Superstição, uma questão de lógica

Por SÍNDICO | Em 12 de fevereiro de 2011

Leopoldo Moura Jr.

Não conheço esporte que envolva mais superstições do que o futebol. Há até clubes que vivem mais de superstições do que de futebol –o Botafogo é o exemplo clássico.

Algumas razões devem explicar tanta crendice. A primeira é que começamos a torcer quando criança, quando se é mais crédulo. Mas isso explica pouco o fato de que muitos adultos continuam supersticiosos. 

Paixão talvez seja uma explicação mais convincente para a superstição. Por ela, o torcedor apela pra tudo o que imagina poder ajudar seu time a arrancar vitórias impossíveis. Orações e pensamento positivo só não bastam. É um vale-tudo. E, nele, quem perde é a racionalidade. De goleada!

É como se algo que eu faço, ou deixe de fazer, tivesse o poder de influenciar aquilo que está muito além da minha “governabilidade”.

Mesmo sabendo que o acerto de um pênalti nada tem a ver com o fato, por exemplo, de estar de pé, na hora do chute o cara fica em pé, nem que seja por segurança. Na dúvida, melhor não mudar o que está “regulando”, pensa o supersticioso.

Às vezes a superstição tem lógica. É o caso da escolha do gol da lagoa que o Cruzeiro sempre faz no início dos jogos no Mineirão. No 2º tempo, com o ataque mais próximo do gol da cidade, a pressão é maior.

O curioso, é que mesmo nos jogos com casa cheia, em que a torcida ocupa todo o estádio, essa norma continua valendo. Acho que é pura superstição.

Já que toquei no assunto, confesso: minha maior superstição é não usar nada com os símbolos do Cruzeiro (camisa, boné, botom etc) durante o jogo.

Tudo começou quando, juntamente com meu avô, eu acompanhei, pelo rádio, a derrota do Cruzeiro para o Usipa (3×1, no Mineirão, em 1967).

No fim do jogo, lembrei-me de que carregava no bolso um jogador do time botão do Cruzeiro. Concluí que a culpa só podia ser dele!

A partir de então, adotei algumas providências: meu time de botão deixou de ser o do Cruzeiro –o que não me incomodou muito, porque eu vivia perdendo e ficava mais chateado ainda por ser o responsável pela derrota domeu clube.

Quem gostou foi meu irmão que passou a jogar com o time celeste.

Além disso, deixei de usar qualquer símbolo do time na hora dos jogos. Com isso, não pude aderir, alguns anos depois, à moda de usar a camisa do time nos jogos.

Mas como não passava de superstição, já adulto, quebrei a promessa. E a cara também, em três jogos: Cruzeiro 0x0 Colo-Colo, perdemos nos pênaltis em 1992 no Japão; Cruzeiro 0x1 Valério, em 2004 na estréia do Rivaldo e Cruzeiro 1x 2 Ipatinga, na decisão do Mineiro de 2005.

Em decorrência destes resultados, continuo não usando nenhum símbolo celeste durante os jogos. Claro que não é por superstição. É apenas uma questão de lógica.

Leopoldo Moura Jr., 52, cruzeirense, auditor de tributos, nasceu e mora em Belo Horizonte.

59 comentários para “Superstição, uma questão de lógica”

  1. E a sua, caro leitor, qual é? Aproveite a deixa e conte.

  2. Eu já tive e já me libertei de milhares de superstições. Hoje em dia, estou livre disso. Só me visto de azul, da cabeça às meias, em dia de jogos do Cruzeiro porque não enxergo roupas de outras cores no armário, nessas ocasiões. Pura coincidência. Os sapatos? Ora,, os sapatos são pretos, afinal é neles que eu piso.

  3. matheus t penido disse:

    Acho que todo mundo tem alguma supertição na vida, e eu não sou diferente, mas pelo menos relacionado a futebol não costumo fazer nada de especial. Não assisto os jogos com camisa, exceto quando vou ao estádio, mas isso é por costume mesmo já que eu nunca tive muito esse hábito. O máximo que eu faço é quando começo a assisitir um jogo num canal e o Cruzeiro tá ganahndo não mudar (isso quando tem duas opções) o que não deixa de ser uma supertição também, apesar de mais leve.

  4. Gustavo Bueno disse:

    Estou em Punta del Este, com várias praias lindas por perto, uma morenaça -minha namorada- ao lado, mas com uma p$ta vontade de estar no desertão de Sete Lagoas, hoje! Que tensao! E ainda vou ter que sair voando procurar um bar brasileiro que seja em Montevideo! Sobre o post, lembro que puxei essa supertiçao do meu pai, mas com outro jogo pra colocar como culpa da camisa que eu usava: o Cruzeiro x Palmeiras da Libertadores de 2001. Eh Jackson! Bom jogo pra todos!

  5. silverio candido disse:

    A minha vc já conhece caro Jorge. Todo ataque contrário dos times adversários, invoco Pai “ZIRIGO”. Eu tinha uma bota de camurça, que levava em toda decisão. O Cruzeiro SEMPRE ganhava títulos. Foi assim nas Copas do Brasil e na Libertadores de 97. Guardava-a com todo zelo. E tenho uma grande amigo, o Cláudio Carvalho, Cacarejante doente, conhecido entre os amigos como “Dinho Mau-trato”, que a apelidou de “botinha ganha títulos”. O tempo passou e a Dona Patroa resolveu dar uma arrumada nos armários e deu sumiço na bota em razão do seu desgate. Quase nos separamos! Disse ao “Mau-trato” que se a bota tivesse naquele jogo contra o Estudiantes a coisa seria diferente… Foi uma risada só. Coisas de maluco.

  6. Mauro França disse:

    Não tenho superstições, apenas a mania de só assistir jogos com alguma camisa do Cruzeiro.

  7. Eduardo Arreguy Campos disse:

    Não tenho superstições. Dizem que ter, dá azar.

  8. Elias disse:

    JÁ tive várias superstições. Hj não tenho mais. O que ocorre é que entendo que a sorte existe, tem dia que a bola cisma em não entrar (como no último clássico) e independe se estou vestido assim ou assado. Mas nada substitui o talento e/ou a competência. Foco no jogo, muita vontade de vencer (superior a do adversário) e não entrar achando que por se tratar de um jogo de torcida única a coisa vai ser facilitada. Pode até ser, mas não é regra geral e pode acontecer o contrário… A vitória hj é essencial prá pegar o embalo, ganhar o irrestrito apoio da torcida e pratir prá cima do Estudiantes, este jogo sim decisivo para as nossas pretensões. No mais, ganhar do time rosacharlyson É SEMPRE BÃO DEMAIS DA CONTA!!!

  9. Elias disse:

    Um OT interessante é que todos comemoram a saída do Roberto Carlos do ex-timão. O jogador, que vai prá Rússia encher (mais) as burras, o time que vae ter uma economia de R$4.000.000,00 e a torcida, que não aguentava mais ver o jogador coma camisa gam.bá. Que coisa, hem? Depois de toda a mídia, todo auê uma saída melancólica dessas…

  10. matheus t penido disse:

    Teste. Sai Dunga, entra WP.

  11. Fiquei curioso, quem era o jogador do Cruzeiro que nosso amigo levava no bolso ?

  12. Rafael Freire disse:

    Ixxii…Acredito então que a mais bizarra até o momento é a minha. Em lances de perigo tanto à favor ou contra, tenho que puxar o pé direito e dar uma fungada no dedão (ou no tênis, caso o dedão não esteja acessível), supertistição essa que já me causou constrangimento em público dentro de ônibus, dirigindo durante uma paradinha no semáforo, no mineirão e até mesmo em familia. Ninguem associa o ato com o jogo e todos acham que estou com chulé ou pisei em uma caca…

  13. Hércules disse:

    Superstição não tenho, mas chego a cabecear bolas; ajudo o WP a chutar pro gol(só não caio pra trás); imito as instruções técnicas do PC Gusmão “vai…vai….va…volta…volta….voooooltaaaa” e outras coisas que minha esposa fica perplexa.

  14. Chaves disse:

    Supertição???? Isso é bobagem. Não tenho nenhuma. O máximo que faço, na duvida, é nao fazer o nome do pai antes do jogo, usar uma ou outra camisa vitoriosa, evitar assistir jogos em determinados bares e evitar que um certo comentarista do blog esteja em BH ou até mesmo no BRasil. Nao infancia, jogos pelo rádio só se o radio ficasse de cabeiça pra baixo. ENfim, é preciso ter cuidados, mas supertição é bobagem.

  15. Chaves disse:

    Ernesto, Naldo e o Voleivieri podiam nos contar se no volei há supertições. Exemplo: Fazer a unha antes dos jogos, usar esmalte de alguma cor específica, levar o o Citroen C3 pra lavar em dias de jogos, etc…

  16. Dylan disse:

    nao é superstição,mas é um hábito. Há anos sempre em dia de jogo com o Atlético eu uso uma camisa do Cruzeiro. Nao vou dizer que fiz isto em todos os clássicos mas quando é um como o de hoje,que eu já acordo pensando no jogo, nao tem erro.

  17. ireland disse:

    A receita do tri é um mosaico de razões e emoções e neste pacote a superstição do torcedor tem cadeira cativa.

  18. BrunoBarros disse:

    Atualmente a parte mística que me toca é no começo das partidas fazer um nome do pai e pedir com fé que nenhum jogador se contunda e principalmente que o juiz não atrapalhe, deixe o jogo rolar. O resto é pensamento positivo a cada jogada. E muita concentração.

  19. Eduardo Arreguy Campos disse:

    Tenho um amigo que não era supersticioso (o caso é verídico). Um dia mexeu com uma mulher casada e o marido dela lhe deu um socão, quebrando vários dentes. Hoje ele é supersticioso. Acredita piamente que mexer com mulher casada dá um azar danado.

  20. BrunoBarros disse:

    Leopoldo, parabéns excelente coluna. Baseado no amor tudo tem lógica, se a superstição tem sentido então não foge a regra.

  21. Leo Vidigal disse:

    Também faz tempo que não arrumo uma superstição, mas se assisto mais de uma derrota com uma camisa fico com uma baita desconfiança do pobre pedaço de tecido. Mas logo penso, quem dera se a gente tivesse essa capacidade de mudar as coisas somente pelos objetos que usamos…

  22. Leo Vidigal disse:

    OT: o Alex10 acabou de “tuitar”: “CEC X CAM hj.um belo jg em MG.ja me diverti mto nesse classico.tenho excelentes recordacoes desse classico.sorte ao CEC”. Eu também tenho excelentíssimas recordações dos clássicos da era Alex, espero que ele traga bons fluídos! E não sou supersticioso, hein?

  23. Romeu CMD disse:

    Tenho pequenas manias durante o jogo. Pelo rádio ou tv, uso um gesto com a mão para tirar as bolas difíceis de nossa defesa. Lembro-me que nos anos 60, o Cruzeiro batia sem dó nas frangas. Ganhávamos tudo. Elas logo acharam a explicação. É que a concentração das rosinhas era num hotel na estrada velha de Nova Lima. HOTEL TAQUARIAL. O hotel trazia azar! Mudaram de concentração e continuaram apanhando do mesmo jeito. Leopoldo parabéns pelo texto.

  24. Renato-SP disse:

    Sensacional o post! Também acredito q

  25. marcel disse:

    Ha ha … muito bom post Leopoldo. E curiosamente, eu também não uso nada azul menos ainda com símbolo do Maior de Minas em dia de jogos…

  26. Renato-SP disse:

    Sensacional o post, pois também acredito que não existe superstiçãó, é pura ciência. kkkkk. Ao contrário do caríssimo Leopoldo, eu costumo usar tudo que é coisa do Cruzeiro. Chinelo, cueca azul, camisa azul, bandeira e tudo mais. Minha esposa tem uma camisa do Fábio que fica por cima da tv, óbvio, pra fechar o nosso gol. Quando assisto em casa, sento em uma posição e mesmo que eu sinta dormência e comece a grangrenar minha perna ou meu braço, se o Cruzeiro estiver jogando bem, eu não posso sair do lugar. Geralmente coloco todas as camisas espalhadas pelo sofá pra que elas tenham um bom entrosamento com o time e se ambientem no caso de eu precisar vestir uma ou outra durante os jogos.

  27. Cleber Mendes disse:

    Quando o Cruzeirão ataca aumento o volume do rádio, ou da tv. Qaundo o adversário ataca, diminuo o volume.

  28. Cleber Mendes disse:

    Sem dúvida, Renato-SP.

  29. Renato-SP disse:

    OT/IT É muito bom estar em BH durante a semana de clássico. Pra quem tá aqui direto pode ser indiferente, mas pra quem tava fora, essa guerra silenciosa que rola é muito massa! Basta um qualquer fazer qualquer tipo de provocação em público que as manifestações surgem de todos os lados. Obviamente, a discussão é facilmente vencida por qualquer Cruzeirense menos desatento. É como aquela canção… Não ganha naaaaada, time sofredooooor e é por isso que eu canto assim toma no c* gaylooo!!!!

  30. Renato-SP disse:

    Pra dar mais gás
    http://migre.me/3RH0l

  31. Vermelho,
    Não tenho superstições…mas, várias precauções.
    1)Se a roupa deu sorte, não costumo trocar…
    2) Não vou ao clássico com a roupa do Cruzeiro, mas, invariavelmente volto com uma…
    3) Se conseguir chegar na cadeira da sorte. não tem erro. Quando não chego lá e quero ir, fico preocupado. Naquele 15/07 fiquei longe e ainda vi a D. Ova… Aquela dona, comum uma camisa listrada de azul e branco e cabelo prateado… dá arrepios…
    4) Quando o atleticano chamado de “Sua Mãe” era vivo, ao vê-lo e dar um tapa na careca dele, não tinha erro, o Cruzeiro viraria o jogo (ele vendia s cativas no dia de jogo do Cruzeiro e parece que morreu há uns 2 anos atrás).
    5) Comprar radinho de pilha dá sorte. Vuvuzela nunca mais.

  32. matheus t penido disse:

    Teste 3.

  33. Radicchi disse:

    Nos penais, seja acompanhando pelo rádio ou TV, sempre pulava junto com o Dida para ajudar a catar o penalti. Acho que foi por isso que ele pegou tantos…

    Com o Fábio, eu ainda não consegui estabelecer a conexão psíquica para tal.

  34. simone b de castro disse:

    Também não uso camisa do Cruzeiro no dia do jogo. Quando o adversário ataca, tiro a bola com as mãos….hahahaha. Em cobranças de pênalti, evito escutar. De médico e de louco, cada um tem um pouco, não é? rsrsrsrs

    • Walterson disse:

      Meu pai chutava as bolas mais que os jogadores. Ele assistia o jogo sem controle das pernas, rsrs.

  35. Naldo disse:

    Se vou assistir a um jogo difícil com uma determinada camisa celeste e o time vence, principalmente em mata-mata, eu repito a dose. Não sei se funciona, mas eu tento.