Retranca providencial: lição estratégica, tática e operacional

Por Jorge Angrisano Santana | Em 29 de agosto de 2010

Marcel Fleming

Fosse Cuca um Executivo e teria feito jus a um bônus em ações pelo jogo contra o Corinthians.

Começando a sentir a pressão pelos resultados anteriores, Cuca traçou a meta de vencer o jogo. Ponto. Não havia muita opção. Não só para agradar a quem fica de fora, mas também para que a cabeça dos jogadores ficasse mais tranqüila.

Sabendo que a missão era dura, dado o passeio de domingo do adversário sobre o SPFC, Cuca traçou a Estratégia: defender primeiro.

Definida a estratégia, Cuca armou taticamente o time de maneira a fazer uma marcação que raramente se vê no futebol brasileiro. Não vou perder tempo, descrevendo-a, até porque já o fizeram aqui no PHD, e de maneira bem competente.

Cuca fez o certo para o momento: os 3 pontos foram mais que bem vindos. O Cruzeiro neste momento é um time em reestruturação – coisa que imprensa insiste em esquecer. É um time que está “trocando o motor em voo”. E precisávamos desses 3 pontos de qualquer maneira. E a maneira que o Cuca encontrou surtiu efeito. Ponto para o Cuca. Aliás, 3 pontos para o Cuca.

Mas o que me impressionou foi o “operacional”. O Cruzeiro conseguiu manter a marcação forte os 90 minutos e, de fato, melhorou-a no segundo tempo, em que o SCCP praticamente não chegou.

Considerando-se o padrão típico dos times brasileiros em geral, e do Cruzeiro em particular, manter tal marcação quase os 90 minutos serviu para demonstrar algumas coisas interessantes e, para mim, foi um alento após a derrota para o Vitória.

Deixei de lado minha vontade de ver um futebol bonito e ofensivo, coisa que o Cruzeiro já fez muitas vezes e fiquei contente em ver que o time tem condições de ser pragmático e competitivo.

Mais ainda, serviu para ver que o Cuca tem liderança sobre o time.

Foi muito bom ver a aplicação tática dos jogadores. Eles precisavam dessa vitória e dava a impressão que fizeram um pacto de verdade por ela.

Se pudesse dar um conselho a Cuca seria o seguinte: não tente apressar demais as coisas. Não se preocupe em prometer jogo bonito e ofensivo para satisfazer outros. Não se esqueça que o SPFC foi campeão 3 anos seguidos com um time que quase não tomava gol e ganhava de 0,5 a zero, mas ganhava.

E nós torcedores temos um ótimo momento para apoiar e mostrar aos detratores que cruzeirense é torcedor sim… Vamos reconhecer o esforço e dedicação do time e criar um ciclo psicológico virtuoso.

Quero mais 3 pontos no sábado!

De bate-pronto

Eu sempre prometo a mim mesmo que não comentarei mais a “imprensa-torcedora”. Mas não consigo. Os comentários da imprensa são tendenciosos e dão atestado de falta de isenção e incompetência de comentaristas. Em especial, achei lamentáveis os comentários de Juca Kfouri e Bob Faria.

Surpreendeu-me, positivamente, a isenção do comentarista ex-jogador corintiano, Neto. Foi isento nos comentários, mesmo deixando transparecer certa torcida para o SCCP. O que torna ainda mais louvável a isenção dele em avaliar a arbitragem e a postura do time do Cruzeiro.

JK se superou. Conseguiu ver “graves erros de arbitragem”. Eu consegui ver um “erro” de arbitragem: J. Henrique do SCCP deveria levar 2 amarelos. Houve um lance em que ele deu um carrinho e deveria ter sido amarelado antes daquela vez em que o foi efetivamente.

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