Revétria: “A paixão pelo Cruzeiro é pra sempre”

Por SÍNDICO | Em 21 de julho de 2010

Silvério Cândido

Enquanto aguardava a chegada do time celeste no saguão do hotel, após os 3×0 sobre o Nacional em Montevidéu, tive a oportunidade de conhecer um de meus ídolos, o centroavante Hebert Carlos Revetria.

Ele teve passagem rápida, porém brilhante, pelo Cruzeiro dos anos 70. Os quatro gols que enfiou no Atlético-MG na decisão do Mineiro de 77 jamais serão esquecidos pelos cruzeirenses da minha geração.

Confesso que há tempos não me emocionava tanto ao encontrar um ídolo. Foram trinta minutos de conversa com o autor de uma proeza que marcou minha adolescência: a virada impossível sobre o time que a imprensa dava como campeão antecipado.

Revé

Minha primeira pergunta foi maldosa. Sabendo que foi revelado pelo Nacional, quis saber como estava seu coração após os 3xo do Cruzeiro sobre o Bolso.

O artilheiro se disse dividido porque, embora sem renegar as origens, sua paixão pelo Cruzeiro jamais arrefece. Afirmou ainda que todo mundo no Nacional estava apreensivo por saber da tradição copeira do Cruzeiro.

Sobre a fama dos times mineiros no Uruguai, a resposta foi a que eu esperava. Pouca gente sabe da existência do Atlético-MG, enquanto o Cruzeiro é conhecido e respeitado por todos os torcedores.

Revétria  acompanha o Cruzeiro pela televisão e garante que o time deste ano é superior ao de 2009, embora Ramires já não vista mais a azul-estrelada.

Como responsável pela organização da Copa Bimbo, aquela em que o Cruzeiro bimbou a Cocota em 2009 por 4×2, ele pode acompanhar de perto a evolução do elenco celeste.

Segundo ele, Thiago Ribeiro, Fabrício e Gilberto são espetaculares e o Cruzeiro joga fora de casa como se tivesse no Mineirão.

Revétria se disse chateado com a derrota para o Estudiantes na final da Libertadores 2009, mas acreditava que o time tem como voltar a brilhar no torneio continental em 2010.

Revétria perdeu o contato com os ex-companheiro da façanha de 1977. Sabia da morte de Morais e Zezinho Figueroa, mas não tinha notícia dios demais amigos.

Ele fez questão, contudo, de destacar a genialidade de Joãozinho, Nelinho e Raul Plassmann, três expoentes daquela conquista. E se mostrou muito preocupado com Vanderlei  Lázaro, que sabia ter sido apoiado pela AGAP em momentos difíceis.

No Uruguai, segundo ele, existe uma Mutual, que ajuda os jogadores mais pobres a comprarem casas decentes para abrigar suas famílias.

Revétria ficou surpeso quando soube que o jornalista Carlos César Pinguim mandou colocar um busto seu numa praça de Aimorés, cidade natal do jornalista cruzeirense. Quem confirmou a homenagem foi meu irmão Vicente.

Revétria lembrou-se de que, quando jogava no Cruzeiro, havia doado um caminhão de alimentos para flagelados daquela região, por isto, talvez, o tenham homenageado.

A cada resposta, Revétria pedia licença para ser fotografado ao lado de cruzeirenses que o viam. E sua atenção era a mesma para todos, fossem dirigentes ou torcedores.

Eu poderia ter ficado horas desfiando memórias da passagem do ídolo por Beagá, mas logo chegou a delegação celeste e, após um forte abraço, Benecy Queiroz o levou para conhecer os atletas do time atual.

Antes da despedida, ainda tirei uma foto e recebi um autógrafo, como teria feito qualquer torcedor que tivesse vivido aquela extraordinária epopéia de 1977.

Afinal, é como diz o poeta: “os sonhos não envelhecem…”

Silvério Cândido, 50, cruzeirense, advogado, nasceu em Esmeraldas, mora em Belo Horizonte.

32 comentários para “Revétria: “A paixão pelo Cruzeiro é pra sempre””

  1. RAUL MIRANDA PENNA disse:

    Sem dúvida, o Revetria foi o responsável por uma das maiores algerias que tive como torcedor do Cruzeiro. Somente quem acompanhou aquelas duas semanas de decisão sabe o que nós passamos.

  2. Celeste disse:

    Eu também me lembro muito bem daquela época. A imprensa já tinha por habito apequenar o Cruzeiro. O time de lá, depois dos 2×0 do primeiro jogo, foi considerado campeão. Acompanhamos o jogo (eu e meus 4 irmãos cruzeirenses) pela rádio Guarani. E depois vimos o compacto, à noite, pela Globo/Minas. Que felicidade! Obrigada Revétria!

    • Celeste disse:

      Vale a pena clicar ali na decisão do mineiro de 77. E, respondendo ao João Duarte, eu tinha 16 anos na época. E meus irmãos cruzeirenses são: Augusto (o mais velho que chamamos carinhosamente de Duto), José Maria, Magno e Jonas. Hoje não acompanhamos mais jogos juntos. Moramos em cidades diferentes. Mas a paixão pelo Cruzeiro só aumentou.

  3. Binho disse:

    Essa é uma das maiores alegrias de minha vida cruzeirense. A empáfia e arrogância dos abelhudos enfiados goela abaixo. Como é bom relembrar esse dia.

  4. Naldo disse:

    O que sei, é história. Mas, conhecendo o rival, a sua torcida e a imprensa mineira, é muito fácil imaginar o antes e o depois daquela final. Grande Revétria!

  5. simone b de castro disse:

    E pensar que esse tipo de jogador, que respeita o clube, a torcida, e que passa a ser até torcedor, está cada vez mais raro…Excelente o texto sobre a decisão. Grande Revétria!

  6. simone b de castro disse:

    Bem que ele podia ajudar a trazer o Forlán para o Cruzeiro, hein? hehehehe Sei que é sonho, viu, pessoal? rsrsrs

  7. Dylan disse:

    aquele campeonato mineiro foi o último suspiro de um time já envelhecido mas excepcional. A partida marcante do uruguaio foi a segunda quando ele marcou tres gols. Na final, o melhor do time foi o Flamarion, um nome hoje pouco lembrado pelo torcedor . Revetria incorporou Palhinha, Flamarion incorporou Piazza e o Cruzeiro venceu mais uma.

  8. Dylan,
    Foi a maior cagada de Felício Brandi o desfacelamento do time de 77. Raul foi para o Flamengo trocado pelo inexpressível Júnior Brasília e foi com ele no gol que o Flamenfo conseguiu deixar de ser um time do Rio e passou a ganhar tudo (6 vezes campeão carioca, tri-campeão brasileiro, campeão da Libertadores e campeão mundial). Rauil só foi encerrar a carreira em 1985. Nelinho saiu para o maior rival em 1982 e ainda jogou lá por 5 anos. Revétria vendido ao futebol mexicano em 78. Piazza encerrou a carreira por problemas crônicos no púbis Dirceu Lopes foi trocado com o Fluminense por Erivelto, que era bom jogador, mas, nem de longe chegaria a engraxar as chuteiras do Dez de Ouros.

  9. Mauro França disse:

    Acho que as saídas de Dirceu e Piazza não podem ser debitads apenas ao Felicio, visto que os dois estavam com problemas fisicos incontornáveis. (e ambos já haviam saído na época da decisão). O desmonte começou com as saídas de Palhinha e Jairzinho, e depois da decisão de 77, com a de Zé Carlos e Raul. O problema foi agravado pelas reposições mal sucedidas.

    • Mauro,
      Os problemas físicos de Piazza e Dirceu Lopes eram reais. Mas, lamentei deixarem sair também Jairzinho, Ronaldo Drummond e Jésum (foi para o Bahia, onde arrebentou emprestaram o Roberto César para o Operário de Campo Grande, que foi o grande condutor do time do MS naquele campeonato de 77.
      E trouxeram Eli Carlos (irmão do Silas, técnico do Grêmio), depois alcunhado de xistose, queimando uma nota preta nele, trouxeram Neca do São Paulo, buscaram Pablo Forlan, queimaram o dinheiro do Palhinha, muito mal. Para substituir os mestres Piazza, Zé Carlos e Dirceu Lopes trouxeram Flamarion, Erivelto e Eli Carlos errando redondamente na reposição. Os jovens sentiram a responsabilidade.

  10. Dirceu Lopes ainda jogou mais uns 3 anos, encerrando a carreira no Uberlândia. Teve problemas físicos que não recuperaou após a grave contusão que teve em 75.
    Eduardo foi vendido ao Corinthians onde brilhou e ganhou tudo o que podia a nível estadual, embora não levasse os gambás às conquistas nacionais. Jogou ainda até 85.
    Palhinha foi vendido ao Corinthians em 1977, por um milhão de R$, a maior venda do futebol brasileiro da época… Para minha tristeza voltou ao time das cocotas em 1980, ainda bem que eles não ganharam nada.
    O Cruzeiro ao invés de promover a reformulação aos poucos caiu no conto de Hélio Fraga, cronista atleticano e se desfez do time quase que de uma só vez. Entramos no período negro de 78 a 84.

    • Jorge Santana disse:

      Hélio Fraga era um tipo muito parecido com as hienas de hoje em dia. Dizia-se que era cruzeirense, mas ele era 100% contra o Cruzeiro. Nunca li uma linha escrita por ele que não fosse contra o Cruzeiro e a favor do rival citadino. Foi um dos maiores inimigos do Cruzeiro na imprensa mineira. Aqui mesmo no PHD a gente sabe como isto funciona. O sujeito se diz cruzeirense, mas torce contra o time, faz campanha contra qualquer inictiva visano arrecadar recursos para o clube e vove elogiando cartolas, jogadores e treinadores adversários. Prefiro lidar um um atleticano honesto como o Velho Damas do que essas hienas.

      • É isto Jorge Santana… concordo integralmente. Tem gente que não quer ver o bem do clube. Só sabe escrever CONTRA. Quando tem que escrever a favor, construir… aí se complica. Sei que o Damas é atleticano, sei que o Chico Maia é atleticano, sei que o Roberto Abras é atleticano… melhor lidar com gente assim, do que com alguns tipos que aparecem no ar. Tem gente na NET, que torce os fatos para construir uma mentira como se fosse verdadeira. Não sei como classificar este tipo de comportamento… Prefiro quem escreve às claras e justifica os seus porquês… Não é mesmo?

      • Jorge Santana disse:

        Tem gente que não gosta do ZZP, por isto torce para o time perder. Não gosta do Adílson, torce contra. Não gosta do Paraná, torce contra. Torcendo pra si mesmos, essas hienas torcem contra o Cruzeiro. A hiea se diz cruzeirense, mas kartola honesto, pra ela, é o Bojirroto, treinador é o Telê, repórter é o Morais, guia espiritual é microfonista adversário.

  11. Celeste,
    REIvétria foi responsável por uma de minhas maiores alegrias futebolísiticas em todos os meus 51 anos de idade, completados no último dia 07/07… Após o 1° jogo das finais, com vitória deles, Cerezo foi às rádios e vaticinou que enquanto ele, Reinaldo, Marcelo e Paulo Isidoro estivessem no time da ROSAnas o cruzeirense deveria levar lenços para o Mineirão, para chorar. Foi Revétria que meteu 3 de cabeça neles e fez o monstro ruir, cambalear. Foi Revétria que empatou a negra aos 27′ do 2° tempo e deixou o boxeur cacarejante na ponta dos pés, mas, coube a dois meninos criados na base cruzeirense jogar a empáfia no chão. Lívio Damião (o gêmeo do Luiz Cosme) e o grande Joãozinho. Outubro/77 inesquecível.

    • claudio(xina)lemos disse:

      os lançamentos do Nelinho para livio e joãozinhno foram duas obras de arte.

  12. Matheus Reis disse:

    Belo texto, Silvério. Triplamente esclarecedor pra gente, como eu, que não teve o prazer de presenciar a história. Belíssima a entrevista do JS e a resenha do Chiabi.

    E como o link dos gols parece quebrado, garimpei no youtube um link funcionando. Estão aí o 4 gols do Revetria: http://www.youtube.com/watch?v=OzwuLyyzdm8

  13. Beth Makennel disse:

    Obrigado Revetria! Aquele dia eu simplesmente lavei minha alma. Que desabafo a vitória me permitiu. Que dia inesquecível! Tentaram me humilhar antes do jogo e ao final aquela vitória maravilhosa e empolgante. Acabei com a raça dos pateticanos durante um bom tempo. Eles me pagaram caro. Este jogo com toda justiça faz parte das páginas heróicas imortais do nosso Cruzeiro Esporte Clube.

  14. Humm disse:

    Ainda lembro da manchete do Diário da Tarde após os 3X2. “Deu revertério na decisão”, ou seja, a imprensa atleticana já dava como certa a vitória. E tenho aqui a gravação dos gols do último jogo (3X1 na prorrogação), o Vilibaldo Alves era uma lamentação só.

  15. Alan Mendonca disse:

    Aproveitando que o JS ta falando de Hienas, e bom lembrar a essas simpaticas criaturas, que mesmo combatendo o presidente, o treinador, os jogadores, os torcedores e sobretudo o Cruzeiro, as verdades abaixo jamais se alterarao.

    A Historia nao mente e jamais vai mudar,sempre verei meu ruzeiro jogar pra ganhar!

    A Historia nao mente e jamais vai mudar! Sempre verei as frangas perder e chorar!

  16. Damas disse:

    Se não houvesse Revetria o CAM teria sido eneacampeão (9 vezes seguidas). Este sim, a meu ver, o grande feito do Uruguaio que ninguém comentou.

  17. Hugo 5erel0 disse:

    Quando vejo alguém falando do Revétria, me lembro do Dylan e do meu ex-sogro. Os dois são as pessoas que mais gostaram daquele ano de 77. Deve ter sido um grande ano cruzeirense. Pelo título histórico e pelo alívio de o SPFW não ter deixado o rival campeonar.

  18. claudio(xina)lemos disse:

    Inesquecível, eu tinha apenas sete anos de idade, e a prorrogação do jogo decisivo passou pela tv foi maravilhoso, sensacional aquela vitoria, os lançamentos do Nelinho os gols do joão e do livio. Página inesquecível para mim. Não aguentava mais o viligalo falando dos cerezos da vida. Na escola já estava um prenuncio do inferno que eu passaria de 78/84 quando Carlos Alberto Seixas e outros me fizeram dar a volta por cima.

  19. Walterson disse:

    Fiquei sabendo agora da morte do Morais e do Zezinho Figueroa. Mas que ano inesquecível.

  20. Vinicius Cabral disse:

    Meu pai, vez ou outra, relembra desta final. Pelo que ouço, deve ser TOP 3 entre as finais de estaduais. Quem sabe a melhor da história, pelo fato das cocotas terem vencido o primeiro jogo, por tudo o que foi dito nos bastidores e também porque as cocotas saíram na frente nos dois jogos seguintes e tomaram a virada.

  21. Romarol disse:

    Lendo o post que remetia a entrevista do JS com o Revétria, ao lado tinha um post do “Faz…nadinha”. Como o mundo dá voltas! http://cruzeiro.org/blog/o-garcom/

  22. Flavio Carneiro disse:

    Rei, Rei, Rei, “Rei”vétria é nosso Rei! Quanta saudade desse grito no Mineirão…

  23. silverio candido disse:

    Pois é amigos, só quem vivenciou aquela época, sabe da emoção que foi encontrar com o Revétria. O tíluo de 1977 segundo a imprensa e principalmente o Toninho Cerezo já era das cocotas. Revétria fez os 4 gols que, além de encerrar o ciclo do goleiro ORtiz nas frangas, nos deu o título do mineiro, talvez um dos mais festejados pelos cruzeirenses.