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O Cruzeiro não está quebrado

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Mensagem enviada pelo João Chiabi Duarte:

Prezados:

Como anda a situação financeira do Cruzeiro?

Compartilho o pouco que sei e tenho lido, visto e ouvido de pessoas que estão no meio do futebol a respeito do tema, em 10 tópicos:

1. O Cruzeiro não está quebrado. Hoje, entre os grandes clubes do Brasil, é um dos menos deve. Pelo que pude apurar as nossa dívidas reais beiram a casa dos R$100 milhões, mas, quase toda bem equacionada (REFIS, IR, INSS etc).

2. Mesmo tendo alcançado junto ao BMG um patrocínio naster destacado como o melhor de sua história, o Cruzeiro em 2010 está sendo penalizado por:

  • Queda acentuada de bilheteria, notadamente após o fechamento do Mineirão.
  • Queda acentuada de receita com o Sócio do Futebol com a perda de 15 mil associados (R$60 x 15 mil = R$900.000 / mês).
  • A folha salarial foi onerada pela manutenção do elenco, tendo como balizador o Kleber, fato que provocou substancial elevação nos salários de outros jogadores. Também por mérito deles, é bom que se diga.
  • Não ter realizado nenhuma venda expressiva. Até o 7° mês do ano, o Cruzeiro teve como venda mais importante o repasse de 50% de Kleber ao Palmeiras (ainda dividido com o parceiro EMS Pharma) por R$6,5  milhões.

3. Com isto o déficit mensal hoje é da ordem de R$1 milhão / mês.

4. O Cruzeiro tem, segundo consta no BID, um número muito grande de jogadores sob contrato (em torno de 200 segundo alguns colegas, mas há que se confirmar porque podem estar sendo incluídos todos os atletas da base nesta contagem… Sem dúvida, é a quantidade é maior do que a dos demais clubes da série A), emprestados a times menores. Muitos desses jogadores são pagos com subsídio do Cruzeiro. ISe isto for confirmado, pode ser uma das razões de sangria do caixa. Até aqui, isto é mera suposição, pois essa rubrica não foi aberta nas últimas prestações de contas do clube.

5. Outro ponto importante e muito comentado: o Cruzeiro tem um clube de estrutura pesada e custos fixos elevados, que precisa ser ajustado para ter contas dentro de parâmetros mais condizentes para uma organização de seu porte. Isto talvez justifique as saídas de Claret e Maluf, entre outros. Pode ser que a contenção já esteja sendo feita.

6. Também é um fato o baixo índice de aproveitamento de pratas-da-casa nos últimos tempos. A base custa ao clube perto de R$700 mil / mês. Uma das razões pelas quais o Zezé Perrela puxou Dimas Fonseca para a gestão do futebol profissional foi exatamente ele ter feito uma gestão severa na base, com expressiva redução de custos. Ora, se hoje o dispêndio supera os R$8 milhões anuais, o retorno é baixíssimo, pois, apenas Guilherme e Diego Renan se firmaram entre os titulares nos últimos 4 anos, o que é muito pouco.

7. Nos últimos tempos, o Cruzeiro teve vários jogadores que ficaram muito tempo parados, o que afeta os gastos ao impedir estabilidade e repetição de escalações. Os treinadores viviam improvisando. Alguns Casos:

  • Sorin, Athirson e Fernandinho em 2009 (simultâneas).
  • Gilberto e Roger em 2010.
  • Luizão, Leo Fortunato, Leonardo Silva e Thiago Heleno, recentemente.
  • Kleber no 2° semestre de 2009.
  • Fabinho, Paraná, Ramires, Jonathan, Henrique, Gérson Magrão foram improvisados várias vezes nos últimos tempos.
  • Araújo, Gil, Elber, Sandro, Thiago Gosling, Luizão, Kerlon tiveram longas temporadas de recuperação. São desperdícios que precisam ser melhor avaliadas pela comissão técnica, Departamentos Médico, Fisiologia, Fisioterapia etc.

8. Um outro motivo alegado por muitos é a política de contratações do clube nos últimos tempos. Vamos relembrar alguns casos para avaliá-los:

  • Jogadores contratados como solução de problemas e que pouco jogaram:  Jael (nem jogou), Luizão (nem jogou), Leandro Silva (na volta do Porto, foi outro que não jogou nem 10% das partidas), Sorin (nesta 3ª passagem), Thiago Gosling (jogou muito pouco nesta 2ª passagem), Kieza (ninguém sabe porque veio), Alessandro (pouco jogou), Anderson Lessa (pouco jogou e mesmo sem ter ido mal, foi colocado na lista de dispensáveis).
  • Jogadores contratados, que foram colocados em clubes parceiros: Radar, Matheus, Evandro, Fahel, Eraldo, Márcio Guerreiro, Davi etc. Foram investimentos que só deram prejuízo..

Durante bom tempo, o time ficou sem jogadores pra zaga, lateral-esquerda, armação (camisa 10) e com excesso de volantes por exemplo. Adílson se virou e era um show de Elicarlos de lateral-direito, raramente jogando em sua função de origem (o garoto, que é muito bom de bola, acabou se queimando junto ao torcedor, especialmente com quem assiste aos jogos com o fonezinho no ouvido). Magalhães, Vinícius, Neguette, Bernardo e Dudú (neste caso, a indisciplina pesou contra os jovens de grande talento e que tem tudo ainda para fazerem história no clube), Eliandro, Rafael e até Sebá foram chamuscados pelo imediatismo do torcedor e por terem sido lançados fora de hora.

9. Como cruzeirenses, temos que fazer o possível pelo clube, mas sem a sanha da revanche ou da vingança. Sem a pecha de anti-isto ou anti-aquilo. Conheço vários conselheiros do Cruzeiro que são gente do bem, que estão a anos a fio a dar a sua contribuição ao clube, como os irmãos José Francisco e Hermínio Lemos, Dr. José Ramos, os irmãos Paulo César e Flávio Carvalho, os irmãos Peluzzo, meu primo Maurício Duarte, Dr. Djalma Fernandes, Dr. Gilvan Tavares, Dr. João Carlos Gontijo, Dr. Célio Elias, Dr. Ronaldo Nazaré, Ângelo Cattabriga, os irmãos Fernando, Célio e Lúcio de Souza, meu grande primo pelo outro lado familiar e conselheiro presente que é Clemenceau Chiabi Saliba Jr., José Maria Fialho, Marcinho Atacadista, entre tantos outros. Não aceito generalizar e dizer que nosso conselho seja gente sem opinião, algo que os detratores dos Irmãos Perrella tentam passar à opinião pública.

10. Finalmente, creio que o Cruzeiro vai começar o processo de reversão ainda este ano. Teremos de mudar um pouco a visão quanto às tais parcerias e focar num grupo menor de jogadores. Mesclar grandes talentos às jovens promessas que o clube tem condições de revelar. Não podemos continuar revelando jogadores e os repassar para ver se estouram no Ipatinga, Cabofriense, Nacional da Ilha da Madeira ou Sporting de Braga. E de mais a mais, já está passando da hora de parar de fazer negócios com os portugueses. Tenho a impressão de sempre estamos levando a pior. Melhor seria continuar a negociar com franceses e russos (rs, rs, rs).

Saudações Azuis,

João Chiabi Duarte

Paulo Florêncio, pra sempre em Sabará

sábado, 17 de julho de 2010

Paulo Florêncio, ex-jogador do Siderúrgica e do Cruzeiro, faleceu em Belo Horizonte, na noite de 14jul10, devido a problemas respiratórios.

Ele deixou viúva Dona Naná, com quem viveu por mais de 50 anos e construiu em bela família com 8 filhos, 12 netos e 6 bisnetos.

Seu corpo foi enterrado no Cemitério da Igreja do Carmo, em Sabará, cidade que o acolheu na juventude e o projetou no mundo do futebol vestindo a camisa do EC Siderúrgica.

Paulinho, segundo jogador de clube mineiro (Siderúrgica) a servir à Seleção Brasileira (o primeiro foi Niginho, do Palestra Itália), merece uma homenagem do Cruzeiro.

Paulo Florêncio, um talento bem mineiro
 
Itabirito (MG), 26jun18; Sabará (MG), 14jul10

Conheci Paulo Florêncio em 1995. Acompanhado de outros veteranos do Esporte Clube Siderúrgica, ele foi à Secretaria de Estado de  Esportes, Lazer e Turismo  pleitear a reforma do estádio da Praia do Ó, onde inúmeras gerações de craques do “Esquadrão de Aço” ajudaram a construir a história do futebol mineiro.

O Siderúrgica daquela época, parodiando o poeta, era apenas um quadro na parede. Havia 30 anos, que perdera patrocínio da Cia. Siderúrgica Belgo-Mineira, abandonara o futebol profissional e seu estádio ficara abandonado.

A dor provocada pelo estado de abandono de seu palco foi o que levou Silvestre, Djair, Noventa, Chiquito, Zu e Ernani, campeões mineiros de 64, e Paulo Florêncio, campeão de 37, a buscarem apoio do governo estadual para a recuperação do estadinho da Praia do Ó.

Paulo Florêncio foi quem mais falou, quem melhor se lembrava e quem mais tinha o que contar pois, afinal, era o decano entre aqueles mestres da bola.

Ele começou a jogar e, 1933, no Usina Esperança, de Itabirito. Em 1933, seu pai, o sapateiro João Florêncio mudou-se com a família para Sabará onde Paulinho foi trabalhar na Belgo Mineira, em 1935.

Nesse ano, ele se juntou aos irmãos, Nino e Joãozinho, no time do Siderúrgica: “O treinador precisava de um canhoto e como eu chutava com os dois pés, ele me escalou na meia-esquerda”.

Em 1937, veio o primeiro título, o de campeão mineiro conquistado numa melhor de três contra o Villa Nova.

  • Siderúrgica 1×0 Villa Nova, domingo, 03abr38, 15h, Estádio da Alameda, campo do América, 3ª partida da melhor de três da decisão do Campeonato Mineiro de 1937 (antes, Villa 3×1, no campo do Cruzeiro, em 20mar37, e Siderúrgica 3×0, no campo do Atlético-MG, em 27mar37) – Juiz: Sanchez Diaz –  Gol: Arlindo, 27 do 1º tempo – Siderúrgica: Princesa, Chico Preto e Mascotte; Geraldo Rebelo, Moraes (Oswaldo) e Ferreira; Tonho (Dimas), Arlindo, Chiquito (Morais), Paulo Florêncio (Chiaquito) e Rômulo Januzzi. Tec: Fernando José Fernandes, o Capitão / Villa Nova: Geraldão, Jair e Sérgio; Bituca (Nagib), Mangabeira e Geninho (Belchior); Abras, Carazo, Geraldino, Remo e Mestiço. – Obs: Princeza defendeu pênalti cobrado por Carazo, aos 40 do 1º tempo.

Um dos jogadores mais longevos do futebol, Paulinho, como era chamado pelos torcedores, transferiu-se do Siderúrgica para o Cruzeiro  em 1948, ano em que se casou com a sabarense Maria da Conceição Dias Florêncio, Dona Naná, com quem teve oito filhos.

No Barro Preto ficou até 1956 com um intervalo entre 1952 e 1953, quando foi emprestado ao Universidad Cenbyra, de Caracas, treinado por Orlando Fantoni. Na Venezuela, Paulinho foi campeão nacional e, suprema aventura para um brasileiro naqueles tempos, viajou com seu time pela Europa.

O final de carreira, aconteceu em 1960, quando vestiu sua última camisa, a do Sete de Setembro.

Durante todo esse tempo, Paulo Florêncio praticou um futebol sem vícios, maldades, nem pecados. Um futebol refinado, leal, cheio de plasticidade em sua cadência desprovida de pressa e afobação.

Estas qualidades extrapolaram os muros do estadinho da Praia do Ó quando Friedenreich, o maior jogador da primeira geração de craques brasileiros, o conheceu numa partida entre mineiros e gaúchos e o indicou ao treinador da Seleção Brasileira, Ademar Pimenta.

A convocação, que encheu de orgulho os depsprotistas mineiros aconteceu em 1941 para a disputa do Campeonato Sul-americano de 1942, em Montevidéu. Paulinho foi o segundo jogador de clubes mineiros vestir a camisa da Seleção Brasileira. Antes dele, apenas Niginho havia sido convocado e também para um Sul-americano, o de 1937.

Ademar Pimenta convocou dez atacantes. Um ataque jogava com Pedro Amorim, Zizinho, Russo, Paulo Florêncio e Pipi, o outro com Cláudio Christovam de Pinho, Servílio, Pirilo, Tim e Patesko. Às vezes, as duas formações davam lugar a uma terceira, embaralhando as peças.

  • Brasil 5×1 Equador, 01fev42, Estádio Centenário, Montevidéu, Uruguai, pelo Campeonato Sul-americano de 1942 – Público: 40.000 – Juiz: Bartolomé Macias (Argentino) – Gols: Tim, 10, Pirilo, 12, Alvarez, de pênalti, 19, Pirilo, 29 do 1º tempo; Zizinho, 15, Pirilo, 33 do 2º – Brasil: Caju (Atl), Norival  (Flu) e Begliomini Pal); Afonsinho (Flu), Jayme de Almeida (Fla) e Aregemiro (Vas); Claúdio Pinho (San), (Joaninho (Atl)), Zizinho (Fla), Pirilo (Fla), Tim (Flu), e Pipi (Pal) (Paulo Florêncio (Sid)). Tec: Ademar Pimenta / Equadro: Medina, Hungria e Ronquillo; Merinos, Zambarano e Mendoiza; Alvarez, Jimenez, Alcivar (Torres), Herrera e Acevedo.

Quando chamado a jogar, Paulo Florênio o fez com muita qualidade, por isto recebeu vários convites para jogar no Rio e em São Paulo. Ele chegou a a passar uma semana na Portuguesa de Desportos, mas desistiu, pois não queria ficar longe da família. E, pra dizer a verdade, preferia continuar sendo eletricista e jogador de futebol do time da Belgo Mineira.

Ao virar nome nacional, o Paulinho, de Itabirito e Sabará, passou a ser chamado, pela imprensa, de Paulo Florêncio, para não ser confundido com a multidão de Paulinhos de outros clubes.

Somente em 1948, ele aceitaria trocar a camisa azul-e-branca do Siderúrgica. E só por outra com as mesmas cores. Contratado pelo Cruzeiro, formou um ataque, que venceu dois dos três turnos do campeonato de 1948: Helvécio, Nonô, Abelardo, Paulo Florêncio e Sabu.

Nos oito anos seguintes, ele dividiria o tempo entre os treinos e os 173 jogos que fez pelo Cruzeiro, nos quais marcou 12 gols, com o emprego de balconista na Casa Othon de Carvalho, de materiais elétricos.

No Barro Preto Paulo Florêncio foi meia, volante e lateral. Disciplinado, elegante, cordato e talentoso, tinha grande prestígio com a torcida que, apesar de não ter comemorado nenhum título durante sua passagem pelo clube, ainda assim fez dele um ídolo.

Seu jogo cadenciado, de passes perfeitos e toque refinado, tinha público cativo. Muita gente, mesmo torcendo por outros times, ia aos jogos do Cruzeiro só para apreciar seu estilo.

Em 1956, Paulo Florêncio foi explorar o Eldorado futebolístico da Venezuela. Mas não ficou muito tempo por lá. Com saudades da família, voltou para jogar no Sete de Setembro, onde pendurou as chuteiras em 1960.

Sempre economizando energia, ele punha a bola para correr e, quando era preciso tomá-la do adversário, ia pelo atalho sem fazer cenas ou cometer imprudências como os choques desnecessários. Por isso, muitos torcedores diziam que, se quisesse, Paulo Florêncio jogaria eternamente.

Além disso, sua conduta esportiva era de máxima elegância. Ninguém jamais pensou em agredi-lo, coisa corriqueira nos estádios mineiros de sua época.

Sua estréia, no Cruzeiro, aconteceu num jogo contra o Botafogo.

  • Cruzeiro 2×1 Botafogo, quarta-feira,17mar48, 21h, Estádio JK, no Barro preto, Belo Horizonte, amistoso – Renda: Cr$27.400,00 – Juiz: Guido Delacqua (MG) – Gols: 1º tempo: Abelardo, 8, e Osvaldinho, 41 do 1º tempo; Ramon, 13 do 2º – Cruzeiro: Geraldo II (Sinval), Duque e Bené; Adelino Torres (Naninho), Leite e Ceci; Helvécio, Ramon, Abelardo Flecha Azul, Paulo Florêncio e Alcides Lemos (Jair). Tec: Niginho /Botafogo: Ari, Marinho e Nilton Santos; Rubens, Ávila (Cid) e Juvenal; Nerino, Geninho, Pirilo, Osvaldinho (Zezinho) e Reinaldo (Demóstenes). Tec: Zezé Moreira.

E a primeira partida contra seu ex-clube, em Sabará, foi um pequeno drama que ele superou com dignidade ao marcar um dos gols da vitória de 2×1 do Cruzeiro. Mesmo enciumada, a torcida sabarense não negou aplausos a um adversário, fato inédito na Praia do Ó.

  • Siderúrgica 1×2 Cruzeiro, domingo, 23mai48, 15h, Estádio da Praia do Ó, Sabará, 3ª rodada do 1º turno do Campeonato Mineiro de 1948 –  Público: 453 pagantes, 1.000 presentes – Renda: Cr$3.990,00 – Juiz: Geraldo Fernandes – Gols: Paulo Florêncio, 1 e Nonô, 43 do 1º tempo; Omar, 41 do 2º – Cruzeiro: Geraldo II, Duque e Bené; Adelino Torres, Leite e Ronaldo (Ceci); Ramon (Ronaldo), Ceci (Ramon), Nonô, Paulo Florêncio e Paulo “Sabu” Rego. Tec: Niginho / Siderúrgica: Tiantônio, Perácio e Iango; Edilson, Otávio e Raimundo; Jair, Vieira, Álvaro, Omar e Torres.

A dignidade que a imagem de Paulo Florêncio emprestava ao futebol foi a fiadora de muitos jogos. No Campeonato de 1948, uma briga entre Niginho, então treinador do Cruzeiro, e o jogador Apolinário, do Villa, no primeiro turno, transformou o jogo do returno, em Nova Lima, numa guerra anunciada.

Muitos torcedores do Villa prometeram não deixar Niginho jamais sair vivo de Nova Lima. O Cruzeiro não pagou pra ver e passou a Paulo Florêncio a incumbência de jogar e comandar o time no jogo.

Ele aceitou e passou o tempo todo pacificando o ambiente. Sempre que alguma entrada mais dura acirrava os ânimos, lá estava o respeitável Paulinho, a pedir juízo aos companheiros e adversários.

Do lado de fora, nos morros, ruas, praças e até no teto do ônibus que levara a delegação cruzeirense, policiais armados tentavam garantir a paz que, em campo, com palavras serenas e voz baixa, Paulinho garantia. O Cruzeiro venceu por 2×1 e todos voltaram inteiros para casa. Salvos pela ponderação do craque-treinador.

  • Cruzeiro 2×1 Villa Nova, domingo, 15ago48, 15h, Estádio do Bonfim, Nova Lima, 9ª rodada do Campeonato Mineiro de 1948 – Público: 1.847 pagantes – Renda: Cr$21.600,00 (recorde em Nova Lima) – Juiz: Alcebíades Magalhães Dias – Gols: Joãozinho (contra), 20 do 1º tempo; Tobias, 33 e Paulo Rêgo,41 do 2º – Cruzeiro: Sinval, Duque e Bené; Adelino Torres, Ronaldo e Ceci; Helvécio, Guerino Isoni, Nonô, Paulo Florêncio e Paulo “Sabu” Rêgo. Tec: Paulo Florêncio (substituto de Niginho, que não pôde viajar) / Villa Nova: Joãozinho, Louro e Juca; Vicente, Expedicionário e Tão; Milton, Osório, Tobias, Foguete e Milton.

Dentro e fora do campo, Paulo Florêncio era amigo e conselheiro, principalmente dos afoitos garotos em início de carreira.

Raimundinho conta que, em Londrina, à espera de um amistoso, os jogadores assistiam, indóceis, ao desfile de garotas desinibidas, na calçada do hotel. Quando um deles, mais afoito, quis partir para a abordagem, foi contido por Paulinho: “Calma, vocês não conhecem os costumes da cidade e podem se dar mal.”

A precaução só durou até que uma das moças parou  em frente ao grupo na portaria do hotel, acendeu o cigarro e soprou fumaça no rosto da moçada. Paulinho captou a mensagem e liberou a rapaziada: “Acho que não é nada do que eu estava pensando; podem se divertir.”

Livro: Páginas Heróicas, vol II

P.S.: Neste 16jul10, aos 86 anos, Maria de Lourdes Belloni Angrisano, minha tia, palestrina de primeira hora tambpem faleceu. Devo a ela grandes histórias dos tempos heróicos do Palestra Itália e do Cruzeiro.

Má vontade injustificada

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Dr. Cláudio Lemos, o popular Xina, está aborrecido com tantas críticas dirigidas à diretoria do Cruzeiro:

Por tudo se critica a diretoria celeste. Se ela tenta o Riquelme é ridicularizada, se não tenta também é. Impressionante!

Riquelme parece ter se despedido dos companheiros e da diretoria do Boca. Se o que a imprensa esta dizendo for verdade, ele deve desembarcar aqui, assim como o Farias.

Hilariante é o São Paulo, que contratou o Cicinho e o lateral já está de volta à Roma, pois a tal renovação automática por mais três meses não existe.

Ele chegou fora de forma, recurperou-se no Tricolor e voltará à Itália na ponta dos cascos, pronto pra ser titular.

E dizem que, ao contrário da diretoria do Cruzeiro, a do São Paulo é super moderna e atuante…

Grandeza que não é efêmera, que vem da origem

sábado, 13 de março de 2010

Caro Jorge Santana, boa tarde:

Este Hermínio Lemos, presidente do Conselho Deliberativo do Cruzeiro, é uma pessoa especial. Lá no clube de lazer, ele conta histórias e vejo nele, assim como em seu irmão José Francisco Lemos Filho, pessoas amantes do nosso querido Cruzeiro.

Eles já defenderam com unhas e dentes o clube. São patrimônio do Cruzeiro. Merecem serem homenageados. E  todo cruzeirense deveria ouvir as histórias que eles contam.

Hermínio me enviou seu discurso de posse, no qual faz um relato histórico sobre o Cruzeiro. Eu disse a ele que ia mostrar o discurso no PHD e ele ficou super feliz.

Grata, fica com Deus e saudações celestes,
Beth Makennel

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