Posts com a Tag ‘Cotidiano’

Uma alegria, uma mala vazia

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Sem engenho e arte pra escrever algo novo sobre a passagem de ano, o Síndico recorre a poemas de Drummond, até há pouco inéditos, pra desejar, aos amigos do PHD, um 2010 pleno de saúde e felicidade.

Poemas de Dezembro

Carlos Drummond e Andrade

Dezembro de 1968

Procuro uma alegria
uma mala vazia
do final de ano
e eis que tenho na mão
-flor do cotidiano-
é vôo de um pássaro
é uma canção.

Dezembro de 1973

Uma vez mais se constrói
a aérea casa da esperança
nela reluzem alfaias
de sonho e de amor: aliança.

Dezembro de 1981

Fazer da areia, terra e água uma canção
Depois, moldar de vento a flauta
que há de espalhar esta canção
Por fim tecer de amor lábios e dedos
que a flauta animarão
E a flauta, sem nada mais que puro som
envolverá o sonho da canção
por todo o sempre, neste mundo

Dezembro de 1985

Quem me acode à cabeça e ao coração
neste fim de ano, entre alegria e dor?
Que sonho, que mistério, que oração?
Amor.

Epitáfios

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Epitáfios:

  1. Espírita: Volto já.
  2. Internauta: www.aquijaz.com.br
  3. Agronômo: Favor regar o solo com Neguvon. Evita Vermes.
  4. (mais…)

The house I live in

sábado, 9 de maio de 2009

Futebol não é tudo. Pra dar algum sentido às horas de lazer, é preciso ler. E, principalmente, ouvir boa música. Os clássicos americanos dos 30 aos 60, por exemplo.

Vamos ao ponto. Comprei um DVD do velho, ao pé da letra, Frank Sinatra. Por uma ninharia, recebi, em domicílio, 2 concertos (Mardison Square Garden e Royal Albert Hall) e 2 shows de TV.

Do pacote, destaco uma canção que vale a pena ser ouvida mais de uma vez. Não é a melhor, nem mesmo a mais famosa. Mas foi a que Sinatra cantou com mais emoção.

(mais…)

Acordos

sábado, 4 de abril de 2009

Jorge Schulman

Quando se inicia qualquer processo fazemos “acordos”. De qualquer espécie ou natureza, do mais simples ao mais complexo. Desde as cartilhas famosas, até a palavra tomada, passando pelo silêncio ou delação.

Formulo esse preâmbulo, para tentarmos analisar os desmembramentos ocasionados pela entrevista concedida pelo nosso técnico Adilson Batista. Mais ainda, num contexto em que, talvez o reestabelecimento dos “acordos” sirva para vivermos, da melhor forma possível, a crise de características descomunais.

Afinal de contas, diante da somatória infinita de “crises” a que estamos bombardeados no cotidiano, aliado às pessoais, como é possível separar o joio do trigo e sermos equânimes?

(mais…)

Futebol e Música (III)

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Mauro França

Nesta terceira parte o destaque vai para as músicas que utilizam expressões do futebol para tratar de temas como relacionamentos amorosos, protesto social e fatos do cotidiano, entre outros. São tantas as músicas que se referem ao futebol que fica difícil, senão impossível, catalogar todas, de forma que registramos apenas alguns exemplos, sem a pretensão de esgotar o assunto.

(mais…)

Futebol em Miramar

sábado, 20 de setembro de 2008

Walfrido Nascimento

Nesta parte da história, Dr. Vivi, personagem central, encontra-se num dilema sem tamanho. Nos últimos dois dias coisas estranhas vêm acontecendo em sua cidadezinha. Coisas completamente fora do cotidiano. No jogo narrado, ele vai se dar conta do que tanto o atormenta e amedronta.

(mais…)

O povo contra o povo no imaginário esportivo mineiro

sábado, 29 de julho de 2006

Marcelino Rodrigues da Silva

A rivalidade entre Atlético e Cruzeiro é parte obrigatória da vida de todo belo-horizontino, qualquer que seja sua classe social, sua profissão, sua relação com o esporte e sua paixão clubística. Você pode até mesmo odiar o futebol e fazer de tudo para estar alheio a ele, mas do barulho dos foguetes, das camisas na rua, dos gritos lançados ao ar e do clima de loucura que impera na cidade no dia de um clássico ninguém pode escapar. Isso, é claro, se você não for torcedor e estiver mergulhado até o pescoço nesse clima, acompanhando pelo rádio, pelos jornais, pela tv e pelas conversas de boteco cada pequeno detalhe da vida de seu clube. Além disso, todos nós temos parentes, vizinhos, amigos e colegas de trabalho que não se cansam de nos lembrar que a bola vai girar novamente no fim de semana. Explicar esse fenômeno, em termos históricos ou discursivos, não é uma tarefa fácil. Sobretudo porque são dois clubes que fazem questão de reivindicar para si o rótulo de “popular”, o que vai frontalmente de encontro a certas idéias muito cristalizadas no discurso acadêmico sobre o esporte no Brasil.

Para entender essa contradição, é preciso lembrar que a história do futebol brasileiro tem sido contada quase sempre a partir do que aconteceu na cidade do Rio de Janeiro. O que aconteceu nas outras grandes metrópoles e nos demais estados do país é geralmente considerado apenas um reflexo, tardio e de menor importância, da história do futebol carioca. Até mesmo São Paulo, com suas particularidades históricas e culturais e sua inegável importância no esporte e em outros campos, tem sido relegada a um segundo plano na historiografia do futebol no Brasil. A ênfase no Rio de Janeiro explica-se facilmente pela importância dessa cidade como metrópole política e econômica, como capital federal e centro administrativo e, principalmente, como pólo gerador de símbolos da identidade cultural brasileira. Mas a sombra que ela lança no conhecimento sobre o imaginário esportivo brasileiro deve, certamente, ser combatida e superada.

Por estar efetivamente impregnada de determinados elementos e por ter servido a determinados projetos e objetivos políticos e culturais, a história do futebol carioca – e conseqüentemente do futebol brasileiro – tem sido sempre narrada e analisada a partir de certas dicotomias que dividem seus personagens e instituições em ricos e pobres, da elite e do povo, negros e brancos, do centro e do subúrbio etc. O processo de popularização, que transformou um esporte europeu e elitista em uma prática extremamente difundida e fortemente contaminada por elementos da cultura popular, domina amplamente as atenções, fazendo com que nosso passado futebolístico seja sempre visto como uma narrativa de democratização racial, de construção de laços sociais e de afirmação de nossa identidade cultural.

São essas dicotomias, portanto, que estruturam boa parte do discurso sobre o esporte no Brasil, seja ele artístico, jornalístico ou acadêmico. E foram elas que permitiram que o futebol fosse, em determinados momentos, instrumentalizado e transformado em campo de ações de caráter pedagógico e nacionalista. Mas a vida esportiva brasileira certamente não se reduz a essas clivagens e não pode ser completamente explicada por elas. A história da rivalidade entre Atlético e Cruzeiro me parece ser um dos casos em que essas limitações ficam evidentes.

Segundo os poucos relatos disponíveis, o Clube Atlético Mineiro foi fundado em 1908, por um grupo de jovens estudantes, entre os quais se pode reconhecer algumas da famílias tradicionais da cidade. A agremiação teve, portanto, uma origem que pode ser considerada elitista. Sua transformação em um “clube de massa”, alcunha que lhe é consensualmente atribuída pela mídia contemporânea, é ainda um mistério a se resolver. Partindo das análises sobre o futebol carioca e de alguns outros indícios, é possível lançar uma hipótese, que já desenvolvi em outros textos, buscando comprová-la através das memórias esportivas de meu pai.

No Rio como em Belo Horizonte, um momento especialmente significativo no processo de popularização do futebol no Brasil foi a adoção do profissionalismo por muitos dos grandes clubes do país, em 1933. O acontecimento foi precedido por uma longa luta entre os que defendiam o amadorismo, em nome da preservação do futebol como passatempo elegante dos mais abastados, e os adeptos do regime profissional, que favoreceria os jogadores mais pobres que gradativamente vinham invadindo o esporte. Em Minas Gerais, Atlético, Cruzeiro e Villa Nova também se profissionalizaram em 1933, enquanto o América tentava se manter amador. Os três primeiros campeonatos profissionais foram vencidos pelo Villa Nova, clube de Nova Lima que, por suas origens operárias, tinha a tradição de abrigar jogadores de classe social mais baixa. O Atlético, então, passou a contratar atletas de origem mais humilde, alguns deles negros e mulatos, para reforçar o seu time e fazer frente ao Villa. Em 1936, o clube finalmente foi o campeão mineiro e conquistou o famoso título de “Campeão dos Campeões”, jogando contra clubes de Rio de Janeiro, São Paulo e Espírito Santo. Esse título provocou grande orgulho regional e até hoje é lembrado, ocupando lugar de destaque no hino do clube. Dessa história viria, pelo menos parcialmente, a mística de “clube de massa” que o Atlético ostenta hoje e que a própria massa celebra a cada novo jogo no Mineirão.

O Cruzeiro Esporte Clube surgiu em 1921, como uma dissidência do Yale, ambos formados pelos numerosos imigrantes italianos que haviam se estabelecido em Belo Horizonte desde a sua fundação. Seu primeiro nome foi Società Sportiva Palestra Itália, e até o ano de 1926 a agremiação só aceitava italianos ou filhos de italianos em seus quadros. Somente a partir dali, e gradativamente, o clube passou a incorporar atletas que não eram membros da colônia, sem nunca perder seus fortes laços com ela. Em 1942, pressionado pelo clima de animosidade contra os italianos que a Segunda Grande Guerra havia provocado no Brasil, o Palestra mudou de nome para Cruzeiro e adotou como símbolo as estrelas do céu tropical, manifestando o desejo da colônia de se integrar à comunidade brasileira.

Tendo surgido como um clube de imigrantes, portanto, o Cruzeiro já nasceu popular. Os italianos que se estabeleceram em diversas partes do Brasil, no final do século XIX, não podem, de modo algum, ser tomados como membros da elite da sociedade brasileira daquela época. Eles eram, sobretudo, trabalhadores sem capital e sem instrução, que se dedicavam a atividades pouco valorizadas, como o trabalho nas fábricas e nas lavouras. Alguns deles, no entanto, já começavam a trilhar um duro caminho de ascensão social, dedicando-se ao comércio e à manufatura ou mesmo começando pequenos empreendimentos industriais cuja prosperidade seria responsável futuramente por alçá-los às classes mais abastadas. O Palestra Itália era um clube de imigrantes que, na sua grande maioria, eram membros de famílias pobres ou no máximo remediadas, sustentadas pelo trabalho árduo nas fábricas, oficinas e armazéns.

Embora Atlético e Palestra tenham protagonizado alguns capítulos importantes da história do futebol mineiro nas primeiras décadas do século XX, a rivalidade entre os dois clubes só apareceu mais tarde, provavelmente por volta da década de 1940. Nos anos de 1910 e 1920, os dois principais clubes do esporte mineiro eram o América, formado pela nata da sociedade belo-horizontina e detentor do celebradíssimo decacampeonato metropolitano, e o próprio Atlético. Nos anos de 1930, em função da adoção do profissionalismo, houve um crescimento do Villa Nova e um certo recuo do América, mantendo-se o Atlético no topo da hierarquia esportiva mineira. O Palestra teve, nas décadas de 1920 e 1930, alguns momentos brilhantes – como o tricampeonato de 27, 28 e 29 –, mas foram os anos de 1940 que marcaram sua subida ao primeiro plano. A partir daí o Cruzeiro começou a desenvolver com o Atlético uma intensa rivalidade, que atingiria o seu auge a partir da fundação do Mineirão, em 1965.

Como disse anteriormente, não é fácil localizar nessa trajetória os fatos e motivações que deram origem aos fortes sentimentos revanchistas que hoje opõem os membros das duas hostes. Mais difícil ainda é interpretar essa história e extrair dela os significados e as relações afetivas que a sociedade projeta nos dois clubes e em sua rivalidade. O protagonismo esportivo das duas instituições certamente é o responsável por elas serem as preferidas do público, mas de modo algum é capaz de explicar as configurações que essas paixões assumiram na vida esportiva mineira. Assumindo meu movimento apenas como um primeiro esforço nesse sentido, tento neste trabalho propor uma primeira resposta a essas questões. Para isso recorro a dois livros lançados recentemente pela editora DBA, como parte da coleção “Camisa 13”, sobre os grandes clubes brasileiros. Os livros são Raça e Amor: a saga do Clube Atlético Mineiro vista da arquibancada, de Ricardo Galuppo, e Páginas Heróicas, onde a imagem do Cruzeiro resplandece, de Jorge Santana. Somados a alguns pouquíssimos outros, esses dois livros são parte importante da limitadíssima bibliografia sobre a história do futebol mineiro.

Sobre esses dois volumes, é necessário dizer, antes de tudo, que não são textos construídos segundo os rigores do trabalho acadêmico. Ao contrário, são relatos que, embora baseados sobre um elogiável trabalho de pesquisa, transitam do registro jornalístico ao libelo apaixonado, já que, no espírito da coleção, ambos foram feitos por autores que não escondem sua condição de torcedores fiéis dos clubes sobre os quais escreveram. Longe de ser um inconveniente para os objetivos deste trabalho, essa característica faz com que os dois livros sejam, na verdade, legítimas expressões do imaginário, das tradições e da rivalidade que cerca os dois clubes.

Em ambos os textos, os sentimentos revanchistas entre atleticanos e cruzeirenses aparecem a todo momento. Os dois autores adotam, inclusive, certas formulas verbais para se referir ao rival, manifestando através delas a importância que esses sentimentos possuem na definição de sua própria identidade. O atleticano Ricardo Galuppo evita durante todo o texto usar a palavra “Cruzeiro”, referindo-se ao clube como “aquele time do Barro Preto”, “o ex-Yale”, o “ex-Palestra”, “a turma do Barro Preto” etc. Nas primeiras páginas do livro, o autor já avisa: “Em respeito à família atleticana, certas palavras não serão mencionadas neste texto, nem mesmo como referência a uma antiga moeda nacional – que saiu de circulação sem deixar saudade.” (GALUPPO, 2003: 21). Já o cruzeirense Jorge Santana, se não se nega a escrever o nome do rival, reserva sempre a ele algum comentário ou epíteto irônico ou depreciativo, como “galeto com polenta” e “os empedernidos secadores da vizinhança” (SANTANA, 2003: 15, 21). Assim, os dois autores já mostram o quanto a presença constante e ameaçadora do outro é vital para suas próprias identidades de torcedores, mesmo que esse outro seja seu semelhante e seu vizinho mais próximo, ou talvez exatamente por isso. Mas é quando buscam definir o que é ser torcedor de seu clube, descrevendo suas origens e seus vínculos com a sociedade, que os autores dão as pistas mais interessantes sobre os significados da rivalidade entre Atlético e Cruzeiro.

Na mística que cerca o Atlético, podemos certamente encontrar muitos dos elementos através dos quais se definiu, em âmbito nacional, uma certa imagem do “povo brasileiro”. Como uma agremiação eminentemente popular, o Atlético é o clube do “povão”, o clube da “massa”, dos pobres, dos negros e dos mestiços. Isso é perceptível, por exemplo, no verso do hino do clube utilizado para nomear o livro de Ricardo Galuppo (“lutamos com muita raça e amor”), em que a palavra raça ecoa não apenas o espírito aguerrido do esportista, mas também a presença do negro no esporte e os sofrimentos a que ele foi submetido em razão dos conflitos raciais. No livro de Ricardo Galuppo, esse sentimento está presente, por exemplo, na narrativa da ascensão de Ubaldo, um “menino fujão”, um “negro de corpo roliço” famoso por seus “gols espíritas”, que foi um grande ídolo do time na década de 1950:

Foi naquele ano que a torcida começou a saudar Ubaldo com uma música especial. Sucesso do carnaval de 1955, a marcha “Tem nego bebo aí”, de Mirabeau e Ayrton Amorim, era tocada em todo o país. Dali em diante, sempre que o centroavante do Atlético entrava em campo, a massa cantava: “Tem nego Ubaldo aí! Tem nego Ubaldo aí!” O artilheiro teve o passe vendido ao Bangu no final daquele ano e voltou pouco tempo depois, em 1958, quando recebeu da torcida uma das maiores homenagens já prestadas a um jogador de futebol.

“Num jogo contra o Ex, realizado em 7 de dezembro de 1958, Ubaldo fez um de seus gols inexplicáveis. A torcida invadiu o gramado, carregou seu ídolo e ganhou as ruas. O desfile seguiu pela avenida Silviano Brandão, subiu em direção à Floresta, passou pela praça da Estação e, sempre ao som de ‘Tem nego Ubaldo aí!’, foi parar na praça Sete, no coração de Belo Horizonte. Ubaldo jamais se referiu àquele fato com modéstia. ‘Naquele tempo, só duas pessoas eram carregadas nos ombros do povo. O presidente Juscelino Kubitschek e eu.’ Orgulho legítimo de quem foi protagonista de uma cena extraordinária.”  (GALUPPO, 2003: 94)

Curiosamente, no entanto, o livro de Ricardo Galuppo parece se esforçar em alguns momentos para não enfatizar essas conotações com maior potencial de conflito, preferindo efetuar um deslocamento de sentido e definir a torcida e o time do Atlético por características como a paixão cega e o empenho desmedido pela vitória. “Raça e amor”, independente da classe social ou da cor da pele: “O povo alvinegro é assim – passional, fiel, generoso. (…) Nosso time não tem simpatizantes. Tem torcedores apaixonados. Quem ama o Galo se considera o ser mais atleticano do mundo.” (GALUPPO, 2003: 20). A esse deslocamento, pode ser relacionada uma outra característica, associada freqüentemente por Galuppo ao Atlético e sua torcida: a heterogeneidade – seja ela social, profissional ou racial. Ecoando as palavras do autor, José Eustáquio de Oliveira afirma, na orelha do livro:

“Ser atleticano é ser intrépido, gentil, solidário, engraçado, triste, alegre, mal-humorado, gozador, inteiro, estilhaçado, criança, adulto, esclerosado, homem, mulher, pobre, rico, remediado. Pai-de-santo, pastor, ateu e até cardeal. Moreno, louro, vermelho, amarelo. É preto e branco!”

Mais do que um clube dos pobres, portanto, o Atlético é um clube “da massa”. Esse conceito deve ser tomado, aqui, de modo teoricamente mais rigoroso. A massa é aquela entidade em que toda a sociedade urbana e moderna se une, tornando-se um aglomerado heterogêneo, gelatinoso e altamente inflamável, que tanto pode ser conduzido como um gentil rebanho quanto pode explodir em revoltas sangrentas e incontroláveis. Mas é também o lugar onde as classes e as raças se encontram, para produzir o fenômeno da mestiçagem étnica e cultural, do qual surgiu a imagem do Brasil e do brasileiro que durante o século XX dominou o imaginário de nossa sociedade.

A essas conotações associadas ao Atlético podem ser opostas determinadas características da representação da idéia do “popular” que se faz através da mitologia cruzeirense. Se a torcida do Atlético é apaixonada, a do Cruzeiro é exigente, ranzinza, acostumada a cobrar o desempenho de seu time. Pois, embora os cruzeirenses também não se cansem de declarar seu amor pelo clube, o que os distingue não é a atitude passional. À possessão da “Galoucura”, o Cruzeiro opõe a organização e a diligência de sua “Máfia Azul”. Nascido no interior de uma colônia de imigrantes, o Cruzeiro parece se definir sobretudo por aquilo que possibilitou aos italianos sua inserção na sociedade brasileira: o trabalho árduo e incansável, por meio do qual se pode construir lentamente um futuro bem sucedido. É o que se vê, por exemplo, nos seguintes trechos da narrativa de Jorge Santana sobre as origens e o desenvolvimento do tal “clube do Barro Preto”:

O Palestra mineiro foi criado por trabalhadores e recebeu a adesão dos comerciantes e industriais, todos italianos. Era uma cosa nostra, fechada às demais colônias e ao restante da população. Os italianos pobres queriam um clube para integração social, lazer e cultura física e os ricos, um cartão de visitas para exibir à elite da capital. O Palestra, assim como a Beneficência Italiana, deveria espelhar a capacidade de realização que levara tantos deles ao sucesso.” (SANTANA, 2003: 30)

E mais à frente:

“É aí que se inicia a saga do Cruzeiro Esporte Clube, o qual, nas palavras de Luiz Carlos Rodrigues, ‘se fez grande sem lances de heroísmo pungentes e sem heróis miraculosos, cuja grandeza foi plasmada no cotidiano, na simplicidade de um trabalho constante e reiterado, quase anônimo, cuja somatória, ao correr do tempo, conferiu a dimensão grandiosa, internacional, universal, de um dos maiores clubes do mundo!'”  (SANTANA, 2003: 32)

Vemos, então, que Atlético e Cruzeiro, com suas origens, suas tradições e seus mitos particulares, representam duas imagens bem diferentes da idéia do “popular”. Se buscarmos por relações entre essas representações e certos elementos do contexto em que elas foram produzidas, como os processos de modernização da sociedade brasileira e construção da identidade nacional, veremos que elas desempenham também papéis bastante diferentes, e talvez complementares. Na mitologia do Atlético podemos identificar o esforço da mediação, do encontro entre as classes e grupos sociais, para o qual foi necessário estabelecer conexões com a memória e a cultura dos menos favorecidos, por exemplo, através da escolha da “raça” como valor primordial. Já no imaginário cruzeirense, parece predominar sobretudo a idéia do “trabalho”, tomada como valor fundante da vida esportiva e caminho para a prosperidade, no futebol e fora dele. Enquanto o Atlético, miscigenado e contaminado, reafirma a diferença do brasileiro passional, intuitivo e sofredor, que de algum modo perturba o processo de modernização, o Cruzeiro reforça o vetor desse processo, fincando suas raízes na ação dos próprios europeus como agentes modernizantes e estabelecendo como seu valor primordial o próprio fundamento do sistema capitalista.

Essas, no entanto, são conclusões muito preliminares, resultantes de uma investigação que ainda está dando os seus primeiros passos. A decifração do intrincado jogo social e discursivo que se desenrola em torno da rivalidade entre Atlético e Cruzeiro certamente demanda, para ser bem compreendida, um trabalho mais demorado e cuidadoso de pesquisa e análise, um trabalho que ainda está por ser realizado. É necessário ampliar o corpus, buscar as fontes primárias, recolher relatos de atletas e torcedores de outros tempos, cotejar as informações, refinar teórica e metodologicamente a análise… Mas está lançada, pelo menos, uma hipótese inicial de trabalho.

Referências bibliográficas

  • GALUPPO, Ricardo. Raça e amor: A saga do Clube Atlético Mineiro vista da arquibancada. São Paulo: DBA Artes Gráficas, 2003.
  • HELAL, Ronaldo & GORDON Jr., Cesar. Sociologia, história e romance na construção da identidade nacional através do futebol. Estudos Históricos. Rio de Janeiro, n.23, 1999, p. 147-165.
  • MARTÍN-BARBERO, Jesús. Dos meios às mediações: comunicação, cultura e hegemonia. Rio de Janeiro: Editora UFRJ, 1997.
  • PEREIRA, Leonardo Affonso de Miranda. Footballmania: uma história social do futebol no Rio de Janeiro – 1902-1938. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2000.
  • SANTANA, Jorge. Páginas heróicas, onde a imagem do Cruzeiro resplandece. São Paulo: DBA Artes Gráficas, 2003.
  • SILVA, Marcelino Rodrigues da. Mil e uma noites de futebol; o Brasil moderno de Mário Filho. Tese (Doutorado em Letras – Estudos Literários.), Faculdade de Letras da UFMG, Belo Horizonte, 2003.
  • SOARES, Antonio Jorge. História e invenção de tradições no campo do futebol. Estudos Históricos. Rio de Janeiro, n° 23, 1999, p. 119-146.

Marcelino Rodrigues da Silva é membro da comissão editoria da Universidade Vale do Rio Verde – UNINCOR – Av. Castelo Branco, 82 – Chácara das Rosas – Três Corações – MG – www.unincor.br/pos

Fonte: http://www.filologia.org.br/ixcnlf/12/14.htm

Poluição

segunda-feira, 26 de junho de 2006

Zap! Mesa-redonda no SporTV. Zap! Mesa-redonda na ESPN do B. Zap! Outra mesa-redonda no SporTV. Galvão, nem pensar. Clic. Do pouco que tive paciência de ver ou ouvir, assinalo:

  • Na presença do Tostão, mesa-redondistas viram entrevistadores. Pertinente observação do Juca.
  • Juca prevê conspiração pra depois das oitavas. Tchan, tchan, tchan…
  • Ao lado do Tusta, Trajano fica manso.
  • Calazans, como sempre, tá nervoso. Só não me lembro o que ele disse.
  • Trajano, mesmo na presença do Tusta, deixou escapar: “Ronaldo e Adriano são trombadores”.
  • Tostão escalaria RC. Não pelo que o lateral anda jogando, mas por não haver nada melhor.
  • Tostão prefere Cafu. Cicinho ataca bem, porém marca mal.
  • PCVasconcelos, com ar compungido de sempre, e bem mais fanho do que o habitual, falou o quê, mesmo? Já nem me lembro. Mas era contra, embora nem tanto.
  • RMPrado, flanelinha assumido, acha que o carro estacionou legal no jogo contra o Japão. Exige que o Parreira deixe com está, puxe o freio de mão, abra a porta e caia fora. Mas Robinho não há mais.
  • RMPrado está possesso. Furioso. Brabo toda vida. Bufando! Tudo isso por conta de futebol? Precisa, mesmo?
  • Armando Nogueira leu crônica poética homanageando Robinho. Bacana.
  • E o Galvão, o que terá dito sobre tudo e todos?
  • E o Arnaldo? Terá gostado do trio russo?
  • RMPrado critica RC por ter dito que a Seleção estudará Gana durante 15 minutos. RMP quer a Seleção atropelando. Tipo Alemanha. O Brasil tem de impor seu futebol de superpotência. Será que os de Gana concordam? Tenho lá minhas dúvidas.

Quem viu e ouviu mais, que conte o resto dessa divertida história do cotidiano da hipertorfiada delegação de jornalistas brasileiros em viagem pela Alemanha.

Rizek, caçador de mafiosos e de racistas…

quinta-feira, 16 de março de 2006

Entrevista com André Rizek, por e-mail, em 16 de março de 2006.

Rizek, o que é que vc fazia (e ainda faz) na vida até ser descoberto pelo meu blog? Vc está preparado para a notoriedade que vai ganhar depois desta entrevista? 

Não sei se estou preparado… Tenho 30 anos e trabalho como jornalista há 12. Há muito esperava o reconhecimento do seu blog! Comecei no Jornal da Tarde, depois fui da turma que criou e colocou o Diário LANCE! nas bancas, em 1997, depois fui para o portal iG como editor de esportes e estou, desde 2001, na Editora Abril (e depois o jogador de futebol que é mercenário…): primeiro, editor especial das revistas PLACAR e PLAYBOY, depois repórter da Veja e, desde outubro, de volta à PLACAR como “repórter especial”. É um termo meio boiola este: “repórter especial”. Depois dessa entrevista, não sei como vou ser chamado no expediente. Já fiz matérias de alguma repercussão, mas nada que se compare à entrevista para o seu blog.

Como é que vc descobriu a Máfia Paulista de “Apistadores”? [N.R.: apostadores + apitadores] 

Tudo começou com uma ligação recebida na redação da revista VEJA, em março de 2005. Tivemos um informante, que nos deu as pistas. Fomos seguindo e, bingo! Eu fiz um artigo para as revistas VIP e PLACAR contando em detalhes como foi o trabalho. Acho mais fácil você disponibilizar esse texto, que lhe envio (se alguém tiver saco de ler…)

No final das contas, quem mais perdeu com toda a história foi o Inter. Mesmo assim, vc acha que valeu a pena escarafunchar os subterrâneos do futebol brasileiro? 

Claro que valeu! A reportagem foi apenas para mostrar que existia uma máfia de apostadores manipulando resultados do futebol brasileiro, por meio de dois juízes ladrões. Quem quis anular os jogos (curiosamente, apenas os jogos do Edílson, e não os apitados pelo Danelon na Série B…) foi o Luiz Zveiter. Anulação de jogo é com ele, Zveiter. Não tive nada a ver com isso. Apenas denunciei uma máfia. Sempre achei que juiz ladrão era coisa do folclore. Mas o futebol, mesmo nos tempos de “profissionalismo” (palavra tão banalizada hoje), é mais folclórico do que a gente imagina.

Que mudança ética ou moral vc acha que a dissecação feita pela imprensa do episódio da Máfia Paulista poderá agregar (argh!) ao futebol brasileiro? 

Honestamente, acho que não vai mudar nada. Os árbitros continuam amadores, sem nenhum contato com as federações, ganhando pouco, preparando-se mal… A Federação Paulista adotou algumas medidas interessantes (para mim, juiz de futebol tem de ser profissional como o jogador), testando a profissionalização e buscando saber mais sobre quem são esses caras que, duas vezes por semana, vão apitar os jogos de nossos times, decidindo campeonatos, expulsando nossos ídolos de campo etc. Mas foi a única que se mexeu. E mesmo assim de forma tímida… Eu esperava um choque de gestão. Mas a CBF nem se abalou, por exemplo. O perigo é que, antes, era mais complicado comprar um jogo. Lembra-se da Máfia da Loteria, denunciada pela PLACAR nos anos 80? Tinha o envolvimento de jogador, técnico, jornalista, juiz, gente que selecionava os jogos para o concurso… Hoje, com a internet e os sites de apostas, onde não há fronteira, é possível um apostador alemão comprar um juiz (ou mesmo jogadores) de uma partida no Vietnã (por dinheiro de banana) e lucrar um dinheirão em euros. Os sites de apostas da Europa têm cotação para jogos do mundo todo. Isso é um perigo. Lembre-se: Edílson e Danelon venderam jogos por 10 contos… Por isso acho que o caminho deve ser a profissionalização dos árbitros, valorizar mais essa figura dos apitadores. Hoje, para não pagar encargos sociais, os nossos brilhantes cartolas fazem questão que eles não tenham nenhuma ligação com as federações. Sabe quem paga a cota de arbitragem dos juízes em jogos do Brasileiro? Os cartolas dos clubes mandantes, que vão aos vestiários dos apitadores antes dos jogos levar um cheque. Você acha que pode???

Fiquei com a impressão de que o Edílson é mais maluco do que desonesto. Ou que foi mais desonesto com seus comparsas do que com os torcedores e os jogadores. Algo me diz que ele vendeu o que prometeu falsificar, mas só entregou o que outros fabricaram sem sua interferência. Estou certo?

Calma… Ele é, de fato, maluco, doidinho de pedra (para você ter idéia, ele me manda e-mails até hoje…). Mas também é um mentiroso compulsivo e um golpista barato, o famoso ladrão de galinhas. Ele vive de trambiques e golpes. Está dizendo isso, que não interferiu nos jogos, mas não é verdade. O jogo Vasco 2 x 1 Figueirense foi um escândalo (caso de cadeia), o jogo Botafogo 1 x 0 Vasco foi decidido graças a um pênalti que não existiu… Ele realmente tentou roubar o Figueirense contra o Juventude (deu um pênalti absurdo para o time gaúcho, distribuiu cartões indevidos), mas não conseguiu fazer o placar acertado. A verdade é que ele se ofereceu aos apostadores nos 11 jogos. Pelas escutas telefônicas, não é possível determinar, com 100% de certeza, que jogos, exatamente, os apostadores compraram, que resultados pediram (afinal, eles também se encontravam pessoalmente). Mas é fato que o Edílson não conseguiu entregar tudo o que prometeu. Para mim, isso mostrou que o futebol é fascinante: nem mesmo um juiz ladrão consegue parar um Robinho ou um Edmundo em dias inspirados.

Olhando em volta, o que vc mais vê? Racismo ou integração racial? Tolerância ou negação de direitos civis? Integração afetiva ou separação de corpos?

Olhando em volta, a primeira impressão que eu tenho é de que não somos um país racista. Afinal, ao contrário do que se vê na Inglaterra ou nos Estados Unidos, brancos e negros convivem juntos, freqüentam os mesmos lugares (quando não são lugares da elite, é claro…). Mas é só uma impressão. O Ronaldo disse ano passado que não era negro, lembra-se? Por quê? Falta de espelho é que não é…

Se algum dia a torcida do Grêmio chamasse os torcedores do Inter de macacos, vc enviaria uma “carta-bomba” aos tricolores? 

Esse xingamento cretino já aconteceu, e acontece sempre. A carta-bomba ao Antônio Carlos era endereçada a todos os racistas, como ele. Aliás, depois da repercussão do episódio Antônio Carlos, a torcida do Grêmio disse que iria abolir a prática… Assim espero que seja. Tem maneiras muito mais divertidas de avacalhar a torcida adversária (sou a favor de avacalhar os rivais, sempre, futebol é isso!). Na Inglaterra, existem tribunais dentro dos estádios. Se alguém é pego em flagrante praticando atos racistas, não volta mais ao campo, além de ser julgado na justiça comum também. Apoio essas medidas. É precisa dar um basta. No ano passado, no meio de um jogo entre Lens e PSG (que seria o lançamento de uma campanha da Nike, mundial, contra o racismo), os torcedores do PSG estenderam uma faixa com os dizeres “Adiante, brancos”, além de cartazes com símbolos nazistas. Ou você combate isso de forma dura, ou perde a guerra.

Acerca do caso Antônio Carlos x Jeovânio, o Rafael Henriques manda perguntar: Vc apoiaria punições rigorosas e estaria fazendo campanha se o jogador envolvido no caso fosse um figurão como um Kaká, um Beckham etc, ao invés de um em fim de carreira como o Antônio Carlos?

É óbvio que sim! Sim, sim e sim. Talvez eu até pegasse mais pesado, já que Kaká hoje é um ídolo de influência bem maior do que o racista beque do Juventude. Eu fiz uma reportagem grande em 2005 sobre racismo no futebol para a Veja. Não foi a primeira vez que toquei no tema. 

O que se aproveita da cultura do futebol brasileiro?

Caro Jorge, acho que aqui é um dos poucos lugares do mundo, se não for o único, onde futebol é encarado como arte. Isso é do que mais me orgulho. E devemos isso às gerações românticas de jogadores e jornalistas do passado (nem tão longínquo…), que criaram e fixaram essa imagem. Muita gente acha que nós, brasileiros, somos os mais fanáticos. Não somos, se comparar com os italianos, ingleses, argentinos e espanhóis. Nossa cultura é encarar o futebol como arte, o jogador como artista (nestes outros países, o jogador é mais um soldado do que um artista). Eles encaram o jogo como guerra (no bom sentido), como honra. Na Espanha, então, é questão de cidadania. Cada clube representa uma cultura, uma língua, um povo que quer independência do resto do Espanha. Só aqui a gente reclama de um time que ganha a Copa, como em 94, jogando feio, e exalta um time de campanha pífia, como a seleção de 82 (eliminado nas oitavas-de-final), por jogar lindamente. Porque para o brasileiro é isso o que importa: jogar como brasileiro (confesso que sou fã da seleção de 94, sou meio destoante desse clima, mas admiro quem pensa assim, ou seja, a maioria).

Meus ídolos na crítica esportiva são Nelson Rodrigues, João Saldanha e Diego Lucero. O que vc acha deles? Vc poderá chegar ao nível deles? Ou já os ultrapassou? 

Nelson Rodrigues é meu escritor preferido e ídolo como cronista do cotidiano, o gênero de que mais gosto. Ele era genial e o futebol é apenas uma parte de sua obra, né? Nunca chegarei aos pés dele como cronista. João Saldanha era jornalista, escritor ou técnico de futebol? Ainda foi jogador e comentarista genial… Que cara consegue ser tudo isso e ficar marcado na história? Eu sou um repórter, gosto de descobrir coisas para contar histórias que ainda não foram contadas, denunciar quando for o caso de denunciar. Gosto de (tentar) escrever bem, mas esta não é a minha principal qualidade. Não tenho a pretensão de ser reconhecido como um escritor ou mesmo colunista. Não conheço Diego Lucero… Mas acrescentaria na lista o Ruy Castro. Sua biografia do Garrincha é simplesmente um dos melhores livros já escritos sobre um personagem brasileiro. E não vamos nos esquecer do Tostão, o mestre! Para mim, hoje ele é – disparado – quem melhor escreve sobre futebol no país. Sabe tudo de futebol, em todos os sentidos. É personagem de história fascinante e um sujeito fantástico. Sou fã do Tostão, professor de todos nós. Sempre que quero ouvir alguém que entende do assunto, telefono para ele aí em Belo Horizonte.

E como este blog está associado a um site independente do Cruzeiro, falemos do mais querido de Minas. Me diz aí: O que vc aprova e o que desaprova no comportamento dos torcedores, jogadores e dirigentes do Cruzeiro. Que bons e que maus exemplos temos dado aos nossos pares do futebol brasileiro? 

Caro Jorge, infelizmente eu tenho pouco conhecimento sobre a torcida do Cruzeiro… Não me matem, mas sou um fã da torcida do Galo. Calma, eu explico. O Atlético é o campeão mundial de sofrimento. Oh time com vocação para a tragédia! Já reparou: toda vez que eles montam uma equipe fantástica, perdem o campeonato de maneira dramática ou mesmo roubada? Adoro isso! A torcida tem essa coisa de sofrer com orgulho (desde que não seja com meu time, é claro…). Tudo no Galo vira uma epopéia, um dramalhão mexicano. A vida dos cruzeirenses anda boa demais ultimamente! Nas vezes em que fui a Minas, sempre fui muito bem tratado pelos azuis. Na média (e pelos amigos que tenho em BH), me parece uma torcida cordial (estou errado?), mais do que a média. Mas não gosto de falar muito sobre algo do qual não tenho conhecimento (a torcida, o espírito dos cruzeirenses). Sobre o time eu quero cornetar. Quer saber de uma coisa? Acho que o Cruzeiro tem montado uns times bundões demais! Bons jogadores, promissores, que dão bom lucro ao clube. Mas está faltando jogador que vista a camisa, com colhão, personalidade, garra (exceção ao time de 2003, é claro). Tem faltado isso aos bons times do Cruzeiro ultimamente (espero para ver como vai se sair o time deste ano no Brasileiro antes de julgá-lo). Do clube, só não posso gostar é desse revezamento dos irmãos Perrella no comando. Verdade que o Cruzeiro acerta quando investe pesado em infra-estrutura (a melhor do país ao lado de São Paulo e Atlético-PR). Mas sucessão faz bem para qualquer lugar, você não acha?

Obs: você acha que, depois dessa entrevista, vou ficar famoso a ponto de a mineira Cicarelli me procurar???

Pô, sei lá, Rizek.. Como boa emplumada, ela prefere namorar cruzeirenses. Vc é colorado e isso talvez o faça perder essa boquinha. Eu disse boquinha?! Bem, deixa pra lá…