Posts com a Tag ‘calor’

Cruzeiro na Libertadores V: 1976, Mundial em BH

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Mauro França e Jorge Santana

Mundial

Com a conquista da Libertadores 1976, o Cruzeiro se credenciou à disputa da Copa Intercontinental, nome oficial do Mundial Interclubes, naquela época disputado em dois jogos entre os campeões da América do Sul e da Europa.

O Bayern Munich, tri-campeão europeu, que se recusara a enfrentar o Independiente nos dois anos anteriores, aceitou jogar contra o Cruzeiro. As partidas foram marcadas para 21nov76 em Munique e 21dez76 em Belo Horizonte.

Excursão

Os jogadores celestes mal puderam comemorar o título da Libertadores. A delegação nem retornou para Beagá, onde certamente teria uma recepção triunfal. De Santiago, o time seguiu diretamente para Paris, escala inicial de uma excursão que se prolongou por todo o mês de agosto.

Nem houve tempo para descanso. Apenas quatro dias depois do histórico 3×2 sobre o River, em 03ago76, o Cruzeiro empatou por 1×1 com o Saint-Étienne, tri-campeão francês e vice-campeão europeu. Em 08ago176, o time celeste venceu o Nice por 4×3, com uma grande exibição.

A excursão continuou na Espanha, onde se realizavam vários torneios de verão, que os clubes brasileiros aproveitavam pra reforçar o caixa. Em La Coruña, no Estádio Riazor, o Cruzeiro disputou o Torneio Tereza Herrera, pela segunda vez consecutiva. Venceu o PSV Eindhoven por 2×0 e perdeu para o Real Madri pelo mesmo placar, com dois gols de pênalti.

No torneio seguinte, no Estádio Vicente Calderón, em Madri, o Cruzeiro perdeu para o Athletic Bilbao por 3×1 e venceu o Racing White, da Bélgica,  por 2×0.

No Ramon Sanchez Pizjuan, em 24ago76, o Cruzeiro empatou com o Sevilla por 1×1, mas foi eliminado nos pênaltis, por 5×3. Raul Plassmann defendeu uma penalidade, mas o juiz mandou repeti-la. Dois dias depois, o campeão sul-americano bateu o Hajduk Split, da Croácia, por 4×2, terminado em 3º lugar no Torneio de Sevilla.  

A excursão encerrou-se em 29ago76, no Estádio Municipal de Almeria com uma vitória por 3×2 sobre o time local. Foram 9 jogos, 5 vitórias, 2 empates, 2 derrotas, 18 gols a favor, 14 contra.

Financeiramente, o saldo da viagem foi ótimo, mas o custo técnico foi alto. Jairzinho, Vanderlei Lázaro, Nelinho e Wilson Piazza voltaram contundidos. Os dois últimos com mais gravidade, ficaram três semanas afastados do Campeonato Brasileiro, na época, chamado Copa Brasil.

Copa Brasil

Em 04set76, menos de uma semana depois do último amistoso na Europa, com cinco desfalques, o Cruzeiro estreou na Copa Brasil empatando com o Botafogo por 0x0 perante 10.294 torcedores, no Mineirão.  

Os desfalques constantes afetaram o rendimento do time. Zezé Moreira jamais conseguiu escalar o time completo no campeonato. Para complicar, Joãozinho também se contundiu com gravidade e ficou de fora da maior parte dos jogos.

Em um grupo de 9 equipes, o Cruzeiro ficou em 2º lugar ao lado de Coritiba, Atlético e São Paulo. Pelos critérios de desempate, ficou na 5ª posição (3 vitórias, uma por mais de dois gols de diferença, que valia 3 pontos; 4 empates e uma derrota). Como somente os quatro primeiros se classificavam, o time celeste teve que disputar a repescagem, que valia uma vaga para a 3ª fase do torneio.

Na repescagem, o Cruzeiro enfrentou Portuguesa, Londrina, Uberaba e Confiança. Somou 8 pontos (3 vitórias, uma de 3 pontos, e 1 empate) e ficou em 2º, um ponto a menos do que a Portuguesa. No último jogo, precisava derrotar o Londrina por dois gols de diferença pra ficar em 1º. Em 27out76, no Mineirão, diante de um público de quase 40 mil torcedores, Palhinha fez 1×0 no início do 2º tempo e foi só. Para surpresa de muitos, a menos de um mês do duelo contra o Bayern, o campeão sul-americano foi eliminado do Brasileiro.  

Racha

A eliminação precoce conturbou o ambiente na Toca. Carmine Furletti, vice-presidente de futebol, e Elias Barburi, o Tóia, diretor de futebol, criticaram Zezé Moreira, cujo esquema de jogo consideravam ultrapassado. Barburi queria a demissão do treinador. Mesmo afastado por doença, Felício Brandi bancou o treinador e responsabilizou os dirigentes, que teriam reforçado mal a equipe, pela desclassificação.

Em meados de outubro, o clube contratou o uruguaio Pablo Forlan, que aos 31 anos estava aposentado em Montevidéu. Zezé Moreira contava com a experiência e a garra do lateral, que disputara duas copas do mundo e havia sido campeão intercontinental com o Peñarol em 1966.  

Inverno

O Cruzeiro embarcou para a Alemanha com problemas. Nelinho, Piazza e Joãozinho vinham de longa inatividade. Dirceu Lopes, há mais de um ano parado, também estava fora de forma. O time estava sem ritmo, pois só jogou duas vezes após a eliminação no Brasileiro. Com equipes mistas, empatou em Maringá, com o Grêmio local, e no Mineirão, com o América carioca, por 0x0.

Além de tricampeão europeu, o Bayern era a base da Seleção Alemã campeã do Mundo em 74. Tinha celebridades como Sepp Maier, Franz Beckenbauer, Gerd Muller e Paul Breitner entre outros. No campeonato alemão, estava em 3º, a 4 pontos do líder.

Os alemães até foram corteses. De acordo com Raul, forneceram agasalhos e material de treino aos cruzeirenses. O próprio goleiro foi presenteado por Maier com luvas apropriadas para jogos com neve.

O jogo foi disputado sob uma nevasca. Em tais condições, o Cruzeiro foi cauteloso. Queria ao menos empatar e trazer a decisão para o Mineirão. Nelinho e Joãozinho, que foi substituído por Dirceu Lopes no 2º tempo, não estiveram bem. Mesmo assim, o time resistiu até os 35 o 2º tempo, quando Ulli Hoeness cruzou da direita, Morais não alcançou e Gerd Muller, na entrada da pequena área, dominou e chutou no canto direito de Raul Plassmann.

Dois minutos depois, Rummenigge começou a jogada pela esquerda, Muller fez corta-luz e Kapellmann, da entrada da área, bateu rasteiro no canto direito de Raul pra definir o placar e colocar os alemães em vantagem na decisão.

  • Cruzeiro 0×2 Bayern München, terça-feira, 23nov76, 1º jogo da decisão do Mundial Interclubes 1976, Olympiastadion, Munique, Alemanha – Público: 22.000 pagantes – Juiz: Luis Pestarino (Argentina) – Gols: Muller, 35, Kapellmann, 37 do 2º tempo – Cruzeiro: Raul Plassmann, Nelinho, Morais, Ozires e Vanderlei Lázaro; Wilson Piazza e Zé Carlos; Eduardo Amorim, Palhinha, Jairzinho e Joãozinho (Dirceu Lopes). Tec: Zezé Moreira / Bayern: Sepp Maier, Bjorn Andersson, Franz Beckenbauer, Hans-Georg Schwarzenbeck e Udo Horsmann; Bernd Dürnberger, Conny Torstensson e Jupp Kapellmann; Uli Hoenes, Gerd Müller e Karl-Heinz Rummenigge. Téc: Dettmar Cramer. 1: Maier, Schwarzenbeck, Beckenbauer, Hoenes, Kapellmann e Muller conquistaram a Copa do Mundo 74 pela Alemanha. 2. Torstensson e Andersson disputaram as Copas de 74 e 78 pela Suécia. 3: Maier jogou as Copas de 66, 70, 74 e 78. Beckenbauer jogou as de 66, 70 e 74 e foi técnico da Alemanha em 86 e 90, quando conquistou o título. 4. Rummenigge tinha 21 anos à época. Era um talento em ascensão. Jogou as Copas de 78, 82 e 86.  

Mesmo apontando a neve como vilã, Nelinho não deixou de observar que muitos jogadores –os principais– estavam fora das suas melhores condições físicas e técnicas, em entrevista à Placar:

  • “A neve deixou o nosso time muito inseguro. Logo no início, perdi umas três bolas bobas porque ia dar o drible e ela corria ao invés de ficar no meu pé. Além disso, eu –como o Jair, o Joãozinho, o Piazza, o Palhinha e o Dirceu– estava em péssimas condições. Tanto que joguei plantado. Só desci umas duas vezes.”

Revanche

Sem compromissos oficiais, os jogadores voltaram à rotina de treinamentos. Palhinha, com dores musculares, e Jairzinho, gripado, não participaram da primeira semana de treinamentos. Zezé Moreira, que pretendia apurar a condição física e técnica do elenco, era só preocupação.

O Cruzeiro disputou apenas um amistoso entre os dois jogos. Em 11dez76, venceu o Uberaba por 3×0, no Mineirão, perante 4 mil torcedores. Raul e Jairzinho ficaram de fora, enquanto Dirceu Lopes e Joãozinho atuaram o tempo todo.

Mesmo reconhecendo a força do adversário, o clima entre os jogadores era de confiança. Todos achavam possível reverter o resultado e conquistar o título. Acreditavam no pouco tempo de adaptação dos alemães ao calor fizessem a diferença, como o frio e a neve tinha feito na Alemanha. Zezé Moreira analisou o adversário e deu a receita para vencê-lo, em entrevista à Placar:

  • “Eles praticamente não têm posição fixa em campo. Há sempre um jogador a mais na marcação dos atacantes adversários e a recuperação deles é impressionante. Temos que partir para um jogo coletivo, rápido e objetivo, como naquelas partidas contra o Internacional, pela Libertadores.”

Zezé Moreira ficou aborrecido com o desfecho do jogo de ida:

  • Nós nunca poderíamos ter nos apavorado com o primeiro gol e partido pra cima deles que nem loucos. Deveríamos ter ficado quietinhos, no nosso esquema, porque a derrota de 1×0 era um excelente resultado para o Cruzeiro. Agora, eles entram aqui com 2×0 no placar. Isso lhes dá muita segurança e apóia qualquer sistema defensivo.

Mas não havia perdido a esperança:

  • Chegaremos lá. Precisamos entrar com os onze jogadores em perfeitas condições técnicas e físicas, caso contrário, será difícil vencer. Estamos treinando duro porque não adianta apenas marcar os gols necessários. É preciso, também, não tomar.

Verão

Enfim, na quinta-feira, 21dez76, o Mineirão recebeu pela primeira e única vez na sua história uma decisão de título mundial. O público oficial foi de 113.715 pagantes.

Saí da Fafich, no Bairro Santo Antônio, por volta de 13h e parei pra tomar cerveja e fazer a resenha do futebol com os colegas no Jorobó, um boteco na Contorno, quase na esquina de Carangola.

Por volta de 15h, saímos para o Mineirão em vários táxis. Eu e o Nílton Figueiredo, colega de Sociologia, tomamos um fusca amarelo sem banco dianteiro.

Na Catalão, sobre o viaduto do Anel Rodoviário, o motorista puxou o freio de mão e recomendou: “Se vocês querem ver o jogo, melhor irem a pé.”

Travou tudo. As pessoas largavam os carros no meio da pista e saiam correndo em direção ao estádio. No estacionamento, saquei o lance: havia dezenas de ônibus de todas as partes do país: Bahia, Rio, Goiás, Espírito Santo, Mato Grosso, Paraná, São Paulo e inúmeras cidades do interior de Minas.

Quando consegui entrar, não havia mais divisão de setores. Tentei furar os bloqueios de cada um dos acessos às arquibancadas, cadeiras e geral, sem sucesso. O Mineirão estava entupido.

O jeito foi assistir à decisão no corredor. Escolhi o Bar 22, cuja televisão, uma Philco com Bombril –aquela palha de aço que dizia ter mil e uma utilidades- nas pontas antenas, atendia a uma multidão incalculável. Havia superlotação até nas áreas de circulação.

No dia seguinte, o Estado de Minas estampava a manchete “Trânsito infernal na ida e na volta. A decisão mudou a vida da cidade”.  Os jornais informaram também sobre a invasão de mais de 20 mil torcedores vindos em caravanas, que não encontrando ingressos à venda, arrombaram os portões do estádio. Esse foi, sem dúvida, o maior público da história do Gigante da Pampulha. (Jorge Santana)

O Bayern chegou à BH no dia do jogo. Os jogadores foram para o hotel, descansaram poucas horas e foram para o Mineirão. Reconheceram o gramado e se aqueceram sob estrepitosas vaias da torcida.

Zezé Moreira escalou uma formação mais ofensiva, com um ataque com Jairzinho pela direita, Palhinha, Dirceu Lopes e Joãozinho. Eduardo ficou no banco.

O calouro de Engenharia, João Chiabi Duarte, relata suas impressões:

“Eu me lembro de ter chegado ao estádio por volta das 16 h. Os portões se abriram por volta das 18 h. Lá dentro, não dava pra levantar e sair, porque se perdia o lugar. O time deles era uma verdadeira seleção campeã do mundo. Fiquei no hall de entrada para vê-los passar. Sepp Mayer o goleiro tinha mãos imensas. Beckenbauer carregava os sacos como qualquer outro jogador. Não tinha essa de roupeiro, cada um fazia a sua parte. Lembro até hoje da cena. O Bayern entrou para aquecer com os seus agasalhos vermelhos da Adidas (sonho de consumo de todos nós naquela época), um calor infernal. Foi a maior vaia que eu já tinha visto em um estádio de futebol…

O Cruzeiro precisava de uma vitória por dois gols no tempo normal para forçar a prorrogação e pênaltis. A gente acreditava demais nos nossos craques. O jogo começou depois das 21h. O Cruzeiro fez uma ótima partida e parou sempre nas mãos de Maier ou nos desarmes fantásticos de Beckenbauer ou do Schwarzenbeck (jogava duro e não perdeu uma antecipação naquele dia). Houve lances incríveis durante o jogo. Uma cabeçada do Jairzinho, de costas, que o Sepp Maier só defendeu porque tinha mãos enormes. Ou a grande defesa do Raul no chute rasteiro e forte do Rumenigge, que ele tirou com a ponta do pé.  

No Cruzeiro, Dirceu Lopes parecia se ressentir da longa inatividade e não conseguia ter vantagem sobre a marcação implacável de Kapellmann. No 2º tempo, Zezé Moreira trocou-o por Forlan, que entrou na lateral direita, e adiantou Nelinho para a meia, para aproveitar o chute do lateral. E ele mandou três ou quatro varadas em direção ao gol alemão. Todas espalmadas ou socadas por Maier.

Rumenigge dava trabalho nos contra-ataques, mas sentiu uma contusão e deu lugar a Arbinger, que entrou para marcar as boas combinações que Nelinho e Forlan faziam pela direita. Palhinha, Joãozinho e Jairzinho brigaram com valentia contra os gigantes do time alemão e criaram as oportunidades. Embora não tivessem feito os gols, lutaram muito, como de resto, todo o time celeste.”

Mesmo sem o título, os jogadores celestes deixaram sob os aplausos da torcida, em reconhecimento pelo que fizeram. Foi um belo espetáculo proporcionado por dois grandes times. Um show de técnica e tática

  • Cruzeiro 0×0 Bayern München, terça-feira, 21dez76, 2º jogo da decisão do Mundial Interclubes-76, Mineirão, Belo Horizonte. Público: 113.715 pagantes – Juiz: Patrick Partridge (Inglaterra) – Cruzeiro: Raul Plassmann, Nelinho, Morais, Ozires e Vanderlei Lázaro; Wilson Piazza (Eduardo Amorim) e Zé Carlos; Jairzinho, Palhinha, Dirceu Lopes (Pablo Forlan) e Joãozinho. Tec: Zezé Moreira / Bayern: Sepp Maier, Bjorn Andersson, Franz Beckenbauer, Hans-Georg Schwarzenbeck e Udo Horsmann, Weiss, Conny Torstensson e Jupp Kapellmann, Uli Hoeness, Gerd Müller e Karl Heinz Rummenigge (Alfred Arbinger). Tec: Dettmar Cramer.  

Alguns lances ficaram da decisão mundial ficaram eternizados: duas incríveis defesas de Raul Plassmann, um drible de Joãozinho deixando o Kaiser Beckenbauer de bunda no chão e uma cabeçada de Jairzinho que, com o arco escancarado, mandou a bola no travessão.

João Saldanha culpou a cabeleira Black Power do atacante pelo desperdício. Segundo ele, a bola amorteceu naquela touceira ornamental. Para provar sua tese, o cronista saiu pelas ruas do Rio de Janeiro com uma bola e uma câmera filmando cabeçadas de outros cabeludos. Todas sairam chochas. 

Links:

  1. Vídeo de uma emissora alemã, com os gols da partida, com uma impagável participação do repórter Paulo Roberto escalando o time do Bayern.
  2. Trecho de um documentário do Sportv sobre Jairzinho, com imagens rápidas do jogo do Mineirão.
  3. Fernando Sasso narra alguns momentos ada decisão.

Aeroporto vazio

domingo, 4 de julho de 2010

Os irmãos Wellington e Lessinho embarcaram no voo que trouxe de Curitiba a dupla Cuca e Cuquinha para o Cruzeiro.

Prosa descontraída, os mineiros satisfeitos pelos bons negócios feitos na capital do Paraná, os paranaenses na certeza de que também se dariam bem na capital de Minas.

Em Confins, o Cuca mais velho se surpreendeu com a falta de público. Nenhum torcedor ou diretor reconhecível do Cruzeiro estava à sua espera.

Havia, no máximo cinco repórteres. Ele comentou entre desapontado e irônico:

– Puxa vida, nem a Máfia Azul veio me receber.

Os irmãos mineiros, ambos atleticanos, não perderam a oportunidade:

– Já vai começar a chorar, cedo assim, Cuca?

Risos. E cada dupla tomou seu caminho.

Cuca chegou como Adílson Baptista. Não era o preferido da megalomaníaca torcida cruzeirense.

Mourinho, Capello e Luxa -os três maiores do mundo segundo microfonistas da rádia e seus teleguiados- teriam recepção mais calorosa.

Não tem problema. Importante é presentear logo a concorrência com um Simca Zero pra irritar emplumados e hienas.

Deixar esta galera espumando é o que há…

Ceará 1×0 Cruzeiro: Jogar só um tempo não bastou

domingo, 30 de maio de 2010

(mais…)

Vidigal: “Menos mal, não ter castigo no final”

quinta-feira, 18 de março de 2010

Pitacos de protagonistas e blogueiros acerca do Cruzeiro 0×0 África do Sul, em 17mar10, no Mineirão.

  1. Davids, armador da África do Sul: Estamos fazendo esse mês de treinamento no Brasil jogando contra bons times como o que jogamos aqui, pra ver o que precisamos melhorar e se o que estamos fazendo está  bom. Temos ido bem na defesa, agora temos que fazer os gols.
  2. Carlos Alberto Parreira, técnico da África do Sul: É evidente que quem nunca jogou num estádio desse, contra uma equipe com esse nível do Cruzeiro fica intimidado. Jogadores jovens sentem o peso dessa responsabilidade. Então a gente tem que melhorar essa confiança de ficar mais com a bola, errar menos passes. Mas isso só vem com a sequência de jogos e manutenção de uma equipe. Esse trabalho foi encorajador. Pra nós o resultado foi bom. O Cruzeiro está bem. Tem um time muito bom tecnicamente, dois atacantes de peso, de força, dois laterais que sobem com muita precisão. Roger está começando a se integrar, ele dá qualidade à equipe. Tem um goleiro excepcional, dos melhores do Brasil, que tem provado isso a cada partida. No final, poderíamos ter feito dois gols e o Fábio os evitou. O 0x0 foi justo. O Cruzeiro com a posse da bola e nós nos defendendo bem. Agradecemos o Cruzeiro por ter nos recebido. Não só ter jogado no Mineirão com a equipe principal, mas pelo acolhimento caloroso, afetuoso, desde o aeroporto, o almoço. Vamos treinar lá amanhã com os jogadores que não atuaram. Queremos agradecer imensamente ao presidente Perrella por essa acolhida. Nosso jogadores estão deslumbrados, porque foi realmente emocionante.
  3. Adílson Batista, treinador do Cruzeiro: Foi bom. Em amistoso, geralmente você evita jogadas mais ríspidas, tira o pé, o ritmo não é tão forte como em campeonato. Mas acho que foi proveitoso em função de sistema, o Cruzeiro tentou rodar a bola, trabalhar. Tivemos dificuldades, erramos alguns passes, não tivemos penetração. Tentamos mudar, tivemos mais volume, criamos oportunidades. Você olha o jogo do Barcelona e vê que todo mundo dá um, dois, no máximo três toques na bola. O Messi é quem carrega a bola, mas sendo objetivo, em cima do marcador, em direção ao gol. A gente quer dar, três, quatro, cinco toques, segurar, é cultural. Demora pra tirar alguns vícios. Nesse aspecto é importante a disciplina tática.
  4. Guilherme Mendes, diretor de Comunicação: Foi um orgulho pra nós receber a seleção anfitriã da Copa e ter o nome do Cruzeiro divulgado no exterior.
  5. Fábio, goleiro do Cruzeiro: Fico satisfeito pelo reconhecimento. Estou fazendo um trabalho produtivo no Cruzeiro ao longo desses anos. Infelizmente, não chegou ainda ao treinador da seleção, mas espero que ele comece a me observar com carinho e me dê a oportunidade que tanto almejo ao longo desses anos. Parreira brincou que eu tinha tirado o bicho dele e falou que eu vivo um grande momento, me deu os parabéns. Isso me fortalece pra melhorar a cada dia nos treinamentos, com bastante respeito pelos companheiros e também pelos outros goleiros do Brasil e do exterior que buscam um lugar na seleção, o sonho de todo jogador. Já tive várias oportunidades de ser convocado com o Parreira. Se ele fosse o treinador, poderia acontecer. A concorrência é grande, mas me sinto preparado pra estar entre os três goleiros que vão à Copa pelo que venho demonstrando ao longo desses anos. No momento, penso em fazer o melhor pra ter oportunidade em 2010. Senão, vou continuar trabalhando e empenhando ainda mais pra estar sempre bem. É lógico que a Copa no Brasil será uma felicidade pra todos os brasileiros e todo mundo quer participar de uma forma ou de outra.
  6. Henrique, volante do Cruzeiro: É gratificante pro atleta, claro que a gente fica feliz. Não foi um treinador qualquer que fez um elogio desse. É campeão do mundo, trabalhou com grandes seleções, então fico feliz. É continuar nesse mesmo ritmo, nessa mesma pegada, pra crescer sempre, melhorando pra ajudar a equipe do Cruzeiro. Claro que a gente sempre sonha com coisas maiores, jogar pela seleção. A gente busca esse objetivo, mas sem deixar subir à cabeça. Tem que trabalhar, porque existem grandes jogadores. Preciso crescer gradativamente, trabalhar, conquistar espaço. Isso vem com o tempo. Tenho que continuar na mesma batalha e focado.
  7. Bernardo, meia do Cruzeiro: É uma boa experiência boa jogar contra uma seleção. Tiramos muita coisa. Enfrentamos uma seleção de muito toque de bola, muitos dribles e velocidade. Foi um bom aprendizado.
  8. Roger, meia do Cruzeiro: A África do Sul passa por um processo de reformulação. Vinha com o Parreira, trocou pelo Joel Santana, voltou o Parreira. Veio aqui e fez um jogo morno, pois é véspera de Copa do Mundo e todo mundo quer se poupar. Nós também, pois temos uma competição importante. Foi meio chato de se ver, mas faz parte.
  9. Kleber, atacante do Cruzeiro: Foi um jogo bom pros dois lados. Pudemos trabalhar tranquilamente e ninguém saiu machucado. Temos competições importantes e precisamos de todos inteiros pra avançarmos ainda mais. Foi uma oportunidade pra treinar, trabalhar, melhorar, tanto nós como eles. A gente sabe que faltaram os jogadores que atuam na Europa, então, essa seleção tem muito pra melhorar. Mas é uma boa seleção, trabalha bem. A qualidade técnica parece com a do futebol brasileiro.
  10. Leandro Mattos, em seu blog: No Mineirão, o Cruzeiro recebeu a África do Sul de Carlos Alberto Parreira, num amistoso internacional. Foi um jogo tecnicamente fraco, sem muita inspiração de ambos os lados. Os celestes foram superiores e só não venceram porque foram muito displicentes nas finalizações, numa noite segura do goleiro Khune. No final do jogo, Fábio também foi decisivo. Nos últimos cinco minutos, fez duas defesas importantes e impediu que a zebra invadisse o gramado do ‘Gigante da Pampulha’. Com México, Uruguai e França como companheiros de Grupo, Parreira terá muito trabalho para colocar os Bafana Bafana nas oitavas-de-final da Copa do Mundo 2010.
  11. Fabio Velame, no PHD: Não há muito que comentar. Foi um jogo morno. O Cruzeiro teve mais posse de bola, mas não sabia o que fazer com ela. As melhores chances foram da seleção africana e, não fosse o Fábio, a vitória seria dela. A única grande chance do Cruzeiro aconteceu no 1º tempo com Roger na grande área batendo em cima do goleiro. O resto foram chutes de fora da área, uma deles numa falta cobrada pro Bernardo, no travessão, e bolas levantadas para conclusões de cabeça fáceis pro goleiro. Apesar de ter sido amistoso, achei o time meio sem criatividade.
  12. Leo Vidigal, no PHD: Parece que os jogadores se arriscaram menos nas divididas, preferindo mais um belo passe, por isso erraram mais.  Foi um amistoso normal, talvez meio fora de hora, mas não deixa de ser interessante. Menos mal que o time não levou o castigo no final, graças ao Fábio. Pena aquela bola do Bernardo não ter entrado, ele realmente procurou o jogo e merecia um gol. 
  13. Vidotti, no PHD: Não tem como cobrar que cantem o hino se a organização não planeja a execução em conjunto com a torcida. Da arquibancada, não dá pra escutar o que a banda está tocando no gramado. Porque não utilizaram o serviço de auto-falantes para reproduzir o hino? Não entendi o motivo. Na final da Libertadores, o hino foi cantado por todo o estádio. Ontem, não foi questão de falta de educação e sim de falta de planejamento. Ontem, nada foi anunciado pelo sistema de som do Mineirão, ai fica dificil cobrar alguma coisa.
  14. Rosan Amaral, no PHD: Assisti ao jogo ao lado do Dr. Adriano, irmão do Sivercan. O nome do jogo foi Carlos Alberto Parreira. O 1º tempo foi horrível como espetáculo. Sobrou o desempenho tático dos bafana bafana com 2 linhas de 4 fechando da meta sul-africana e impossibilitando a penetração dos cruzeirenses. Parreira sabe posicionar uma defesa. No 2º tempo, Pele abriu sua equipe e jogou de igual para igual, chegando ao requinte do 4-3-3 em alguns momentos. O jogo ficou muito movimentado. O Cruzeiro perdeu mais gols que os leões, mas a última bola do jogo foi perdida pelo atacante africano cara a cara com o Fábio. Mais enclorpada, esta seleção poderá surpreender México ou Franca. Destaque também para o preparo físico dela. A movimentação no 90º foi a mesma do 1º minuto.
  15. Walterson Almeida, no PHD: Este amistoso fez muito bem à África do Sul. Reparem que nos últimos 20 minutos eles jogaram igualzinho ao Cruzeiro, tocando a bola e fazendo-a girar. Aí foi a vez dos celestes ficarem correndo atrás da bola. Pelo que li sobre o jogo, era exatamente isto que o Pé de Uva buscava para seu time. O futebol do Bernardo cresce a cada jogo, embora ele continue segurando muito a bola e tentando resolver sozinho. Passe a bola, rapá!

Bernardo: “Este ano, só vou jogar futebol”

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Comentários de protagonistas e blogueiros acerrca do Caldense 0×2 Cruzeiro, no Ronaldo Junqueira, Poços de Caldas, em 13fev10, pela 4ª rodada do Campeonato Mineiro 2010.

  1. Adílson Baptista, treinador do Cruzeiro: Futebol tem choque, futebol é para homem. Às vezes isso acontece, o importante é ter critério, calma. Os jogos no interior são mais truncados, a Caldense fez 20 faltas com apenas 30 minutos. O cartão vermelho foi em função de o Wellington ter subido no alambrado, não por falta maldosa. É claro que vamos conversar, pois precisamos terminar com os 11 jogadores e uma expulsão acaba sobrecarregando, pois o técnico tem que fazer alterações que não quer, por causa do desgaste. O importante é a vitória e, se não tirarem pontos da gente de novo, pois às vezes eles tiram, por enquanto estamos em 2º lugar. O time teve tranquilidade. Gilberto jogou bem, assim como o Bernardo, o Eli, que entrou bem pelo lado direito e o Eliandro. E os três lá atrás também estavam firmes. Importante era vencer o jogo. Agora, vamos descansar. Na terça-feira, a gente começa a pensar no clássico. Bernardo jogou bem, mas temos que ter calma. Vamos ter paciência, pois temos que ver contra quem que é e aonde que é. Essas coisas a imprensa precisa analisar. Quem foi o marcador? Eu vejo futebol assim. Às vezes se joga contra determinado adversário ou determinado marcador e já falam que é o Pelé. E Pelé não vai existir nunca mais.
  2. (mais…)

Os perigos desta vida

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Quando foi jogar em Potosi, o Cruzeiro enfrentou:

  1. Pirambeiras em estradas sinuosas;
  2. Ar rarefeito; e
  3. Vigília em aeroporto. (mais…)