Sobrenatural Revetria

Por SÍNDICO | Em 2 de outubro de 2007

A maior decisão do Campeonato Mineiro, disputada no Gigante da Pampulha, como se chamava o Mineirão, foi a de 1977. Onze dias antes, em Monetevidéu, o Cruzeiro perdera a Libertadores para o Boca. Abalado por essa perda, o time celeste foi para o 1º jogo da melhor-de-três, em 25 de setembro. Descansado e no auge da forma, o Atlético-MG venceu por 1×0, gol de Danival.

O juiz deixou de marcar um pênalti a favor do Cruzeiro, mas Cerezo não se tocou. Empolgado e irônico, saiu de campo convencido de que a fatura estava liquidada. Aos microfones, convidou sua torcida: “A massa pode vir comemorar o título domingo que vem, pois comigo e o Rei jogando, o Grorioso nunca vai perder pro Cruzeiro.”

Falou num domingo, teve de engolir as palavras no seguinte. Hebert Carlos Revetria, o Sobrenatural Revetria, entrou no time e decidiu naquele fantástico 2 de outubro de 1977. Marinho fez 1 x 0, aos 5, e a torcida adversária começou a festejar: “É campeão!”. Revetria empatou aos 25 e voltou a marcar aos 10 e 12 do 2º tempo. JRLima descontou aos 40. Final: Cruzeiro 3×2. O Atlético-MG desmornou. Na terceira batalha, o Cruzeiro completou o serviço.

  • Atlético-MG 2×3 Cruzeiro, domingo, 02out77, 16h, Mineirão, 2º partida da melhor-de-três pela decisão do Campeonato Mineiro de 1977 – Público pagante: 74.176 – Renda: Cr$3.370.270,00 – Juiz: Valquir Pimentel (RJ) – Bandeiras: Maurílio José Santiago e Ângelo Antônio Ferrari (MG) – Gols: Marinho, 5, Revétria, 25 do 1º tempo; Revétria, 10 e 12, Reinaldo, 40 do 2º – Atlético-MG: Ortiz, Alves, Modesto, Vantuir Galdino, Dionízio; Toninho Cerezo, Danival e Paulo Isidoro; Marinho (Marcinho), JRLima e Marcelo. Tec: Barbatana / Cruzeiro: Raul Plassmann, Nelinho, Zezinho Figueroa, Darci Menezes, Vanderlei Lázaro; Flamarion, Zé Carlos e Erivelto (Lívio Damião); Eduardo Amorim, Revétria e Joãozinho (Valdo). Tec: Yustrich.

A história do 3º jogo será contada, em detalhes, por um dos comentaristas do blog. Por ora, fiquemos com trechos de uma entrevista que fiz com Revetria, em 18set03, em Montevidéu:

Revetria ou, como cantava galera: Reivetria!

Sanatorio, Uruguai, 27ago55

Revetria veio do Nacional, de Montevidéu, em 1977. Não era veloz, nem driblador. Era goleador, homem de área, finalizador nato. Desses que sabem se meter numa floresta de beques para marcar gols decisivos. Duas missões o esperavam no Cruzeiro: substituir Palhinha, vendido ao Corinthians, e acabar com a banca do goleiro argentino Ortiz, do Atlético, que há um ano não sofria gols do ataque cruzeirense.

O que, em Minas, quase ninguém sabia é que os dois eram velhos conhecidos. Já haviam se enfrentado em várias partidas do Campeonato Uruguaio, sempre com vantagem de Revetria. Quando se reencontraram em Belo Horizonte, ficou evidente a diferença de estilos. Ortiz com seus longos cabelos louros presos por uma fita à moda apache e bermudas colantes, era o xodó da torcida atleticana. Revetria, absolutamente discreto, foi logo posto em cheque pela imprensa. Muitos jornalistas diziam que se tratava de mais um bonde comprado pelo futebol mineiro.

O que eles não sabiam é que o bonde atropelaria o apache na decisão do Mineiro de 1977. Ouvi de um repórter de um jornal carioca da época, que prefere se manter anônimo, este relato:

“O Cruzeiro perdeu o primeiro jogo por 1 a 0 e não podia nem empatar o segundo, pois o rival seria bicampeão. Iustrich fez algumas mudanças no time e o Revetria foi um dos que entraram. O Atlético fez 1 a 0, mas, ainda no primeiro tempo, o uruguaio empatou e quebrou o tabu do Ortiz. No segundo, ele fez mais dois gols e, no finalzinho, Reinaldo diminuiu. Com os 3 a 2, o Cruzeiro forçou o terceiro jogo. Novamente, o Atlético saiu na frente com um gol de Reinaldo no primeiro tempo e o Cruzeiro só foi empatar no meio do segundo, com o Revetria aproveitando bola escorada de cabeça por Joãozinho em córner cobrado pelo Nelinho. Na prorrogação, em lance parecido entre Nelinho e Joãozinho, Lívio, que substituíra Revétria, fez 2 a 1. E, nos minutos finais, em lançamento longo de Nelinho, Joãozinho definiu o título. Comentou-se, à época, que a mulher de Ortiz cruzou com Revetria, nos corredores do Mineirão, depois da decisão, e perguntou: ‘O que você tinha de vir fazer aqui?’ Fato é que Ortiz foi expulso do Atlético, com já acontecera com Hélio, anos antes. E Revetria passou mais um ano e meio no Cruzeiro.”

Em 1978, depois de 63 partidas e 22 gols, Revetria encerrou sua trajetória no Cruzeiro deixando sua marca na história do clube.

Hoje em dia, ainda ligado ao futebol como diretor esportivo da Tenfield, empresa que administra a Seleção do Uruguai, Revetria trabalha num casarão do bairro de Carrasco, em Montevidéu. E foi lá que, em 18 de setembro de 2003, entre pôsteres de gênios como Nasazzi, Schiaffino, Obdulio Varela e Andrade, recordamos sua histórica passagem pelo futebol mineiro.

Quem é Hebert Carlos Revetria?
Passei a infância em Unión, bairro operário de Montevidéu. Meu pai, José Maria Revetria, era de família genovesa. Minha mãe, Maria Acevedo Fernandes, de família portuguesa, nasceu em Cerro Largo, na fronteira com o Brasil.

Como foi seu início de carreira?
Comecei na categoria baby do Nacional, antes de passar pelas divisões cadete e juvenil. Aos 17 anos, estreei no time profissional substituindo Juan Carlos Manelli que estava contundido. Vencemos o Central Espanhol por 2×1 e eu marquei um gol. Nesse dia, ouvi um conselho definitivo do artilheiro Luiz Artime: “Joga de primeira e você será o Artimito do futebol uruguaio.”

E a transferência para o Cruzeiro?
Zezé Moreira, que havia treinado o Nacional, foi quem me indicou ao presidente Felício Brandi, que mandou o diretor Ari da Frota Cruz me ver jogar. Ele conversou com taxistas, torcedores nas tribunas do Estádio Centenário, jornalistas e quem mais encontrou pelo caminho. Parece que as referências foram boas, porque, pouco tempo depois, fui chamado para conversar com Felício. Fui ao Hotel Excelsior acompanhado por Miguel Restuccia e o presidente me provocou: “Ouvi falar muito bem do Santelli (Peñarol) e do Victorino (River Plate). O que você acha deles?” Fui honesto: “São ótimos.” Felício me bateu no ombro: “Gostei de sua franqueza, você é confiável.”

E como você encarou o desafio de jogar no Cruzeiro?
Aos 21 anos, já casado e com um filho, Sebastian, de um ano, meu grande problema era me curar de uma hepatite que me afastara três meses das canchas. Mas, apesar da pouca idade e dos problemas de saúde, eu já era respeitado. Havia sido artilheiro nos sulamericanos de juvenis de 1974, no Chile (8 gols), e de 1975, no Peru (5 gols). E era também o artilheiro do Nacional com 14 gols em 16 jogos na temporada de 1976. Quando recebi o convite, fui conversar com o Repetto, centroavante que havia jogado no Cruzeiro em 1972. Ele me entusiasmou falando da grandeza do clube e da força de sua massa torcedora. Mas era preciso coragem para jogar no Brasil e enfrentar as comparações com os jogadores locais, donos de técnica apuradíssima. Coragem que nunca me faltou porque eu estava convencido de que um goleador pode se dar bem em qualquer lugar.

Quais as melhores recordações de sua passagem pelo Cruzeiro?
Sem dúvida, a decisão de 1977. Perdemos o primeiro jogo para o Atlético por 1 x 0 e, no dia seguinte, o treinador Yustrich me deu ânimo novo para o segundo jogo: “Gringo, me equivoquei, tirando você do jogo, mas vá se preparando porque no domingo você volta para decidir.” Fiquei emocionado e ainda mais confiante de que era possível vencer o segundo jogo.

E como foi a revanche?
Sempre fui muito analítico. Aproveitei a semana para imaginar os meios de vencer os marcadores, de me meter na defesa deles para marcar os gols. Cheguei a combinar com o Nelinho sinais para despistar a marcação e orientar os cruzamentos dele. No primeiro gol, ele passou a bola ao Eduardo Amorim que a tocou entre os beques. Eu fui mais rápido do que eles, ajeitei com a direita e fuzilei o Ortiz com a canhota. Fiquei alucinado e dei uma volta quase completa na pista para comemorar com a torcida do Cruzeiro. Nos segundo e terceiro gols, me enfiei entre os beques para cabecear sem chance de defesa para o Ortiz. A importância desse jogo cresce para mim, com o passar dos anos. O Cruzeiro foi o maior desafio da minha carreira e aqueles gols me deram a certeza de que eu estava passando pelo teste.

E a decisão?
O terceiro jogo foi nosso. A derrota na segunda partida abalou a confiança dos atleticanos. Enquanto nossa torcida se agigantava nas arquibancadas, a deles perdia força, o que se refletia em campo. Mesmo assim, eles fizeram o primeiro gol, o que não abalou nosso time. Eu continuava fazendo meu jogo, disputando todas as bolas e assustando a defesa deles. Nos escanteios, o Cerezo gritava para os beques: “Deixa ele comigo!” Na primeira cabeçada que peguei bem a bola acertou no travessão e eu pensei: “Na próxima, encaixo melhor!” No intervalo, tomei aplicações para voltar a campo por causa de uma entrada violenta do Márcio que provocou luxação no meu ombro. No metade do segundo tempo, Nelinho se preparou para cruzar, eu ameacei ir para o primeiro pau e o Márcio se antecipou. Mas eu fiquei e o foi Joãozinho quem se deslocou levando o Ortiz junto. Só que a bola passou por todo mundo e eu a peguei de cabeça atrás da defesa. Lembro-me até hoje da cara de desespero do Márcio e do Ortiz. Ali, eu tive a certeza de que o título seria nosso.

Foi uma decisão mais tensa do que o habitual…
Eu não estava nervoso. Vinha do Nacional, um time vencedor e, além disso, eu tinha a fé dos goleadores. Joguei confiante sabendo que, na hora certa, eu decidiria o jogo, porque não me entregava jamais e alguma bola ainda sobraria na medida para mim. E foi o que aconteceu.

E a rivalidade com o goleiro Ortiz, do Atlético?
No Uruguai, já havia marcado vários gols nele. Eu jogando pelo Nacional, ele pelo Wanderers. Mas ninguém sabia disso em Belo Horizonte, onde a fama dele era imensa. Ele tinha fama de invencível eo os repórteres viviam me provocando, querendo saber se eu poderia marcar um gol nele. E eu dizia que sim, e também provocava: “O Ortiz me conhece, ele sabe que eu vou cumprir minha missão!” Eu estava acostumado a enfrentar goleiros do porte de Walter Corbo, do Peñarol, portanto, não me sentia nem um pouco impressionado com o Ortiz. Centroavante que se preza não teme goleiros. A gente toca pouco na bola, está sempre marcado por dois adversários, mas sabe também que só precisamos de uma chance para decidir um jogo. Como numa ocasião, contra o Peñarol, em que eu praticamente só toquei uma vez na bola, num rebote do Corbo, e decidi o clássico.

Que outras passagens te marcaram no futebol brasileiro?
Num jogo contra o Santos, em São Paulo, marquei um gol e um torcedor invadiu o gramado e me acertou uma paulada na cabeça. Outra confusão foi naquele jogo em que o Ramirez correu atrás do Rivellino, no Maracanã. Eu acertei o Riva e ele revidou acertando um soco no Ramirez, que ficou furioso e prometeu revidar. Na confusão, acertei um fotógrafo e fui preso. Quem me liberou da prisão foi o treinador Cláudio Coutinho, que, depois, me lembrou do episódio na Copa de 1978.

Que lembranças você guarda da torcida do Cruzeiro?
Os cruzeirenses sempre me apoiaram, desde a estréia, um 2 x 1 sobre o Villa Nova, em 1977. Na minha despedida, contra o Bahia, em 1978, a torcida gritava “Rei, rei, rei, Reivetria é nosso rei!”. Sai de campo chorando. Nunca vou me esquecer desse dia.

E os amigos?
Fiz amizade com o Nelinho, craque extraordinário; com o Zezinho Figueroa, cuja morte precoce me deixou muito triste, com o Flamarion, meu vizinho no bairro Gutierrez. Eu dividia a condução para Toca da Raposa com ele e a gente ia para os treinos discutindo táticas de jogo. Naquela decisão contra o Atlético, então, criamos vários cenários prevendo nossa vitória. Entre os dirigentes, tenho grande respeito por Felício Brandi, um homem de grande sabedoria.

Por onde você andou, depois de sair do Cruzeiro?
Joguei no Tampico (79/80), Coyotes Neza (hoje, Toros) e Universidad Autonoma de Guadalajara, do México. No Deportes Tolima, da Colômbia, No Peñarol, onde fui campeão nacional jogando ao lado de craques como Fernando Morena e Gutierrez e no River Plate, onde encerrei a carreira em 1988.

Encerrada a carreira de jogador, o que você fez?
Fui treinador do Nacional, da terceira divisão, e do Basañes, da segunda. Nesse clube, descobri Walter Pandiani, que era camisa 5 e que eu fiz jogar com a 9, porque percebi suas virtudes de goleador. Hoje, ele faz sucesso na Europa. Fui também dono de uma loja de brinquedos e hoje sou gerente esportivo da Tenfield, empresa de eventos esportivos criada por Gutierrez, Bica e Francescoli.

Um mês depois, Revetria enviou-me este e-mail: “Jorge, para mi, fue un placer recordar esos momentos inolvidables, que a uno le tocó vivir; para mi haber jugado en Cruzeiro fue lo mas hermoso en mi carrera deportiva y por eso es una gran alegria poder recibirlos y darles, despues de mucho tiempo, mi agradecimiento a todo el pueblo de Brasil por haberme recibido y enseñado muchas cosas que a traves del tiempo me formaron como jugador y persona. Espero ansioso el libro y la camiseta que otrora defendi con el mayor de los orgullos y responsabilidad que la historia le reclama a quien se la ponga. Saludos a su Señora y un gran abrazo a ud”. Hebert Revetria

37 comentários para “Sobrenatural Revetria”

  1. frederico disse:

    o que é hermoso??

    Brilhante o post!

    Muito boa a entrevista! Até q vc da pra um bom reporter hein Jorge?
    Ainda nao era nascido, mas ja ouvi muito sobre este jogo e sobre o Reivetria. imagens vi poucas.
    Pelas palavras e pelo que significou para o clube Revetria deve ser (acredito q é) muito respeitado por toda a china azul.

  2. Jorge Santana disse:

    Sou um bom repórter, Fred.

    E vc é quem daria pra ser um tão bom assim.

    Hermoso, numa tradução pobre, ao pé da letra, seria formoso. Eu traduziria por belo, bonito, ou, melhor ainda, esplêndido.

    Deu pra entender?

    E tá vendo no que dá ser novo. O melhor da festa vc não viu. Seu tempo é o tempo do Morrinhão.

    Saludos,
    JS

  3. frederico disse:

    Do nada não sô! Nem pra entender nem para virar bom repórter!

    Mas entendi a tradução. Imaginei algo perto do que é de fato.

    A culpa é dos meus pais, avós etc.
    E sou eu quem sofro vendo vários jogos ruins e ídolos todos na Europa.

  4. Dylan disse:

    Revétria foi o indiscutível herói daquela decisão. E esta entrevista tá ótima. Congratulations, Jorge.

  5. José E.M.Elias disse:

    JS…
    Um dos dias mais felizes da minha “carreira” de torcedor.
    Rei, rei, rei…Reivetria é nosso rei.
    Rei, rei, rei…Reivétria não é g….
    Lembram?
    Uma constatação.
    Neste dia vi que tinha um coração de ferro.
    E nos dias seguintes devemos ter matado vários oponentes de raiva com os já famosos morteiros de hora marcada, começando religiosamente às 6:00 h.
    Interessante é que à cada dia marcava prá visitar algum amigo listrado sempre no horário da “pórvora” e na maior cara dura me fazia de desentendido…

  6. Carlão Azul disse:

    Revétria foi um nome que povoou meu imáginário na fase de criança adolescente.
    Ótimo post. Que frase emocionante:
    ” O Cruzeiro foi o maior desafio da minha carreira e aqueles gols me deram a certeza de que eu estava passando pelo teste.”
    Sds.Celestes JS

  7. klauss mouraõ pontes disse:

    Essa decisão foi umas das mais emocionantesda minha vida. Foi fantástica, e o Revétria, calou a boca do filho do palhaço, que teve que engolir as palavras, e ainda tentaram por a culpa no exibicionista do Ortiz, dizendo que ele foi comprado. Aliás nem sei o motivo da empáfia do Cerezzo, eles tinham sido campeões apenas em 76, mas nós tinhamos sido em 72,73 74, 75 …e 77. Não sei por que estavam tão confiantes, mas o castigo veio a cavalo, e nele montado um uruguaio, que nunca sairá da minha memória.
    Abs.

  8. Flavio Carneiro disse:

    Sem dúvida esse foi um dos jogos mais marcantes em minha vida como torcedor.

    Nessa época eu tinha apenas 13 anos, mas me lembro muito bem de todos os detalhes dessa final, inclusive da promessa que o Ortiz (goleiro das frangas) fez, onde ele disse que cortaria seu longo cabelo se as cocotas perdessem aquela final… pois foi o que ele teve que fazer!

    Na escola onde eu estudava (em Sabará), alguns colegas fizeram uma grande tesoura de papelão e levaram para a aula, numa gozação ao goleiro cabeludo e a todas as cocotas que acreditaram nele.

    Nessa época eu ainda não frequentava o Mineirão, mas me lembro bem da grande “festa azul” em Sabará, que ficou marcada em minha memória!

  9. Flavio Carneiro disse:

    Rei Rei Rei, Reivétria é nosso Rei… até hoje esses gritos ecoam na alma Cruzeirense.

  10. Othon disse:

    nao fui nesse jogo, tinha 5 anos de idade na epoca, meu pai foi, me falou que este jogo, e Inter e Cruzeiro foi dois dos maiores jogos que ele viu no Mineirao…sensacional este post, com sua permissao Jorge, vou colocar o link na comunidade da TFC no orkut, pra meninada poder saber quem realmente foi Revetria e a importancia desse grande jogador na historia azul.
    Jogo que eu guardo na memoria pra sempre e Cruzeiro 4x 0 Emplumados, 1o jogo da decisao do Mineiro de 84….show do Joazinho,Douglas,Carlinhos Sabia e Seixas…

  11. Melhor topico de varios otimos, parabens!

  12. Mauro França disse:

    Fiquei arrepiado ao ler esta bela entrevista. Emocionante. Parabéns, Jorge.
    E, caramba, quando é que o vol. 2 do Paginas Heroicas sai?

    Me lembro que na sexta-feira antes do segundo jogo, um dos colegas de pelada, atleticano, soltou uns foguetes pra comemorar o título que eles davam como favas contadas. O clima era esse. Depois, foi o que se viu. A festa foi nossa.

  13. Carlão Azul disse:

    off topic:
    http://cruzeirense.wordpress.com/
    Entrem aí e ajudem o Benny a faturar o Peixe Grande 2007, fazendo isso vc pode também “faturar” o peixe amanhã, quem sabe?

  14. Flavio Carneiro disse:

    Esse post me fez relembrar os 10 jogos do Cruzeiro que mais marcaram a minha vida. São eles (sem estabelecer ordem de importância):

    1) Cruzeiro 2 x 0 Esab – Jogo em Sabará (estadinho do Ó – Siderúrgica) na década de 70, quando eu entrei em campo como mascote e pude pegar um autógrafo do Raul.
    2) Cruzeiro 3 x 2 River – Final da Libertadores de 1976 (grudado no radinho de pilha)
    3) Cruzeiro 3 x 1 Cocotas – Final 77 (jogo do post, já comentado).
    4) Cruzeiro 3 x 0 River – Final da Supercopa de 1991 – primeiro título internacional ganho no Mineirão. Foi a melhor partida que eu vi o Cruzeiro jogar.
    5) Cruzeiro 4 x 0 Racing – bi campeonato da Supercopa em 92 (esse jogo eu assisti de geral e o Cruzeiro fez até chover).
    6) Cruzeiro 2 x 1 SPFC – Final da Copa do Brasil de 2000 (na comemoração do gol do Giovanni, acabei jogando um relógio novinho para cima e nunca mais o encontrei – não me arrependo disso).
    7) Cruzeiro 2 x 1 Palmeiras – Bi campeão da Copa do Brasil jogando em SP (eu assisti pela TV, mas mesmo assim foi inesquecível).
    8) Cruzeiro 1 x 0 Villa – Final do Mineiro de 97 e recorde de público do Mineirão(primeira vez que minha esposa foi ao Mineirão).
    9) Cruzeiro 1 x 0 S. Cristal – final da Libertadores de 97 (festa inesquecível – segunda vez que minha esposa foi comigo ao Mineirão).
    10) Cruzeiro 2 x 1 Paysandu – Brasileiro 2003 (eu estava lá).

  15. Maria Celeste disse:

    Lembro de alguns detalhes do último jogo. Começaram ganhando. O Revétria empatou na etapa final. Daí teve prorrogação. O Cruzeiro então marcou 2 gols. Um foi do Lívio. Foi realmente muito emocionante.
    Enquanto nossa história é recheada de páginas heróicas, a deles é cheia de micos. O Ortiz foi um deles.

  16. Flavio Carneiro disse:

    Exceto o jogo contra o Esab, todos os outros estão no livro “Jogos Imortais” do Bruno Vicintin.

  17. Nielsen CMA disse:

    Jorge,

    Parabéns pelo post, uma viagem no tempo.

    Quem quiser ver os gols do imortal Reivetria:

    http://www.youtube.com/watch?v=BZqQuMSSCw0

  18. Franklin Bronzo disse:

    Sempre desejei ver “gringos” no time do Cruzeiro. Claro, gringos da estirpe de um Perfumo, um Sorín, um Revétria. É inegável o espírito de luta e a garra que, geralmente, movem argentinos e uruguaios em campo. Além de saberem marcar melhor que os brasileiros. Os argentinos, em particular, têm o dom, que nos falta, de disputar uma dividida para ganhar, na bola, sem apelar para a falta. A tudo isso, soma-se a sua grande habilidade individual e o apurado jogo coletivo que praticam. Para a Libertadores, se chegarmos mesmo lá, seria benvinda a presença de um ou dois platinos na nossa equipe.

  19. maria José disse:

    Estava presente nos três jogos,vivi uma emoção incrível e uma felicidade única!O que mais gostei nessa entrevista, é como os jogadores antes eram mais profissionais,iam para os treinos discutindo táticas de jogo e também fazendo ilações de como ia se posicionar para fazer gols,as combinações de gestos com os companheiros.Acredito que hoje, quando acontece uma carona ,eles preferem ouvir seu pagode e mexer com as meninas,o jogo?ah,depois eles pensam.Futebol já foi mais bonito.

  20. Eduardo Arreguy Campos disse:

    Revetria merece todas as homenagens, pois ajudou a ganhar, na raça, um título que a imprensa mineira já tinha dado para a cachorrada.

    Por falar em imprensa mineira, lembro que assiti os jogos destas finais aqui em GV pela TV Itacolomi, narração de Ronan Ramos (ou era o Sasso?), através do chamado “duplo sinal”, seja lá o que for isso. O reporter de campo era o Luís Carlos Alves, atleticano doente, que tinha a mania de por o microfone perto da bola, na hora da cobrança de um escanteio (sempre do atlético mineiro) e após o chute, dizer: “vcs acabaram de ouvir… um córner.” Imbecil!

    Mas este idiota, em um dos dois últimos jogos da decisão, na hora do intervalo, interrompeu o narrador para dizer aos berros, em tom de edição extraordinária, que uma fonte lhe havia informado que o Barbatana tinha preparado uma jogada para o atlético, em que todos os jogadores, a um sinal dele, Barbatana, trocavam de posição, como um time de basquete e partiam para o ataque, confundindo totalmente a marcação do adversário.

    Porra, fiquei preocupado! O Cruzeiro vinha em declínio, pois o time tinha envelhecido e a reposição não era boa. O a. mineiro tinha um time jovem, com bons jogadores e bem treinado pelo Barbatana, além de superendeusado pela imprensa esportiva mineira. Pensei comigo: tamos fudidos, a jogada vai acabar conosco.

    Assisti o jogo cabreiro, esperando a qualquer momento a tal jogada que iria nos confundir. O Cruzeiro marcava um gol, eu comemorava rápido e voltava para a frente da televisão, preocupado com a jogada ensaiada. No final, deu no que deu, Cruzeiro campeão, show do Revetria e a jogada não apareceu.

    Assim como não me esqueço do Revetria, não me esqueço do FDP do Luís Carlos Alves. Afinal, não só os ídolos que nos deixam marcas. Sonho em poder dar um abraço de agradecimento no Revetria pelo título, assim como sonho em dar um abraço no Luís Carlos Alves e dizer-lhe baixinho: Luís Carlos Alves, VÁ TOMAR NO …!!!!!

  21. Arthur disse:

    Para quem tinha o radinho, ouvir a itatilaia implicava em ouvir o ALBERTO no início e um chato (falecido) VILIBALDO ALVES (lembram???). O terceiro jogo foi transmitido pra BH, pela TV, MINEIRÃO lotado, na prorrogação o JOÃOZINHO guardou o 3.o logo após a feitura do 2.o. Quem narrou foi o VILI, foi bomde mais ver o pateticano ter que se esguelar pra cantar gol do CRUZEIRO, ah! tadinha das franguinhas, CEREZO e Cia, saindo de rabinho mucho. Mas se não fosse REI-VETRIA num teria 3.a partida.

    Foi uma volta ao passado…pois é, e tem gente que quer o fim do MINEIRO…como diz o PYXIS “vai entender o que passa na cabeça do torcedor”… kkkkkkkkkkkkkkkkkk
    JS, bela entrevista!

  22. Dylan disse:

    O Luiz Carlos Alves fazia um programa com o Sasso chamado papo de bola na Itacolomi. Entrou no lugar do Kafunga e ficavam os dois na hora do almoço, um atleticano e outro americano descendo a lenha no Cruzeiro. O Kafunga pelo menos era engraçado, esse Luiz Carlos nem isto.

  23. Jorge Santana disse:

    Ronan Ramos, Vilibaldo Alves, Luiz Carlos Alves e Kafunga são atleticanos. Sasso, americano.

  24. Dylan disse:

    O Kafunga foi o único atleticano divertido que eu conheci até hoje. Quando era ele e o Sasso no papo de bola, não via tanta perseguição ao Cruzeiro. Quando ficou o Luiz Carlos Alves e o Sasso é que a coisa desandou. Tinha outro programa na mesma Itacolomy nas segundas a noite chamado Bola na Área que era também infestado de atleticanos.

  25. Luís Viana disse:

    Parabéns Jorge.

    Poderiam ser feitas outras, com Tostão, Alex, Joãozinho, Piazza, Jairzinho, Eduardo Rabo-de-Vaca, Zé Carlos, Raul, Nelinho, Palhinha e alguns outros idólos do passado e que não podem cair no esquecimento da nação azul.

  26. Walterson disse:

    Ouvi este jogo pelo radinho e torci demais. Foi muito bom uns tristicanos que moravam em frente a minha casa, que após passar a semana tirando sarro, com bandeira do galo tremulando (depois tremendo) no poste de luz e a todo momento gritando “galôôô”, enfiando o rabinho murcho entre as pernas e ter de aguentar a festa da maioria cruzeirense. Bão dimais!

    A confiança das frangas vinha daquela série invicta no Brasileiro e a perda do título sem nenhuma derrota, né não? Agora fiquei confuso: se a decisão do mineiro foi em Outubro então o Brasileiro era disputado no primeiro semestre. Alguem confirma aí, plis, pois minha memória não é das melhores.

    Flavio Carneiro, o Ortiz chegou a cortar o cabelo?

  27. Felix Araujo disse:

    Ainda a respeito da imprensa: Manchete do Diário da Tarde na segunda feira após o primeiro jogo: “O Bi começou com Danival”. Concordo com o Eduardo Areguy, o LCAlves é um dos atleticanos mais nojentos que a imprensa mineira já teve. Além de tudo é um jornalista medíocre e que se acha o máximo. Merece estar onde está, no obscurantismo (se não me engano, é editor da revista ou jornal de um clube de BH). A respeito do título de 77, foi um dos mais comemorados pela torcida celeste, que estava sendo literalmente humilhada pela torcida galinácea, pela imprensa e pelo palhaço Dureza.

  28. Mauro França disse:

    Walterson,
    Esclarecendo a sua dúvida: O calendário da época era bem confuso, com competições invadindo o ano seguinte.
    Assim, até março de 77 o Cruzeiro disputou apenas amistosos. A decisão do Mineiro de 76 aconteceu em duas partidas, nos dias 27/03 e 03/04 de 77.
    O Mineiro de 77 começou a ser disputado logo depois e foi interrompido em agosto, após a decisão do 2º turno, do qual o Cruzeiro sagrou-se campeão. Ao mesmo tempo, em julho, o Cruzeiro disputou a fase semifinal da Libertadores.
    A final da Libertadores foi disputada nos dias 06, 11 e 14/09.
    A final do Mineiro foi disputada nos dias 25/09, 02/10 e 09/10 de 77.
    No dia 16/10 começou a disputa do Brasileiro, que avançou pelo ano de 78. A final (Emplumados x SPFC) foi disputada em março de 78.

  29. Walterson disse:

    Valeu, Mauro, ralmente a coisa era confusa naqueles tempos. Salvo engano, neste campeonato chegou a ter 80 times disputando. O mote da época era: onde a ARENA tá mal, um time no Nacional; onde tá bem, tambem.

  30. José Carlos Damasceno disse:

    JS

    Basta ver a escalação dos 2 times para ver o nível deste clássico. Dos 22 jogadores escalados, pelo menos 11 haviam transitado pela seleção brasileira. Um nome tão importante quanto Revétria nestes 2 jogos foi o homão – Yustrich. Nos bastidores, soube como ninguém buscar a auto estima e a motivação para a grande reação. JS: uma pergunta não quer se calar: Precisava lembrar?

  31. Carlos Campos disse:

    eduardo campos….
    ESSE ABRAÇO , COM ESSE DIZER BAIXINHO…kkkkkkkkkkkkkkkkkkceres….não tem preço!
    perfeito o comentário… antologica a sua lembrança… como essas galinhas da imprensa deixaram marcas na nossa geração de Cruzeirenses….
    Os sentimentos são os mesmos…Esse LCA é um desqualificado absoluto q marcou nossas vidas. Não há como negar q essa turma LAPIDOU NOSSO CARATER DE CRUZEIRENSE. O Cruzeiro é grande e forte hoje e foi um “tiro pela culatra” na imprensa mineira.
    SALVE O CRUZEIRO!

  32. José E.M.Elias disse:

    Excelente post…
    Excelentes comentários.
    TODOS!
    Vou arquivar!
    Se não me falha a memória, o filho do Moleza disse algo assim:
    “Enquanto estivermos no “grorioso” eu, o Reinaldo, o Marcelo e o Paulo Isidoro a torcida do Cruzeiro pode desistir de vir ao Mineirão, pois vão perder todas”.
    Pois é, falastrão!
    Prá finalizar…
    Esse comentário do Eduardo “MATOU A PAU”

  33. Walterson disse:

    Elias, por que o chamam de “o grorioso”? Alguem sabe?

  34. Carlão Azul disse:

    Walterson e você acha que poderia existir uma alcunha mais idiota e descabida que essa pra esses patéticos.
    Me desculpe a falta de respeito (Sr. Damasceno, há excessões) mas só sendo pateticano mesmo (ugh!) pra chamar de grorioso um time tão pouco brioso (só pra rimar), ou melhor que praticamente inexiste em se tratando do quesito TÍTULOS.

  35. José E.M.Elias disse:

    Walterson…
    Ainda de cabeça quente por ontem, mas vamos lá.
    Segundo consta, o filho do palhaço Moleza, conhecido por “Tonin Cerezo” tinha ( e acho que ainda tem) dificuldade em pronunciar o “L”, dizendo “Atretico” e “grorioso”.
    E como foram os campeões (primeiro e única vez) brasileiros de 71 incorporaram essa palavra.
    Ai o pessoal cai de pau…grorioso de um título só.
    Confere Jorge?

  36. Jorge Santana,
    Você tirou o pão da minha boca. Já fiz o jogo dos 3 x 1 da final do Mineiro de 77 na coluna publicada em 31/03/2006.
    Mas, guardava este jogo dos 3 x 2 para publicar agora em Outubro para celebrar os 30 anos de uma das mais importantes conquistas cruzeirenses da história, por todas as nuances que aquela disputa de título encerrara.
    Era o tempo dos duelos :
    Revétria x Márcio Paulada +++ Joãozinho x Alves +++ Nelinho x Marcelo Pacote +++ Zezinho Figueiroa x JRLIma +++ Zé Carlos x Cerezo +++ Flamarion x Paulo Isidoro +++
    Erivelto x Danival …
    E fomos superiores no frigir dos ovos. Tivemos espírito de vencedores e superamos um grande adversário em campo, mas, também empáfia da crônica mineira…
    Mas, isto não importa agora. Ganhamos e o filho do Moleza teve que meter a viola no saco.
    Mas, o seu post é tão perfeito que não haveria caderninho d enotas que pudesse retratar melhor esta história.
    Um abraço – Chiabi

  37. Jorge Santana disse:

    Chiabi, sempre haverá um ângulo novo pelo qual se observar cada grande vitória. Importante é eternizá-las. Dia 9 tem mais. E a sua história, bem, vamos ver o que se pode fazer… Aguarde. Abs, JS

Deixe um comentário

Você precisa fazer o login para publicar um comentário.