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Estrelas Negras: organização e sucesso

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Mauro França

A expectativa que havia quanto a um bom desempenho das principais Seleções africanas nesta Copa não se concretizou. Camarões, Costa do Marfim e Nigéria não passaram da fase de grupos. Apenas Gana correspondeu e salvou o continente de um fracasso total.

Ao vencer os Estados Unidos e se classificar para as quartas de final, Gana já igualou as melhores campanhas africanas na história das Copas (Camarões em 90, Senegal em 2002). E pode ir além, se passar pelo Uruguai na próxima sexta-feira.

Seria o sucesso das Estrelas Negras uma obra do acaso? Não é o que parece. A força de Gana se baseia em uma combinação de talento individual, força física e organização dentro e fora dos gramados.

Com efeito, Gana tem sido quase uma exceção em meio à desorganização que grassa na maioria das Federações africanas. E por isso tem colhido resultados significativos nos últimos anos. Na Copa de 2006, já havia sido a única Seleção africana a se classificar para as oitavas de final. Em seguida, foi campeã mundial Sub-20 em 2009 e vice da última Copa Africana de Nações, disputada em janeiro de 2010.

No comando técnico das Estrelas Negras desde agosto 2008, o sérvio Milovan Rajevac desfruta de estabilidade pouco comum nas demais Seleções. Apesar de pouco badalado, este ex-zagueiro conseguiu montar um time consistente, organizado e aplicado.

Gana não pratica um futebol ofensivo, irresponsável, de toques envolventes e malabarismos. No lugar do espetáculo, apresenta força e explosão. Não faz muitos gols –foram apenas quatro neste Mundial, dois de pênalti. Em compensação, se defende muito bem.

A Federação Ganesa impôs um rígido código de conduta aos jogadores, com o objetivo de manter a disciplina e evitar brigas e divisões internas comuns nas Seleções africanas. O badalado Muntari não foi convocado para a Copa Africana por conta de indisciplina. E quase foi cortado da Copa, por ter discutido com o treinador após o empate com a Austrália.

A situação é bem diferente nas outras Seleções. A Costa do Marfim teve cinco técnicos desde 2008. O último deles, o sueco Sven-Goran Eriksson foi contratado apenas três meses antes da Copa. Mesmo contando com grandes talentos individuais, os Elefantes não funcionam como time. Para complicar, brigas internas ocasionaram a divisão do elenco.

A Nigéria já teve seis treinadores desde 2006. O sueco Lars Lagerback assumiu após a Copa Africana e, sem tempo para trabalhar, não conseguiu dar um padrão à equipe. Alguns veteranos expuseram publicamente insatisfação com seus métodos e decisões. Em Camarões, os jogadores chegaram a impor um esquema e a escalação do time ao técnico Paul Le Guen. Houve também racha entre veteranos e os mais jovens.

Na contramão, Gana conseguiu mesclar experiência com juventude e fortaleceu ainda mais o grupo. Treze jogadores estiveram na Alemanha em 2006. Nove fizeram parte da Seleção Sub-20 campeã mundial em 2009.

O ótimo goleiro Richard Kingson (31 anos) e o defensor John Pantsil (29) disputaram os 8 jogos que Gana fez até aqui em Copas. Andre Ayew (20), filho de Abedi Pelé, maior ídolo do futebol ganês, Kevin-Price Boateng (23) e o artilheiro Asamoah Gyan (25), que marcou três dos quatro gols ganeses na Copa, também são destaques.

As opções disponíveis são tantas que jogadores como Sulley Ali Muntari (25), Stephen Appiah (30) e Dominic Adiyah (21), chuteira e bola de ouro do último Mundial Sub-20, são opções de banco. É relevante notar que mesmo com a ausência, por contusão, de Michael Essien (27), considerado o melhor jogador ganês, a equipe manteve um bom nível.

Gana está diante do desafio de alcançar uma inédita semifinal de Copa do Mundo. De acordo com Milovan Rajevac, as Estrelas Negras estão preparados: 

  • “Não vejo pressão alguma. Nós já provamos que podemos competir com os adversários. Não temos nenhuma obrigação de vencer e vamos aproveitar esta oportunidade para fazer o melhor. Estou orgulhoso do que estamos fazendo. É um trabalho duro, mas que está dando resultados.”

Mauro França, 57, cruzeirense, economiário, historiador, nasceu em Sete Lagoas, mora em Belo Horizonte.

Holanda 2×1 Camarões: Laranja também é 100%

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Às 15h30, no Cape Town Stadium, na Cidade do Cabo, Holanda e Camarões encerrarão as disputas do Grupo E da Copa 2010.

A Holanda já está classificada e Camarões já rodou após apanhar do Japão e da Dinamarca nas rodadas iniciais.

Bert Van Marwijk manterá a Laranja no 4-3-3 e já avisou que o astro Robben, voltando de uma contusão, é quem decidirá se joga ou não.

Paulo Le Guen manterá o 4-4-2 defendido pelos jogadores camaroneses e ficará só espiando pra ver no que vai dar a escolha feita por eles.

Depois do jogo, arruma as malas e caça rumo. Provavelmente, em direção à Nova Zelândia.

Só vale a pena ligar a TV, se você é torcedor da Inter e queiser conferir o futebol de Snejder e Eto’o, nesta partida que será apitada pelo chileno Pablo Pozo. (mais…)

Japão 1×0 Camarões: Honda atropelou leões

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Em Bloenfontain, no Free State Stadium, Japão e Camarões vão se enfrentar mediados pelo apito português de Olegário Benquerenca.

O Japão atuará no 4-2-3-1 com o amedrontador brasileiro Túlio Tanaka na bequeira e o habilidoso Honda na armação. Velocidade e entusiasmo é o que se pode esperar da seleção nipônica, cujos atletas militam, quase todos, na J League, sem muita cancha internacional, portanto.

Camarões, dirigida pelo francês Le Guen, jogará no 4-3-1-2 tendo em Eto’o, da Inter, sua estrela mais reluzente. Os leões indomáveis devem apresentar um time fisicamente forte e taticamente bem organizado, algo novo em sua trajetória mundialista.

Em nome da seriedade tática, o badalado centroavante Alexandre Song ficará no banco. Mesma situação de Kameni, goleiro do Espanyol, que será substituído pelo veterano Hamidou Souleymanoun.

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