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1966: O Cruzeiro descobre o Brasil

domingo, 19 de dezembro de 2010

O Descobrimento do Brasil

Campeonato Mineiro de 1965 e Taça Brasil de 1966

Em 1955, foi disputada a primeira edição da Copa dos Campeões, atual Champions League, com a participação dos campeões nacionais europeus. O Real Madrid foi o vencedor.

No rastro do sucesso do torneio, a Confederação Sul-americana criou, nos mesmos moldes, a Copa Libertadores das Américas, cuja primeira edição seria disputada em 1960.

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Cruzeiro na Libertadores V: 1976, Mundial em BH

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Mauro França e Jorge Santana

Mundial

Com a conquista da Libertadores 1976, o Cruzeiro se credenciou à disputa da Copa Intercontinental, nome oficial do Mundial Interclubes, naquela época disputado em dois jogos entre os campeões da América do Sul e da Europa.

O Bayern Munich, tri-campeão europeu, que se recusara a enfrentar o Independiente nos dois anos anteriores, aceitou jogar contra o Cruzeiro. As partidas foram marcadas para 21nov76 em Munique e 21dez76 em Belo Horizonte.

Excursão

Os jogadores celestes mal puderam comemorar o título da Libertadores. A delegação nem retornou para Beagá, onde certamente teria uma recepção triunfal. De Santiago, o time seguiu diretamente para Paris, escala inicial de uma excursão que se prolongou por todo o mês de agosto.

Nem houve tempo para descanso. Apenas quatro dias depois do histórico 3×2 sobre o River, em 03ago76, o Cruzeiro empatou por 1×1 com o Saint-Étienne, tri-campeão francês e vice-campeão europeu. Em 08ago176, o time celeste venceu o Nice por 4×3, com uma grande exibição.

A excursão continuou na Espanha, onde se realizavam vários torneios de verão, que os clubes brasileiros aproveitavam pra reforçar o caixa. Em La Coruña, no Estádio Riazor, o Cruzeiro disputou o Torneio Tereza Herrera, pela segunda vez consecutiva. Venceu o PSV Eindhoven por 2×0 e perdeu para o Real Madri pelo mesmo placar, com dois gols de pênalti.

No torneio seguinte, no Estádio Vicente Calderón, em Madri, o Cruzeiro perdeu para o Athletic Bilbao por 3×1 e venceu o Racing White, da Bélgica,  por 2×0.

No Ramon Sanchez Pizjuan, em 24ago76, o Cruzeiro empatou com o Sevilla por 1×1, mas foi eliminado nos pênaltis, por 5×3. Raul Plassmann defendeu uma penalidade, mas o juiz mandou repeti-la. Dois dias depois, o campeão sul-americano bateu o Hajduk Split, da Croácia, por 4×2, terminado em 3º lugar no Torneio de Sevilla.  

A excursão encerrou-se em 29ago76, no Estádio Municipal de Almeria com uma vitória por 3×2 sobre o time local. Foram 9 jogos, 5 vitórias, 2 empates, 2 derrotas, 18 gols a favor, 14 contra.

Financeiramente, o saldo da viagem foi ótimo, mas o custo técnico foi alto. Jairzinho, Vanderlei Lázaro, Nelinho e Wilson Piazza voltaram contundidos. Os dois últimos com mais gravidade, ficaram três semanas afastados do Campeonato Brasileiro, na época, chamado Copa Brasil.

Copa Brasil

Em 04set76, menos de uma semana depois do último amistoso na Europa, com cinco desfalques, o Cruzeiro estreou na Copa Brasil empatando com o Botafogo por 0x0 perante 10.294 torcedores, no Mineirão.  

Os desfalques constantes afetaram o rendimento do time. Zezé Moreira jamais conseguiu escalar o time completo no campeonato. Para complicar, Joãozinho também se contundiu com gravidade e ficou de fora da maior parte dos jogos.

Em um grupo de 9 equipes, o Cruzeiro ficou em 2º lugar ao lado de Coritiba, Atlético e São Paulo. Pelos critérios de desempate, ficou na 5ª posição (3 vitórias, uma por mais de dois gols de diferença, que valia 3 pontos; 4 empates e uma derrota). Como somente os quatro primeiros se classificavam, o time celeste teve que disputar a repescagem, que valia uma vaga para a 3ª fase do torneio.

Na repescagem, o Cruzeiro enfrentou Portuguesa, Londrina, Uberaba e Confiança. Somou 8 pontos (3 vitórias, uma de 3 pontos, e 1 empate) e ficou em 2º, um ponto a menos do que a Portuguesa. No último jogo, precisava derrotar o Londrina por dois gols de diferença pra ficar em 1º. Em 27out76, no Mineirão, diante de um público de quase 40 mil torcedores, Palhinha fez 1×0 no início do 2º tempo e foi só. Para surpresa de muitos, a menos de um mês do duelo contra o Bayern, o campeão sul-americano foi eliminado do Brasileiro.  

Racha

A eliminação precoce conturbou o ambiente na Toca. Carmine Furletti, vice-presidente de futebol, e Elias Barburi, o Tóia, diretor de futebol, criticaram Zezé Moreira, cujo esquema de jogo consideravam ultrapassado. Barburi queria a demissão do treinador. Mesmo afastado por doença, Felício Brandi bancou o treinador e responsabilizou os dirigentes, que teriam reforçado mal a equipe, pela desclassificação.

Em meados de outubro, o clube contratou o uruguaio Pablo Forlan, que aos 31 anos estava aposentado em Montevidéu. Zezé Moreira contava com a experiência e a garra do lateral, que disputara duas copas do mundo e havia sido campeão intercontinental com o Peñarol em 1966.  

Inverno

O Cruzeiro embarcou para a Alemanha com problemas. Nelinho, Piazza e Joãozinho vinham de longa inatividade. Dirceu Lopes, há mais de um ano parado, também estava fora de forma. O time estava sem ritmo, pois só jogou duas vezes após a eliminação no Brasileiro. Com equipes mistas, empatou em Maringá, com o Grêmio local, e no Mineirão, com o América carioca, por 0x0.

Além de tricampeão europeu, o Bayern era a base da Seleção Alemã campeã do Mundo em 74. Tinha celebridades como Sepp Maier, Franz Beckenbauer, Gerd Muller e Paul Breitner entre outros. No campeonato alemão, estava em 3º, a 4 pontos do líder.

Os alemães até foram corteses. De acordo com Raul, forneceram agasalhos e material de treino aos cruzeirenses. O próprio goleiro foi presenteado por Maier com luvas apropriadas para jogos com neve.

O jogo foi disputado sob uma nevasca. Em tais condições, o Cruzeiro foi cauteloso. Queria ao menos empatar e trazer a decisão para o Mineirão. Nelinho e Joãozinho, que foi substituído por Dirceu Lopes no 2º tempo, não estiveram bem. Mesmo assim, o time resistiu até os 35 o 2º tempo, quando Ulli Hoeness cruzou da direita, Morais não alcançou e Gerd Muller, na entrada da pequena área, dominou e chutou no canto direito de Raul Plassmann.

Dois minutos depois, Rummenigge começou a jogada pela esquerda, Muller fez corta-luz e Kapellmann, da entrada da área, bateu rasteiro no canto direito de Raul pra definir o placar e colocar os alemães em vantagem na decisão.

  • Cruzeiro 0×2 Bayern München, terça-feira, 23nov76, 1º jogo da decisão do Mundial Interclubes 1976, Olympiastadion, Munique, Alemanha – Público: 22.000 pagantes – Juiz: Luis Pestarino (Argentina) – Gols: Muller, 35, Kapellmann, 37 do 2º tempo – Cruzeiro: Raul Plassmann, Nelinho, Morais, Ozires e Vanderlei Lázaro; Wilson Piazza e Zé Carlos; Eduardo Amorim, Palhinha, Jairzinho e Joãozinho (Dirceu Lopes). Tec: Zezé Moreira / Bayern: Sepp Maier, Bjorn Andersson, Franz Beckenbauer, Hans-Georg Schwarzenbeck e Udo Horsmann; Bernd Dürnberger, Conny Torstensson e Jupp Kapellmann; Uli Hoenes, Gerd Müller e Karl-Heinz Rummenigge. Téc: Dettmar Cramer. 1: Maier, Schwarzenbeck, Beckenbauer, Hoenes, Kapellmann e Muller conquistaram a Copa do Mundo 74 pela Alemanha. 2. Torstensson e Andersson disputaram as Copas de 74 e 78 pela Suécia. 3: Maier jogou as Copas de 66, 70, 74 e 78. Beckenbauer jogou as de 66, 70 e 74 e foi técnico da Alemanha em 86 e 90, quando conquistou o título. 4. Rummenigge tinha 21 anos à época. Era um talento em ascensão. Jogou as Copas de 78, 82 e 86.  

Mesmo apontando a neve como vilã, Nelinho não deixou de observar que muitos jogadores –os principais– estavam fora das suas melhores condições físicas e técnicas, em entrevista à Placar:

  • “A neve deixou o nosso time muito inseguro. Logo no início, perdi umas três bolas bobas porque ia dar o drible e ela corria ao invés de ficar no meu pé. Além disso, eu –como o Jair, o Joãozinho, o Piazza, o Palhinha e o Dirceu– estava em péssimas condições. Tanto que joguei plantado. Só desci umas duas vezes.”

Revanche

Sem compromissos oficiais, os jogadores voltaram à rotina de treinamentos. Palhinha, com dores musculares, e Jairzinho, gripado, não participaram da primeira semana de treinamentos. Zezé Moreira, que pretendia apurar a condição física e técnica do elenco, era só preocupação.

O Cruzeiro disputou apenas um amistoso entre os dois jogos. Em 11dez76, venceu o Uberaba por 3×0, no Mineirão, perante 4 mil torcedores. Raul e Jairzinho ficaram de fora, enquanto Dirceu Lopes e Joãozinho atuaram o tempo todo.

Mesmo reconhecendo a força do adversário, o clima entre os jogadores era de confiança. Todos achavam possível reverter o resultado e conquistar o título. Acreditavam no pouco tempo de adaptação dos alemães ao calor fizessem a diferença, como o frio e a neve tinha feito na Alemanha. Zezé Moreira analisou o adversário e deu a receita para vencê-lo, em entrevista à Placar:

  • “Eles praticamente não têm posição fixa em campo. Há sempre um jogador a mais na marcação dos atacantes adversários e a recuperação deles é impressionante. Temos que partir para um jogo coletivo, rápido e objetivo, como naquelas partidas contra o Internacional, pela Libertadores.”

Zezé Moreira ficou aborrecido com o desfecho do jogo de ida:

  • Nós nunca poderíamos ter nos apavorado com o primeiro gol e partido pra cima deles que nem loucos. Deveríamos ter ficado quietinhos, no nosso esquema, porque a derrota de 1×0 era um excelente resultado para o Cruzeiro. Agora, eles entram aqui com 2×0 no placar. Isso lhes dá muita segurança e apóia qualquer sistema defensivo.

Mas não havia perdido a esperança:

  • Chegaremos lá. Precisamos entrar com os onze jogadores em perfeitas condições técnicas e físicas, caso contrário, será difícil vencer. Estamos treinando duro porque não adianta apenas marcar os gols necessários. É preciso, também, não tomar.

Verão

Enfim, na quinta-feira, 21dez76, o Mineirão recebeu pela primeira e única vez na sua história uma decisão de título mundial. O público oficial foi de 113.715 pagantes.

Saí da Fafich, no Bairro Santo Antônio, por volta de 13h e parei pra tomar cerveja e fazer a resenha do futebol com os colegas no Jorobó, um boteco na Contorno, quase na esquina de Carangola.

Por volta de 15h, saímos para o Mineirão em vários táxis. Eu e o Nílton Figueiredo, colega de Sociologia, tomamos um fusca amarelo sem banco dianteiro.

Na Catalão, sobre o viaduto do Anel Rodoviário, o motorista puxou o freio de mão e recomendou: “Se vocês querem ver o jogo, melhor irem a pé.”

Travou tudo. As pessoas largavam os carros no meio da pista e saiam correndo em direção ao estádio. No estacionamento, saquei o lance: havia dezenas de ônibus de todas as partes do país: Bahia, Rio, Goiás, Espírito Santo, Mato Grosso, Paraná, São Paulo e inúmeras cidades do interior de Minas.

Quando consegui entrar, não havia mais divisão de setores. Tentei furar os bloqueios de cada um dos acessos às arquibancadas, cadeiras e geral, sem sucesso. O Mineirão estava entupido.

O jeito foi assistir à decisão no corredor. Escolhi o Bar 22, cuja televisão, uma Philco com Bombril –aquela palha de aço que dizia ter mil e uma utilidades- nas pontas antenas, atendia a uma multidão incalculável. Havia superlotação até nas áreas de circulação.

No dia seguinte, o Estado de Minas estampava a manchete “Trânsito infernal na ida e na volta. A decisão mudou a vida da cidade”.  Os jornais informaram também sobre a invasão de mais de 20 mil torcedores vindos em caravanas, que não encontrando ingressos à venda, arrombaram os portões do estádio. Esse foi, sem dúvida, o maior público da história do Gigante da Pampulha. (Jorge Santana)

O Bayern chegou à BH no dia do jogo. Os jogadores foram para o hotel, descansaram poucas horas e foram para o Mineirão. Reconheceram o gramado e se aqueceram sob estrepitosas vaias da torcida.

Zezé Moreira escalou uma formação mais ofensiva, com um ataque com Jairzinho pela direita, Palhinha, Dirceu Lopes e Joãozinho. Eduardo ficou no banco.

O calouro de Engenharia, João Chiabi Duarte, relata suas impressões:

“Eu me lembro de ter chegado ao estádio por volta das 16 h. Os portões se abriram por volta das 18 h. Lá dentro, não dava pra levantar e sair, porque se perdia o lugar. O time deles era uma verdadeira seleção campeã do mundo. Fiquei no hall de entrada para vê-los passar. Sepp Mayer o goleiro tinha mãos imensas. Beckenbauer carregava os sacos como qualquer outro jogador. Não tinha essa de roupeiro, cada um fazia a sua parte. Lembro até hoje da cena. O Bayern entrou para aquecer com os seus agasalhos vermelhos da Adidas (sonho de consumo de todos nós naquela época), um calor infernal. Foi a maior vaia que eu já tinha visto em um estádio de futebol…

O Cruzeiro precisava de uma vitória por dois gols no tempo normal para forçar a prorrogação e pênaltis. A gente acreditava demais nos nossos craques. O jogo começou depois das 21h. O Cruzeiro fez uma ótima partida e parou sempre nas mãos de Maier ou nos desarmes fantásticos de Beckenbauer ou do Schwarzenbeck (jogava duro e não perdeu uma antecipação naquele dia). Houve lances incríveis durante o jogo. Uma cabeçada do Jairzinho, de costas, que o Sepp Maier só defendeu porque tinha mãos enormes. Ou a grande defesa do Raul no chute rasteiro e forte do Rumenigge, que ele tirou com a ponta do pé.  

No Cruzeiro, Dirceu Lopes parecia se ressentir da longa inatividade e não conseguia ter vantagem sobre a marcação implacável de Kapellmann. No 2º tempo, Zezé Moreira trocou-o por Forlan, que entrou na lateral direita, e adiantou Nelinho para a meia, para aproveitar o chute do lateral. E ele mandou três ou quatro varadas em direção ao gol alemão. Todas espalmadas ou socadas por Maier.

Rumenigge dava trabalho nos contra-ataques, mas sentiu uma contusão e deu lugar a Arbinger, que entrou para marcar as boas combinações que Nelinho e Forlan faziam pela direita. Palhinha, Joãozinho e Jairzinho brigaram com valentia contra os gigantes do time alemão e criaram as oportunidades. Embora não tivessem feito os gols, lutaram muito, como de resto, todo o time celeste.”

Mesmo sem o título, os jogadores celestes deixaram sob os aplausos da torcida, em reconhecimento pelo que fizeram. Foi um belo espetáculo proporcionado por dois grandes times. Um show de técnica e tática

  • Cruzeiro 0×0 Bayern München, terça-feira, 21dez76, 2º jogo da decisão do Mundial Interclubes-76, Mineirão, Belo Horizonte. Público: 113.715 pagantes – Juiz: Patrick Partridge (Inglaterra) – Cruzeiro: Raul Plassmann, Nelinho, Morais, Ozires e Vanderlei Lázaro; Wilson Piazza (Eduardo Amorim) e Zé Carlos; Jairzinho, Palhinha, Dirceu Lopes (Pablo Forlan) e Joãozinho. Tec: Zezé Moreira / Bayern: Sepp Maier, Bjorn Andersson, Franz Beckenbauer, Hans-Georg Schwarzenbeck e Udo Horsmann, Weiss, Conny Torstensson e Jupp Kapellmann, Uli Hoeness, Gerd Müller e Karl Heinz Rummenigge (Alfred Arbinger). Tec: Dettmar Cramer.  

Alguns lances ficaram da decisão mundial ficaram eternizados: duas incríveis defesas de Raul Plassmann, um drible de Joãozinho deixando o Kaiser Beckenbauer de bunda no chão e uma cabeçada de Jairzinho que, com o arco escancarado, mandou a bola no travessão.

João Saldanha culpou a cabeleira Black Power do atacante pelo desperdício. Segundo ele, a bola amorteceu naquela touceira ornamental. Para provar sua tese, o cronista saiu pelas ruas do Rio de Janeiro com uma bola e uma câmera filmando cabeçadas de outros cabeludos. Todas sairam chochas. 

Links:

  1. Vídeo de uma emissora alemã, com os gols da partida, com uma impagável participação do repórter Paulo Roberto escalando o time do Bayern.
  2. Trecho de um documentário do Sportv sobre Jairzinho, com imagens rápidas do jogo do Mineirão.
  3. Fernando Sasso narra alguns momentos ada decisão.

J. A. Ferrari, o Bafo da Raposa

terça-feira, 18 de maio de 2010

Belo Horizonte, 02out33

O disparate entre o tamanho da torcida cruzeirense nas arquibancadas e nos jornais, rádios e televisões de Belo Horizonte é intrigante. Mesmo sendo maior no Mineirão, ela não ocupa espaço proporcional nas redações.

Em semanas de clássicos, então, os cruzeirenses se revoltam com a percepção que a imprensa da cidade apóia os, sem meias palavras.

Uma explicação possível para o fenômeno está no fato de que, ao contrário dos craques que se aposentam cedo,  jornalistas jamais saem de cena.

O tempo passa, ídolos são substituídos, mas o tom preto-e-branco das páginas esportivas permanece imutável como se futebol ainda fosse jogado com bola de capotão dos tempos em que o Atlético-MG tinha a maior torcida da cidade.

É história antiga. Vem dos tempos em que o exercício do jornalismo era privilégio de quem dominava as letras ou a arte de vender anúncios.

Jornalistas eram advogados, escritores, professores ou, na outra ponta, corretores de anúncios. Gente da elite da cidade, do meio de onde surgiram América-MG e Atlético-MG.

O Palestra Itália, criado por imigrantes italianos, era um clube de trabalhadores financiado por comerciantes.

Era um clube de marceneiros, pintores de parede, padeiros, caminhoneiros, pedreiros, pequenos agricultores. Os que subiam na vida abriam algum empreendimento comercial. Somente duas ou três gerações depois de sua chegada a Belo Horizonte, as famílias italianas começaram a formar seus primeiros doutores.

A distância entre o Palestra e os meios de comunicação é tão antiga quanto os clubes da cidade. Vem da década de 20  do século passado, e muda com lentidão.

A relação da torcida cruzeirense com a imprensa esportiva mineira sempre foi antagônica. A maior parte dos jornalistas é considerada rival. No sentido inverso, muitos cruzeirenses da crônica esportiva transformaram-se em heróis.

Plínio Barreto, o mais antigo jornalista esportivo mineiro e o maior arquivo vivo da história do futebol em Belo Horizonte é um exemplo de herói celeste. Ele transitou da crônica esportiva para a direção do clube, durante a gestão Felício Brandi, e quando fez o caminho de volta não perdeu prestígio entre os cruzeirenses.

Fialho Pacheco foi outro nome histórico. Foi o mais importante repórter policial de Minas. Dele, se dizia que desvendava mais crimes que a própria polícia. Alto, corpulento, sempre com um cigarro no canto a boca, além das reportagens policiais, Fialho estava sempre a serviço do Cruzeiro. Foi ele quem criou o slogan “Eta, Cruzeiro duro!”, que a torcida repetiu à exaustão nas décadas de 40 e 50 e e estampou adesivos que os cruzeirenses pregavam nas portas e vitrines das lojas de comerciantes atleticanos e americanos.

Afonso de Souza, irmão do lateral-direito Souza, editor de esportes do Diário da Tarde foi outro militante azul da crônica esportiva de Beagá. Quando o Mineirão foi inaugurado e o futebol mineiro atingiu seu ponto de ebulição com a febre dos programas esportivos, ele teve a idéia de criar colunas no DT. Cada uma dedicada a um grande da cidade. Os colunistas escolhidos foram jornalistas cheios de verve, ironia e deboche, gente com a cara e o espírito do torcedor de arquibancada.

Para a coluna Toca do Coelho, o irônico Paulo Papini, que estava sempre algumas doses –consumidas no bar do Palmeiras, no São Lucas– acima dos rivais.

Pra coluna Canto do Galo, o sarcástico Francisco Antunes (Xico Antunes ou XA), cuja personalidade combinava o ressentimento e amargura, marca alvinegra nos primeiros tempos do Mineirão. Ele calibrava as palavras e afiava a língua nas mesas do Ali Ba Bar, na Barroca, perto do Colégio Marconi.

O defensor do Cruzeiro seria o abstêmio J. A. Ferrari, que nunca levava desaforo pra casa e respondia às provocações com raciocínio rápido e tiradas inteligentes.

Antes da coluna Bafo da Raposa, João Alberto Ferrari de Lima já havia trabalhado em várias seções dos Diários Associados (Estado de Minas e Diário da Tarde e TV Itacolomi, menos nas páginas esportivas.

Filho do jornalista cruzeirense Ethelberto Franzen de Lima, e de Lúcia Ferrari de Lima, de família italiana vinda da região da Basilicata, J. A. era um jornalista de combate. Franzino, defendia-se com o raciocínio rápido que o ajudava a criar piadas mordazes e instantâneas.

Sua aceitação pela torcida celeste foi imediata e o impediu de cumprir promessa que fizera a si memso de escrever apenas uma coluna e só mesmo pra atender ao amigo Afonso de Souza.

O sucesso foi tão grande e tão imediato, que além do jornal, ele acabou estrelando o Bola na Área, debate esportivo de maior índice de audiência na televisão brasileira com espantosos 97% de Ibope.

Ele conta como aconteceu:

  • “Eu era redator de política do Estado de Minas, atividade entediante durante a ditadura, por causa da censura. Percebendo minha irritação com a atividade monótona, Ciro Siqueira me transferiu pra Superintendência de Relações Públicas do jornal. Foi lá que o Afonso de Souza me buscou pra escrever a coluna do Cruzeiro. O sucesso foi tão grandem que a Brahma decidiu patrocinar um programa de televisão com os colunistas da Diário da Tarde.”

O coluna causou polêmica desde sua primeira edição. Na segunda-feira após o primeiro Cruzeiro x Atlético no Mineirão, J. A . fez pesadas críticas aos jogadores e dirigentes atleticanos que, inconformados com a marcação de um pênalti, brigaram com o juiz e a polícia.

Irritado, o treinador Mário Celso de Abre foi ao jornal reclamar. Mas, em vez dos tradicionais salamaleques dispensados aos dirigentes atleticanos pelo pessoal da casa, ele  encontrou um jornalista duro.

Ferrari não apenas reafirmou sua convicção de que havia sido pênalti, como ainda quis saber porque os atleticanos espumavam durante o jogo e a briga. Marão desconversou e voltou pra casa sem a retificação do repórter.

Cruzeiro 1×0 Atlético-MG, domingo, 24out65, Mineirão, Belo Horizonte, 11ª (última) rodada do 1º turno do Campeonato Mineiro de 1965 – Juan de la Passión Artés (FMF) – Bandeiras: Wilton Marinho e José Gomes  (FMF) – Expulsões: Bugleaux, Vander, Roberto Mauro, Mário Celso de Abreu foram os primeiros expulsos. Quando a pancadaria se generalizou, os demais jogadores, titulares e reservas, também foram exclupidos da partida – Gol: Tostão, 35 do 1º tempo – Cruzeiro: Tonho; Pedro Paulo, William Cavalo, Vavá e Neco; Ílton Chaves, Dirceu Lopes e Tostão; Wilson Almeida, Marco Antônio e Hilton Oliveira. Tec: Airton Moreira – Atlético-MG: Luiz Perez; João Batista, Vander, Bueno e Décio Teixeira; Bugleaux, Viladônega e Toninho; Buião, Roberto Mauro e Noêmio. Tec: Mário Celso de Abreu.- Notas1. O pênalti que deu origem à briga foi cometido por Décio Teixeira em Wilson Almeida aos 34 do 2º tempo. 2. Mário Celso de Abreu, o Marão, havia sido campeão brasileiro dirigindo a Seleção Mineira em 1963. 3. William Cavalo e Ílton Chaves, então jogadores do Atlético, Marco Antônio, do América, e  Neco, do Villa Nova, também tinham sido campeões brasileiros de 1963. 4. Na mesma tarde, a TV Itacolomi exibiu, diretamente do Rio de Janeiro, o clásssico FlaxFlu, o de maior prestígio no futebol brasileiro. 5. Os jogadores atleticanos que agrediram o juiz e travaram uma batalha campal com soldados da Polícia Militar foram detidos e conduzidos à delegacia para prestar depoimento. 6. Juan de la Passión Artés era espanhol. 7. Este Cruzeiro 1×0 Atlético-MG foi o 11º dos 30 que o Cruzeiro disputou pra se tornar campeão brasileiro de 1966.

Daí em diante, sucederam-se as confusões. Brigas que vinham de antes da inaugruação. De uma rivalidade começada há 50 anos no futebol da Capital mineira.

Quando, numa manhã, antes da inauguração do Gigante da Pampulha, a administração do Mineirão reuniu os presidentes dos Cruzeiro, Atlétic0-MG e América pra escolha dos locais a serem ocupados pelas torcidas, esquecidos de que futebol se joga à tarde, os atleticanos escolheram a parte sombreada das arquibancadas.

Quando perceberam a mancada dos cartolas, os torcedores alvinegros ficaram furiosos. X. A. foi quem comandou a reação chamando de refrigerada e de barropretada a torcida cruzeirense.

J. A. respondeu dizendo que, por falta de uma praça de esportes própria, aquele pedaço escaldante da arquibancada passaria a ser sede campestre do Atlético-MG. Lugar apropriado para os emplumados se bronzearem sem pagar taxa de condomínio. Pegou.

Além de esquentar os fundilhos na fornalha e receber o sol da tarde na cara, o que tornava difícil acompnanhar os jogos, na segunda-feira os alvinegros ainda tinham de ouvir a inevitável pergunta sobre bronzeado adquirido no fim de semana.

Outra brincadeira que entrou para o folclore aconteceu no Bola na Área. No afã de conquistar aliados para o seu América-MG, o jovem cartola americano, Paulo Afonso, propôs ao Coronel Walmir Pereira, presidente do Atlético-MG, botarem as duas torcidas desfilando juntas com suas bandeiras pela Avenida Afonso Pena.

O presidente ouviu calado a explicação de que a aliança seria fatal para o Cruzeiro. O sucesso seria suficiente para os vira-casacas, que haviam trocado o América-MG pelo Cruzeiro, voltarem pro antigo clube.

J. A. foi curto e grosso: “Paulinho, pode buscar sua turma, mas não precisa levar mais do que uma ou duas Kombis…”

Walmir Pereira deu gargalhada estrepitosa. Paulo Afonso ficou sem resposta. E a história de que bastam duas Kombis pra carregar a torcida do Coelho entrou para o anedotário do futebol mineiro e brasileiro.

Outra vítima de J. A. foi o compositor Carlos Imperial. Num programa da televisão carioca, o multimídia se confessou cruzeirense em Minas.

Uma semana depois, ele veio a Belo Horizonte contratado para promover a Rodada dos Milhões, um dos inúmeros carnês de prêmios da história do Clube de Lourdes. Desfilou no Mineirão, deu entrevistas falando de se amor pelas cores preta e branca, que eram também as do seu Botafogo. E deitou falação sobre sua paixão pelo Atlético-MG.

À noite, no Bola na Área, ele repetiu a conversa. Só não contava com o troco de J. A.: ”Foi bom mesmo você ter mudado de clube, pois sua imagem não faria bem ao Cruzeiro.”

Pego no contrapé, Imperial jogou por terra mais uma ilusão da torcida atleticana. Disse que só estava ali para defender seu cachê.

Mas a vítima preferida da J. A. era seu o colega X. A., quase sempre apanhando pela palavra. Como no dia em que, convidado pra chefiar a delegação atleticana numa viagem a Formiga, chamou a cidade de “Sertão da Farinha Podre”.

Dito por um formiguense, em roda de amigos, fica engraçado. Por estranhos, vira ofensa. J. A. exigiu respeito pela “Princesa do Oeste” e levantou a cidade contra o Atlético-MG. Diante da reação, X. A. pipocou e desistiu da missão.

Quando a extinta TV Itacolomi resolveu gravar o Bola na Área no interior, os cronistas levavam material promocional de seus clubes (camisas, canetas, bonés, chaveiros e o que mais existisse nos departamentos de relações públicas).

No fim do programa, torcedores faziam fila para receber os brindes do Cruzeiro, enquanto os do Atlético-MG encalhavam. Depois de ver a história se repetir em Itaúna, Lagoa da Prata, Ouro Preto e Curvelo, X. A. desistiu: “Não volto mais ao interior de Minas, essa terra de cruzeirenses”.

O que não falta ao cruzeirense João Alberto são histórias. E história, com H maiúsculo também.

O Presidente da Província de Minas, seu tio-avô Augusto de Lima, foi quem assinou o decreto transferindo a capital de Ouro Preto pra Belo Horizonte. Ato de coragem que desfiou a ira dos ouropretanos.

A mesma coragem que fez J. A. aprender caratê pra se defender dos torcedores que o ameaçavam.

  • “Um chegou a telefonar ameaçando me dar um tiro nas costas. Eu o chamei de covarde. Disse-lhe que só podia agir mesmo pelas costas, pois, cara a cara, ia tremer e deixar cair a arma. O idiota nunca mais amolou mas, por via das dúvidas, tratei de aprender defesa pessoal.”

Medida oportuna, pois Bafo de Raposa não é algo que agrade os sensíveis rivais do Cruzeiro em Belo Horizonte.

N.B.: Este capítulo do Livro Páginas Heróicas Imortais foi  o 5.000º post do blog PHD (Páginas Heróicas Digitais).

Já para o chuveiro, Jurandy!

terça-feira, 13 de abril de 2010

Blogs e jornais, país afora, discutem a última lambança do futebol mineiro, revelada pelo jornalista Jaeci Carvalho em sua coluna do Estado de Minas, da qual reproduzo uma parte:

  • “Não sou obrigado a revelar minhas fontes, mas estou autorizado pelo presidente do América, Marcus Salum, cidadão sério e probo, a dizer que foi ele quem me ligou sexta-feira para dizer: “O árbitro escalado para o jogo Atlético e América, quarta-feira, era o André (Luiz Dias Lopes), mas o Luxemburgo pediu à Federação para que outro árbitro fosse escalado, porque o André é muito enérgico”. (…) A propósito, sábado, o chefe da arbitragem mineira, Jurandy Gama Filho, me ligou, por ter lido a coluna, e disse que só não incluiu André Luiz Dias Lopes no sorteio, apesar de seu preferido, porque ele estava contundido. Afirmou também que ficou surpreso com a recuperação dele, que passou no teste da CBF, terça-feira. E confirmou que poria no sorteio outro árbitro, que pediu, porém, para ficar de fora por estar envolvido com a formatura na faculdade. Sobrou então o péssimo Renato Cardoso Conceição, de quem gosta e elogia. Escalado, fez a lambança que ajudou a tirar o América da semifinal.  Saiba também, Vanderlei, que o Cruzeiro não aceitará árbitro daqui caso decida o título com o Atlético. O mesmo Jurandy já me adiantou que, se isso se confirmar, não terá opção a não ser pedir demissão. Curioso que você desceu o cacete no árbitro que apitou Cruzeiro 3×1 Galo pela primeira fase: o mesmo Renato Cardoso Conceição. Mas agora diz que, numa eventual final, o juiz tem de ser daqui. Naquela partida eles não serviam. Agora servem?”

Este vexame sucede ao que a FMF já havia passado quando o presidente do Clube de Lourdes anunciou a suspensão e o monitoramento da punição, a que ele mesmo procederia, do juiz do último RapoCota.

Naquela ocasião, o Diretor da Comissão de Arbitragem da Federação concordou com o cartola dizendo ter estudado, detidamente, imagens de mais de um canal de TV para apurar os erros de arbitragem.

Ao invés de defender seu subordinado, buscou motivos pra justificar o cartola. Mais ridículo, impossível.

Agora, acusado de aceitar indicação de um treinador pra composição do sorteio dos árbitros do clássico CoCo, Jurandy Gama Filho alega razões implausíveis pr escolha que fez.

Não há mais clima para um professor tão vacilante coordenar a arbitragem em Minas. Quem vai levá-lo a sério?

Não há mais o que discutir. Resta ao professor Jurandy “pegar seu banquinho e sair de fininho”. Caso contrário, terá dificuldade até para encarar seus alunos na UFMG e desgastará seu bom currículo acadêmico.

Hoje, tem Cruzeiro contra os Bafana Bafana

quarta-feira, 17 de março de 2010

Hoje, quarta-feira, 17mar10, às 21h50, no Mineirão, o Cruzeiro enfrentará a Seleção da África do Sul comandada pelo tetracampeão mundial Carlos Alberto Parreira.

Confiram o que diz a imprensa e os jogadores sobre esta partida amistosa:

  1. Bruno Furtado e Aílton do Vale, no Superesportes: Dos 32 jogos do Cruzeiro contra seleções, o Mineirão recebeu apenas o primeiro, com os soviéticos, e o terceiro, frente à seleção da Romênia, em 1970. Nesse, os mineiros venceram por 2×1.O Cruzeiro ainda fez 13 duelos contra seleções na América do Sul, dois na América Central, quatro na América do Norte, nove na Ásia e dois na África, ambos diante da Nigéria. Por isso, a África do Sul será a segunda seleção africana a medir forças com o clube azul.Nos jogos contra seleções nacionais, o Cruzeiro conquistou 17 vitórias, dez empates e foi derrotado cinco vezes. O maior revés foi para o Uruguai, por 4 a 1, em 16 de janeiro de 1977, em Montevidéu. O maior triunfo foi sobre a seleção das Filipinas, por 6×0, em 12 de fevereiro de 1972, em Manila.O Cruzeiro enfrentou 20 seleções diferentes. Os países que mais estiveram pelo caminho foram México, Equador e Colômbia: três vezes.
  2. Gilmar Laignier, no Site Oficial do Cruzeiro: O torcedor que for ao Mineirão assistir ao amistoso internacional entre Cruzeiro e África do Sul, nesta quarta-feira, às 21h50, presenciará uma grande festa. Não bastasse o espetáculo dentro dos gramados proporcionado pelos atletas do Melhor Clube Brasileiro do Século XX e da seleção anfitriã da Copa de 2010, os cruzeirenses ainda participarão de sorteios de brindes e poderão usufruir de benefícios oferecidos pelo departamento de marketing e comercial do clube.Os sócios do futebol serão os mais beneficiados. Além de concorrer à bola do jogo autografada pelos jogadores celestes, os torcedores em dia com a mensalidade poderão levar um convidado ao Mineirão, sem custos. A medida inédita dá a chance de vários cruzeirenses presenciarem a festa e conhecerem melhor as vantagens de ser um Sócio do Futebol. Os sócios mirins também participarão do espetáculo. Foram selecionadas 22 crianças de até 12 anos, todas sócias do futebol, para acompanhar os atletas na entrada ao gramado. Outros 16 garotos, entre 12 e 15 anos, foram escolhidos para segurar as bandeiras de Brasil e África do Sul, que serão estendidas durante a execução dos hinos nacionais dos países. Além dos jovens sócios, os tradicionais mascotinhos também participarão da grande festa em campo. Nas arquibancadas, o espetáculo ficará por conta da China Azul. Serão distribuídos balões verticais azuis e brancos aos torcedores. Na entrada do time em campo, a tradicional queima de fogos abrilhantará ainda mais a festa. No intervalo da partida, haverá sorteio de brindes para os torcedores. Esse benefício será estendido a todos os cruzeirenses presentes ao Mineirão, não somente os sócios. Oito torcedores que participaram da promoção 2010 brindes, promovida pelo Sócio do Futebol, poderão realizar o sonho de cobrar um pênalti em pleno Mineirão, nesta quarta-feira, durante o intervalo da partida.
  3. Antônio Melane, no Estado de Minas: A promessa do Cruzeiro para esta noite, às 21h50, no Mineirão, contra a Seleção da África do Sul, jogo que vai mostrar a equipe celeste para várias partes do mundo – estima-se que haverá transmissão para mais de 70 países – é que a festa será apenas fora de campo. Todos vão dar as boas vindas aos anfitriões do Mundial; Roger cumprimentará Carlos Alberto Parreira, a quem chamou de mestre, sendo um dos principais responsáveis pela sua evolução no futebol, quando o técnico comandava o Fluminense, e o torcedor receberá presentes, já que o marketing do clube vai fazer o sorteio de alguns brindes. Além disso, o sócio do futebol poderá levar um acompanhante.
  4. Bruno Furtado e Aílton do Vale, no site Superesportes: Três dos cinco jogadores do Cruzeiro que foram dirigidos por Carlos Alberto Parreira terão a oportunidade de reencontrar, nesta quarta-feira, às 21h50, no Mineirão, no amistoso contra a seleção da África do Sul, o técnico que lhes deu um empurrão na carreira. O zagueirTrês dos cinco jogadores do Cruzeiro que foram dirigidos por Carlos Alberto Parreira terão a oportunidade de reencontrar, nesta quarta-feira, às 21h50, no Mineirão, no amistoso contra a seleção da África do Sul, o técnico que lhes deu um empurrão na carreira.O zagueiro Caçapa, o volante Fabinho e o meia Roger devem estar em campo contra os anfitriões da próxima Copa do Mundo, hoje comandada pelo treinador tetracampeão mundial pelo Brasil. Já o volante Fabrício e o armador Gilberto vão ficar de fora da festa, pois estão contundidos. Eles também trabalharam com Parreira.
  5. Site Oficial do Cruzeiro: Convocados para o amistoso contra a África do Sul: Fábio, Rafael Monteiro, Jonathan, Marcos, Caçapa, Leo Fortunato, Leonardo Silva, Diego Renan, Fabinho, Henrique, Magalhães, Marquinhos Paraná, Uchôa, Bernardo, Pedro Ken, Roger Secco, Eliandro, Kleber, Thiago Ribeiro e Wellington Paulista.
  6. Carlos Alberto Parreira, no Superesportes: O Cruzeiro tem um time muito bom tecnicamente. É evidente que viemos para aprender, mas queremos deixar uma boa imagem. E vamos aproveitar que jogaremos contra times que têm jogadores tarimbados, como o Cruzeiro e a seleção do Paraguai, adversários mais difíceis dessa série. Queremos que a África jogue com a bola no chão, tenha posse de bola. Lá o futebol não é assim. Eles têm muita qualidade técnica, mas nada melhor do que vir ao Brasil para verem o jeitinho que o brasileiro joga.
  7. Bruno Furtado no Superesportes: A seleção sul-africana veio ao Brasil para um período de preparação sem as suas principais estrelas. o atacante Benni McCarthy, do West Ham (ING); os meias Steven Piennar, do Everton (ING), e MacBeth SIbaya, do Rubin Kazan (RUS); e o zagueiro Aaron Mokoena, do Portsmouth (ING). O amistoso com o Cruzeiro será o primeiro jogo oficial no país. Até aqui, os sul-africanos empataram com o Volta Redonda por 0 a 0, golearam o Fluminense sub-20 por 8×0 e derrotaram o Boavista-RJ por 2×0, sempre em jogos-treinos realizados na Granja Comary, em Teresópolis-RJ.
  8. Benny, The Dog, no Blog do Cruzeirense: O Cruzeirão entrará em campo para enfrentar nada mais nada menos que o anfitrião da Copa do Mundo da África. É mole? Os olhos do mundo inteiro estarão voltados para o Mineirão, milhões de pessoas espalhadas em centenas de paises verão a camisa 5 estrelas mais linda do universo esbanjando raça, talento e tradição. Fragou o tamanho da publicidade?
  9. Welington Paulista, centroavante do Cruzeiro: Quero jogar pra pegar ritmo de jogo, já que fiquei praticamente um mês parado por causa da contusão no tornozelo. Nosso foco está totalmente na Libertadores e no Mineiro. Mas, mesmo sendo amistoso, temos que vencer, não importa quem. Sabemos que vai ser um jogo difícil e a gente espera fazer um bom trabalho, procurar a vitória e entrosar ainda mais a equipe.
  10. Roger Secco Flores, armador do Cruzeiro: Eu tenho como base aquele relacionamento, aquele profissionalismo do Parreira, que trago para a carreira toda. Você tem que pescar sempre o melhor das pessoas com quem trabalha. 

Sobre máscaras e mascarados

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Marcel Fleming

Estou com sensação de “deja-vu”. O Atlético-MG pressiona, parece jogar melhor, apresenta certo domínio territorial, mas no final a Raposa, matreira, eficiente, come o galo.

Aí vêm os mascarados, que gostam de mascarar as coisas, a reclamar do árbitro, do aquecimento global, do excesso de chuvas, da herança maldita e todo outro tipo de evento externo para justificar a única e verdadeira razão para tantos rotineiros fracassos: a própria incompetência.

O problema do Atlético-MG e de seu treinador é realmente de máscara.

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Argentinos e escandinavos

domingo, 31 de janeiro de 2010

Das 72 partidas que jogou em 2009, o Cruzeiro só não foi roubado em uma. Contra o Argentinos Juniors.

E só por ter sido um jogo festivo. Tão sem importância que nem o Estado de Minas ficou sabendo dele.

Fomos roubados por todos os juízes mineiros. Mas isto a gente nem repara, pois é algo vem acontecendo desde 1921.

Mas fomos roubados também por gaúchos, goianos, cariocas, paulistas, argentinos, chilenos, paraguaios etc.

Quem duvidar, pode consultar os registros dos jogos nestas Páginas Heróicas Digitais.

Somos uma potência do futebol! De outra forma não se justifica um complô global deste porte.

E o pior é que este ano a coisa deve piorar, pois o rival citadino tem um chefe de arbitragem informal.

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Aristóteles Lodi, palestrino de primeira hora

sábado, 2 de janeiro de 2010

                                              Ouro Preto, 10abr95; Vitória, 29mar68

O estádio do Palestra Itália, na Avenida Paraopeba -atual Augusto de Lima- foi o palco do jogo Cascatinha 8×1 Veteranos, em 03mai31.

Formado por ex-atletas do Palestra, o Cascatinha jogou com

  • Limões, Nocchi e Pede; Baptista, Palu e Bepe; Valério, Gallo, Ruffolo, Hespanhol e Ciccone.

O Veteranos tinha os seguintes dirigentes e fundadores do Palestra:

  • Lage, Lavalle e José Necésio do Carmo; Juca Savassi, Lydio Lunardi e Hamleto Magnavacca; Jeronymo Corte Real, Hugo Savassi, Tolentino Miraglia, Plínio Lodi e Aristóteles Lodi.

Encerrada a partida de 80 minutos, os times se dissolveram e jamais se enfrentaram novamente.

O que não acabou tão cedo foi o festival, um dos muitos organizados para preencher os domingos sem partidas do campeonato da cidade.

O Estado de Minas de 05mai31 contou como foi a festa:

  • “O programa esportivo da festa do Palestra no domingo, cuidadosamente escolhido, estava composto de corridas, saltos, jogos de basketeball e, por fim, uma partida de foot-ball entre os veteranos palestrinos… Findou a festa com grande distribuição de chopps, doces etc que entreteve o pessoal no campo dos periquitos até o cahir da noite.”

Cascatinha era nome do bar onde jogadores, diretores e adeptos do Palestra se reuniam pra tomar chope, jogar bocha e discutir futebol.

Ficava na Tupinambás com Afonso Pena e tinha, entre seus frequentadores os irmãos Plínio e Aristóteles Lodi, a ala esquerda dos Veteranos.

Palestrinos de primeira hora, os Lodi participaram das reuniões preparatórias para a criação da Società Sportiva Palestra Italia, realizadas nos fundos da Casa Ranieri, em dezembro de 1920.

Estiveram também na assembléia de fundação, na Casa D’ Itália -Tamoios, entre Espírito Santo e Rio de Janeiro-, em 02jan21.

A Família Lodi veio de Crevalcore, comuna próxima a Bologna, na região da Emilia Romagna.

O patriarca Evaristo, nascido em 05out1866, casou-se, no Brasil, com Celestina Mazzonetti, nascida em Vicenza, no Veneto, em 06out1872.

O casal estabeleceu-se em Ouro Preto, onde Evaristo instalou um armazém de secos e molhados.

Com a fundação de Belo Horizonte, eles se mudaram para a nova Capital, de olho nas oportunidades oferecidas por uma cidade em construção.

Foi assim que surgiu a Casa Evaristo Lodi -Tupinambás com São Francisco (atual Olegário Maciel)-, fornecedora de ferragens para as obras da cidade.

Aristóteles, filho mais velho de Evaristo, foi quem redigiu a verbale da fundação do Palestra.

A ata foi escrita em italiano, a língua familiar dos 72 participantes da reunião.

Em 1928, Elvira Lodi, irmã de Arsitóteles e Plínio, foi eleitapelos associados, uma das grã-duquesas do Palestra.

Durante a gestão de Lydio Lunardi -1931/32-, Aristóteles foi tesoureiro e Plínio, diretor social do clube periquito.

Nos Anos 30, os Lodi começaram a se afastar do Palestra. Elvira casou-se com o artilheiro Ninão e mudou-se pra Roma em 1931, quando o marido foi contratado pela Lazio.

Em 1935, Plínio e Aristóteles, junto com seus irmãos Osmundo e Álvaro, fundaram uma marcenaria em Belo Horizonte. Nessa época eram apenas torcedores de um clube que havia se profissionalizado.

Em 1940, mudaram-se para Aimorés, fronteira entre Minas e Espírito Santo, onde instalaram uma serraria e nunca mais voltaram a Belo Horizonte.

Virgínia Lodi, filha de Aristóteles, conta que, numa das habituais crises financeiras do Athletico, seus dirigentes pediram conselhos a Aristóteles.

Prontamente, seu pai subiu a colina de Lourdes e passou algumas semanas organizando a contabilidade do rival citadino.

Para os Lodi, o esporte ia além das rivalidades de campo. Como tantos adeptos do amadorismo, que se opuseram ao profissionalismo, o futebol deveria unir, jamais separar as pessoas.

Este princípio está expresso nos versos que o centroavante do Veteranos, Tolentino Miraglia, escreveu para o Hino do Palestra, composto pelo Maestro Arrigo Buzzacchi, em 1922.

  • Que seja o Palestra, / escola elevada / por nós consagrada / à força e ao valor / Porque se de fato / na luta renhida / tão bela partida / soubemos ganhar / não temos conosco / razão que nos há de / cortar a amizade / e os ódios gerar

Os Lodi retiraram-se do esporte na hora certa. A nova ordem, surgida com a adoção do profissionalismo, não correspondia ao que eles imaginavam ser o papel do esporte.

Nos Anos 30, a rivalidade entre os clubes mineiros acirrou-se a ponto de campeonatos serem interrompidos, ligas dissidentes formadas e conflitos nos estádios se generalizarem.

No auge das disputas, as duas maiores cidades de Minas, Belo Horizonte e Juiz de Fora, romperam relações esportivas impedindo a formação de uma única liga profissional.

Foi nessa época que os Lodi e, com eles, grande parte dos jogadores do Cascatinha e do Veteranos, quase todos mecenas do Palestra, abandonaram o futebol.

Eles deixaram dois legados.

A lição de que o esporte deve servir pra fazer amigos e, sobretudo, o Cruzeiro Esporte Clube que, hoje, completa 89 anos muito bem vividos.

  • Livro: Páginas Heróicas, vol II.