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São Paulo 2×2 Cruzeiro: Ainda não foi desta vez

domingo, 15 de agosto de 2010

Em 6º lugar com 20 pontos, o Cruzeiro pode chegar ao G4 com uma vitória.

E pode quebrar um jejum de vitórias sobre o tricolor juveno-juvêncio em campeonatos brasileiros, que já dura seis anos (7 derrotas e 4 empates).

Cuca não poderá contar com Jonathan, Leonardo Silva e Gilberto, contundidos. Mas terá a estréia de Walter Montillo, meia argentino, buscado no Universidad de Chile.

Em 13º lugar, com 16 pontos, o São Paulo poderá chegar ao 8º em caso de vitória.

Sérgio Baresi, técnico promovido do time de juniores, não terá o volante Rodrigo Souto e os beques Xandão e Alex Silva, contundidos, e Miranda, suspenso. 

Dagoberto, em má fase, vai comer banco e o volante Hernanes picou a mula. Foi jogar na Lazio logo após a desclassificação na Libertadores frente ao Internacional.

Lances + importantes do 1º tempo

  • 16h – Jogadores perfilados para o Hino Nacional. Cruzeiro todo de azul. São Paulo com uniforme tradicional. Os dois times com camisas de mangas compridas. Venta muito e faz frio em Sampa.
  • 16h04 – Começa o jogo. Cruzeiro à esquerda das tribunas.
  • 01 – Bola recuada, Fábio dá um chutão para o campo adversário.
  • 02 – Montillo faz boa jogada e passa WP, que é desarmado, próximo à área são-paulina.
  • 03 – Montillo passa a TR, defesa cede lateral.
  • 04 – Montilo lança TR, bola fica com Samuel. Marlos puxa contra-ataque, mas é desarmado na entrada da área celeste.
  • 05 – TR chuta cruzado, Ceni defende.
  • 06 – Rômulo recua, Fábio despacha.
  • 07 – Bob Faria, comentarista da Globo, diz que, atualmente, Fábio é melhor do que Rogério Ceni.
  • 08 – Fabrício lança WP, que é desarmado por Renato Silva quando tentava invadir a área tricolor.
  • 09 – Ricardo Oliveira recebe lançamento longo. Impedido.
  • 10 – TR passa a Montillo, que toca de calcanhar pra Henrique. O volante chuta forte, bola sai à esquerda de Ceni.
  • 11 – São Paulo ataca mais pela esquerda. Cruzeiro recua todo quando atacado.
  • 12 – Ricardo Oliveira tenta entrar na área, mas é desarmado por Gil.
  • 13 – Rômulo avança pelo meio e passa a TR, que chuta. Bola desvia na zaga e sai a escanteio.
  • 14 – TR cruza, Renato Silva corta de cabeça.
  • 15 – Oliveira coloca Cleber Santana na cara do gol. O meia solta uma bomba, que Fábio desvia para escanteio. Milagre.
  • 16 – Bola sobre a área tricolor. Renato rebate de cabeça.
  • 17 – Falta no meio de campo para o SPFC. É 3ª da partida. Bola na área, Oliveira cabeceia pra fora.
  • 18 – Edcarlos dá um chutão para o alto. Fernandão fica com ela, mas erra o passe.
  • 19 – TR escapa pela direita e cruza. Defesa cede escanteio. Na sequência, Diego Renan cruza, Renato Silva corta de cabeça.
  • 20 – Montillo lança Francisco Everton, que é derrubado na meia lua por Renato Silva.
  • 21 – Montillo cobra falta, bola cobre a barreia e sai à esquerda de Ceni, que faz golpe de vista.
  • 22 – Oliveira ataca pela esquerda e cruza. Rômulo cede escanteio.
  • 23 – Jean chuta de fora da área, Fábio acompanha saída da bola à sua esquerda.
  • 24 – Ricardo Oliveira recebe livre nas costas da zaga, invade a área e chuta forte. Fábio fecha o ângulo, bola passa por cima do travessão. Milagre.
  • 25 – Marlos cruza da esquerda, Fernandão cabeceia à queima-roupa, Fábio defende milagrosamente com a mão esquerdas.
  • 26 – Everton chuta forte de canhota, de fora da área, Ceni espalma pra escanteio.
  • 27 – Escanteio cobrado, defesa corta. Na sequência, novo escanteio. Carlinhos corta de cabeça o cruzamento.
  • 28 – Rômulo recebe cartão amarelo por trocar de camisa dentro do campo.
  • 29 – Oliveira recebe lançamento, bandeira marca impedimento equivocadamente.
  • 30 – Cleber rola para Marlos que chuta de fora da área. Fábio defende.
  • 31 – Lançamento para TR, Ceni sai da área e corta de cabeça.
  • 32 – Cruzeiro toca bola na defesa, sem chance de sair devido à marcação do tricolor.
  • 33 – Diego Renan faz lançamento longo pra WP, que não consegue dominar a bola e chuta mal, por cima do travessão.
  • 34 – Rômulo derruba Ricardo Olveira na entrada da área. Oliveira bate, Montillo rebate.
  • 35 – Casemiro derruba Henrique no meio de campo e recebe cartão amarelo.
  • 36 – TR, recuado, desarma Júnior César e cede lateral.
  • 37 – Marlos lança na área, Gil corta de cabeça antes da chegada de Fernandão.
  • 38 – Cobrança de escanteio na área do São Paulo. Renato Silva corta de cabeça.
  • 39 – Jean chuta de fora da área, por cima do travessão.
  • 40 – WP derruba Casemiro no meio de campo. Falta.
  • 41 – Rômulo derruba Júnior César na lateral da área. Marlos cruza, Casemiro cabeceia pras redes. São Paulo 1×0.
  • 43 – Samuel lança Marlos na esquerda. Meia passa por Gil, Fabrício cede escanteio.
  • 44 – Renato Silva marca de cabeça após cruzamento de escanteio. Vuaden marca falta do beque tricolor sobre Henrique, No mesmo lance, Wellington Paulista puxou o tricolor pela camisa.
  • 45 – Fim de 1º tempo. SPFC merecia placar mais folgado. Após 20 minutos de equilíbrio, dominou completamente a partida e teve 58% de posse de bola.
  • Henrique: “Temos que corrigir. Tomamos gol de bola parada em erro de posicionamento nosso.”
  • Casemiro: “Baresi me mandou pra área, pois na base eu fazia muitos gols de cabeça.”

Lances + importantes do 2º tempo

  • 17h06 – São Paulo volta a campo sem modificações.
  • 17h08 – Cruzeiro volta a campo.
  • 00 – Cláudio Caçapa substitui Diego Renan. Cruzeiro jogará no 3-5-2.
  • 01 – Carlinhos Paraíba bate falta sobre a área. Casemiro aparece livre e chuta por cima do travessão.
  • 02 – Montillo cruza da esquerda, bola bate em Jean, resvala no argentino e sai pela linha de fundo.
  • 03 – Marlos cruza da direita, Oliveira tenta e erra bicicleta.
  • 06 – Montillo cobra falta pela direita. Ceni desvia pra escanteio.
  • 07 – Henrique lança Edcarlos, que é desarmado por Casemiro dentro da área.
  • 08 – Tricolor toca bola na intermediária celeste.
  • 09 – TR cruza da direita, Júnior cede escanteio.
  • 10 – Samuel comete falta em TR. 14ª falta da partida.
  • 11 – TR cruza da direita, Samuel corta de cabeça.
  • 12 – Fabrício passa a TR, que rola pra chute forte de Montillo. Bola sai à esquerda de Ceni.
  • 13 – Gil reclama de falta cometida em Fernandão e recebe cartão amarelo.
  • 14 – Baresi reclama dos lançamentos longos. Quer mais toque de bola. Cobrança de falta ensaiada do São Paulo. Bola para Marlos, que cruza fechado. Fábio defende.
  • 15 – TR se atrapalha com a bola. Tiro de meta.
  • 17 – Marlos faz lançamento de 50 m. Fábio sai da área e dá um chutão.
  • 18 – Everton chuta, Ceni defende sem dificuldade.
  • 19 – Roger Galera substitui Francisco Everton. Em sua primeira intervenção, o meia comete falta em Marlos.
  • 20 – Edcarlos lança TR, que cruza da esquerda. Bola sai do lado oposto sem que apareça um atacante pra concluir.
  • 21 – Jorge Wagner substitui Carlinhos Paraíba. Fernandinho substitui Marlos.
  • 22 – Rômulo cruza da direita, Roger disputa com Jean pelo alto, bola fica com Thiago Ribeiro na entrada da pequena área, pela esquerda. Ele chuta forte. Ceni defende com os pés, TR fica com o rebote e cabeceia cruzado. No 2º poste, em cima da risca, Wellington Paulista cabeceia pra rede. Cruzeiro 1×1
  • 23 – Montillo lança TR, que cruza. Samuel cede escanteio.
  • 24 – Montillo cobra escanteio, WP comte dalta em Ceni.
  • 25 – Fernandinho entra na área, Caçapa corta pra escanteio. Cleber cobra escanteio, Fábio defende.
  • 26 – Cleber Santan chuta, bola sai à direita de Fábio.
  • 27 – Montillo recebe de Roger e passa a Wellington Paulista.. Samuel corta.
  • 28 – Ricardo Oliveira agride Fabrício com uma dedada no olho e recbe cartão amarelo.
  • 29 – Ricardo Oliveira lança Jorge Wagner e corre para a área. Recebe cruzamento e perde u gol por não conseguir chegar a tempo na bola.
  • 30 – Roger cruza da esquerda, Samuel corta de cabeça.
  • 31 – Montillo cruza, WP cabeceia para fora.
  • 32 – Casemiro lança Fernandinho, Gil corta de cabeça.
  • 33 – Gil avança, passa a TR, que lança Montillo. O argentino passa por Júnior César e tenta cruza, mas deixa bola escapar pela linha de fundo.
  • 34 – Rômulo cruza, Ceni defende.
  • 35 – Cruzeiro joga melhor que o São paulo, mas não consegue concluir bem.
  • 36 – Fernandão tenta lançamento, bolas sai pela linha de fundo.
  • 37 – Jorge Wagner derruba Roger Galera a 15 passos da entrada da área. WP cobra falta, bola certa barreira e volta. Ele chuta, de novo, pra fora.
  • 38 – Montillo recupera bola na entrad da grande área celeste, passa a WP, recebe na frente e e lança Thiago Ribeiro, que dribla Rogério Ceni e toca pra rede. Golaço! Cruzeiro 2×1.
  • 39 – Fernandinho tenta jogada pela esquerda, Caçapa corta pra escanteio.
  • 40 – Torcida do Cruzeiro canta: “O Morumbi calou!”
  • 41 – Robert substitui Wellington Paulista.
  • 42 – TR disputa bola com defesa paulista, Robert aparece pra ceder lateral. Marcelinho substitui Casemiro.
  • 43 – Fernandinho tenta jogada pela direita, Robert isola a bola.
  • 44 – Robert cruza da esquerda, Samuel corta de cabeça. Todo o time celeste volta pra se defender e fica na frente da área.
  • 45 – Henrique cede lateral, que Jean cobra pra Fernandinho. Atacante recebe tranco de Edcarlos, deixa o beque pra trás, entra na área e cruza rasteiro. Caçapa fura, Ricardo Oliveira se antecipa a Rômulo e toca pra rede. São Paulo 2×2.
  • 46 – Jorge Wagner cruza da esquerda, Edcarlos antecipa-se a Fernandão e toca pra escanteio.
  • 47 – Cleber recebe na entrada da área e solta bomba, bola passa por cima do travessão.
  • 48 – Ricardo Oliveira recebe lançamento nas costas da zaga e chuta forte. Bola fica na rede, pelo lado de fora. Fim de jogo. SPFC teve 54% de posse de bola. Cruzeiro foi melhor na etapa final, mas deixou escapar a vitória por uma desatenção no final. Ainda não foi desta vez que desfez a escrita que já dura seis anos.
  • Ricardo Oliveira: “O time não conseguiu repetir o bom 1º tempo. Foi um péssimo resultado, pois não podemos perder pontos em casa”

São Paulo 2×2 Cruzeiro, domingo, 15ago10, 16h, Morumbi, São Paulo, 14 rodada do Campeonato Brasileiro 2010 – Transmissão: Globo Minas e PFC – Público: 12.338 pagantes – Renda: R$261.086,59 – Juiz: Leandro Pedro Vuaden (Fifa-RS) – Bandeiras: Júlio César Rodrigues Santos (RS) e Fábio Pereira (TO) – Amarelos: Casemiro, Ricardo Oliveira (Sao); Rômulo, Gil (Cru) – Gols: Casemiro, 41 do 1º; Wellington Paulista, 22, Thiago Ribeiro, 38 e Ricardo Oliveira, 45 do 2º – Cruzeiro: FÁBIO, Rômulo, Gil, Edcarlos e Diego Renan (Cláudio Caçapa); Henrique, Fabrício e Francisco Everton (Roger Galera) e MONTILLO; THIAGO RIBEIRO e Wellington Paulista (Robert). Tec: Cuca / São Paulo: Rogério Ceni; Jean, Renato Silva, Samuel e Junior Cesar; CASEMIRO (Marcelinho), Carlinhos Paraíba (Jorge Wagner), Cléber Santana e Marlos (Fernandinho); Fernandão e Ricardo Oliveira. Tec: Sérgio BaresiHistórico – Foi 0 63º Cruzeiro x São Paulo. O Cruzeiro já venceu 16, empatou 19, perdeu 28; marcou 62 gols, levou 86. Pelo Brasileiro, foram 41 partidas. O Cruzeiro venceu 7, empatou 13, perdeu 21; marcou 37 gols, sofreu 63. Pela Libertadores, 4 partidas, 2 vitórias do Cruzeiro e 2 do SPFC. O Cruzeiro marcou 4 gols e levou 5. Nas três vezes em que decidiram títulos, o Cruzeiro venceu duas (Copa Ouro, em 1995, e Copa do Brasil, em 2000) e perdeu uma (Recopa Sul-americana, em 1993).

Paulo Florêncio, pra sempre em Sabará

sábado, 17 de julho de 2010

Paulo Florêncio, ex-jogador do Siderúrgica e do Cruzeiro, faleceu em Belo Horizonte, na noite de 14jul10, devido a problemas respiratórios.

Ele deixou viúva Dona Naná, com quem viveu por mais de 50 anos e construiu em bela família com 8 filhos, 12 netos e 6 bisnetos.

Seu corpo foi enterrado no Cemitério da Igreja do Carmo, em Sabará, cidade que o acolheu na juventude e o projetou no mundo do futebol vestindo a camisa do EC Siderúrgica.

Paulinho, segundo jogador de clube mineiro (Siderúrgica) a servir à Seleção Brasileira (o primeiro foi Niginho, do Palestra Itália), merece uma homenagem do Cruzeiro.

Paulo Florêncio, um talento bem mineiro
 
Itabirito (MG), 26jun18; Sabará (MG), 14jul10

Conheci Paulo Florêncio em 1995. Acompanhado de outros veteranos do Esporte Clube Siderúrgica, ele foi à Secretaria de Estado de  Esportes, Lazer e Turismo  pleitear a reforma do estádio da Praia do Ó, onde inúmeras gerações de craques do “Esquadrão de Aço” ajudaram a construir a história do futebol mineiro.

O Siderúrgica daquela época, parodiando o poeta, era apenas um quadro na parede. Havia 30 anos, que perdera patrocínio da Cia. Siderúrgica Belgo-Mineira, abandonara o futebol profissional e seu estádio ficara abandonado.

A dor provocada pelo estado de abandono de seu palco foi o que levou Silvestre, Djair, Noventa, Chiquito, Zu e Ernani, campeões mineiros de 64, e Paulo Florêncio, campeão de 37, a buscarem apoio do governo estadual para a recuperação do estadinho da Praia do Ó.

Paulo Florêncio foi quem mais falou, quem melhor se lembrava e quem mais tinha o que contar pois, afinal, era o decano entre aqueles mestres da bola.

Ele começou a jogar e, 1933, no Usina Esperança, de Itabirito. Em 1933, seu pai, o sapateiro João Florêncio mudou-se com a família para Sabará onde Paulinho foi trabalhar na Belgo Mineira, em 1935.

Nesse ano, ele se juntou aos irmãos, Nino e Joãozinho, no time do Siderúrgica: “O treinador precisava de um canhoto e como eu chutava com os dois pés, ele me escalou na meia-esquerda”.

Em 1937, veio o primeiro título, o de campeão mineiro conquistado numa melhor de três contra o Villa Nova.

  • Siderúrgica 1×0 Villa Nova, domingo, 03abr38, 15h, Estádio da Alameda, campo do América, 3ª partida da melhor de três da decisão do Campeonato Mineiro de 1937 (antes, Villa 3×1, no campo do Cruzeiro, em 20mar37, e Siderúrgica 3×0, no campo do Atlético-MG, em 27mar37) – Juiz: Sanchez Diaz –  Gol: Arlindo, 27 do 1º tempo – Siderúrgica: Princesa, Chico Preto e Mascotte; Geraldo Rebelo, Moraes (Oswaldo) e Ferreira; Tonho (Dimas), Arlindo, Chiquito (Morais), Paulo Florêncio (Chiaquito) e Rômulo Januzzi. Tec: Fernando José Fernandes, o Capitão / Villa Nova: Geraldão, Jair e Sérgio; Bituca (Nagib), Mangabeira e Geninho (Belchior); Abras, Carazo, Geraldino, Remo e Mestiço. – Obs: Princeza defendeu pênalti cobrado por Carazo, aos 40 do 1º tempo.

Um dos jogadores mais longevos do futebol, Paulinho, como era chamado pelos torcedores, transferiu-se do Siderúrgica para o Cruzeiro  em 1948, ano em que se casou com a sabarense Maria da Conceição Dias Florêncio, Dona Naná, com quem teve oito filhos.

No Barro Preto ficou até 1956 com um intervalo entre 1952 e 1953, quando foi emprestado ao Universidad Cenbyra, de Caracas, treinado por Orlando Fantoni. Na Venezuela, Paulinho foi campeão nacional e, suprema aventura para um brasileiro naqueles tempos, viajou com seu time pela Europa.

O final de carreira, aconteceu em 1960, quando vestiu sua última camisa, a do Sete de Setembro.

Durante todo esse tempo, Paulo Florêncio praticou um futebol sem vícios, maldades, nem pecados. Um futebol refinado, leal, cheio de plasticidade em sua cadência desprovida de pressa e afobação.

Estas qualidades extrapolaram os muros do estadinho da Praia do Ó quando Friedenreich, o maior jogador da primeira geração de craques brasileiros, o conheceu numa partida entre mineiros e gaúchos e o indicou ao treinador da Seleção Brasileira, Ademar Pimenta.

A convocação, que encheu de orgulho os depsprotistas mineiros aconteceu em 1941 para a disputa do Campeonato Sul-americano de 1942, em Montevidéu. Paulinho foi o segundo jogador de clubes mineiros vestir a camisa da Seleção Brasileira. Antes dele, apenas Niginho havia sido convocado e também para um Sul-americano, o de 1937.

Ademar Pimenta convocou dez atacantes. Um ataque jogava com Pedro Amorim, Zizinho, Russo, Paulo Florêncio e Pipi, o outro com Cláudio Christovam de Pinho, Servílio, Pirilo, Tim e Patesko. Às vezes, as duas formações davam lugar a uma terceira, embaralhando as peças.

  • Brasil 5×1 Equador, 01fev42, Estádio Centenário, Montevidéu, Uruguai, pelo Campeonato Sul-americano de 1942 – Público: 40.000 – Juiz: Bartolomé Macias (Argentino) – Gols: Tim, 10, Pirilo, 12, Alvarez, de pênalti, 19, Pirilo, 29 do 1º tempo; Zizinho, 15, Pirilo, 33 do 2º – Brasil: Caju (Atl), Norival  (Flu) e Begliomini Pal); Afonsinho (Flu), Jayme de Almeida (Fla) e Aregemiro (Vas); Claúdio Pinho (San), (Joaninho (Atl)), Zizinho (Fla), Pirilo (Fla), Tim (Flu), e Pipi (Pal) (Paulo Florêncio (Sid)). Tec: Ademar Pimenta / Equadro: Medina, Hungria e Ronquillo; Merinos, Zambarano e Mendoiza; Alvarez, Jimenez, Alcivar (Torres), Herrera e Acevedo.

Quando chamado a jogar, Paulo Florênio o fez com muita qualidade, por isto recebeu vários convites para jogar no Rio e em São Paulo. Ele chegou a a passar uma semana na Portuguesa de Desportos, mas desistiu, pois não queria ficar longe da família. E, pra dizer a verdade, preferia continuar sendo eletricista e jogador de futebol do time da Belgo Mineira.

Ao virar nome nacional, o Paulinho, de Itabirito e Sabará, passou a ser chamado, pela imprensa, de Paulo Florêncio, para não ser confundido com a multidão de Paulinhos de outros clubes.

Somente em 1948, ele aceitaria trocar a camisa azul-e-branca do Siderúrgica. E só por outra com as mesmas cores. Contratado pelo Cruzeiro, formou um ataque, que venceu dois dos três turnos do campeonato de 1948: Helvécio, Nonô, Abelardo, Paulo Florêncio e Sabu.

Nos oito anos seguintes, ele dividiria o tempo entre os treinos e os 173 jogos que fez pelo Cruzeiro, nos quais marcou 12 gols, com o emprego de balconista na Casa Othon de Carvalho, de materiais elétricos.

No Barro Preto Paulo Florêncio foi meia, volante e lateral. Disciplinado, elegante, cordato e talentoso, tinha grande prestígio com a torcida que, apesar de não ter comemorado nenhum título durante sua passagem pelo clube, ainda assim fez dele um ídolo.

Seu jogo cadenciado, de passes perfeitos e toque refinado, tinha público cativo. Muita gente, mesmo torcendo por outros times, ia aos jogos do Cruzeiro só para apreciar seu estilo.

Em 1956, Paulo Florêncio foi explorar o Eldorado futebolístico da Venezuela. Mas não ficou muito tempo por lá. Com saudades da família, voltou para jogar no Sete de Setembro, onde pendurou as chuteiras em 1960.

Sempre economizando energia, ele punha a bola para correr e, quando era preciso tomá-la do adversário, ia pelo atalho sem fazer cenas ou cometer imprudências como os choques desnecessários. Por isso, muitos torcedores diziam que, se quisesse, Paulo Florêncio jogaria eternamente.

Além disso, sua conduta esportiva era de máxima elegância. Ninguém jamais pensou em agredi-lo, coisa corriqueira nos estádios mineiros de sua época.

Sua estréia, no Cruzeiro, aconteceu num jogo contra o Botafogo.

  • Cruzeiro 2×1 Botafogo, quarta-feira,17mar48, 21h, Estádio JK, no Barro preto, Belo Horizonte, amistoso – Renda: Cr$27.400,00 – Juiz: Guido Delacqua (MG) – Gols: 1º tempo: Abelardo, 8, e Osvaldinho, 41 do 1º tempo; Ramon, 13 do 2º – Cruzeiro: Geraldo II (Sinval), Duque e Bené; Adelino Torres (Naninho), Leite e Ceci; Helvécio, Ramon, Abelardo Flecha Azul, Paulo Florêncio e Alcides Lemos (Jair). Tec: Niginho /Botafogo: Ari, Marinho e Nilton Santos; Rubens, Ávila (Cid) e Juvenal; Nerino, Geninho, Pirilo, Osvaldinho (Zezinho) e Reinaldo (Demóstenes). Tec: Zezé Moreira.

E a primeira partida contra seu ex-clube, em Sabará, foi um pequeno drama que ele superou com dignidade ao marcar um dos gols da vitória de 2×1 do Cruzeiro. Mesmo enciumada, a torcida sabarense não negou aplausos a um adversário, fato inédito na Praia do Ó.

  • Siderúrgica 1×2 Cruzeiro, domingo, 23mai48, 15h, Estádio da Praia do Ó, Sabará, 3ª rodada do 1º turno do Campeonato Mineiro de 1948 –  Público: 453 pagantes, 1.000 presentes – Renda: Cr$3.990,00 – Juiz: Geraldo Fernandes – Gols: Paulo Florêncio, 1 e Nonô, 43 do 1º tempo; Omar, 41 do 2º – Cruzeiro: Geraldo II, Duque e Bené; Adelino Torres, Leite e Ronaldo (Ceci); Ramon (Ronaldo), Ceci (Ramon), Nonô, Paulo Florêncio e Paulo “Sabu” Rego. Tec: Niginho / Siderúrgica: Tiantônio, Perácio e Iango; Edilson, Otávio e Raimundo; Jair, Vieira, Álvaro, Omar e Torres.

A dignidade que a imagem de Paulo Florêncio emprestava ao futebol foi a fiadora de muitos jogos. No Campeonato de 1948, uma briga entre Niginho, então treinador do Cruzeiro, e o jogador Apolinário, do Villa, no primeiro turno, transformou o jogo do returno, em Nova Lima, numa guerra anunciada.

Muitos torcedores do Villa prometeram não deixar Niginho jamais sair vivo de Nova Lima. O Cruzeiro não pagou pra ver e passou a Paulo Florêncio a incumbência de jogar e comandar o time no jogo.

Ele aceitou e passou o tempo todo pacificando o ambiente. Sempre que alguma entrada mais dura acirrava os ânimos, lá estava o respeitável Paulinho, a pedir juízo aos companheiros e adversários.

Do lado de fora, nos morros, ruas, praças e até no teto do ônibus que levara a delegação cruzeirense, policiais armados tentavam garantir a paz que, em campo, com palavras serenas e voz baixa, Paulinho garantia. O Cruzeiro venceu por 2×1 e todos voltaram inteiros para casa. Salvos pela ponderação do craque-treinador.

  • Cruzeiro 2×1 Villa Nova, domingo, 15ago48, 15h, Estádio do Bonfim, Nova Lima, 9ª rodada do Campeonato Mineiro de 1948 – Público: 1.847 pagantes – Renda: Cr$21.600,00 (recorde em Nova Lima) – Juiz: Alcebíades Magalhães Dias – Gols: Joãozinho (contra), 20 do 1º tempo; Tobias, 33 e Paulo Rêgo,41 do 2º – Cruzeiro: Sinval, Duque e Bené; Adelino Torres, Ronaldo e Ceci; Helvécio, Guerino Isoni, Nonô, Paulo Florêncio e Paulo “Sabu” Rêgo. Tec: Paulo Florêncio (substituto de Niginho, que não pôde viajar) / Villa Nova: Joãozinho, Louro e Juca; Vicente, Expedicionário e Tão; Milton, Osório, Tobias, Foguete e Milton.

Dentro e fora do campo, Paulo Florêncio era amigo e conselheiro, principalmente dos afoitos garotos em início de carreira.

Raimundinho conta que, em Londrina, à espera de um amistoso, os jogadores assistiam, indóceis, ao desfile de garotas desinibidas, na calçada do hotel. Quando um deles, mais afoito, quis partir para a abordagem, foi contido por Paulinho: “Calma, vocês não conhecem os costumes da cidade e podem se dar mal.”

A precaução só durou até que uma das moças parou  em frente ao grupo na portaria do hotel, acendeu o cigarro e soprou fumaça no rosto da moçada. Paulinho captou a mensagem e liberou a rapaziada: “Acho que não é nada do que eu estava pensando; podem se divertir.”

Livro: Páginas Heróicas, vol II

P.S.: Neste 16jul10, aos 86 anos, Maria de Lourdes Belloni Angrisano, minha tia, palestrina de primeira hora tambpem faleceu. Devo a ela grandes histórias dos tempos heróicos do Palestra Itália e do Cruzeiro.

Espanha 1×0 Holanda: A pior final da história

domingo, 11 de julho de 2010

Às 15h30 (Brasília), no Soccer City, em Joanesburgo, a sonífera Espanha e a mecânica Holanda, ambas com o esquema 4-2-3-1, decidirão a Copa do Mundo de 2010 com arbitragem do inglês Howard Webb.

As chaves da partida serão os volantes espanhõis, patrões da bola, por um lado, e Sneijder e Robben, emias goeladores da Holanda, por outro.

Uma vitória da Laranja será motivo de festa para 16 milhões de holandeses. Caso vença a espanha, um terço de seus habitantes ficarão aborrecidos, outro terço indiferente. Mas sobrarão ao menos 16 milhões de contentes. Há equilíbrio entre os torcedores, como se vê.

Vou torcer pelos holandeses, mas os espanhóis são favoritos. Não pelo retrospecto, mas pela posse de bola. Se não se descuidarem, não levam gols. Ou muito me engano? (mais…)

O quinta-coluna

domingo, 9 de maio de 2010

Transferido para Porto Alegre, o Capitão Renato levou na bagagem a admiração pelo futebol de Joãozinho, Zé Carlos, Palhinha e Nelinho.

Embora fosse torcedor do América, ele não perdia jogo do Cruzeiro. Por isto, se meteu no meio de 40 mil colorados naquele 18out75 pra assistir ao maior clássico daquela época.

(mais…)