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O novo Mineirão: projeto verde, cofres azuis

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Última parte da entrevista com Marcílio Lana, do Grupo Gestor da Copa 2014:

Projeto verde

Depoimento de Marcílio Lana:

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Pitacos selecionados

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Alguns comentários sobre posts recentes valem a pena ser lidos (ou relidos), pois vão além da equizofrenia geral. Abordam com humor e pertinência os temas propostos sem resvalarem para a grosseria e o palanquismo típico dos áukicos.

Alguns deles:

Moema Fox, no PHD: Cada cabeça, uma sentença. Tênis é esporte de elite? Pode ser. Era muito mais na minha infância. E eu não tinha dinheiro nem pras munhequeiras. Assistia Ivan Lendl e Steffi Graf e sonhava um dia poder jogar. Ganhei uma raquete usada, daquelas de madeira, de uma vizinha. Aprendi a jogar tênis sozinha, batendo bola na parede do quintal de casa e procurando fazer igual aos profissionais. A primeira vez que joguei em quadra de verdade, já era adolescente, e foi a realização de um sonho. E as coisas foram melhorando, tive aulas, comprei raquetes boas, me diverti à beça com o esporte de burguês. Mas desculpem-me, eu estava enganada. Deveria era ter ficado chutando uma bola no lote baldio perto de casa ao invés de sonhar com coisas melhores. Absurdo!

Daniel Loures, no PHD: Concordo em gênero, número e grau com a Moema. Ao invés de apoiarmos o prática de esportes, seja ele qual for, rotulamos oas modalidades. Chamar um esporte de burguês ou de maricas, tende à estupidez.Temos que incentivar a prática de esportes em todos os meios sociais. Pensar que só o futebol é a salvação é retrogado. E não temos que usar o esporte com o objetivo de lucro, de se dar bem na vida e sim como forma de inclusão social. Se uma quadra de tênis foi criada temos que aplaudir.

Velho  Damas, no PHD: Petequeiro, euuu??? Na minha região de origem, além da tradicional pelada, era chegado numa caixeta, pif, truco e sem dúvida fui um dos mais destacados levantadores do copo Lagoinha. Agora, no rancho do Rio Pilões aqui em New Farm, descobri uma nova modalidade: pesca esportiva etílica. Ainda mais depois que inventaram um barrilzinho verde de 5 litros. Aí foi que o trem ficou bom demais!!! Desse jeito chego aos 90 fácil, fácil!!!

Chaves, no PHD: Eita, como tem gente nervosa e complexada no blog! Uma semana em que a Cleo Pires sai na Playboy e Luciana Vendramini no Paparazzo não tem como ser ruim. E vocês aí reclamando de trabalho, política, futebol… 

Eduardo Arreguy, no PHD: Particularmente, acho tênis realmente um esporte elitista. Não viram domingo, no ipatingão? Só porque um cara resolveu jogar tênis, o povão comeu ele na porrada, o que mostra que além de elista, pode ser também um esporte muito violento. Deve ser por isto que o rapaz queria uma quadra só pra ele.

Matheus Reis, no PHD: Não vi jogos suficientes do Montillo, mas vi os dois jogos contra o Chivas e gostei. Chamou a responsabilidade pra si embora seu time não tenha se classificado. Além disso, é jogador criado. Acho que não corre o risco de se deslumbrar com as belezas etílicas, gastronômicas e femininas de BH. Que a documentação chegue logo e que ele estreie no Domingo.

Elias Guimarães, no PHD: Fiquei impressionado com Montillo desde a primeira vez que o vi jogar, com mais atenção, contra o Fla no Marqaca e no Santa Lúcia. Ele joga de cabeça alta, pensa rápido e tem viradas de bola, passes longos (nem digo lançamentos de tão perfeitos que são). Agora, precisamos recuperar o mais breve possível o Leonardo Silva,que vai cansar de marcar gols de cabeça e se tornar artilheiro do Brasileiro. Sóa não apostam no Montillo yna parcela daa imprensa galinácea louquinha de raiva pela boa contratação celeste e e certos “torcedores” do Cruzeiro, adeptos do fogo amigo, chamados carinhosamente de seca-pimenteiras…

Vinícius Cabral, no PHD: Thiago Heleno jogou quatro temporadas pelo Cruzeiro e tem apenas 21 anos. É muito novo! Ele parecia ter uns 24 ou 25 anos… A que ponto chega a intolerância de alguns torcedores com jogadores da base. Me lembro dele ser vaiado antes de completar 20 anos. Bom, caso seja vendido, desejo a ele toda a sorte do mundo. Acho que terá um futuro brilhante.

Victor Pimentel, no PHD: Nem vou levar em conta o jogo do Montillo contra o Flamengo, porque ali foi jogar contra ninguém. Mas gostei dele no jogo de volta da Libertadores contra o Chivas.

Elias Guimarães, no PHD: Brasile USA foi bom divertimento. E com uma linda bandeira do Cruzeiro ao vivo em HD sendo mostrada para o mundo todo. O bom futebol praticado pelo Brasil resultou no 2×0 d0 1º tempo. Ramires sobrando, com direito a passe primoroso pro 2º gol do Brasil. E ainda teve Neymar, Ganso e Robinho deitando e rolando praá cima dos “cintura dura”…

Maurício Sangue Azul, no PHD: Parabéns Matheus Reis! Aliás, aos dois Matheus. Tanto o Penido quanto o Reis escrevem muito bom. Têm excelente visão do jogo e analism bem as atuações individuais. Acho muito bom a turma ajudar o Sìndico nos posts pra desafogá-lo no dia a dia, e não ficar cansativo pra ele. Por causa da idade avançada, o Homem tem que tirar uma soneca à tarde pra recarregar as pilhas. kkk

Cruzeiro na Libertadores V: 1976, Mundial em BH

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Mauro França e Jorge Santana

Mundial

Com a conquista da Libertadores 1976, o Cruzeiro se credenciou à disputa da Copa Intercontinental, nome oficial do Mundial Interclubes, naquela época disputado em dois jogos entre os campeões da América do Sul e da Europa.

O Bayern Munich, tri-campeão europeu, que se recusara a enfrentar o Independiente nos dois anos anteriores, aceitou jogar contra o Cruzeiro. As partidas foram marcadas para 21nov76 em Munique e 21dez76 em Belo Horizonte.

Excursão

Os jogadores celestes mal puderam comemorar o título da Libertadores. A delegação nem retornou para Beagá, onde certamente teria uma recepção triunfal. De Santiago, o time seguiu diretamente para Paris, escala inicial de uma excursão que se prolongou por todo o mês de agosto.

Nem houve tempo para descanso. Apenas quatro dias depois do histórico 3×2 sobre o River, em 03ago76, o Cruzeiro empatou por 1×1 com o Saint-Étienne, tri-campeão francês e vice-campeão europeu. Em 08ago176, o time celeste venceu o Nice por 4×3, com uma grande exibição.

A excursão continuou na Espanha, onde se realizavam vários torneios de verão, que os clubes brasileiros aproveitavam pra reforçar o caixa. Em La Coruña, no Estádio Riazor, o Cruzeiro disputou o Torneio Tereza Herrera, pela segunda vez consecutiva. Venceu o PSV Eindhoven por 2×0 e perdeu para o Real Madri pelo mesmo placar, com dois gols de pênalti.

No torneio seguinte, no Estádio Vicente Calderón, em Madri, o Cruzeiro perdeu para o Athletic Bilbao por 3×1 e venceu o Racing White, da Bélgica,  por 2×0.

No Ramon Sanchez Pizjuan, em 24ago76, o Cruzeiro empatou com o Sevilla por 1×1, mas foi eliminado nos pênaltis, por 5×3. Raul Plassmann defendeu uma penalidade, mas o juiz mandou repeti-la. Dois dias depois, o campeão sul-americano bateu o Hajduk Split, da Croácia, por 4×2, terminado em 3º lugar no Torneio de Sevilla.  

A excursão encerrou-se em 29ago76, no Estádio Municipal de Almeria com uma vitória por 3×2 sobre o time local. Foram 9 jogos, 5 vitórias, 2 empates, 2 derrotas, 18 gols a favor, 14 contra.

Financeiramente, o saldo da viagem foi ótimo, mas o custo técnico foi alto. Jairzinho, Vanderlei Lázaro, Nelinho e Wilson Piazza voltaram contundidos. Os dois últimos com mais gravidade, ficaram três semanas afastados do Campeonato Brasileiro, na época, chamado Copa Brasil.

Copa Brasil

Em 04set76, menos de uma semana depois do último amistoso na Europa, com cinco desfalques, o Cruzeiro estreou na Copa Brasil empatando com o Botafogo por 0x0 perante 10.294 torcedores, no Mineirão.  

Os desfalques constantes afetaram o rendimento do time. Zezé Moreira jamais conseguiu escalar o time completo no campeonato. Para complicar, Joãozinho também se contundiu com gravidade e ficou de fora da maior parte dos jogos.

Em um grupo de 9 equipes, o Cruzeiro ficou em 2º lugar ao lado de Coritiba, Atlético e São Paulo. Pelos critérios de desempate, ficou na 5ª posição (3 vitórias, uma por mais de dois gols de diferença, que valia 3 pontos; 4 empates e uma derrota). Como somente os quatro primeiros se classificavam, o time celeste teve que disputar a repescagem, que valia uma vaga para a 3ª fase do torneio.

Na repescagem, o Cruzeiro enfrentou Portuguesa, Londrina, Uberaba e Confiança. Somou 8 pontos (3 vitórias, uma de 3 pontos, e 1 empate) e ficou em 2º, um ponto a menos do que a Portuguesa. No último jogo, precisava derrotar o Londrina por dois gols de diferença pra ficar em 1º. Em 27out76, no Mineirão, diante de um público de quase 40 mil torcedores, Palhinha fez 1×0 no início do 2º tempo e foi só. Para surpresa de muitos, a menos de um mês do duelo contra o Bayern, o campeão sul-americano foi eliminado do Brasileiro.  

Racha

A eliminação precoce conturbou o ambiente na Toca. Carmine Furletti, vice-presidente de futebol, e Elias Barburi, o Tóia, diretor de futebol, criticaram Zezé Moreira, cujo esquema de jogo consideravam ultrapassado. Barburi queria a demissão do treinador. Mesmo afastado por doença, Felício Brandi bancou o treinador e responsabilizou os dirigentes, que teriam reforçado mal a equipe, pela desclassificação.

Em meados de outubro, o clube contratou o uruguaio Pablo Forlan, que aos 31 anos estava aposentado em Montevidéu. Zezé Moreira contava com a experiência e a garra do lateral, que disputara duas copas do mundo e havia sido campeão intercontinental com o Peñarol em 1966.  

Inverno

O Cruzeiro embarcou para a Alemanha com problemas. Nelinho, Piazza e Joãozinho vinham de longa inatividade. Dirceu Lopes, há mais de um ano parado, também estava fora de forma. O time estava sem ritmo, pois só jogou duas vezes após a eliminação no Brasileiro. Com equipes mistas, empatou em Maringá, com o Grêmio local, e no Mineirão, com o América carioca, por 0x0.

Além de tricampeão europeu, o Bayern era a base da Seleção Alemã campeã do Mundo em 74. Tinha celebridades como Sepp Maier, Franz Beckenbauer, Gerd Muller e Paul Breitner entre outros. No campeonato alemão, estava em 3º, a 4 pontos do líder.

Os alemães até foram corteses. De acordo com Raul, forneceram agasalhos e material de treino aos cruzeirenses. O próprio goleiro foi presenteado por Maier com luvas apropriadas para jogos com neve.

O jogo foi disputado sob uma nevasca. Em tais condições, o Cruzeiro foi cauteloso. Queria ao menos empatar e trazer a decisão para o Mineirão. Nelinho e Joãozinho, que foi substituído por Dirceu Lopes no 2º tempo, não estiveram bem. Mesmo assim, o time resistiu até os 35 o 2º tempo, quando Ulli Hoeness cruzou da direita, Morais não alcançou e Gerd Muller, na entrada da pequena área, dominou e chutou no canto direito de Raul Plassmann.

Dois minutos depois, Rummenigge começou a jogada pela esquerda, Muller fez corta-luz e Kapellmann, da entrada da área, bateu rasteiro no canto direito de Raul pra definir o placar e colocar os alemães em vantagem na decisão.

  • Cruzeiro 0×2 Bayern München, terça-feira, 23nov76, 1º jogo da decisão do Mundial Interclubes 1976, Olympiastadion, Munique, Alemanha – Público: 22.000 pagantes – Juiz: Luis Pestarino (Argentina) – Gols: Muller, 35, Kapellmann, 37 do 2º tempo – Cruzeiro: Raul Plassmann, Nelinho, Morais, Ozires e Vanderlei Lázaro; Wilson Piazza e Zé Carlos; Eduardo Amorim, Palhinha, Jairzinho e Joãozinho (Dirceu Lopes). Tec: Zezé Moreira / Bayern: Sepp Maier, Bjorn Andersson, Franz Beckenbauer, Hans-Georg Schwarzenbeck e Udo Horsmann; Bernd Dürnberger, Conny Torstensson e Jupp Kapellmann; Uli Hoenes, Gerd Müller e Karl-Heinz Rummenigge. Téc: Dettmar Cramer. 1: Maier, Schwarzenbeck, Beckenbauer, Hoenes, Kapellmann e Muller conquistaram a Copa do Mundo 74 pela Alemanha. 2. Torstensson e Andersson disputaram as Copas de 74 e 78 pela Suécia. 3: Maier jogou as Copas de 66, 70, 74 e 78. Beckenbauer jogou as de 66, 70 e 74 e foi técnico da Alemanha em 86 e 90, quando conquistou o título. 4. Rummenigge tinha 21 anos à época. Era um talento em ascensão. Jogou as Copas de 78, 82 e 86.  

Mesmo apontando a neve como vilã, Nelinho não deixou de observar que muitos jogadores –os principais– estavam fora das suas melhores condições físicas e técnicas, em entrevista à Placar:

  • “A neve deixou o nosso time muito inseguro. Logo no início, perdi umas três bolas bobas porque ia dar o drible e ela corria ao invés de ficar no meu pé. Além disso, eu –como o Jair, o Joãozinho, o Piazza, o Palhinha e o Dirceu– estava em péssimas condições. Tanto que joguei plantado. Só desci umas duas vezes.”

Revanche

Sem compromissos oficiais, os jogadores voltaram à rotina de treinamentos. Palhinha, com dores musculares, e Jairzinho, gripado, não participaram da primeira semana de treinamentos. Zezé Moreira, que pretendia apurar a condição física e técnica do elenco, era só preocupação.

O Cruzeiro disputou apenas um amistoso entre os dois jogos. Em 11dez76, venceu o Uberaba por 3×0, no Mineirão, perante 4 mil torcedores. Raul e Jairzinho ficaram de fora, enquanto Dirceu Lopes e Joãozinho atuaram o tempo todo.

Mesmo reconhecendo a força do adversário, o clima entre os jogadores era de confiança. Todos achavam possível reverter o resultado e conquistar o título. Acreditavam no pouco tempo de adaptação dos alemães ao calor fizessem a diferença, como o frio e a neve tinha feito na Alemanha. Zezé Moreira analisou o adversário e deu a receita para vencê-lo, em entrevista à Placar:

  • “Eles praticamente não têm posição fixa em campo. Há sempre um jogador a mais na marcação dos atacantes adversários e a recuperação deles é impressionante. Temos que partir para um jogo coletivo, rápido e objetivo, como naquelas partidas contra o Internacional, pela Libertadores.”

Zezé Moreira ficou aborrecido com o desfecho do jogo de ida:

  • Nós nunca poderíamos ter nos apavorado com o primeiro gol e partido pra cima deles que nem loucos. Deveríamos ter ficado quietinhos, no nosso esquema, porque a derrota de 1×0 era um excelente resultado para o Cruzeiro. Agora, eles entram aqui com 2×0 no placar. Isso lhes dá muita segurança e apóia qualquer sistema defensivo.

Mas não havia perdido a esperança:

  • Chegaremos lá. Precisamos entrar com os onze jogadores em perfeitas condições técnicas e físicas, caso contrário, será difícil vencer. Estamos treinando duro porque não adianta apenas marcar os gols necessários. É preciso, também, não tomar.

Verão

Enfim, na quinta-feira, 21dez76, o Mineirão recebeu pela primeira e única vez na sua história uma decisão de título mundial. O público oficial foi de 113.715 pagantes.

Saí da Fafich, no Bairro Santo Antônio, por volta de 13h e parei pra tomar cerveja e fazer a resenha do futebol com os colegas no Jorobó, um boteco na Contorno, quase na esquina de Carangola.

Por volta de 15h, saímos para o Mineirão em vários táxis. Eu e o Nílton Figueiredo, colega de Sociologia, tomamos um fusca amarelo sem banco dianteiro.

Na Catalão, sobre o viaduto do Anel Rodoviário, o motorista puxou o freio de mão e recomendou: “Se vocês querem ver o jogo, melhor irem a pé.”

Travou tudo. As pessoas largavam os carros no meio da pista e saiam correndo em direção ao estádio. No estacionamento, saquei o lance: havia dezenas de ônibus de todas as partes do país: Bahia, Rio, Goiás, Espírito Santo, Mato Grosso, Paraná, São Paulo e inúmeras cidades do interior de Minas.

Quando consegui entrar, não havia mais divisão de setores. Tentei furar os bloqueios de cada um dos acessos às arquibancadas, cadeiras e geral, sem sucesso. O Mineirão estava entupido.

O jeito foi assistir à decisão no corredor. Escolhi o Bar 22, cuja televisão, uma Philco com Bombril –aquela palha de aço que dizia ter mil e uma utilidades- nas pontas antenas, atendia a uma multidão incalculável. Havia superlotação até nas áreas de circulação.

No dia seguinte, o Estado de Minas estampava a manchete “Trânsito infernal na ida e na volta. A decisão mudou a vida da cidade”.  Os jornais informaram também sobre a invasão de mais de 20 mil torcedores vindos em caravanas, que não encontrando ingressos à venda, arrombaram os portões do estádio. Esse foi, sem dúvida, o maior público da história do Gigante da Pampulha. (Jorge Santana)

O Bayern chegou à BH no dia do jogo. Os jogadores foram para o hotel, descansaram poucas horas e foram para o Mineirão. Reconheceram o gramado e se aqueceram sob estrepitosas vaias da torcida.

Zezé Moreira escalou uma formação mais ofensiva, com um ataque com Jairzinho pela direita, Palhinha, Dirceu Lopes e Joãozinho. Eduardo ficou no banco.

O calouro de Engenharia, João Chiabi Duarte, relata suas impressões:

“Eu me lembro de ter chegado ao estádio por volta das 16 h. Os portões se abriram por volta das 18 h. Lá dentro, não dava pra levantar e sair, porque se perdia o lugar. O time deles era uma verdadeira seleção campeã do mundo. Fiquei no hall de entrada para vê-los passar. Sepp Mayer o goleiro tinha mãos imensas. Beckenbauer carregava os sacos como qualquer outro jogador. Não tinha essa de roupeiro, cada um fazia a sua parte. Lembro até hoje da cena. O Bayern entrou para aquecer com os seus agasalhos vermelhos da Adidas (sonho de consumo de todos nós naquela época), um calor infernal. Foi a maior vaia que eu já tinha visto em um estádio de futebol…

O Cruzeiro precisava de uma vitória por dois gols no tempo normal para forçar a prorrogação e pênaltis. A gente acreditava demais nos nossos craques. O jogo começou depois das 21h. O Cruzeiro fez uma ótima partida e parou sempre nas mãos de Maier ou nos desarmes fantásticos de Beckenbauer ou do Schwarzenbeck (jogava duro e não perdeu uma antecipação naquele dia). Houve lances incríveis durante o jogo. Uma cabeçada do Jairzinho, de costas, que o Sepp Maier só defendeu porque tinha mãos enormes. Ou a grande defesa do Raul no chute rasteiro e forte do Rumenigge, que ele tirou com a ponta do pé.  

No Cruzeiro, Dirceu Lopes parecia se ressentir da longa inatividade e não conseguia ter vantagem sobre a marcação implacável de Kapellmann. No 2º tempo, Zezé Moreira trocou-o por Forlan, que entrou na lateral direita, e adiantou Nelinho para a meia, para aproveitar o chute do lateral. E ele mandou três ou quatro varadas em direção ao gol alemão. Todas espalmadas ou socadas por Maier.

Rumenigge dava trabalho nos contra-ataques, mas sentiu uma contusão e deu lugar a Arbinger, que entrou para marcar as boas combinações que Nelinho e Forlan faziam pela direita. Palhinha, Joãozinho e Jairzinho brigaram com valentia contra os gigantes do time alemão e criaram as oportunidades. Embora não tivessem feito os gols, lutaram muito, como de resto, todo o time celeste.”

Mesmo sem o título, os jogadores celestes deixaram sob os aplausos da torcida, em reconhecimento pelo que fizeram. Foi um belo espetáculo proporcionado por dois grandes times. Um show de técnica e tática

  • Cruzeiro 0×0 Bayern München, terça-feira, 21dez76, 2º jogo da decisão do Mundial Interclubes-76, Mineirão, Belo Horizonte. Público: 113.715 pagantes – Juiz: Patrick Partridge (Inglaterra) – Cruzeiro: Raul Plassmann, Nelinho, Morais, Ozires e Vanderlei Lázaro; Wilson Piazza (Eduardo Amorim) e Zé Carlos; Jairzinho, Palhinha, Dirceu Lopes (Pablo Forlan) e Joãozinho. Tec: Zezé Moreira / Bayern: Sepp Maier, Bjorn Andersson, Franz Beckenbauer, Hans-Georg Schwarzenbeck e Udo Horsmann, Weiss, Conny Torstensson e Jupp Kapellmann, Uli Hoeness, Gerd Müller e Karl Heinz Rummenigge (Alfred Arbinger). Tec: Dettmar Cramer.  

Alguns lances ficaram da decisão mundial ficaram eternizados: duas incríveis defesas de Raul Plassmann, um drible de Joãozinho deixando o Kaiser Beckenbauer de bunda no chão e uma cabeçada de Jairzinho que, com o arco escancarado, mandou a bola no travessão.

João Saldanha culpou a cabeleira Black Power do atacante pelo desperdício. Segundo ele, a bola amorteceu naquela touceira ornamental. Para provar sua tese, o cronista saiu pelas ruas do Rio de Janeiro com uma bola e uma câmera filmando cabeçadas de outros cabeludos. Todas sairam chochas. 

Links:

  1. Vídeo de uma emissora alemã, com os gols da partida, com uma impagável participação do repórter Paulo Roberto escalando o time do Bayern.
  2. Trecho de um documentário do Sportv sobre Jairzinho, com imagens rápidas do jogo do Mineirão.
  3. Fernando Sasso narra alguns momentos ada decisão.

Espanha 1×0 Alemanha: Uma estranha na final

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Às 15h30 (Brasília), no Estádio Moses Mabhida, em Durban, as badaladas Espanha e Alemanha decidem quem enfrentará a Holanda, a seleção mais eficiente, na decisão da Copa 2010.

O jogo será arbitrado pelo húngaro Vikto Kassai.

Vicente Del Bosque lança a Espanha com Casillas; Rsmos, Puyol, Piqué, Capdevila; Busquets, Xabi Alonso, Xavi e Iniesta; Villa y Pedro.

Joachim Löw escala a Alemanha com Neuer, Lahm, Mertesacker, Friedrich e Boateng; Khedira, Schweinsteigerz, Trochowski e Özil, Podolski e Klose.

Os alemães tentarão disputar sua 8ª final de Copa. Os espanhóis lutarão por sua 1ª.

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Holanda 2×1 Eslováquia: Sem pressa nem sustos

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Às 11h (Brasília), no Estádio Moses Mabhida, em Durban, Holanda e Eslováquia duelam em busca de uma vaga nas quartas de final da Copa 2010.

O espanhol Alberto Undiano apitará a partida cujo vencedor enfrentará Brasil ou Chile na sequência do torneio.

Com 100% de aproveitamento na fase de grupos, a Holanda manterá o ofensivo 4-3-3. Robben, seu maior nome, continua de fora. Snejder, um dos destaques da Copa, joga.

A Eslováquia, de Vladimir Weiss, manterá a formação que derrotou a Itália na última partida da fase de grupos, resultado histórico pra jovem república eslava.

Hamsyk, meia atacante do Napoli, é a referência técnica da equipe. Se jogar o que sabe, os holandeses terão problema sna defesa.

Esta é a única partida das oitavas de final com possibilidade de zebra. A Holanda é clara favorita, algo que não existe nas demais partidas.

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Eis a Resenha do Mauro França:

A Holanda não teve muito trabalho para espantar a zebra eslovaca. A versão atual da Laranja não prima pelo brilhantismo. É, sobretudo, um time pragmático, eficiente, que privilegia a posse de bola e alia o jogo coletivo ao brilho de craques como Snejder e Robben, que hoje começou jogando pela primeira vez nesta Copa.

No primeiro tempo a Holanda não deu nenhuma chance à Eslováquia. Ditou o ritmo da partida com muita movimentação, toque de bola de qualidade, marcação forte e muita paciência para buscar os espaços para penetrar na fechada defesa eslovaca.

Com pleno domínio das ações, os holandeses marcaram logo aos 17 minutos.  Snejder, da sua intermediária, fez belo lançamento na direita para Robben, que cortou para o meio e bateu rasteiro no canto esquerdo de Mucha.

Nem o gol fez a Eslováquia se abrir e procurar o ataque, o que facilitou o trabalho da Holanda que, mesmo sem forçar muito, manteve o controle até o final da primeira etapa.
O segundo tempo começou com Robben criando duas boas chances para ampliar nos primeiros seis minutos, que Mucha salvou com ótimas defesas.

Por volta dos 20 minutos, a Eslováquia finalmente saiu para o jogo e criou duas oportunidades para empatar. Na primeira, Stoch chutou de fora da área para defesa de Stekelenburg, que até então não trabalhara. Na segunda, depois de falha da zaga, Vittek saiu na cara do gol e chutou para grande defesa do goleiro holandês. Ficou nisso.

A Holanda se refez do susto e retomou o controle das ações até definir a classificação aos 39 minutos, com Snejder aproveitando boa jogada de Kuyt. A Eslováquia descontou aos 47, depois que o juiz marcou um pênalti inexistente de Stekelenburg em Vittek, que fez a cobrança. Já era tarde para qualquer reação. (mais…)

Brasil 0x0 Portugal: Um tempo esportivo, outro administrativo

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Às 11h, no Estádio Moses Mabhida, em Durban, Brasil e Portugal disputam a liderança do Grupo G da Copa 2010.

Dunga, que escalará o time no 4-3-1-2, não contará com Elano, contundido, e Kaká, suspenso. Daniel Alves e Júlio Baptista substituirão os titulares.

Carlos Queiroz, que manterá o 4-3-3, só não poderá contar com o meia-atacante Deco, contundido.

Se vencer, o Brasil escapará de seleções como Argentina, Alemanha, México e Inglaterra nas quartas e nas semifianias. Mas poderá jogar contra a Espanha nas oitavas.

A Copa é assim. Pra ter vida mansa só fazendo como França e Itália que mandaram parar o torneio, desceram e voltaram pra casa mais cedo.

No apito estará o mexicano Benito Archundia, velho conhecido de quem frequenta a Copa Libertadores. (mais…)

Nigéria 2×2 Coréia D.: Coreanos aprenderam a jogar

terça-feira, 22 de junho de 2010

Às 15h30, no Estádio Moses Mabhida, em Durban, a Nigéria tentará vencer pra se classificar. A Coréia Democrática passa de fase se vencer e a Argentina não for goleada pela Grécia.

O grande nome da Nigéria tem sido seu goleiro Enyema. A Coréia Democrática não tem destaques individuais. Impressiona pelo conjunto.

No apito, estará o português Olegário Benquerença. Que ele seja bem quisto por todos ap[os o fimda partida! (mais…)

Ficaram devendo

quarta-feira, 9 de junho de 2010

O time de juniores do Cruzeiro deu um presente para a parcela da torcida que considera besteira ganhar títulos na base.

Após passar 85 minutos tentando, sem sucesso, entrar na defesa do Atlético Paranaense, tomou um gol no contra-ataque, perdeu e está fora da final da Taça BH de Futebol Júnior.

O jogo aconteceu no Farião, em Divinópolis, e os derrotados, treinados por Alexandre Grasseli, foram:

  • Ruan Gusmão; Fabrício, Deivisson, Murilo e Hyago; Marquinhos, Uchoa (Eder), Eber (Franco) e Elber (Gil); Sebá e Thiaguinho (Maranhão).

Nenhum deles se destacou. Fracassaram todos. A começar por Uchoa, que já teve até oportunidades no time principal.

É bom essa garotada saber que não é contra Uberlândia ou Guarani de Pará de Minas que alguém vai se revelar.

Pra chegarem ao elenco profissional, que tem vagas a dar com pau, eles precisam aprender a vencer os times grandes, as partidas complicadas, as decisões.

E, como já havia acontecido na Copinha paulista, esta geração ficou devendo também na mineira.

Em tempo: haverá uma AtleTiba na decisão da Taça BH em algum estádio do interior do estado. Qual não sei. Câmbio.

Taça BH: Cruzeiro 4×0 Uberlândia

domingo, 6 de junho de 2010

Em Betim, no Capelão, Cruzeiro x Uberlândia com transmissão ao vivo do SporTV, canal 39.

Dois minutos: Thiaguinho cobra escanteio pela direita, Deivison se antecipa aos beques e marca. Cruzeiro 1xo.

Em 26 torneios, Cruzeiro chegou a 9 finais e venceu 4. É o maior vencedor da competição.

Taça BH: Juniores avançam aos trancos e barrancos

sábado, 5 de junho de 2010

Enquanto se discute a crise plantada pelos microfonistas e seus teleguiados na Toca da Raposa, o time de juniores do Cruzeiro avança, aos trancos e barrancos na Taça BH de Juniores.

Confiram a campanha do time treinado por Alexandre Grasseli:

  1. 24mai10, Seleção de Betim 0x3 Cruzeiro. Gols: Elber (2) e Alan Júnior.
  2. 26mai10, Fluminense 1×2 Cruzeiro. Gols: Elber e Eber.
  3. 28mai10, Guarani (Pará de Minas) 0x1 Cruzeiro. Gol: Deivisson.
  4. 30mai10, Cruzeiro 1×2 Atlético. Gol: Sebá.
  5. 01jun10, Cruzeiro 2×2 Juventude. Gols: Thiaguinho (2)
  6. 03jun10, Cruzeiro 0x0 Portuguesa. Pênaltis: Cruzeiro 4×3.
  7. 06jun19, Cruzeiro x Uberlândia.

Este foi o time que desclassificou a Lusa: Ruan; Fabrício, Deivisson, Murilo e Hyago (Gabriel Araújo); Marquinhos, Uchoa, Eber e Elber; Sebá e Thiaguinho.

Se passar pelo Uberlândia, no Estádio Capelão, em Betim, o Cruzeiro enfrentará o vencedor de Atlético-MG x Atlético, nas semifinais.