Os campeões cariocas dos pobres

Por Jorge Angrisano Santana | Em 17 de dezembro de 2007

Marcos Pinheiro

O Rio de Janeiro tem alguns campeões esquecidos: os da Liga Metropolitana de Desportos Terrestres (LMDT) entre 1925 e 1932.

Após o campeonato de 1923, os clubes aristocráticos (Fla, Flu, Bota e América) saíram da LMDT e fundaram outra liga, a Associação Metropolitana de Esportes Athéticos (AMET), com algumas regras discriminatórias. O Vasco continuou na LMDT.

No ano seguinte, a CBD aceitou a filiação da AMET e desfiliou a LMDT, mas ainda assim tanto o Vasco (campeão pela LMDT), quanto o Fluminense (campeão pela AMET), são (com toda razão) atualmente reconhecidos pela FFERJ como campeões cariocas.

Em 1925 a nova liga revogou algumas cláusulas discriminatórias e o Vasco se filiou à AMET. Mesmo com o Vasco na AMET, a LMDT continuou promovendo campeonatos com clubes de menor expressão.

Era a mesma LMDT que existiu entre 1917 e 1924. A FFERJ, contudo, simplesmente ignora esses campeões pós-1925.

O fato da LMDT estar fora da CBD é irrelevante, afinal os campeões da Liga Carioca de Football (LCF) entre 1933 e 1936 são reconhecidos hoje pela FFERJ, muito embora a LCF também não fosse filiada à CBD. Os campeões da LMDT desse período foram:

  • 1925 – Engenho de Dentro Athletico Clube
  • 1926 – Modesto Football Club
  • 1927 – Modesto Football Club
  • 1928 – Sport Club América*
  • 1929 – Sport Club América*
  • 1930 – Sportivo Santa Cruz
  • 1931 – Oriente Athletico Clube
  • 1932 – Sport Club Boa Vista

* Não confundir com o América Football Club, 7 vezes campeão carioca.

A LMDT se dissolveu em 1932, com seus participantes se acomodando em uma das duas ligas existentes a partir de 1933: a AMEA (amadora) ou a LCF (profissional). Para quem quiser ter uma melhor visualização das fusões e confusões dos campeonatos cariocas, há um bom organograma no site da FFERJ:

http://www.fferj.com.br/Federacao/Historia/PARTE%2010%20Série%20Histórica.pdf

O que esses times tinham em comum? Serem de bairros periféricos e abrigarem a rapaziada que, pelos padrões da época, não poderia ser enquadrada como guapa e “de bem” como a que praticava o nobre esporte bretão nos clubes de elite (exceção feita ao Vasco, que praticava o amadorismo marrom abertamente e, pagando seus atletas, não os discriminava).

Marcos Pinheiro, 36, carioca, engenheiro, pós-graduado em economia, estudante de Direito, cruzeirense, mora em Belo Horizonte.

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