Olêêê! Olééé!

Por Jorge Angrisano Santana | Em 25 de abril de 2010

Já que não se pode mais remoer a derrota vexatória para o Ipatinga, pra não acordar o Ernesto e Sobrinho, que dormem em berços esplêndidos.

Não se pode falar dos 100 mil sócios do Inter, pra não irritar o Walterson e o Chaves.

E tampouco se pode desacatar o DJ e o Luxa, pra não parecer perseguição do Ex-Dylan…

Vamos mudar de assunto radicalmente.

Passemos a palavra ao João Saldanha,  bom contador de histórias, comunista fanfarrão, mas não fascistão como os neocomunistas.

Ele gostava de futebol e era amigo do Bengala, palestrino mestre no assunto.

Taí um artigo que o João publicou n’ O Globo, nos tempos em que o jornal carioca apoiava a ditadura passada e não a que está na chocadeira.

Do “baile” ao “olé”

João Saldanha

Está de novo na onda a questão do olé. Lógico que não é nada novo. Nasceu com o futebol quando apareceu em campo um quadro melhor do que o outro. Significa que a equipe que troca passes não perde a bola. Como todos sabem, a essência do futebol é exatamente isso: a posse da bola. E, quando um está à frente no placar, essa preocupação deve ser maior ainda e claro que está facilitada pela menor preocupação de marcar gol.

A troca de passes foi a primeira tática organizada no futebol quando este passou a ter leis. Os primeiros clubes a usarem foram o Blackburn Rovers e Shefield Wednesday, que revolucionaram o futebol dos calções compridos e de gorrinho na cabeça. Antes desses a turma disparava com a bola e só queria dar dribles.

Aqui no Brasil a troca de passes no tempo de Mimi Sodré, era chamada de baile, isto porque na véspera dos grandes  jogos do Fluminense, um tricolor desconhecido publicava na “Careta” e na “Revista da Semana” um anúncio convidando para o “baile de casaca que se realizaria na Rua Álvaro Chaves, de tarde, às 15 horas”.

Só em 1958 é que o baile passou a ser chamado de “olé”. Foi por causa de uma excursão do Botafogo ao México, quando lá o alvinegro enfrentou o River de Buenos Aires que era uma máquina e contava com nove selecionados argentinos.

Garrincha quase matou Vairo, que também era da Seleção. A torcida mexicana, com seus hábitos de tourada, toda vez que Mané dava aquela parada na frente do adversário e depois se mandava com a bola, deixando-o sentado, mandava: ôôôôôôlê. Assim como o barulho do vento, em crescendo, mas com o Ô fechado e grave. O lê, no mesmo diapasão.

As agências telegráficas noticiaram o fato e, quando o Botafogo jogou aqui, sua torcida pediu olé. À nossa moda, com acento aguda na última sílaba. Entre os jogadores o olé tinha uma expressão: botar os cabeçudos na roda. O autor foi o Nilton Santos, num jogo contra o Flamengo, que ficou fácil, e no Flamengo jogavam o Aristóbulo e o Dequinha. Um do Rio Grande do Norte e outro do Ceará.

Tomara que todos os nossos grandes clubes dêem olé em todos os jogos. O futebol vai ficar mais bonito ainda.

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