  Jogadores do América estão cansados. Começam a cair com frequência sentindo câimbras.
  • 29 – Stefan substitui Diogo Oliveira. Guerrón cai pela esquerda, impedindo que o América avance por este setor.
  • 30 – Eraldo substitui Diego Palhinha. Guerrón lança Kleber, que cruza da esquerda. Noronha defende.
  • 31 – Jonathan lança Henrique, Noronha sai e protege a saída da bola pela linha de fundo.
  • 32 – Luis Henrique recebe lançamento na entrada da área e chuta colocado no canto esquerdo. Fábio faz ponte pra defender.
  • 33 – Júlio César retarda o recomeço de jogo e recebe cartão amarelo.
  • 34 – Pedro Ken substitui Roger Secco, que deixa o campo mancando, com dores no tornozelo.
  • 35 – Manu substitui Luis Henrique.
  • 36 – Henrique tenta lançar Pedro Ken dentro da área, mas Dênis corta de cabeça. A bola fica com Kleber que, na meia lua, corta Júlio César e chuta forte, de pé esquerdo, no ângulo esquerdo do arco de Noronha. Cruzeiro 2×1.
  • 37 – Henrique comete falta em Crhys e recebe cartão amarelo.
  • 38 – Guerrón entra driblando na área, Sena corta. Torcida canta alto.
  • 39 – Fabinho chuta de fora da área, por cima do travessão.
  • 40 – Wellington Paulista chuta de fora da área, bola passa por cima do travessão.
  • 43 – Henrique lança Kleber, que chuta cruzado, da esquerda. Bola fica na rede, pelo lado de fora.
  • 45 – Pedro Ken comete falta em Osvaldir e recebe cartão amarelo.
  • 47 – Henrique chuta de fora da área, bola sai à esquerda de Fábio Noronha.
  • 48 – Thiago Heleno comete falta por trás em Stefan e recebe cartão amarelo.
  • 49 – Fim de jogo. Na Itatiaia, Fabinho, com voto de minerva de Alberto Rodrigues, vence Adílson Baptista por 3×2, é escolhido o melhor em campo e ganha um MP4. Na Globo / CBN, Kleber é eleito o melhor em campo.
  • Fabinho: “No 1º tempo, todo mundo estava sonolento, mas o time mostrou que tem poder de reação.”
  • Jonathan: “No intervalo, Adílson Baptista deu uma bronca no vestiário, mas o time está cansado de tantas viagens.”
  • Fábio: “Nosso time esteve moroso no 1º tempo permitindo que o adversário crescesse e fizesse um gol. Se não jogarmos nosso melhor futebol, vamos ser surpreendidos outras vezes.”
  • Fábio Noronha: “Jogamos bem, mas faltaram pernas no 2º tempo. O gramado é grande, e o Cruzeiro faz o adversário correr atrás da bola até cansar. Estou muito feliz em Teófilo Otoni, pois o time tem estrutura e paga em dia. Um clube assim merece ficar na 1ª divisão. Vamos lutar por isto.”

Cruzeiro 2×1 América TO, sábado, 20mar10, 17h, Mineirão, Belo Horizonte, 10ª rodada do Campeonato Mineiro – Transmissão: Pague-pra-ver – Público: 7.671 pagantes, 9.1o5 presentes – Renda: R$109.589,85 – Juiz: Joel Tolentino Damata Júnior (FMF) – Bandeiras: Márcio E. Santiago (FMF) e Pablo Almeida Costa (FMF) – Amarelos: Leonardo Silva, Henrique, Diego Renan, Kleber, Fabinho, Thiago Heleno, Pedro Ken (Cru); Jadson, Dênis, Pablo, Júlio César (Ame) – Gols: Chrys, 25 do 1º tempo; Roger Secco, 14, Kleber, 36 do 2º – Cruzeiro: Fábio; Jonathan, Thiago Heleno, Leonardo Silva e Diego Renan (Guerrón); HenriqueFabinho e Marquinhos Paraná; Gilberto (Roger Secco, depois, Pedro Ken); Kleber e Wellington Paulista. Tec: Adílson Baptista / América: Fábio Noronha; Osvaldir, Luis Henrique (Manu), Jadson, Rodrigo Sena e Júlio César; Denis, Pablo e Diego Palhinha (Eraldo) e Júlio César; Chrys e Diogo Oliveira (Stefan). Tec: Gilmar Estevam Histórico – Foi o 1º jogo entre ambos. O Cruzeiro conmeça a história do confronto com 1 vitória, 2 gols a favor, 1 contra.

Cruzeiro na Libertadores: 1976, a conquista (III)

sábado, 20 de março de 2010

Mauro França e Jorge Santana

Com a classificação confirmada, Felício Brandi articulou e trouxe para Belo Horizonte a reunião da Confederação Sul-Americana que definiria a composição dos grupos e a tabela das semifinais.

O evento, realizado no final de abril, contou com a presença dos presidentes da CBD, Heleno Nunes, e da CSA, o peruano Teófilo Salinas. Ao final do encontro, Felício havia conseguido todos os seus objetivos.

O principal deles, evitar o confronto com os times argentinos nessa fase, como havia acontecido em 1975. Dessa vez, os adversários seriam a LDU, do Equador, e o Alianza Lima, do Peru. No outro grupo, Peñarol, River Plate e Independiente.

A tabela também foi favorável ao Cruzeiro, que jogaria primeiro fora de casa, decidindo a vaga no Mineirão. O diretor de futebol Carmine Furletti resumiu a expectativa geral, em entrevista à revista Placar:

  • “Se a gente não ganhar agora, nunca mais”.

À exceção de um amistoso disputado em Brasília logo após os 2×0 sobre o Inter, o Cruzeiro vinha se dedicando exclusivamente à Libertadores.

Isto porque o regulamento da Taça Minas Gerais, então em disputa com 22 times divididos em 2 grupos, previa que o último campeão mineiro estava automaticamente classificado para a semifinal. Dessa forma, o time ficou desobrigado de fazer 10 jogos pelo torneio estadual.

Atlético e Uberaba se classificaram para as finais. Um sorteio com cheiro de cartas marcadas definiu o time do Triângulo como adversário do Cruzeiro na semifinal. O Cruzeiro venceu por 4×2 em 18abr76, no João Guido, em Uberaba, perante 27 mil espectadores.

Uma semana depois, Cruzeiro perdeu por 2×1 para o Atlético perante 101 mil torcedores, no Mineirão.

Neste jogo, Cafuringa, que jamais marcava gols, abriu o placar para o Clube de Lourdes, aos 14 do 1º tempo. Palhinha empatou para o Cruzeiro, aos 30 do 2º, levando a decisão para a prorrogação.

Pela primeira vez, desde que chegara ao Cruzeiro, 11 anos antes, Raul Plassmann sofreu um gol de pênalti –Piazza sobre Reinaldo- do rival citadino. O autor foi Toninho Cerezo, indicado a força pelo treinador Barbatana, após os atacantes riscados terem se recusado a encarar a maldição.

No bate-boca, seguido e empurra-empurra, Palhinha, Jairzinho e Reinaldo foram expulsos. No final, Felício Brandi não se fez de rogado, segundo a revista Placar:

  • “Tudo bem. Nós queremos é a Libertadores”.

O Cruzeiro ainda fez uma partida pela 1ª fase do Campeonato Mineiro antes de embarcar para Quito.

 A LDU, campeã equatoriana, vencera o Alianza Lima por 2×1, em casa, no jogo de abertura do grupo.

A altitude foi um problema considerável. O treino recreativo na véspera da partida foi paralisado na metade. Osíres, com tonteiras e vômitos, foi vetado. Outros jogadores também passaram mal.

No domingo, 09mai76, a LDU começou pressionando na base da correria e mandou duas bolas no travessão nos primeiros 25 minutos. Mas o time celeste se impôs e abriu o marcador aos 33. Palhinha recebeu de Joãozinho, dentro da área, ajeitou e acertou o ângulo de Maesso.

Aos 5 do 2º tempo, Palhinha recebeu de Jairzinho, driblou seu marcador e chutou no canto abrindo 2×0. Aos 13, Palhinha foi ao fundo, cruzou e Jairzinho ajeitou com o peito pra Joãozinho soltar uma bomba: 3×0.

Daí em diante o time administrou o resultado e a LDU diminuiu aos 30, com um pênalti duvidoso convertido por Polo Carrera, o melhor dos equatorianos. No final da partida, o exigente Zezé Moreira, resmungou:

  • “Não creio que o Cruzeiro possa jogar pior do que aqui”.

Cruzeiro 3×1 LDU, domingo, 09mai76, estádio Atahualpa, Quito, semifinais da Libertadores 1976 – Público: 50.000 pagantes – Juiz: Angel Coerezza (Argentina) – Gols: Palhinha, 33 do 1º tempo; Palhinha, 5, Joãozinho, 13, e Carrera, 30 do 2º.  – Cruzeiro: Raul Plassmann, Nelinho, Morais, Darci Menezes e Vanderlei Lázaro; Wilson Piazza e Eduardo Amorim (Zé Carlos); Roberto Batata (Isidoro), Palhinha, Jairzinho e Joãozinho. Tec: Zezé Moreira / LDU: Walter Maesso, Moreno (Ramiro), Luis De Carlos, Villena, Ramiro Tobar; Juan Carlos Gomez, Jorge Tapia; Oscar Zubia (Aguirre), Ruben Jose Scalise, Polo Carrera e Gustavo Tapia. Tec: Leonel Montoya. – Notas – 1. A LDU foi rebaixada à 2ª divisão equatoriana em 72. Na volta à 1ª, em 75, foi campeã nacional. 2. Maesso, Zubia, Gomez e De Carlos eram uruguaios; Leyes, que jogou apenas a 2ª partida, e Scalise, argentinos. O técnico Montoya era colombiano. 3. Jorge e Gustavo Tapia, Tobar e Polo Carrera defenderam a Seleção equatoriana na Copa América de 75. 

De Quito o Cruzeiro seguiu pra Lima. Na quarta-feira, 12mai76, o Alianza armou um forte bloqueio defensivo e parou o ataque celeste no 1º tempo e nem a expulsão de Velasquez, aos 38, abriu uma brecha em sua retranca.

O 0x0 persistiu até os 17 minutos do 2º tempo, quando Roberto Batata, deslocado pelo meio do ataque, recebeu de Palhinha, ajeitou e, da entrada da área, bateu no ângulo do goleiro peruano. Porteira aberta, os gols saíram naturalmente.

Aos 26, Joãozinho recebeu passe de Jairzinho nas costas do lateral, fechou para a área e, na saída do goleiro, deu um lindo toque de cobertura para marcar o segundo. Aos 31, Vanderlei foi expulso depois de cometer falta dura no centroavante Suarez.

A expulsão não abalou o time que marcou o 3º, dois minutos depois. Foi uma obra-prima, registrad a no livro Páginas Heróicas:

  •  “O que ele marcou em Lima, contra o Alianza, até os adversários aplaudiram. Num escanteio, quase todo o time peruano foi para a área do Cruzeiro. Raul saiu bem, defendeu e entregou a bola a Joãozinho, no bico da área. O ponteiro disparou. Os adversários foram todos atrás dele. “Ganhei a corrida, passei pelo goleiro e toquei para o gol vazio. Pra minha surpresa, a torcida aplaudiu de pé”. Joãozinho jamais tocava a bola para os lados ou para trás. “Atacante tem que partir pra cima da defesa; é isso que ensino ao meu filho.”

Cruzeiro 4×0 Alianza Lima, quarta-feira, 12mai76, Lima, Peru, semifinais da Libertadores 1976 – Público: 35.000 – Juiz: Ramon Barreto (Uruguai) – Expulões: Velasquez, 38 do 1º tempo e Vanderlei, 31 do 2º – Gols: Roberto Batata, 17, Joãozinho, 26 e 33, Jairzinho, 42 do 2º – Cruzeiro: Raul Plassmann, Nelinho, Morais, Osires (Darci Menezes) e Vanderlei Lázaro; Wilson Piazza e Eduardo Amorim; Roberto Batata (Isidoro), Palhinha, Jairzinho e Joãozinho. Tec: Zezé Moreira / Alianza: Jose Manuel Gonzalez Ganoza, Moises Palacios, Javier Castillo, Salvador Salguero, Julio Ramirez; Santiago Ojeda e José Velasquez; Manuel Lobaton, Suarez, Cesar Cueto e Freddy Ravello (Carlos Gomez). Tec: Marcos Calderon. – Notas – 1. Com esta base, o Alianza foi campeão peruano em 75, 77 e 78. 2. Velasquez, Cueto, Ganoza, Ojeda e o técnico Marcos Calderon foram campeões da Copa América-75. Os dois primeiros jogaram as Copas de 78 e 82. 3. Cueto e Ganoza foram ídolos históricos do clube. O goleiro é o recordista de jogos (475). 4. Teófilo Cubillas, considerado o maior jogador da história do futebol peruano, foi revelado pelo Alianza. Jogou as Copas do Mundo de 70, 78 e 82.

A viagem de volta foi cansativa. A delegação desembarcou na Pampulha no final da manhã de quinta-feira, 13mai76. Na bagagem, veio a classificação para a final muito bem encaminhada.

Roberto Batata foi para casa, almoçou e, com saudades da esposa e do filho, resolveu buscá-los em Três Corações, a 300 km de Belo Horizonte, no Sul de Minas. Sérgio Carvalho, da Placar, conta o que ocorreu em seguida:

  • Às 11h do dia 13, quinta- feira, o Cruzeiro chegava enfim, festivo, a Belo Horizonte. Roberto Batata foi para casa. A mulher e o filho estavam em Três Corações. Almoçou, telefonou para o pai, Geraldo Monteiro: – Vou buscar Denise em Três Corações. Ouviu uma advertência, quase um pedido: – Por que não telefona e pede a ela que venha de ônibus? Você está cansado, meu filho. Mas Roberto já fizera coisa parecida, muitas vezes. No fim de um jogo, de volta de uma viagem, pegava o carro e ia para Juiz de Fora – quando Denise , morava lá – ou Três Corações, onde está sua família. Ligou o Chevette verde, entrou na Fernão Dias. No quilômetro 182, perto de Santo Antônio do Amparo, a 111 quilômetros de Três Corações, Roberto saiu de sua pista. Vinham dois caminhões. Bateu no primeiro. Perdeu o controle. E bateu de frente no segundo. E foi o fim. Instantâneo. Explicação? Foi driblado pelo sono diziam.

Roberto Monteiro tinha 27 anos, 281 jogos e 110 gols com a camisa do Cruzeiro.

Milhares de torcedores foram às ruas prestar-lhe homenagem. Torcedores e companheiros de equipe ficaram abalados. Além da técnica, velocidade e do chute forte e certeiro, Batata era brincalhão,  amigo de todos, sempre pronto a ajudar os amigos.

Ainda sob o impacto da tragédia, o time retornou ao Mineirão seis dias depois para enfrentar o mesmo Alianza, justamente o adversário do último jogo de Batata. Na vaga do atacante, Zezé Moreira escalou Zé Carlos, que era reserva, e deslocou Eduardo Amorim, o Rabo-de-vaca, para a ponta-direita.

João Chiabi Duarte, cronista do Cruzeiro.Org, relata o clima dos minutos que antecederam o início partida:

  • Com Piazza à frente, calados e cabisbaixos, os jogadores celestes perfilaram na linha lateral, onde estava estendida uma camisa  azul-estrelada número 7, e fizeram o sinal da cruz. Depois, foram até o meio de campo, saudaram a torcida e começaram a bater bola. Só que aí aconteceu algo sensacional. O capitão do Alianza, Castillo, entregou a Piazza uma placa em homenagem a Roberto Batata e cada jogador peruano abraçou os colegas brasileiros. O estádio foi às lágrimas com a execução de O Silêncio pelo pistonista da Polícia Militar, Antônio Samuel de Oliveira, que, em 1978, seria meu colega no curso básico de Engenharia na UFMG. Durante a execução do Hino Nacional, todos os jogadores do Cruzeiro, a começar pelo capitão Wilson Piazza, choravam. Ele teve que ser amparado por Raul, tal era sua emoção. Eduardo Rabo de Vaca, mal conseguia levantar a cabeça, Nelinho e Joãozinho estavam abalados. Mas, os gritos de “Cruzeiro, Cruzeiro!” vindos das arquibancadas fizeram o time despertar.

Mesmo apático no 1º tempo, o Cruzeiro não teve trabalho para sair na frente. Jairzinho, de cabeça, fez o primeiro aos 14. Cueto, também de cabeça, empatou aos 21. Aos 36, Joãozinho cruzou da esquerda, Jair ajeitou de cabeça e Palhinha, livre na entrada da pequena área, só empurrou para o gol.

No 2º tempo, aos 9, Jair recebeu lançamento longo de Zé Carlos, ganhou do marcador na força, entrou na área e com um corte seco tirou o goleiro da jogada e  bateu rasteiro para o gol vazio. Aos 14, Nelinho, deslocado pela esquerda, recebeu de Eduardo e levantou na área para Jair, entre dois zagueiros, dominar no peito e bater na caída da bola.

Aos 18, Nelinho recebeu lançamento longo de Eduardo, driblou seu marcador, foi ao fundo e cruzou para trás. Palhinha pegou de primeira e acertou o ângulo. Aos 27, Eduardo recebeu de Jair na entrada da área e bateu para o gol. O goleiro fez a defesa parcial e Palhinha apareceu livre para empurrar para o fundo das redes.

Aos 32, Mariano, que substituíra o suspenso Vanderlei, passou para Jairzinho, que arrancou em velocidade da intermediária até a entrada da área e bateu rasteiro no canto direito do goleiro. Nelinho ainda acertou o travessão no último lance, mas o placar ficou mesmo 7×1. Coincidentemente, o número da camisa de Roberto Batata (ainda que na Libertadores ele jogasse com a 14).

O placar deu margem ao surgimento de várias histórias. Os 7 gols teriam sido feitos intencionalmente, como uma última homenagem. Ou que a combinação teria sido feita no intervalo. Enfim, cada jogador e cada torcedor presente ao estádio têm a sua própria versão. O jogo virou lenda.

Cruzeiro 7×1 Alianza Lima, quinta-feira, 20mai76, Mineirão, semifinais da Libertadores 1976 – Público: 28.235 pagantes Renda: Cr$512.060,00 – Juiz: Luis Pestarino (Argentina) – Gols: Jairzinho, 14, Cueto, 21 e Palhinha, 36 do 1º tempo; Jairzinho, 9, 14, Palhinha, 18, 27 e Jairzinho, 32 do 2º. – Cruzeiro: Raul Plassmann, Nelinho, Morais, Darci Menezes e Mariano Schimitz; Wilson Piazza e Zé Carlos (Isidoro); Eduardo Amorim (Ronaldo Drummond), Palhinha, Jairzinho e Joãozinho. Tec: Zezé Moreira / Alianza: Jose Manuel Gonzalez Ganosa (Oscar Candia), Moisés Palacios, Javier Castillo, Salvador Salguero, Julio Ramirez; Jaime Duarte, Augusto Palacios; Manuel Lobaton, Suarez, Cesar Cueto e Freddy Ravello. Tec: Marcos Calderon. – NotaMariano Noé Schimitz, nasceu em Cerro Largo-RS e passou, diretamente dos campinhos de pelada, para o time profissional do Internacional de Santa Maria, pelo qual se destacou no Campeonato Gaúcho antes de ser contratado pelo Cruzeiro no início dos Anos 70. Reserva dos laterais Nelinho e Vanderlei, além do clube de origem e do Cruzeiro, ele só atuou pelo Sertãozinho, então na 2ª divisão paulista. Ao encerrar a carreira, ele trabalhou no Ministério do Trabalho, pela manhã, no Projeto Dente-de-leite, criado pelo ex-goleiro João leite, à tarde e na gerência do bar de um cunhado, em Venda Nova, região norte de Beagá, à noite. Esta trabalheira toda teve fim quando, aos 44 anos, devido a uma osteoporose, o lateral campeão da Libertadores 76 submeteu-se a uma cirurgia e passou por longo processo de recuperação até voltar a andar. Embora magoado por não ter conseguido uma oportunidade no clube para seu filho Rafael, que ele diz ser bom de bola, o “alemão” Mariano se manteve cruzeirense de coração e mineiro por adoção.

Com a 3ª vitória, 6ª consecutiva na competição, a classificação para a final estava praticamente sacramentada. A LDU também poderia fazer 6 pontos caso vencesse suas duas partidas restantes, ambas fora de casa, a última delas no Mineirão. Isto pra forçar um jogo extra. 

No dia 26mai76, a LDU foi derrotada pelo Alianza, em Lima, por 2×0. O resultado garantiu a classificação matemática do Cruzeiro à final pela primeira vez, na sua 3ª participação no torneio.

Dessa forma, o jogo com a LDU virou amistoso. No domingo, 30mai76, o Mineirão recebeu 26 mil pagantes e o time manteve o pique com outra goleada.

Nelinho fez o primeiro cobrando pênalti, aos 4 minutos de jogo. Gustavo Tapia empatou aos 11. No 2º tempo, Jairzinho marcou aos 2, Palhinha aos 27 e Ronaldo fechou o placar aos 29.

Cruzeiro 4×1 LDU, domingo, 30mai76, Mineirão, semifinais da Libertadores 1976 – Público: 26.078 pagantes – Cr$484.415,00 – Juiz: Angel Coerezza (Argentina) – Gols: Nelinho, de pênalti, 4, Gustavo Tapia, 11 do 1º tempo; Jairzinho, 2, Palhinha, 27 e Ronaldo, 29 do 2º.  – Cruzeiro: Raul Plassmann, Nelinho, Morais, Osires (Darci Menezes) e Vanderlei Lázaro; Wilson Piazza (Valdo) e Eduardo Amorim; Silva, Palhinha, Jairzinho e Ronaldo. Tec: Zezé Moreira / LDU: Miguel Angel Leyes, Moreno, Luis De Carlos, Villena, Ramiro Tobar; Juan Carlos Gomez (Rivadeneira), Aguirre; Roberto Sussman, Ruben Jose Scalise (Jorge Tapia), Polo Carrera e Gustavo Tapia. Tec: Leonel Montoya.

A campanha na semifinal foi irretocável. 4 jogos, 4 vitórias, 18 gols marcados (média de 4,5 por partida!) e 3 sofridos.

Àquela altura, o ataque celeste tinha feito 38 gols em 10 jogos e era disparado o melhor da competição. Restava apenas aguardar pelo adversário na final.

Cruzeiro na Libertadores: 1976, a conquista (II)

terça-feira, 9 de março de 2010

Mauro França e Jorge Santana

Após o antológico 5×4 sobre o Inter, o Cruzeiro viajou ao Paraguai para enfrentar o Deportivo Luqueño e o Olímpia, respectivamente, vice e campeão paraguaio de 1975. O Luqueño vencera o clássico local por 3×2. Portanto, o jogo do domingo, 14mar76, seria o confronto dos vencedores da 1ª rodada.

Suspenso, Palhinha era o único desfalque. Piazza retornava à equipe, recuperado da contusão que o afastou do jogo contra o Inter. O Cruzeiro não fez um bom 1º tempo. A defesa teve trabalho pra conter a correria dos atacantes paraguaios. Palhinha fazia falta e Piazza voltou mal. Mesmo com boa atuação de Joãozinho, o ataque não funcionou. Pra complicar, o Luqueño fez 1×0 aos 29 e perdeu chances para ampliar ainda no 1º tempo.

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Cruzeiro na Libertadores: 1976, a conquista (I)

segunda-feira, 1 de março de 2010

Mauro França e Jorge Santana

A Libertadores de 1976 começou para o Cruzeiro na vitória de 3×2 sobre o Santa Cruz no jogo único pela semifinal do Campeonato Brasileiro, em 07dez75, no Recife.

O resultado, definido com um gol de Palhinha aos 46 do 2º tempo, garantiu não só a presença na final como também a terceira participação do clube no torneio sul-americano, a segunda consecutiva.

Na final, o Cruzeiro foi derrotado pelo Internacional por 1×0, no Beira-Rio e, foi vice-campeão pelo 2º ano consecutivo.

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Não é Ronaldinho, é Ronaldão

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Durante a transmissão de Caldense 0x2 Cruzeiro, o comentarista de arbitragem da TV Globo, Márcio Resende de Freitas, disse que o o gramado do estádio de Poços de Caldas tem 90×60 metros.

Esta informação serviu para balizar comentários técnicos sobre o jogo, na TV e aqui no PHD.

Como conheço o estádio, duvidei da informação e, hoje, telefonei para o Secretário de Esportes da Prefeitura, Carlos Alberto dos Santos, pedindo esclarecimentos.

Ele garantiu que as dimensões do gramado são as mesmas do Mineirão, do Maracanã e do Serra Dourada. E ficou de enviar, por e-mail, a ficha técnica do estádio.

No fim da tarde, recebi mensagem da Sra. Margareth Stano com os dados do Ronaldão, estádio bem conservado e adequado para jogos de qualquer campeonato.

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