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Idéias, comportamentos, ídolos, emoções

sexta-feira, 20 de agosto de 2010
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Recomendação para o fim de semana: colunas do Cruzeiro.Org. Confiram a amostra grátis:
  • Jorge Schulman, em Minas veste azul: Aproveitei também para conversar brevemente com o Gerente de Marketing, Marcone Barbosa. Estaremos agendando uma breve entrevista, sem intermediários da imprensa, para conhecer suas idéias e propostas para amenizar a ausência do Mineirão, fechado para reformas de modernização para a Copa 2014. Nesse tema, já sabemos da campanha “Minas Veste Azul” orientada ao conjunto de torcedores do interior mineiro, sabendo-se que a nossa torcida é infinitamente superior em todos os cantos do estado. Particularmente, aposto na fidelidade e bom coração dos filhos de “tierra adentro”, como dizemos na Argentina, para alentar e acompanhar os jogadores e as cores do nosso clube.

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Soccer voltou a ser pumpkin

sábado, 26 de junho de 2010

O soccer vai continuar na fila. Ainda não será desta vez que subirá ao pódio da preferência dos esportistas e telespectadores americanos.

O time de Bob Bradley emocionou parte significativa do povo americano com sua garra, mas já virou abóbora.

Tim Howard, Michael Bradley e Landon Donovan são excelentes jogadores. Poderiam se tornar ídolos de toda a nação se vencessem a Copa.

Mas perdendo duas classificações seguidas pra Gana, continuarão no lusco-fusco.

Comparados à seleção de soccer, cada time das ligas de hóquei, basquete, football ou beisebol tem o dobro de craques reconhecidos nacionalmente.

Assim como o vôlei, o soccer ainda terá de comer muito angu -ou seria tortilla?- pra desbancar algum esporte tradicional americano.

Mas não pense o caro leitor que, estando lá pelo 7º ou 8º lugar na preferência do público, o soccer seja um fracasso.

A Copa de maior média de público até hoje, foi a de 1994 com 69 mil espetactadores. E se houver outra na América, em 2018 ou 2022, novos recordes serão quebrados.

Basta ser o 8º nos USA pra um esporte ter mais público e ser mais rentável do que na maioria dos países monoesportivos.

A Era do Torcedor Condicional

sábado, 12 de junho de 2010

Genibaldo Lucena

Eu sou do tempo em que o torcedor se preocupava mais com o futebol praticado por seu time do que com os detalhes extra-campo.

A paixão era pelo clube, independentemente do presidente, do técnico, do goleiro ou do atacante.

Não havia protestos pela cor do logo do patrocinador da camisa e a gente nem sabia quantos campos havia no centro de treinamentos.

O que importava mesmo era o jogo de cada domingo. Hora de ir pro estádio, sim, era sagrada. A gente só queria saber era acompanhar aqueles 90 minutos de emoções.

Durante a semana, comprávamos o Diário da Tarde ou ouvíamos rádio pra saber notícia dos ídolos, se algum atleta estava contundido ou se haveria mudança na defesa depois da derrota.

E isto nem foi há tanto tempo. Não estou falando do futebol romântico que o Tio Tate apreciava na década de 60, muito menos do amadorismo presenciado pelo Evandrão na década de 30.

Me refiro aos anos 80 e começo dos 90.

Com o advento da TV a cabo falando de futebol durante 24 horas e da interação proporcionada pela internet com seus blogs, sites, orkuts e twitters, ficamos com pouco assunto pra muito papo.

Falar só do jogo em si já não basta.

Os jogadores, que eram o centro do espetáculo, tiveram que dividir a cena com treinadores, com os negócios do presidente, as declarações do gerente de futebol, os detalhes da cirurgia realizada pelo doutor no joelho do centroavante, com a caixa de areia do preparador físico e o valor do patrocínio do meião.

Estes detalhes foram tão supervalorizados que ganharam vida própria no imaginário do torcedor. Passaram a ofuscar o próprio jogo, objetivo de tudo o que se faz num clube de futebol.

De uns tempos pra cá, muitos adeptos de um clube assistem às partidas fazendo figa pro treinador cair.

Muitas vezes, se o time precisar tomar um golzinho pra que isso aconteça, por que não? Contra o Botafogo o Othon e o Rosan testemunharam sandices assim.

Tem torcida contra jogador A ou B, para provar que o presidente é um incompetente e não sabe contratar ou que o treinador não sabe indicar.

Não tem mais torcida pelo onze, pelo time. Alguns torcem apenas pra dez jogadores, pois desejam o insucesso do zagueiro tosco.

Outros torcem pra nove, porque o atacante declarou ter simpatia por um time paulistano e o lateral é marrento demais.

Tem até gente torcendo pro rival porque o técnico de lá é o seu preferido. É mole?

Estamos na Era do Torcedor Condicional, o que exige ter todas as vontades feitas pra apoiar o time que gosta de chamar de seu.

Genibaldo Lucena, 29, cruzeirense, pós-graduado em Administração de Empresas e Marketing, empresário, nasceu e mora em Belo Horizonte.

Com o coração partido

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Beth Makennel

Conseguiram! Os teleguiados e a mídia pateticana perseguiram, perseguiram até derrrubar o Adilson. Agora, quero ver estes experts resolverem a situação de técnico para o time.

Vão lá seus espertinhos encontrar um bom técnico, um que seja melhor do que o Adilson e queira trabalhar no Cruzeiro e que o Cruzeiro tenha condições de pagar. (mais…)

Cruzeiro na Libertadores: 1976, a conquista (III)

sábado, 20 de março de 2010

Mauro França e Jorge Santana

Com a classificação confirmada, Felício Brandi articulou e trouxe para Belo Horizonte a reunião da Confederação Sul-Americana que definiria a composição dos grupos e a tabela das semifinais.

O evento, realizado no final de abril, contou com a presença dos presidentes da CBD, Heleno Nunes, e da CSA, o peruano Teófilo Salinas. Ao final do encontro, Felício havia conseguido todos os seus objetivos.

O principal deles, evitar o confronto com os times argentinos nessa fase, como havia acontecido em 1975. Dessa vez, os adversários seriam a LDU, do Equador, e o Alianza Lima, do Peru. No outro grupo, Peñarol, River Plate e Independiente.

A tabela também foi favorável ao Cruzeiro, que jogaria primeiro fora de casa, decidindo a vaga no Mineirão. O diretor de futebol Carmine Furletti resumiu a expectativa geral, em entrevista à revista Placar:

  • “Se a gente não ganhar agora, nunca mais”.

À exceção de um amistoso disputado em Brasília logo após os 2×0 sobre o Inter, o Cruzeiro vinha se dedicando exclusivamente à Libertadores.

Isto porque o regulamento da Taça Minas Gerais, então em disputa com 22 times divididos em 2 grupos, previa que o último campeão mineiro estava automaticamente classificado para a semifinal. Dessa forma, o time ficou desobrigado de fazer 10 jogos pelo torneio estadual.

Atlético e Uberaba se classificaram para as finais. Um sorteio com cheiro de cartas marcadas definiu o time do Triângulo como adversário do Cruzeiro na semifinal. O Cruzeiro venceu por 4×2 em 18abr76, no João Guido, em Uberaba, perante 27 mil espectadores.

Uma semana depois, Cruzeiro perdeu por 2×1 para o Atlético perante 101 mil torcedores, no Mineirão.

Neste jogo, Cafuringa, que jamais marcava gols, abriu o placar para o Clube de Lourdes, aos 14 do 1º tempo. Palhinha empatou para o Cruzeiro, aos 30 do 2º, levando a decisão para a prorrogação.

Pela primeira vez, desde que chegara ao Cruzeiro, 11 anos antes, Raul Plassmann sofreu um gol de pênalti –Piazza sobre Reinaldo- do rival citadino. O autor foi Toninho Cerezo, indicado a força pelo treinador Barbatana, após os atacantes riscados terem se recusado a encarar a maldição.

No bate-boca, seguido e empurra-empurra, Palhinha, Jairzinho e Reinaldo foram expulsos. No final, Felício Brandi não se fez de rogado, segundo a revista Placar:

  • “Tudo bem. Nós queremos é a Libertadores”.

O Cruzeiro ainda fez uma partida pela 1ª fase do Campeonato Mineiro antes de embarcar para Quito.

 A LDU, campeã equatoriana, vencera o Alianza Lima por 2×1, em casa, no jogo de abertura do grupo.

A altitude foi um problema considerável. O treino recreativo na véspera da partida foi paralisado na metade. Osíres, com tonteiras e vômitos, foi vetado. Outros jogadores também passaram mal.

No domingo, 09mai76, a LDU começou pressionando na base da correria e mandou duas bolas no travessão nos primeiros 25 minutos. Mas o time celeste se impôs e abriu o marcador aos 33. Palhinha recebeu de Joãozinho, dentro da área, ajeitou e acertou o ângulo de Maesso.

Aos 5 do 2º tempo, Palhinha recebeu de Jairzinho, driblou seu marcador e chutou no canto abrindo 2×0. Aos 13, Palhinha foi ao fundo, cruzou e Jairzinho ajeitou com o peito pra Joãozinho soltar uma bomba: 3×0.

Daí em diante o time administrou o resultado e a LDU diminuiu aos 30, com um pênalti duvidoso convertido por Polo Carrera, o melhor dos equatorianos. No final da partida, o exigente Zezé Moreira, resmungou:

  • “Não creio que o Cruzeiro possa jogar pior do que aqui”.

Cruzeiro 3×1 LDU, domingo, 09mai76, estádio Atahualpa, Quito, semifinais da Libertadores 1976 – Público: 50.000 pagantes – Juiz: Angel Coerezza (Argentina) – Gols: Palhinha, 33 do 1º tempo; Palhinha, 5, Joãozinho, 13, e Carrera, 30 do 2º.  – Cruzeiro: Raul Plassmann, Nelinho, Morais, Darci Menezes e Vanderlei Lázaro; Wilson Piazza e Eduardo Amorim (Zé Carlos); Roberto Batata (Isidoro), Palhinha, Jairzinho e Joãozinho. Tec: Zezé Moreira / LDU: Walter Maesso, Moreno (Ramiro), Luis De Carlos, Villena, Ramiro Tobar; Juan Carlos Gomez, Jorge Tapia; Oscar Zubia (Aguirre), Ruben Jose Scalise, Polo Carrera e Gustavo Tapia. Tec: Leonel Montoya. – Notas – 1. A LDU foi rebaixada à 2ª divisão equatoriana em 72. Na volta à 1ª, em 75, foi campeã nacional. 2. Maesso, Zubia, Gomez e De Carlos eram uruguaios; Leyes, que jogou apenas a 2ª partida, e Scalise, argentinos. O técnico Montoya era colombiano. 3. Jorge e Gustavo Tapia, Tobar e Polo Carrera defenderam a Seleção equatoriana na Copa América de 75. 

De Quito o Cruzeiro seguiu pra Lima. Na quarta-feira, 12mai76, o Alianza armou um forte bloqueio defensivo e parou o ataque celeste no 1º tempo e nem a expulsão de Velasquez, aos 38, abriu uma brecha em sua retranca.

O 0x0 persistiu até os 17 minutos do 2º tempo, quando Roberto Batata, deslocado pelo meio do ataque, recebeu de Palhinha, ajeitou e, da entrada da área, bateu no ângulo do goleiro peruano. Porteira aberta, os gols saíram naturalmente.

Aos 26, Joãozinho recebeu passe de Jairzinho nas costas do lateral, fechou para a área e, na saída do goleiro, deu um lindo toque de cobertura para marcar o segundo. Aos 31, Vanderlei foi expulso depois de cometer falta dura no centroavante Suarez.

A expulsão não abalou o time que marcou o 3º, dois minutos depois. Foi uma obra-prima, registrad a no livro Páginas Heróicas:

  •  “O que ele marcou em Lima, contra o Alianza, até os adversários aplaudiram. Num escanteio, quase todo o time peruano foi para a área do Cruzeiro. Raul saiu bem, defendeu e entregou a bola a Joãozinho, no bico da área. O ponteiro disparou. Os adversários foram todos atrás dele. “Ganhei a corrida, passei pelo goleiro e toquei para o gol vazio. Pra minha surpresa, a torcida aplaudiu de pé”. Joãozinho jamais tocava a bola para os lados ou para trás. “Atacante tem que partir pra cima da defesa; é isso que ensino ao meu filho.”

Cruzeiro 4×0 Alianza Lima, quarta-feira, 12mai76, Lima, Peru, semifinais da Libertadores 1976 – Público: 35.000 – Juiz: Ramon Barreto (Uruguai) – Expulões: Velasquez, 38 do 1º tempo e Vanderlei, 31 do 2º – Gols: Roberto Batata, 17, Joãozinho, 26 e 33, Jairzinho, 42 do 2º – Cruzeiro: Raul Plassmann, Nelinho, Morais, Osires (Darci Menezes) e Vanderlei Lázaro; Wilson Piazza e Eduardo Amorim; Roberto Batata (Isidoro), Palhinha, Jairzinho e Joãozinho. Tec: Zezé Moreira / Alianza: Jose Manuel Gonzalez Ganoza, Moises Palacios, Javier Castillo, Salvador Salguero, Julio Ramirez; Santiago Ojeda e José Velasquez; Manuel Lobaton, Suarez, Cesar Cueto e Freddy Ravello (Carlos Gomez). Tec: Marcos Calderon. – Notas – 1. Com esta base, o Alianza foi campeão peruano em 75, 77 e 78. 2. Velasquez, Cueto, Ganoza, Ojeda e o técnico Marcos Calderon foram campeões da Copa América-75. Os dois primeiros jogaram as Copas de 78 e 82. 3. Cueto e Ganoza foram ídolos históricos do clube. O goleiro é o recordista de jogos (475). 4. Teófilo Cubillas, considerado o maior jogador da história do futebol peruano, foi revelado pelo Alianza. Jogou as Copas do Mundo de 70, 78 e 82.

A viagem de volta foi cansativa. A delegação desembarcou na Pampulha no final da manhã de quinta-feira, 13mai76. Na bagagem, veio a classificação para a final muito bem encaminhada.

Roberto Batata foi para casa, almoçou e, com saudades da esposa e do filho, resolveu buscá-los em Três Corações, a 300 km de Belo Horizonte, no Sul de Minas. Sérgio Carvalho, da Placar, conta o que ocorreu em seguida:

  • Às 11h do dia 13, quinta- feira, o Cruzeiro chegava enfim, festivo, a Belo Horizonte. Roberto Batata foi para casa. A mulher e o filho estavam em Três Corações. Almoçou, telefonou para o pai, Geraldo Monteiro: – Vou buscar Denise em Três Corações. Ouviu uma advertência, quase um pedido: – Por que não telefona e pede a ela que venha de ônibus? Você está cansado, meu filho. Mas Roberto já fizera coisa parecida, muitas vezes. No fim de um jogo, de volta de uma viagem, pegava o carro e ia para Juiz de Fora – quando Denise , morava lá – ou Três Corações, onde está sua família. Ligou o Chevette verde, entrou na Fernão Dias. No quilômetro 182, perto de Santo Antônio do Amparo, a 111 quilômetros de Três Corações, Roberto saiu de sua pista. Vinham dois caminhões. Bateu no primeiro. Perdeu o controle. E bateu de frente no segundo. E foi o fim. Instantâneo. Explicação? Foi driblado pelo sono diziam.

Roberto Monteiro tinha 27 anos, 281 jogos e 110 gols com a camisa do Cruzeiro.

Milhares de torcedores foram às ruas prestar-lhe homenagem. Torcedores e companheiros de equipe ficaram abalados. Além da técnica, velocidade e do chute forte e certeiro, Batata era brincalhão,  amigo de todos, sempre pronto a ajudar os amigos.

Ainda sob o impacto da tragédia, o time retornou ao Mineirão seis dias depois para enfrentar o mesmo Alianza, justamente o adversário do último jogo de Batata. Na vaga do atacante, Zezé Moreira escalou Zé Carlos, que era reserva, e deslocou Eduardo Amorim, o Rabo-de-vaca, para a ponta-direita.

João Chiabi Duarte, cronista do Cruzeiro.Org, relata o clima dos minutos que antecederam o início partida:

  • Com Piazza à frente, calados e cabisbaixos, os jogadores celestes perfilaram na linha lateral, onde estava estendida uma camisa  azul-estrelada número 7, e fizeram o sinal da cruz. Depois, foram até o meio de campo, saudaram a torcida e começaram a bater bola. Só que aí aconteceu algo sensacional. O capitão do Alianza, Castillo, entregou a Piazza uma placa em homenagem a Roberto Batata e cada jogador peruano abraçou os colegas brasileiros. O estádio foi às lágrimas com a execução de O Silêncio pelo pistonista da Polícia Militar, Antônio Samuel de Oliveira, que, em 1978, seria meu colega no curso básico de Engenharia na UFMG. Durante a execução do Hino Nacional, todos os jogadores do Cruzeiro, a começar pelo capitão Wilson Piazza, choravam. Ele teve que ser amparado por Raul, tal era sua emoção. Eduardo Rabo de Vaca, mal conseguia levantar a cabeça, Nelinho e Joãozinho estavam abalados. Mas, os gritos de “Cruzeiro, Cruzeiro!” vindos das arquibancadas fizeram o time despertar.

Mesmo apático no 1º tempo, o Cruzeiro não teve trabalho para sair na frente. Jairzinho, de cabeça, fez o primeiro aos 14. Cueto, também de cabeça, empatou aos 21. Aos 36, Joãozinho cruzou da esquerda, Jair ajeitou de cabeça e Palhinha, livre na entrada da pequena área, só empurrou para o gol.

No 2º tempo, aos 9, Jair recebeu lançamento longo de Zé Carlos, ganhou do marcador na força, entrou na área e com um corte seco tirou o goleiro da jogada e  bateu rasteiro para o gol vazio. Aos 14, Nelinho, deslocado pela esquerda, recebeu de Eduardo e levantou na área para Jair, entre dois zagueiros, dominar no peito e bater na caída da bola.

Aos 18, Nelinho recebeu lançamento longo de Eduardo, driblou seu marcador, foi ao fundo e cruzou para trás. Palhinha pegou de primeira e acertou o ângulo. Aos 27, Eduardo recebeu de Jair na entrada da área e bateu para o gol. O goleiro fez a defesa parcial e Palhinha apareceu livre para empurrar para o fundo das redes.

Aos 32, Mariano, que substituíra o suspenso Vanderlei, passou para Jairzinho, que arrancou em velocidade da intermediária até a entrada da área e bateu rasteiro no canto direito do goleiro. Nelinho ainda acertou o travessão no último lance, mas o placar ficou mesmo 7×1. Coincidentemente, o número da camisa de Roberto Batata (ainda que na Libertadores ele jogasse com a 14).

O placar deu margem ao surgimento de várias histórias. Os 7 gols teriam sido feitos intencionalmente, como uma última homenagem. Ou que a combinação teria sido feita no intervalo. Enfim, cada jogador e cada torcedor presente ao estádio têm a sua própria versão. O jogo virou lenda.

Cruzeiro 7×1 Alianza Lima, quinta-feira, 20mai76, Mineirão, semifinais da Libertadores 1976 – Público: 28.235 pagantes Renda: Cr$512.060,00 – Juiz: Luis Pestarino (Argentina) – Gols: Jairzinho, 14, Cueto, 21 e Palhinha, 36 do 1º tempo; Jairzinho, 9, 14, Palhinha, 18, 27 e Jairzinho, 32 do 2º. – Cruzeiro: Raul Plassmann, Nelinho, Morais, Darci Menezes e Mariano Schimitz; Wilson Piazza e Zé Carlos (Isidoro); Eduardo Amorim (Ronaldo Drummond), Palhinha, Jairzinho e Joãozinho. Tec: Zezé Moreira / Alianza: Jose Manuel Gonzalez Ganosa (Oscar Candia), Moisés Palacios, Javier Castillo, Salvador Salguero, Julio Ramirez; Jaime Duarte, Augusto Palacios; Manuel Lobaton, Suarez, Cesar Cueto e Freddy Ravello. Tec: Marcos Calderon. – NotaMariano Noé Schimitz, nasceu em Cerro Largo-RS e passou, diretamente dos campinhos de pelada, para o time profissional do Internacional de Santa Maria, pelo qual se destacou no Campeonato Gaúcho antes de ser contratado pelo Cruzeiro no início dos Anos 70. Reserva dos laterais Nelinho e Vanderlei, além do clube de origem e do Cruzeiro, ele só atuou pelo Sertãozinho, então na 2ª divisão paulista. Ao encerrar a carreira, ele trabalhou no Ministério do Trabalho, pela manhã, no Projeto Dente-de-leite, criado pelo ex-goleiro João leite, à tarde e na gerência do bar de um cunhado, em Venda Nova, região norte de Beagá, à noite. Esta trabalheira toda teve fim quando, aos 44 anos, devido a uma osteoporose, o lateral campeão da Libertadores 76 submeteu-se a uma cirurgia e passou por longo processo de recuperação até voltar a andar. Embora magoado por não ter conseguido uma oportunidade no clube para seu filho Rafael, que ele diz ser bom de bola, o “alemão” Mariano se manteve cruzeirense de coração e mineiro por adoção.

Com a 3ª vitória, 6ª consecutiva na competição, a classificação para a final estava praticamente sacramentada. A LDU também poderia fazer 6 pontos caso vencesse suas duas partidas restantes, ambas fora de casa, a última delas no Mineirão. Isto pra forçar um jogo extra. 

No dia 26mai76, a LDU foi derrotada pelo Alianza, em Lima, por 2×0. O resultado garantiu a classificação matemática do Cruzeiro à final pela primeira vez, na sua 3ª participação no torneio.

Dessa forma, o jogo com a LDU virou amistoso. No domingo, 30mai76, o Mineirão recebeu 26 mil pagantes e o time manteve o pique com outra goleada.

Nelinho fez o primeiro cobrando pênalti, aos 4 minutos de jogo. Gustavo Tapia empatou aos 11. No 2º tempo, Jairzinho marcou aos 2, Palhinha aos 27 e Ronaldo fechou o placar aos 29.

Cruzeiro 4×1 LDU, domingo, 30mai76, Mineirão, semifinais da Libertadores 1976 – Público: 26.078 pagantes – Cr$484.415,00 – Juiz: Angel Coerezza (Argentina) – Gols: Nelinho, de pênalti, 4, Gustavo Tapia, 11 do 1º tempo; Jairzinho, 2, Palhinha, 27 e Ronaldo, 29 do 2º.  – Cruzeiro: Raul Plassmann, Nelinho, Morais, Osires (Darci Menezes) e Vanderlei Lázaro; Wilson Piazza (Valdo) e Eduardo Amorim; Silva, Palhinha, Jairzinho e Ronaldo. Tec: Zezé Moreira / LDU: Miguel Angel Leyes, Moreno, Luis De Carlos, Villena, Ramiro Tobar; Juan Carlos Gomez (Rivadeneira), Aguirre; Roberto Sussman, Ruben Jose Scalise (Jorge Tapia), Polo Carrera e Gustavo Tapia. Tec: Leonel Montoya.

A campanha na semifinal foi irretocável. 4 jogos, 4 vitórias, 18 gols marcados (média de 4,5 por partida!) e 3 sofridos.

Àquela altura, o ataque celeste tinha feito 38 gols em 10 jogos e era disparado o melhor da competição. Restava apenas aguardar pelo adversário na final.

Sobre máscaras e mascarados

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Marcel Fleming

Estou com sensação de “deja-vu”. O Atlético-MG pressiona, parece jogar melhor, apresenta certo domínio territorial, mas no final a Raposa, matreira, eficiente, come o galo.

Aí vêm os mascarados, que gostam de mascarar as coisas, a reclamar do árbitro, do aquecimento global, do excesso de chuvas, da herança maldita e todo outro tipo de evento externo para justificar a única e verdadeira razão para tantos rotineiros fracassos: a própria incompetência.

O problema do Atlético-MG e de seu treinador é realmente de máscara.

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Mestre Zelão, ídolo da facção over 50

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

João Chiabi Duarte

Sou fã incondicional de José Carlos Bernardo, o Mestre Zelão. Quando ele veio do Sport, de Juiz de Fora, para o Cruzeiro, seu futebol já era reconhecido como o de um fora-de-série.

Mas, no Cruzeiro, ele encontrou Wilson Piazza e Dirceu Lopes no meio-campo. Naquela época quase todas as equipes adotavam o 4-2-4.

Natal, Tostão, Evaldo e Hilton Oliveira formavam o quarteto atacante. Não havia disponibilidade de vagas na Academia Celeste.

Só que mestre Zelão era bom demais, passava meses sem errar um passe, e não demorou muito, o Cruzeiro teve que arranjar uma fórmula para torná-lo titular.

A primeira vez que vi Zé Carlos jogar foi na minha estréia no Mineirão, num RapoCota que terminou 3×3, em 26nov67.

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A atleticana Fátima e o cruzeirense Lukas

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Futebol é pra fazer amigos. Prova disto é que, em outubro, após uma troca de mensagens sobre futebol, livros e assuntos afins, ganhei uma nova amiga. E atleticana… Confiram:

  • Fátima – Onde consigo o livro Páginas Heróicas? Agradeço a atenção.
  • JS – Ele está esgotado, segundo a editora. Mas, com ajuda do Google, é possível encontrar alguma livraria que ainda o tenha pra vender. Se não encontrar, só esperando a Ediouro relançar a coleção Camisa 13. O livro do Cruzeiro deve sair com 100 páginas a mais e outras fotos. Só não sei exatamente quando.
  • Fátima – Olá, Jorge! Agradeço imensamente o retorno. Consegui achar o Páginas Heróicas  na Livraria FNAC, aqui em Curitiba. Vou presentear um cruzeirense fanático de 12 anos. Agradeço a atenção. Abs e sucesso, Fátima (torcedora do Atlético… Paranaense… eheheheheh)
  • JS – Foi um prazer ajudar. Mande a história desse jovem cruzeirense para o meu blog.
  • Fátima – Poxa, Jorge, será uma honra para o Lukas. Ele mora em Belo Horizonte e passará por Curitiba a caminho do Parque Beto Carreiro, semana que vem. Saberei detalhes da história dele com o Cruzeiro e, depois, te mando um escrito, ok? Agradeço tua generosidade. O garoto ficará feliz! Super abraço…
  • JS – Fátima, você é madrinha do Lukas?
  • Fátima – Não, sou apenas amiga do pai dele. Sou Bibliotecária. Nasci em Paranaguá, no litoral do Paraná. Agora já estou aposentada. Meus pais subiram a serra pra ganhar a vida e ficaram, pra sempre aqui, em  Curitiba. Por influência de meu pai, tornei-me atleticana. Neste Brasileiro, meu time está naquela zona de quem não vai para Sul-americana, nem será rebaixado. Não caindo, tá de bom tamanho…
  • JS – Boa sorte pro seu time, Fátima.
  • Fátima – Olá, Jorge! O Lukas esteve aqui no Paraná por três dias. Ele adorou o livro. E começou a leitura já na viagem de carro até Santa Catarina. Contei a ele os acontecimentos que me fizeram chegar até você e também da tua idéia de publicar a estória dele. Ele ficou empolgado e eu fiz algumas perguntas sobre a paixão dele pelo Cruzeiro. Veja aí como ficou. Agradeço a tua atenção, disposição e generosidade. Caso venha a publicar alguma coisa, por favor, me avise. Sucesso em todas as tuas realizações, Grande abraço sulista da Fátima. 
  1. Seu nome, sua escola? Lukas de Farias Sasaki, tenho 12 anos, faço a 6ª série no Colégio Santo Agostinho
  2. Seu time de coração… Cruzeiro, uai. Desde pequeno…
  3. Que situação ou pessoa o influenciou na escolha do time? Desde pequeno, fui incentivado por meu tio Alexandre e meu primo Gabriel, que são freqüentadores do Minierão. Um dia eles me levaram a um jogo do Cruzeiro e eu me encantei com a maior torcida de Minas.
  4. Sua família é toda cruzeirense? Quase toda. Tenho apenas dois tios que não gostam de futebol.
  5. Você participa de algum grupo ou comunidade de torcedores? Sim, da comunidade do Orkut.
  6. O que você acha do Mineirão? É um ótimo estádio, um dos maiores do Brasil. E é a casa do maior clube brasileiro do Século XX, segundo a Federação Internacional de História e Estatísticas do Futebol (IFFHS). O Mineirão já foi palco de inúmeras páginas heróicas do Cruzeiro como a Libertadores de 97, a Copa do Brasil de 2000 e a de 2003 e o Brasileiro de 2003.
  7. Já foi a jogos do Cruzeiro fora de Beagá? Sim. Já vi meu Cruzeiro acabar com o Fluminense no Maracanã…
  8. Você costuma assistir aos treinos do Cruzeiro? Já alguns na Toca da Raposa II.
  9. Conhece pessoalmente algum jogador? Sim, vários do elenco atual.
  10. Coleciona alguma coisa relacionada ao Cruzeiro? Sim. Autógrafos dos jogadores e fotos do time.
  11. É melhor asssitir jogos no estádio ou pela televisão? No estádio. É bem legal ver o Cruzeiro marcar gols e a torcida vibrar…
  12. Qual é a sensação de fazer parte da torcida do Cruzeiro? Incrível! É uma torcida acostumada com títulos, apaixonada e vitoriosa…
  13. Como você acomapnha as notícias do Cruzeiro? Conversando com amigos e pelo site oficial do clube.
  14. Como são as discussões sobre futebol na escola? Os cruzeirenses sempre ganham, pois têm mais coisas pra contar. Meu time é vencedor, não é como o adversário que possui apenas um título de expressão.
  15. Quais são seis ídolos? Tostão, Alex, Sorín e Dirceu Lopes.
  16. O que você acha do time atual do Cruzeiro? O time é bom e está voltando jogar bem e vencer, após a derrota da Libertadores.
  17. Se fosse técnico faria alguma mudança no time? Melhoraria a lateral-direita e o ataque.
  18. O que você sonha para o Cruzeiro em 2010? Quero o tri da Libertadores.

Arísio França, um jacaré azul

sábado, 26 de dezembro de 2009

O setelagoano Arísio França é um torcedor linha dura. Não perde jogo do Cruzeiro no Mineirão. Não dá sossego aos rivais na volta pra Selagoa em dias de RapoCota.

Tira sarro dos rivais com risada de jacaré.

E, vejam vocês, ele já defendeu o arco do time de Vespasiano. Uma pena, não ter continuado por lá. Com certeza, o Cruzeiro não teria gastado duas finais pra meter 10 gols na Cocota. Bastaria a primeira…

  1. Seu graça, sua praçaArísio Alves França Júnior, nascido em 27jun77, em Sete Lagoas, onde moro no bairro Canaan.
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Diogo Lara, cruzeirense racional

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Diogo Lara é um torcedor racional. Embora seja pouco mais que um garoto, pensa e age  como se fosse um sujeito vivido, calejado, experimentado.

Ele aprendeu a conciliar amor pelo clube com capacidade de raciocinar. Não é fácil. Confiram sua trajetória de fanático com olhos bem abertos.

  1. Nome, data de nascimento, cidade onde mora. Diogo Pinto Lara, 25ago82, Belo Horizonte. Moro no Bairro Santa Rosa, em Niterói-RJ.
  2. Nome dos pais e irmãos e o que eles fazem? Ronei, comerciante de veículos, e Cirlene, professora do ensino fundamental. Não tenho irmãos.
  3. Onde vc estudou? Colégio Militar de Belo Horizonte e Escola de Economia da UFMG.
  4. Profissão? Economista. Trabalho no BNDES.
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