Quem não comeu o pão amassado pelo diabo…

Por Jorge Angrisano Santana | Em 20 de setembro de 2010

Como é de praxe, consumada mais uma cepada no Atlético-MG, liguei a Itatiaia pra degustar o Seu Nome, Seu Bairro.

Desta vez, contudo, não ouvi desabafos bombásticos. Parece que os entrevistados foram selecionados entre a elite da torcida.

Depois, ouvi a coletiva do Luxa e os comentários do Júnior Brasil, que pediu para o técnico se afastar pelo bem do clube.

O comentarista aferiu a opinião média da torcida e se alinhou com ela. Processo bem diferente do que aconteceu com Adílson Baptista, que foi caçado impiedosamente pela mídia belzontina.

Caçada que contou com a entusiástica adesão dos cruzeirenses condicionais.

Mas o que chamou a atenção foi a história de vida, que o treinador contou pra explicar o porquê de não pedir o boné.

Quem passou necessidade na infância, enfrentou CPI e foi perseguido na maturidade, jamais entrega os pontos, ele garante.

Aqui no PHD, a entrevista serviu de motivo pra chacota. Eu vou remar, mais uma vez, contra a correnteza pra dizere que ouvi com respeito a declaração do Luxa.

Embora tenha restrições a muitas de suas atitudes, embora já não o considere o treinador de ponta que foi entre 1991 e 2004, devo render homenagem à coragem dele.

Um sujeito fraco qualquer, já teria sucumbido às pancadas da vida. Às pancadas do insucesso e também às do sucesso.

Wamderley Luxemburgo resiste. Dirão que é por conta da multa contratual. Mas o que sabemos disto? Nós apenas especulamos.

Certo é que o cidadão está passando por outro inferno astral. E não dá mostras de que vai arriar a mochila.

Se quem não dormiu no sleeping-bag nem sequer sonhou, quem não comeu o pão que o diabo amassou na infância nem sequer imagina a capacidade de resistência de uma pessoa que abriu caminho no peito e na raça.

Vou continuar torcendo contra o Atlético-MG. Mas não posso deixar de manifestar simpatia pela coragem do Luxa.

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