Procópio, a raça e a classe de um dragão…

Por SÍNDICO | Em 23 de janeiro de 2010

Salinas-MG, 21mar39

  • “Procópio jogou de espora e penacho como um Dragão de Pedro Américo.”

A imagem que Nelson Rodrigues usava para incensar os heróis do Fluminense ajustava-se ao estilo imponente de Procópio Cardozo Neto.

E ficou perfeita na crônica do dia seguinte ao Fla x Flu, pelo Torneio Rio-São Paulo, em 22abr64, em que Procópio fez o gol de empate aos 41 do 2º tempo:

  • “O Flamengo vencia por 1×0 quando desarmei o centroavante Aírton, lancei o Carlos Alberto Torres e fui pro ataque. Nosso lateral foi à linha de fundo, cruzou e eu peguei a bola de primeira, ainda no ar.”

O jornalista Ruy Castro explica:

  • “Era assim mesmo, sem mencionar o quadro, na certeza de que seus leitores sabiam que Pedro Américo foi um pintor e que o Dragão a que ele se referia não era o do São Jorge, mas um dos Dragões da Independência -regimento de cavalaria que escoltou Dom Pedro I no dia do Grito do Ipiranga-, que o pintor retratou.”

Em 1968, numa mesa-redonda da TV Belo Horizonte, João Saldanha também confessou sua admiração pelo becão:

  • “Procópio joga no meu time.”

Poucos jogadores podem se orgulhar de elogios tão definitivos dos dois maiores cronistas esportivos do país.

Interessante é que a imagem do dragão, coincidentemente, remete às origens da carreira de Procópio, iniciada num 7 de setembro de 1958.

7 de setembro de 1958: o dragão entra em campo

Na primeira metade do século pasado, Salinas -500 Km a nordeste Belo Horizonte, no Vale do Jequitinhonha- vivia em guerra. Uma das vítimas foi o procurador de justiça, João Cardozo de Araújo, pai de Procópio.

Em 1950, para afastar o filho dos conflitos políticos, Dona Isaura Ladeia de Araújo internou Procópio no Ginásio Batista Mineiro, na Capital.

Em Belo Horizonte, Procópio, após as aulas e as tarefas escolares, Procópio gastava o tempo jogando futebol. Primeiro no time infantil do Atlético. Depois, foi o artilheiro do juvenil do Renascença, vice-campeão da categoria, em 1957. Sempre como ponta-de-lança, camisa dez.

Em 1958, o Renascença, time de uma fábrica de tecidos, que só se dedicava às categorias básicas, deu a Gerson dos Santos, ex-zagueiro do Cruzeiro e do Botafogo, a incumbência de montar seu primeiro time profissional.

Com poucos recursos, o treinador armou uma equipe mesclada de veteranos vindos dos grandes clubes da cidade e de juvenis da casa.

Com poucos jogadores no elenco, Gerson dos Santos treinava entre os reservas. Nesse dia, precisando de um companheiro de zaga, ele pediu ao treinador dos juvenis, Vicente, pra indicar mais um juvenil.

Como era feriado de 7 de setembro, Procópio estava na arquibancada do Estádio dos Eucaliptos e foi convocado para a missão.

  • “Eu era atacante, mas topei porque não podia perder a chance. E o melhor foi que eu e o Gerson paramos os titulares, que tinham Sabu e Lazzarotti, ex-cruzeirenses, Gaia e Zuca, ex-americanos.”

O primeiro desafio profissional de Procópio foi marcar Ubaldo, ídolo da torcida do Atlético-MG.

  • “Os zagueiros colavam no Ubaldo e ele, muito rápido, desvencilhava-se e partia sozinho pro gol. Eu fazia diferente. Deixava ele dominar a bola pra dar o bote. E ainda costumava driblá-lo, antes de sair jogando. Ele perdia a confiança e não incomodava mais…”

Da Renascença para o Barro Preto

Felício Brandi, presidente do Cruzeiro, que andava à procura de um marcador para centroavante alvinegro, entusiasmou-se com a descoberta do beque do Renascença e o contratou em 19fev59:

  • “Felício pagou 36 mil cruzeiros pelo meu passe e eu assinei por 7 mil mensais. Antes, avisei que sentia fortes dores no pé esquerdo e não tinha certificado militar. Era insubmisso por não ter me apresentado ao Exército devido à morte do meu avô. Felício pediu ao Dr. Renato Zuppo pra cuidar do assunto militar e fui dispensado por ser arrimo de família. O problema no pé era mais simples. Estava fraturado e eu não sabia, pois o Renascença não tinha departamento médico. Quando me curei da fratura, apareceu uma distensão que me deixou parado mais três meses. Os cornetas não perdoaram. Diziam que eu era do time do come-e-dorme. Sorte que Felício confiava em mim.”

Em 1960, Procópio conquistou seu primeiro título profissional, o Campeonato Mineiro de 1959. Mais uma vez, fazendo nome em cima de Ubaldo.

No turno, o Cruzeiro venceu por 2×1 e os dribles sobre o centroavante se repetiram. Depois do jogo, Ubaldo atribuiu o baile à chuva e ao gramado pesado.

Cruzeiro 2×1 Atlético-MG, domingo, 24jan60, 15h, Estádio Independência, Belo Horizonte, 10ª rodada do 1º turno do Campeonato Mineiro – Público: 10.000 (estimado) – Renda: R$256.320,00 – Juiz: Witan Marinho – Gols: Tomazinho, 25do 1º tempo, Emerson, 5, Gradim, 35 do 2º tempo – Cruzeiro: Genicvaldo, Massinha e Procópio; Nilsinho, Amaury de Castro e Cléver; Gradim, Nelsinho, Dirceu Pantera, Emerson e Raimundinho. Tec: Niginho / Atlético-MG: Walter, Anísio Clemente e Benito Fantoni; William, Ílton Chaves e Laércio; Maurício, Tomazinho, Ubaldo “Miquica” Miranda, Beto e Murilinho. Tec: Arthur Nequessaurt.

No returno, outra vitória, agora por 3×2. Mais um baile. Encabulado, o centroavante se recusou a dar entrevistas. Afinal, o campo estava seco e as arquibancadas lotadas, não havia desculpa possível.

Cruzeiro 3×2 Atlético-MG, domingo, 21fev60, 15h, Estádio Independência, Belo Horizonte, 6ª rodada do 1º turno do Campeonato Mineiro – Público: 27.000 (estimado) – Renda: R$938.520,00 – Juiz: Antônio Viug (RJ) – Expulsões: Nelsinho (Cru), William (Atl) – Gols: Dirceu Pantera, 7, Amaury de Castro (pênalti), 9, Laércio, 32, Raimundinho, 37 do 1º tempo; Maurício, 5 do 2º – Cruzeiro: Genivaldo, Massinha e Procópio; Nilsinho, Amaury de Castro e Cléver; Raimundinho, Nelsinho, Dirceu Pantera, Emerson e Abelardo Flecha Azul. Tec: Niginho / Atlético-MG: Fábio, Anísio Clemente e Benito Fantoni/ William, Ílton Chaves e Laércio; Maurício, Tomazinho, Ubaldo “Miquica” Miranda, Colete e Alvinho. Tec: Arthur Nequessaurt.

A zaga perfeita

Procópio era um profissional sério, esforçado e, -por que não dizer?-, fominha.

  • “Eu saia das aulas na Escola de Direito e nem passava no Hotel Financial, onde morava. Ia diretamente pro Barro Preto bater bola com o Massinha, meu companheiro de zaga, que morava debaixo das arquibancadas do Estádio JK. Devo a ele a capacidade de pegar de primeira qualquer bola, o que, tanto servia pra rebater quanto pra marcar gols. Massinha era um beque vigoroso, capaz de dar um toco de cabeça pra impedir um chute do atacante, como eu vi num jogo em Vitória. Além de corajoso, ele tinha estopim curto. Num jogo contra o Siderúrgica, após ser chamado de macaco, ele meteu o dedo na cara de Silvestre e avisou: ‘Tá bom, agora você vai pro pau da goiaba!’ Silvestre sumiu. Qualquer um afinava quando o Massa ficava bravo. Nós formamos uma boa zaga: ele dava o combate direto, eu saia jogando.”

Procópio se comove com a simplicidade do velho camarada:

  • “Massinha era generoso, disponível para os amigos, mas perdia a paciência à toa. Não aceitava desaforos. Em 1967, fomos a Caracas jogar contra o Deportivo Itália, pela Libertadores, e eles estava lá, em fim de carreira. Na metade do 2º tempo, Aírton Moreira mandou o massagista Leopoldino, amigo do Massa, dar instruções ao time pra jogar pela esquerda. Massinha ficou uma fera e botou o Leo pra correr. Mandar o time explorar sua falta de fôlego, era uma traição que o velho amigo cometia.”

Idas e vindas

Em 1961, Procópio foi para o São Paulo, mas voltou no ano seguinte pra se casar com Mariam, irmã de William, que seria seu parceiro de zaga no Atlético e na Seleção Mineira campeã brasileira em 1963.

Depois do título, William foi para o América carioca e Procópio para o Fluminense, onde levantou o campeonato de 64 antes de se transferir para o Palmeiras.

  • “Lembro-me, especialmente, de duas grandes vitórias: um 5×0 sobre o Santos que deu início à minha rivalidade com Pelé e um de 3×0 sobre o Uruguai, quando o Palmeiras vestiu a camisa da Seleção Brasileira.”

Este jogo, num outro 7 de setembro marcante de Procópio, fazia parte do programa das festas de inauguração do Mineirão.

Em 1966, Procópio voltou ao futebol mineiro. Ficou pouco tempo no Atlético e foi recontratado por Felício Brandi. No Cruzeiro, ele repetiu o tri de 59/60/61, participando de três -66, 67, 68- dos cinco títulos da Academia Celeste nos anos que se seguiram à inauguração do Mineirão.

  • “O time era extraordinário, mas tinha pouca força física. Eu e o William é quem garantíamos a integridade dos meninos peitando os adversários que apelavam para os pontapés.”

Cruzeiro 1 x 0 Fluminense, quarta-feira, 09nov66, 21h, Mineirão, jogo de ida das semifinais da Taça Brasil 1966 – Juiz: Cláudio Magalhães (RJ) – Bandeiras: Joaquim Gonçalves da Silva e Silvio Gonçalves David (MG) – Público: 55.000 – Renda: Cr$101.945.400,00 – Gol: Evaldo, aos 30 segundos do 1º tempo – Cruzeiro: Raul; Pedro Paulo, William, Procópio e Neco; Wilson Piazza, Dirceu Lopes e Tostão; Natal, Evaldo e Hilton Oliveira. Tec: Aírton Moreira / Fluminense: Jorge Vitório; Oliveira, Caxias, Altair e Bauer; Denílson e Jardel (Roberto Pinto, aos 41 do 1º tempo); Amoroso, Samarone, Mário e Lula. Tec: Tim. Nota: Reestréia de Procópio no Cruzeiro.

Campeão brasileiro

Nessa ocasião, Procópio ganhou seu maior título, a Taça Brasil de 1966:

  • “Tem gente que não aceita, mas a verdade é que fomos campeões brasileiros. Pra disputar a Taça Brasil, era preciso ser campeão estadual. O Cruzeiro jogou 22 partidas antes das 8 da Taça, propriamente dita. E decidiu o título com o Santos, pentacampeão brasileiro e o melhor time do mundo.”

Depois dessa decisão, a rivalidade com O Santos explodiu. Os times começaram a ser comparados. Muita gente dizia que o Cruzeiro de Tostão e Dirceu Lopes estava tomando o lugar do decadente time de Pelé & Cia.

O Santos passou dez anos sem vencer o Cruzeiro desde os 4×2 de 1958, em que Zizinho vestiu a camisa azul. E só conseguiu quebrar a escrita com um 2×0 em 13out68. Foi um dia fatídico para Procópio.

  • “O jogo estava quente. Pelé, Darci Menezes (zagueiro) e Murilo (lateral-esquerdo) andavam às turras. Eu avisei ao José Mário Vinhas que, se a violência do Santos não fosse punida, o jogo não acabaria bem. O juiz não tomou atitude e o Pelé, que estava entrando duro em todas as jogadas, me chutou o joelho quando eu tentava passar a bola ao Murilo. A rótula foi parar no meio da coxa. Foi uma dor tão forte, que desmaiei. Dr. Neylor Lasmar me levou para o Hospital das Clínicas. Fui engessado e viajei deitado no piso do avião no voo de volta a Belo Horizonte. Na chegada, me levaram para o Hospital Felício Rocho. Meu joelho parecia uma bola. Fui operado, imediatamente. E a imprensa decretou o fim da minha carreira.”

Cinco anos, um mês e treze dias…

Somente Procópio e sua mulher, Mariam, acreditaram na recuperação. Estavam certos. Cinco anos, um mês e treze dias depois, em 26nov73, o beque retomou sua carreira jogando contra o Vasco, no Maracanã.

  • “Machuquei a duas semanas do vencimento do contrato, que não foi renovado. Gastei minhas economias no tratamento. Foram três anos e meio de terapia no Hospital Arapiara e quase vinte meses pra consolidação da cura e recuperação física e técnica. No jogo de volata, perdemos por 3×1, mas dividi os prêmios de melhor em campo com o Perfumo. E olhe que tivemos correr atrás dos garotos Dé e Dinamite. Joguei mais dois anos e parei, em 1975, pra iniciar a carreira de treinador.”

Saindo de campo

O primeiro emprego foi no time de juniores do Cruzeiro. Depois, ele passou pelo Atlético-MG –onde se tornou recordista de títulos– América, Fluminense, Goiás, Bahia, Internacional, Al Arabi, do Catar –indicado por Evaristo Macedo.

O maior título como treinador, embora nem fosse titular do cargo, ele  conquistou em 1977, com o Cruzeiro.

  • “O Atlético venceu por 1×0 a primeira partida da decisão do Mineiro. Depois do jogo, Toninho Cerezo deu entrevista dizendo que, enquanto ele e Reinaldo jogassem, o Cruzeiro não venceria o clássico. À noite, recebi uma ligação do Felício me convocando pra ir à Toca na manhã seguinte. Fui e encontrei o presidente e o Yustrich, treinador do time profissional, me esperando. Felício disse que não pretendia demitir o técnico mas que, para o segundo jogo, a incumbência de escolher a tática seria minha. Yustrich aceitou e eu e o presidente começamos a trabalhar pra levantar o ânimo da rapaziada. Escrevemos as declarações do Cerezo no quadro-negro dos vestiários e os jogadores tiveram que conviver com aquela humilhação a semana inteira. Também mandamos o Joãozinho e o Eduardo Amorim jogarem adiantados, o contrário do que vinham fazendo. Pedimos ao Nelinho para cruzar quantas bolas fossem possíveis em direção ao Revetria, que ficaria plantado na área. Vencemos por 3×2 com gols do uruguaio, dois deles de cabeça.”

A semana que antecedeu o terceiro jogo foi de reversão de expectativas. A torcida e o time do Atlético sentiram o peso da decisão e perderam a iniciativa. No domingo, a torcida do Cruzeiro lotou o Mineirão e empurrou o time:

  • “Colocamos o Flamarion em cima do Paulo Isidoro, o Erivelto, jovem  de muito fôlego, marcando o Cerezo e o Zezinho Figueroa, que tinha muita mobilidade, colado no Reinaldo. Do famoso quarteto atleticano, só o Marcelo não recebeu marcação especial. Mas ele não teve com quem jogar. O Atlético saiu na frente, mas empatamos com outro gol de cabeça do Revetria na metade do 2º tempo. O jogo foi para a prorrogação e o Atlético ficou com medo. O risco de uma derrota pesou. Nossa torcida, ao contrário, ficou eufórica com a possibilidade de outra virada e jogou com o time. Lívio e Joãozinho marcaram os gols do título. Na semana seguinte, estava , de novo, trabalhando na base. Só tive outra oportunidade em 1978, quando o Zé Duarte sofreu um acidente. Nessa curta passagem, levei o time ao 1º lugar do campeonato, mas quando o técnico titular se recuperou, retornei ao comando do time juvenil.”

Como treinador, Procópio ganhou muitos títulos e brigou com  muitos torcedores e cartolas corneteiros.

A receita do sucesso foi nunca desperdiçar nenhuma lição. Ele sempre prestou atenção e tentou assimilar as lições dos treinadores com quem trabalhou.

De Niginho, que ele considera o maior da história do Cruzeiro, ele se lembra, especialmente de uma sexta-feira antes de um jogo contra o Villa. Nessas ocasiões, muitos jogadores se contundiam pra escapar do Alçapão do Bonfim.

  • “Numa dessas sextas, Niginho reuniu o time no meio de campo e perguntou se havia alguém contundido. Não havia porque as lesões só iam aparecer durante o treino, é claro. Foi aí que o treinador deu o pulo do gato: ‘Então, não tem treino, vamos jogar baralho pra evitar qualquer acidente!’”

Com tantas lições aprendidas –só no Cruzeiro jogou 215 partidas e marcou 6 gols- Procópio perde a paciência com cartolas e torcedores que se julgam mais entendidos do que os profissionais do ramo.

Quando interferem em seu trabalho, tal qual um dragão, ele solta fogo pelas ventas. E por reagir às provocações e palpites sem fundamentos, seus críticos dizem que ele tem pavio curto.

O pavio pode ser curto, mas a folha de serviços prestados aos rivais de Belo Horizonte é longa. Como jogador e treinador ele assinou nove contratos com o Cruzeiro e dez com o Atlético.

Quando fala o coração

Mas e o time de coração? Ele não confessa, mas deixa pistas:

  • “Na infância, eu era botafoguense. Depois, como profissional, sempre me dediquei ao clube para o qual trabalhava. Mas uma coisa é inegável, o momento mais feliz da minha vida, o time que me traz as melhores recordações foi o Cruzeiro do tricampeonato de 59/60/61. Aqueles colegas de equipe, até hoje, são meus amigos. Foram os melhores anos da minha vida.”

Cruzeiro 3×1 Democrata (Sete Lagoas), domingo, 20mar60, 15h, Estádio JK, Belo Horizonte, 10ª rodada do Campeonato Mineiro de 1959 – Público: 11.000 (estimado) – Renda: Cr$306.570,00 – Juiz: Joaquim Gonçalves – Expulsão: Amauri (Dem) – Gols: Hilton Oliveira, 4 do 1º tempo; Emerson, 14 e 19, Barrica (pênalti), 23 do 2º – Cruzeiro: Genivaldo, Massinha e Procópio; Nilsinho, Amaury de Castro e Cléver; Raimundinho, Mirim, Dirceu Pantera, Emerson e Hilton Oliveira. Tec: Niginho / Democrata-SL: Caixinha, Amauri e Gegê; Gerson, Rui e Nelsinho, Sinonô, Nino, Bertolo, Chiquinho e Barrica. Tec: João Vermelho. – Nota: Foi o jogo da conquista do Campeonato Mineiro de 1959. O América ainda tentou impugnar o título, alegando ter direito de jogar mais 8 minutos da partida em que foi derrotado pelo Democrata, por 2×1, em Sete Lagoas, mas perdeu a causa e o título celeste foi homologado em junho de 1960.

Livro: Páginas Heróicas, vol. II

57 comentários para “Procópio, a raça e a classe de um dragão…”

  1. RAUL MIRANDA PENNA disse:

    Que bela matéria. Procópio figura, tranquilamente, no meu Cruzeiro de todos os tempos. A propósito, quando é que será lançado o PH II ?

  2. Dylan disse:

    Para muita gente da minha geração o Procópio é uma figura muito ligada ao Atlético, até meio folclórico e a trajetória espetacular dele no Cruzeiro acaba ficando em segundo plano. Nunca o vi jogar mas lembro que sempre que alguém queria assinalar como o Pelé era mau em campo vinha essa história de que ele quebrou a perna do Procópio. Na verdade, ele é uma lenda viva pois conviveu com várias gerações de gigantes do Cruzeiro. Foi treinado por Niginho, jogou com Amaury de Castro e depois com aquela academia da Taça Brasil. só para assinalar que o Nelson Rodrigues também criou outra alcunha inesquecivel para mais um craque do Cruzeiro quando chamou o Tostão de “anão de Velazquez”.

  3. Elias disse:

    Eita Procopão. Com ele não tinha lesco-lesco não…

  4. Elias disse:

    E olha que frase estranha ao futebol…”Os cornetas não perdoaram”…

  5. Romeu CMD disse:

    1965, ano que comecei a torcer no futebol. Claro, para o Cruzeiro. Procópio foi realmente muito bom. Muito alto para a época, bom cabeceador, lider dentro de campo. Infelizmente, como homem comum, é grosseiro e bruto. Encontrei-me umas 3 vezes com ele em locais públicos, tais como banco, drgaria etc. Sempre fazendo alguma falta de educação. Deve ser patético!

    • Jorge Santana disse:

      Todas as vezes que conversei com o Procópio, fui tratado com educação e, sobretudo, atenção. Ele sempre se dispôs a contar histórias e gastou seu tempo sem pressa. As que estão neste post são apenas uma pequena parte delas. Ele tem um jeito de falar que, às vezes, pode ser confundido com grosseria. Mas não é. Tenho um cunhado parecido. À primeira vista, o dão como mal educado. Depois, percebe-se que é apenas um sujeito com um tom de voz um pouco acima do habitual.

  6. Romeu CMD disse:

    “grosseiro e bruto” – esplicando: em tempos recentes, de 15 anos para cá.

  7. matheus t penido disse:

    Por histórias como essa ontem comprei livro do Jorge e se for lançado compro tb o segundo. Show de bola.

  8. Mauro França disse:

    Esses posts – espetaculares – só reforçam a ansiedade pelo PHD Vol. II. Grande figura o Procópio, que uma vez mandou uma banana pra torcida patética.

  9. walfrido disse:

    Mais um excelente capitulo do PHI II que tenho medo de jamais ler. Cadê a editora pra editar? Krái! Agente manda tanto email e carta pro Cruzeiro, jornalista, mkt e até pra atletiaia. Tá na hora de nos mobilizarmos para acelerar essa edição aí do PHI II. Quem topa? Publica o email aí que eu ajudo a botar pilha… ehehehehe.
    Ass: Walfrido “taliban azul” Jr

    • Jorge Santana disse:

      A coleção saiu pela DBA, de São Paulo. Mas os direitos, atualmente, são da Ediouro. Mandei os originais do primeiro volume, a pdeido da editora, com acréscimo de 100 páginas, em dezembro de 2008. Eles estavam, à épocva, reeditando toda a coleção. Até agora, o livro não saiu. Nem a segunda edição dos demais da coleção. Não tenho a menor idéia do que está acontecendo.

      • walfrido disse:

        Sou meio lento, vc sabe. Então é pra catracar a Ediouro, é isso?

      • Jorge Santana disse:

        Não sei se adianta. Ela tem contrato com Geração Conteúdo, a dona do projeto Camisa 13 que, na esteira dos livros, pensava em produzir filmes, de ficção e documentários, revistas, programas de relevisão do tipo quiz e outras bossas mais. O livro do Palmeiras, escrito pelo Mário Prata, chegou a virar filme com a Luana Piovani. De repente, tudo parou. Não sei o que aconteceu. Sei que passei 200 madrugadas e fins de semana, pesquisando histórias e fotos, escrevendo e reescrevendo o livro para a Ediouro. Mas ainda acredito que eles vão telefonar aqui pra taubaté me contando o que aconteceu.

      • walfrido disse:

        Aqui pra Taubaté foi ótima.

  10. Jorge Santana,
    Procópio sempre figurou na galeria de heróis do Cruzeiro Esporte Clube. Por ter tido alguma ligação com o nosso rival citadino, talvez possa pairar alguma dúvida sobre para qual time torce. Felício não renovou o contrato dele em 68, mas, não hesitou nem um minuto ao lhe propor um novo contrato após vê-lo jogar no Raposão, de centroavante e jogar muito bem… Nas peladas o Procopão e Morais gostavam de jogar na frente. E por incrível que pareça para alguns, conheciam demais de bola, todos os dois. Felício errou com Procópio em 78, quando ele assumiu o time e o colocou na ponta da tabela… Voltou com o Zé Duarte (Chacrinha) e Procópio treinando as cocotas, nos ganhou o título de 78… E ficou tempo demais nas cocotas daquela vez, ganhando.

    • Jorge Santana disse:

      Procópio era camisa dez no Rena. E vice-artilheiro do Mineiro de Juvenis em 1957 (naquela época, não havia juniores).

    • E isto nos fez vê-lo mais associado ao outro lado do que ao nosso. Mas, como você mesmo diz, teve 10 contratos de um lado e 9 do outro. Foi ídolo jogando mais no Cruzeiro que no outro lado. Foi ídolo treinando mais do outro lado do que pelo Cruzeiro. Mas, quando ia bater pelada se entregava… era Raposão na cabeça. Durante muito tempo o meu beque central ou era Procópio ou era Perfumo. Cheguei a escalar os dois no Cruzeiro de todos os tempos. Aí tive que escalar Alex10 no time. Recuei Piazza. Sobrou para um deles. E a história de Perfumo com o Cruzeiro tinha altos e baixos. Só que Perfumo conseguiu fazer besteira depois de velho… Procópio ganhou de vez a vaga de titular…

    • walfrido disse:

      Eu que sou mais novo não consigo desvencilhar a imagem do Procópio da do Minusculo. Sei que é injustiça histórica da minha parte, mas estou dando meu testemunho. Sei o que ele fez e o que ele conquistou no Cruzeiro. Mas…

      • Mauro França disse:

        Só dele ter dado uma banana pra torcida patetica ajuda um pouco a esquecer o seu “lado negro”.

      • Mauro França disse:

        Não vamos nos esquecer que o Nelinho jogou muito do lado de lá e nem por isso deixou de ser um ídolo celeste, só para ficar neste exemplo.

      • Elias disse:

        Me lembro deste episódio. Chamaram-no de “bananeiro”. Alguém tem a foto???

      • Dylan disse:

        o Palhinha tb

      • Dylan disse:

        Morai conhecia demais de bola?conta essa história ai. A única coisa que ele sabia fazer com a bola que me consta é bater penalti quando o Nelinho nao jogava.

      • Jorge Santana disse:

        Morais jogava o fino, por baixo, por cima e, principalmente, no meio do adversário.

      • Dylan,
        Eu joguei bola com o Morais nos veteranos… na Campestre do Cruzeiro. Jorge Santana jamais botou o pé em campo e por isto não sabe.
        Afirmo, sem medo de se feliz, que Morais conhecia de bola.
        Nelinho é para mim o cara que melhor bate na bola que eu já vi…
        Há uns 4 anos atrás fizeram uma pelada na REFRAMAX e o seu Mané foi lá… time da AGAP.
        No bate-bola antes da pelada o sacana vira e pede a bola… E fala assim :
        – no travessão e pimba… no travessão.
        A turma discrente diz… ah ! foi cagad@…
        – ah ! é… no poste esquerdo…. pimba… no poste esquerdo.
        – Os cornetas viram e falam assim… Riva também fez destas.
        – Aí seu Mané pega a bola e fala assim :
        – no outro lado onde a coruja dorme… e meteu lá.

      • Jorge Santana disse:

        Eu chutava melhor do que o Nelinho. Punha mais veneno na gorduchinha.

  11. walfrido disse:

    OT: essa TV Cruzeiro é muito legal!

  12. O meu Cruzeiro de todos os tempos no 4-3-1-2 (Titulares grifados) :

    Goleiro : Raul e Dida
    Lateral Direito : Nelinho e Pedro Paulo
    Beque Central : Procópio e Perfumo
    Quarto Zagueiro : Piazza e Cris
    Lateral Esquerdo : Sorin e Nonato
    Volante : Zé Carlos e Douglas
    Armador Direito:Dirceu Lopes e Eduardo Amorim
    Armador Canhoto : Alex e Palhinha II
    Ponta de Lança : Tostão e Roberto Batata
    Centroavante : Palhinha I e Niginho
    Atacante : Joãozinho e Natal Baroni
    Treinador : Ênio Andrade e Luxemburgo.
    Vai encarar ?

    • Dylan disse:

      o time titular é igual ao meu com excessão do Perfumo e Ronaldo Fenomeno que seriam titulares, mas meu banco seria bem diferente. Dida, Maurinho, Cris, Luisão e Nonato; Douglas, Ricardinho e Eduardo Amorim; Natal, Roberto Batata e Palhinha.

      • Dylan disse:

        exceção, credo…

      • Romeu CMD disse:

        n substantivo feminino
        ato ou efeito de excetuar. 1 – desvio de uma regra ou de um padrão convencionalmente aceito
        Ex.: qualquer exceção aos códigos morais representa grave erro.
        Dicionário Eletrônico Houaiss

  13. Renato-SP disse:

    Espetacular post! Belíssima história do Procópio. Sempre soube que ele serviu muito bem nossa zaga, mas por ser um poucio mais novo só tenho imagens dele com a emplumada na cabeça. Mesmo assim sempre o considerei um cara muito decente nas entrevistas. Por favor, sempre que puderem continuem presenteando os mais jovens com relatos tão ricos.

  14. Jorge Santana disse:

    Meu Cruzeiro de todos os tempos, após muito ver, ler e pensar futebol é: Geraldo II, Palhinha I, Niginho, Alex 10 e Alcides Lemos; Dirceu Lopes, Tostão e Bengala; Natal, Evaldo e Joãozinho.

  15. Hugo 5erel0 disse:

    “O Cruzeiro é um clube diferenciado” Procópio Cardoso Neto.

    • Renato-SP disse:

      “No Cruzeiro é diferente, né? A gente no campeonato pra ganhar.” Luizinho

      • Celso Libertadores disse:

        Éder Aleixo: maior título da carreira no Cruzeiro
        Luizinho: idem
        Ronaldo Drummond: idem
        Toninho Cerezo: maior título jogando em MG foi no Cruzeiro

  16. Naldo disse:

    “O time era extraordinário, mas tinha pouca força física. Eu e o William é quem garantíamos a integridade dos meninos peitando os adversários que apelavam para os pontapés.” Por isto é que nunca deve um procópio no time do Cruzeiro. O time continua leve, veloz; manteve esta característica, mas nuca deve faltar um Procópio. Falar nisso, quem é o Procópio da vez? Será o Gil?