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O lugar do Cruzeiro no cenário do futebol

sábado, 21 de agosto de 2010

Gustavo Sobrinho

Nos últimos anos, o Cruzeiro deixou de conquistar os títulos nacionais e internacionais que sua torcida acostumou-se a comemorar entre 1991 e 2003.

Esta situação tem levado boa parte da torcida a cobrar dos dirigentes e dos profissionais do clube resultados melhores do que a real posição que o clube ocupa no cenário nacional e internacional.

Proponho analisarmos as mudanças do calendário ao longo do tempo e como o clube tem se desempenhado em cada um dos contextos pra discutirmos qual será sua posição futura no cenário do futebol.

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O novo Mineirão: projeto verde, cofres azuis

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Última parte da entrevista com Marcílio Lana, do Grupo Gestor da Copa 2014:

Projeto verde

Depoimento de Marcílio Lana:

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Cruzeiro: 1º em Minas, 4º no Sudeste, 7º no País

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

JS:

Segue o resultado da Pesquisa Placar / Lance! 2010 para alguns Estados. Eles estão publicados no site do jornal.

Dstque negativo é o desempenho dos clubes paranaenses em casa. O positivo é o da torcida gaúcha, que torce por seus clubes. 

Minas Gerais

  1. Cruzeiro – 30,5%
  2. Atlético-MG – 23,6%
  3. Flamengo – 7,7%
  4. Corinthians – 5,5%
  5. América – 1,1%
  6. Ipatinga e Uberaba – 0,1%
  7. Demais grandes de RJ e SP – 8,7% 

São Paulo

  1. Corinthians – 35,2%
  2. São Paulo – 20,8%
  3. Palmeiras – 11,8%
  4. Santos – 9,2%
  5. Flamengo – 1,1%
  6. Cruzeiro, Grêmio, Vasco, Guarani e Ponte Preta – 0,3%
  7. ASA de Arapiraca, Sport, Santa Cruz, Fortaleza, Botafogo, Atlético e Atlético-MG – 0,1% 

2º clube de preferência em SP

  1. Flamengo – 7,0%
  2. Vasco – 1,3%
  3. Cruzeiro – 1,1%
  4. Fluminense – 0,8%
  5. Grêmio – 0,7%
  6. Botafogo – 0,6% 

Rio de Janeiro

  1. Flamengo – 45,5%
  2. Vasco – 17,8%
  3. Fluminense – 10,2%
  4. Botafogo – 9,3%
  5. Cruzeiro, América, Avaí – 0,5%
  6. Demais grandes de Minas e São Paulo – 0,2% 

2º clube de preferência no RJ

  1. Corinthians – 3,5%
  2. Cruzeiro – 0,7%
  3. Avaí – 0,5% 

Rio Grande do Sul

  1. Grêmio – 52,1%
  2. Internacional – 35,3%
  3. Juventude – 0,9%
  4. Coritiba – 0,5% 

Paraná

  1. Corinthians – 17,8%
  2. Palmeiras – 13,3%
  3. Atlético – 10%
  4. São Paulo – 9,5%
  5. Coritiba – 6,0%
  6. Paraná – 1,5%

Abs,

Marcos Pinheiro

O 7º beque de um elenco respeitável

sábado, 14 de agosto de 2010

Leonardo Renan Simões de Lacerda, Leo, beque e torcedor celeste nascido em Belo Horizonte há 22 anos, mas revelado pelo Grêmio, é o novo reforço do Cruzeiro.

Ele estava encostado no Palmeiras, que recebeu, por seus direitos econômicos e federativos, R$1 milhão mais Leandro Amaro, beque revelado pelo Cruzeiro.

Ao lado de Gil, Leonardo Silva, Edcarlos, Cláudio Caçapa, Wellington e Luizão, Leo formará um time de beques como há tempos não se via na Toca da Raposa.

Com as chegadas de Montillo, Rômulo, Farias, Wallyson, Robert, Francisco Everton, Wellington e Leo, o elenco celeste oferece boas opções ao treinador Cuca.

Pelo menos enquanto os melhores atletas não escaparem pela janela de transferências.

Apesar do esforço da direção, o elenco do Cruzeiro continua inferior ao dos clubes mais ricos: Fluminense, Santos, Corintiãs, Palmeiras, São Paulo, Inter e Cocota.

Mas já está no 2º escalão, ao lado de Grêmio, Flamengo e Vasco.

Mais do que isto, só quando a torcida disser presente e se associar incondicionalmente.

Ibope 2010: Cruzeiro, clube de jovens

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Ibope / Lance! 2010.

Clubes mais populares entre brasileiros com mais de 50 anos:

  1. Flamengo – 11,1%
  2. Corinthians – 9,2%
  3. Palmeiras – 5,6%
  4. São Paulo – 4,6%
  5. Santos – 4,6%
  6. Grêmio – 4,2%
  7. Vasco – 3,3%
  8. Cruzeiro – 3,3%
  9. Internacional – 3,3%
  10. Fluminense – 2,7%
  11. Atlético-MG – 2,5%
  12. Botafogo – 2,3%
  13. Bahia – 1,5%
  14. Sport – 0,8%
  15. Santa Cruz – 0,8%
  16. Fortaleza – 0,5%
  17. Ceará – 0,3%
  18. Vitóra – 0,2%
  19. Atlético – 0,1%
  20. Não torce para nenhum clube – 31,8%

Clubes mais populares entre brasileiros na faixa de 10 a 15 anos:

  1. Flamengo – 22,6%
  2. Corinthians – 15,6%
  3. São Paulo – 12,2%
  4. Cruzeiro – 5,0%
  5. Palmeiras – 4,6%
  6. Vasco – 3,8%
  7. Grêmio – 3,8%
  8. Sport – 3,4%
  9. Atlético-MG – 3,2%
  10. Vitória – 2,8%
  11. Santos – 2,3%
  12. Internacional – 2,1%
  13. Bahia – 2,1%
  14. Ceará – 2,1%
  15. Fortaleza – 1,6%
  16. Atlético – 1,4%
  17. Santa Cruz – 1,2%
  18. Remo – 1,1%
  19. Fluminense – 1,0%
  20. Coritiba – 1,0%
  21. Botafogo – 0,4%
  22. Nenhum – 2,8%

Ibope 2010: Cruzeiro, clube de todas as classes

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Mais alguns dados da Pesquisa Ibope / Lance 2010:

Clube mais populares entre os mais pobres (Renda mensal de até 1 salário mínimo) 

  1. Flamengo – 22%
  2. Corinthians – 10,6%
  3. São Paulo – 6,8%
  4. Palmeiras – 5,4%
  5. Vasco – 3,5%
  6. Sport – 3,4%
  7. Grêmio – 2,6%
  8. Bahia – 2,4%
  9. Fortaleza – 2%
  10. Cruzeiro – 1,8%
  11. Fluminense – 1,5%
  12. Santos – 1,3%
  13. Ceará – 1,3%
  14. Vitória – 1,2%
  15. Atlético-MG – 0,8%

Clubes mais populares entre os mais ricos (Renda mensal igual ou superior a 10 salários mínimos)

  1. São Paulo – 12,8%
  2. Corinthians – 12,3%
  3. Flamengo – 10,6%
  4. Palmeiras – 6,7%
  5. Cruzeiro – 6,1%
  6. Santos – 5%
  7. Atlético-MG – 5%
  8. Fluminense – 3,9%
  9. Grêmio – 3,4%
  10. Botafogo – 2,8%
  11. Vasco – 2,2%
  12. Internacional – 2,2%
  13. Sport – 0,1%
  14. Bahia – 0,1%
  15. Vitória – 0,1%

Ibope 2010: Cruzeiro tem poucos desafetos

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Pesquisa Ibope / Lance! 2010:

Clubes mais rejeitados pelos brasileiros:

  1. Corinthians – 21%
  2. Flamengo – 16%
  3. Palmeiras – 14%
  4. Vasco -13%
  5. São Paulo – 11%
  6. Botafogo – 6%
  7. Internacional – 3%
  8. Grêmio – 3%
  9. Santos – 3%
  10. Fluminense – 3%
  11. Cruzeiro – 2%
  12. Demais clubes em conjunto – 6%.

Cruzeiro na Libertadores V: 1976, Mundial em BH

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Mauro França e Jorge Santana

Mundial

Com a conquista da Libertadores 1976, o Cruzeiro se credenciou à disputa da Copa Intercontinental, nome oficial do Mundial Interclubes, naquela época disputado em dois jogos entre os campeões da América do Sul e da Europa.

O Bayern Munich, tri-campeão europeu, que se recusara a enfrentar o Independiente nos dois anos anteriores, aceitou jogar contra o Cruzeiro. As partidas foram marcadas para 21nov76 em Munique e 21dez76 em Belo Horizonte.

Excursão

Os jogadores celestes mal puderam comemorar o título da Libertadores. A delegação nem retornou para Beagá, onde certamente teria uma recepção triunfal. De Santiago, o time seguiu diretamente para Paris, escala inicial de uma excursão que se prolongou por todo o mês de agosto.

Nem houve tempo para descanso. Apenas quatro dias depois do histórico 3×2 sobre o River, em 03ago76, o Cruzeiro empatou por 1×1 com o Saint-Étienne, tri-campeão francês e vice-campeão europeu. Em 08ago176, o time celeste venceu o Nice por 4×3, com uma grande exibição.

A excursão continuou na Espanha, onde se realizavam vários torneios de verão, que os clubes brasileiros aproveitavam pra reforçar o caixa. Em La Coruña, no Estádio Riazor, o Cruzeiro disputou o Torneio Tereza Herrera, pela segunda vez consecutiva. Venceu o PSV Eindhoven por 2×0 e perdeu para o Real Madri pelo mesmo placar, com dois gols de pênalti.

No torneio seguinte, no Estádio Vicente Calderón, em Madri, o Cruzeiro perdeu para o Athletic Bilbao por 3×1 e venceu o Racing White, da Bélgica,  por 2×0.

No Ramon Sanchez Pizjuan, em 24ago76, o Cruzeiro empatou com o Sevilla por 1×1, mas foi eliminado nos pênaltis, por 5×3. Raul Plassmann defendeu uma penalidade, mas o juiz mandou repeti-la. Dois dias depois, o campeão sul-americano bateu o Hajduk Split, da Croácia, por 4×2, terminado em 3º lugar no Torneio de Sevilla.  

A excursão encerrou-se em 29ago76, no Estádio Municipal de Almeria com uma vitória por 3×2 sobre o time local. Foram 9 jogos, 5 vitórias, 2 empates, 2 derrotas, 18 gols a favor, 14 contra.

Financeiramente, o saldo da viagem foi ótimo, mas o custo técnico foi alto. Jairzinho, Vanderlei Lázaro, Nelinho e Wilson Piazza voltaram contundidos. Os dois últimos com mais gravidade, ficaram três semanas afastados do Campeonato Brasileiro, na época, chamado Copa Brasil.

Copa Brasil

Em 04set76, menos de uma semana depois do último amistoso na Europa, com cinco desfalques, o Cruzeiro estreou na Copa Brasil empatando com o Botafogo por 0x0 perante 10.294 torcedores, no Mineirão.  

Os desfalques constantes afetaram o rendimento do time. Zezé Moreira jamais conseguiu escalar o time completo no campeonato. Para complicar, Joãozinho também se contundiu com gravidade e ficou de fora da maior parte dos jogos.

Em um grupo de 9 equipes, o Cruzeiro ficou em 2º lugar ao lado de Coritiba, Atlético e São Paulo. Pelos critérios de desempate, ficou na 5ª posição (3 vitórias, uma por mais de dois gols de diferença, que valia 3 pontos; 4 empates e uma derrota). Como somente os quatro primeiros se classificavam, o time celeste teve que disputar a repescagem, que valia uma vaga para a 3ª fase do torneio.

Na repescagem, o Cruzeiro enfrentou Portuguesa, Londrina, Uberaba e Confiança. Somou 8 pontos (3 vitórias, uma de 3 pontos, e 1 empate) e ficou em 2º, um ponto a menos do que a Portuguesa. No último jogo, precisava derrotar o Londrina por dois gols de diferença pra ficar em 1º. Em 27out76, no Mineirão, diante de um público de quase 40 mil torcedores, Palhinha fez 1×0 no início do 2º tempo e foi só. Para surpresa de muitos, a menos de um mês do duelo contra o Bayern, o campeão sul-americano foi eliminado do Brasileiro.  

Racha

A eliminação precoce conturbou o ambiente na Toca. Carmine Furletti, vice-presidente de futebol, e Elias Barburi, o Tóia, diretor de futebol, criticaram Zezé Moreira, cujo esquema de jogo consideravam ultrapassado. Barburi queria a demissão do treinador. Mesmo afastado por doença, Felício Brandi bancou o treinador e responsabilizou os dirigentes, que teriam reforçado mal a equipe, pela desclassificação.

Em meados de outubro, o clube contratou o uruguaio Pablo Forlan, que aos 31 anos estava aposentado em Montevidéu. Zezé Moreira contava com a experiência e a garra do lateral, que disputara duas copas do mundo e havia sido campeão intercontinental com o Peñarol em 1966.  

Inverno

O Cruzeiro embarcou para a Alemanha com problemas. Nelinho, Piazza e Joãozinho vinham de longa inatividade. Dirceu Lopes, há mais de um ano parado, também estava fora de forma. O time estava sem ritmo, pois só jogou duas vezes após a eliminação no Brasileiro. Com equipes mistas, empatou em Maringá, com o Grêmio local, e no Mineirão, com o América carioca, por 0x0.

Além de tricampeão europeu, o Bayern era a base da Seleção Alemã campeã do Mundo em 74. Tinha celebridades como Sepp Maier, Franz Beckenbauer, Gerd Muller e Paul Breitner entre outros. No campeonato alemão, estava em 3º, a 4 pontos do líder.

Os alemães até foram corteses. De acordo com Raul, forneceram agasalhos e material de treino aos cruzeirenses. O próprio goleiro foi presenteado por Maier com luvas apropriadas para jogos com neve.

O jogo foi disputado sob uma nevasca. Em tais condições, o Cruzeiro foi cauteloso. Queria ao menos empatar e trazer a decisão para o Mineirão. Nelinho e Joãozinho, que foi substituído por Dirceu Lopes no 2º tempo, não estiveram bem. Mesmo assim, o time resistiu até os 35 o 2º tempo, quando Ulli Hoeness cruzou da direita, Morais não alcançou e Gerd Muller, na entrada da pequena área, dominou e chutou no canto direito de Raul Plassmann.

Dois minutos depois, Rummenigge começou a jogada pela esquerda, Muller fez corta-luz e Kapellmann, da entrada da área, bateu rasteiro no canto direito de Raul pra definir o placar e colocar os alemães em vantagem na decisão.

  • Cruzeiro 0×2 Bayern München, terça-feira, 23nov76, 1º jogo da decisão do Mundial Interclubes 1976, Olympiastadion, Munique, Alemanha – Público: 22.000 pagantes – Juiz: Luis Pestarino (Argentina) – Gols: Muller, 35, Kapellmann, 37 do 2º tempo – Cruzeiro: Raul Plassmann, Nelinho, Morais, Ozires e Vanderlei Lázaro; Wilson Piazza e Zé Carlos; Eduardo Amorim, Palhinha, Jairzinho e Joãozinho (Dirceu Lopes). Tec: Zezé Moreira / Bayern: Sepp Maier, Bjorn Andersson, Franz Beckenbauer, Hans-Georg Schwarzenbeck e Udo Horsmann; Bernd Dürnberger, Conny Torstensson e Jupp Kapellmann; Uli Hoenes, Gerd Müller e Karl-Heinz Rummenigge. Téc: Dettmar Cramer. 1: Maier, Schwarzenbeck, Beckenbauer, Hoenes, Kapellmann e Muller conquistaram a Copa do Mundo 74 pela Alemanha. 2. Torstensson e Andersson disputaram as Copas de 74 e 78 pela Suécia. 3: Maier jogou as Copas de 66, 70, 74 e 78. Beckenbauer jogou as de 66, 70 e 74 e foi técnico da Alemanha em 86 e 90, quando conquistou o título. 4. Rummenigge tinha 21 anos à época. Era um talento em ascensão. Jogou as Copas de 78, 82 e 86.  

Mesmo apontando a neve como vilã, Nelinho não deixou de observar que muitos jogadores –os principais– estavam fora das suas melhores condições físicas e técnicas, em entrevista à Placar:

  • “A neve deixou o nosso time muito inseguro. Logo no início, perdi umas três bolas bobas porque ia dar o drible e ela corria ao invés de ficar no meu pé. Além disso, eu –como o Jair, o Joãozinho, o Piazza, o Palhinha e o Dirceu– estava em péssimas condições. Tanto que joguei plantado. Só desci umas duas vezes.”

Revanche

Sem compromissos oficiais, os jogadores voltaram à rotina de treinamentos. Palhinha, com dores musculares, e Jairzinho, gripado, não participaram da primeira semana de treinamentos. Zezé Moreira, que pretendia apurar a condição física e técnica do elenco, era só preocupação.

O Cruzeiro disputou apenas um amistoso entre os dois jogos. Em 11dez76, venceu o Uberaba por 3×0, no Mineirão, perante 4 mil torcedores. Raul e Jairzinho ficaram de fora, enquanto Dirceu Lopes e Joãozinho atuaram o tempo todo.

Mesmo reconhecendo a força do adversário, o clima entre os jogadores era de confiança. Todos achavam possível reverter o resultado e conquistar o título. Acreditavam no pouco tempo de adaptação dos alemães ao calor fizessem a diferença, como o frio e a neve tinha feito na Alemanha. Zezé Moreira analisou o adversário e deu a receita para vencê-lo, em entrevista à Placar:

  • “Eles praticamente não têm posição fixa em campo. Há sempre um jogador a mais na marcação dos atacantes adversários e a recuperação deles é impressionante. Temos que partir para um jogo coletivo, rápido e objetivo, como naquelas partidas contra o Internacional, pela Libertadores.”

Zezé Moreira ficou aborrecido com o desfecho do jogo de ida:

  • Nós nunca poderíamos ter nos apavorado com o primeiro gol e partido pra cima deles que nem loucos. Deveríamos ter ficado quietinhos, no nosso esquema, porque a derrota de 1×0 era um excelente resultado para o Cruzeiro. Agora, eles entram aqui com 2×0 no placar. Isso lhes dá muita segurança e apóia qualquer sistema defensivo.

Mas não havia perdido a esperança:

  • Chegaremos lá. Precisamos entrar com os onze jogadores em perfeitas condições técnicas e físicas, caso contrário, será difícil vencer. Estamos treinando duro porque não adianta apenas marcar os gols necessários. É preciso, também, não tomar.

Verão

Enfim, na quinta-feira, 21dez76, o Mineirão recebeu pela primeira e única vez na sua história uma decisão de título mundial. O público oficial foi de 113.715 pagantes.

Saí da Fafich, no Bairro Santo Antônio, por volta de 13h e parei pra tomar cerveja e fazer a resenha do futebol com os colegas no Jorobó, um boteco na Contorno, quase na esquina de Carangola.

Por volta de 15h, saímos para o Mineirão em vários táxis. Eu e o Nílton Figueiredo, colega de Sociologia, tomamos um fusca amarelo sem banco dianteiro.

Na Catalão, sobre o viaduto do Anel Rodoviário, o motorista puxou o freio de mão e recomendou: “Se vocês querem ver o jogo, melhor irem a pé.”

Travou tudo. As pessoas largavam os carros no meio da pista e saiam correndo em direção ao estádio. No estacionamento, saquei o lance: havia dezenas de ônibus de todas as partes do país: Bahia, Rio, Goiás, Espírito Santo, Mato Grosso, Paraná, São Paulo e inúmeras cidades do interior de Minas.

Quando consegui entrar, não havia mais divisão de setores. Tentei furar os bloqueios de cada um dos acessos às arquibancadas, cadeiras e geral, sem sucesso. O Mineirão estava entupido.

O jeito foi assistir à decisão no corredor. Escolhi o Bar 22, cuja televisão, uma Philco com Bombril –aquela palha de aço que dizia ter mil e uma utilidades- nas pontas antenas, atendia a uma multidão incalculável. Havia superlotação até nas áreas de circulação.

No dia seguinte, o Estado de Minas estampava a manchete “Trânsito infernal na ida e na volta. A decisão mudou a vida da cidade”.  Os jornais informaram também sobre a invasão de mais de 20 mil torcedores vindos em caravanas, que não encontrando ingressos à venda, arrombaram os portões do estádio. Esse foi, sem dúvida, o maior público da história do Gigante da Pampulha. (Jorge Santana)

O Bayern chegou à BH no dia do jogo. Os jogadores foram para o hotel, descansaram poucas horas e foram para o Mineirão. Reconheceram o gramado e se aqueceram sob estrepitosas vaias da torcida.

Zezé Moreira escalou uma formação mais ofensiva, com um ataque com Jairzinho pela direita, Palhinha, Dirceu Lopes e Joãozinho. Eduardo ficou no banco.

O calouro de Engenharia, João Chiabi Duarte, relata suas impressões:

“Eu me lembro de ter chegado ao estádio por volta das 16 h. Os portões se abriram por volta das 18 h. Lá dentro, não dava pra levantar e sair, porque se perdia o lugar. O time deles era uma verdadeira seleção campeã do mundo. Fiquei no hall de entrada para vê-los passar. Sepp Mayer o goleiro tinha mãos imensas. Beckenbauer carregava os sacos como qualquer outro jogador. Não tinha essa de roupeiro, cada um fazia a sua parte. Lembro até hoje da cena. O Bayern entrou para aquecer com os seus agasalhos vermelhos da Adidas (sonho de consumo de todos nós naquela época), um calor infernal. Foi a maior vaia que eu já tinha visto em um estádio de futebol…

O Cruzeiro precisava de uma vitória por dois gols no tempo normal para forçar a prorrogação e pênaltis. A gente acreditava demais nos nossos craques. O jogo começou depois das 21h. O Cruzeiro fez uma ótima partida e parou sempre nas mãos de Maier ou nos desarmes fantásticos de Beckenbauer ou do Schwarzenbeck (jogava duro e não perdeu uma antecipação naquele dia). Houve lances incríveis durante o jogo. Uma cabeçada do Jairzinho, de costas, que o Sepp Maier só defendeu porque tinha mãos enormes. Ou a grande defesa do Raul no chute rasteiro e forte do Rumenigge, que ele tirou com a ponta do pé.  

No Cruzeiro, Dirceu Lopes parecia se ressentir da longa inatividade e não conseguia ter vantagem sobre a marcação implacável de Kapellmann. No 2º tempo, Zezé Moreira trocou-o por Forlan, que entrou na lateral direita, e adiantou Nelinho para a meia, para aproveitar o chute do lateral. E ele mandou três ou quatro varadas em direção ao gol alemão. Todas espalmadas ou socadas por Maier.

Rumenigge dava trabalho nos contra-ataques, mas sentiu uma contusão e deu lugar a Arbinger, que entrou para marcar as boas combinações que Nelinho e Forlan faziam pela direita. Palhinha, Joãozinho e Jairzinho brigaram com valentia contra os gigantes do time alemão e criaram as oportunidades. Embora não tivessem feito os gols, lutaram muito, como de resto, todo o time celeste.”

Mesmo sem o título, os jogadores celestes deixaram sob os aplausos da torcida, em reconhecimento pelo que fizeram. Foi um belo espetáculo proporcionado por dois grandes times. Um show de técnica e tática

  • Cruzeiro 0×0 Bayern München, terça-feira, 21dez76, 2º jogo da decisão do Mundial Interclubes-76, Mineirão, Belo Horizonte. Público: 113.715 pagantes – Juiz: Patrick Partridge (Inglaterra) – Cruzeiro: Raul Plassmann, Nelinho, Morais, Ozires e Vanderlei Lázaro; Wilson Piazza (Eduardo Amorim) e Zé Carlos; Jairzinho, Palhinha, Dirceu Lopes (Pablo Forlan) e Joãozinho. Tec: Zezé Moreira / Bayern: Sepp Maier, Bjorn Andersson, Franz Beckenbauer, Hans-Georg Schwarzenbeck e Udo Horsmann, Weiss, Conny Torstensson e Jupp Kapellmann, Uli Hoeness, Gerd Müller e Karl Heinz Rummenigge (Alfred Arbinger). Tec: Dettmar Cramer.  

Alguns lances ficaram da decisão mundial ficaram eternizados: duas incríveis defesas de Raul Plassmann, um drible de Joãozinho deixando o Kaiser Beckenbauer de bunda no chão e uma cabeçada de Jairzinho que, com o arco escancarado, mandou a bola no travessão.

João Saldanha culpou a cabeleira Black Power do atacante pelo desperdício. Segundo ele, a bola amorteceu naquela touceira ornamental. Para provar sua tese, o cronista saiu pelas ruas do Rio de Janeiro com uma bola e uma câmera filmando cabeçadas de outros cabeludos. Todas sairam chochas. 

Links:

  1. Vídeo de uma emissora alemã, com os gols da partida, com uma impagável participação do repórter Paulo Roberto escalando o time do Bayern.
  2. Trecho de um documentário do Sportv sobre Jairzinho, com imagens rápidas do jogo do Mineirão.
  3. Fernando Sasso narra alguns momentos ada decisão.

O fim da farra

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Comentário do João Chiabi Duarte nestas Páginas Heróicas Digitais:

Hoje, o São Paulo anunciou a venda do volante Hernanes por €11mi (R$25,4 mi) à Lazio.

O valor pode ser comparado ao da venda de Ramires, que rendeu ao Cruzeiro R$22 mi mais 15 meses de aplicação a 1% a.m..

Ramires fez sucesso e já foi revendido ao Chelsea por R$50 mi. Valorizou 110% em um ano.

Mas a farra está acabando. Daqui pra frente, os europeus terão que gastar cada vez mais para tirar jogadores dos times brasileiros.

Não vão mais levar qualquer um, pois o custo de vida anda alto na Europa e os impostos são tributados na fonte.

Antes ninguém ganhava €100 mil no Brasil. Hoje em dia, uns 40 jogadores recebem salários deste porte, aqui.

A Europa já não atrai tanto. E os europeus não podem bancar contratações a qualquer preço.

Por isto, os clubes brasileiros terão que desenvolver outras estratégias pra se financiarem.

Venda de atletas é algo com que eles não poderão mais contar como num passado não muito distante.

No rodapé da lista

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

E-mail enviado pelo Dr. Genibaldo Lucena:

Confiram a lista de clubes detentores de títulos nacionais:

  1. Palmeiras (10)
  2. Santos (9)
  3. Flamengo (8)
  4. Corinthians (7)
  5. São Paulo, Grêmio e Cruzeiro (6)
  6. Vasco e Internacional (4)
  7. Fluminense (3)
  8. Botafogo, Bahia e Sport (2)
  9. Guarani (1978), Coritiba (1985), Atlético (2001), Criciúma (1991), Juventude (1999), Paysandu (2002), Santo André (2004), Paulista (2005) e Atlético-MG (1971) são os monotítulos.

Repararam que o Atlético-MG, além de estar no fim da lista, é o que há mais tempo não comemora um título nacional!

Por isto, sempre aconselho meus amigos atleticanos a procurarem torcedores da Ponte Preta pra se consolarem e não se sentirem tão por baixo.

Abs,

Genibaldo Lucena