Oitenta e Dois vs Noventa e Quatro

Por SÍNDICO | Em 7 de julho de 2010

Marco Soalheiro

Os times de Telê sempre jogaram pra frente. Em 1982 foi assim. Mas, naquele time, o meio campo tinha dificuldades na marcação e o centroavante era tido como grosso.

Aquela seleção foi muito decantada, mas fracassou.

Dez anos depois, Telê venceu treinado o São Paulo, Convenceu e encantou novamente. Mas, dessa vez,  com Pintado e Dinho na contenção, dois jogadores tachados de brucutus por muita gente.

No Tricolor, Telê encontrou um equilíbrio que talvez tivesse lhe faltado em 1982. E, nesse novo trabalho, ao invés de atrapalhá-lo, as fatalidades o ajudaram.

Fórmula pronta não existe. Aliar encantamento, que é conceito subjetivo, e resultados é coisa pra momentos especiais da história.

Jogar ofensivamente é mais bonito? Sim, claro. Mas uma defesa bem postada, que saiba ser quase instransponível sem apelar pra violência, também merece apreço.

A Seleção de 94 ficava sempre com a posse de bola e tinha na defesa uma barreira com a Jorginho, Aldair, Márcio Santos, Leonardo. E volantes que se completavam.

Dunga, apesar de erroneamente tachado de brucutu, virava bem o jogo e até lançava com qualidade.

É só ver os jogos. A bola quase não chegava ao Tafarell.

No ataque, havia a genialidade de Romário e a eficiência de Bebeto.

Os míopes e mal humorados dizerem que Romário ganhou sozinho. Num esporte coletivo como o futebol é duro ler e ouvir isto! Mas, se é assim que funciona, paciência.

Marco Soalheiro, 29, cruzeirense, jornalista, nasceu e mora em Belo Horizonte.

39 comentários para “Oitenta e Dois vs Noventa e Quatro”

  1. Naldo disse:

    1982 – Frustração. 1994 – Título.

    • Naldo disse:

      Impressionante!!! O post foi publicado no dia 07 e o meu comentário saiu no dia 06. Não conto o milagre.

  2. Hugo 5erel0 disse:

    O time de 94 era muito bom, não era retranqueiro e Dunga NUNCA foi brucutu. Jornalistas e comentaristas (pricnipalmente os do RJ) não engolem até hoje o sucesso daquele time.

    • Bruno Pontes disse:

      Concordo 100%. Tem que ser muito cego pra achar que o Romário ganhou a Copa sozinho, ou que o time era de brucutus.

  3. Hugo 5erel0 disse:

    Depois de ver o Dunga passar quatro anos armando um time pra jogar quase exclusivamente de contra-ataques, só digo uma coisa: que saudade do Parreira!

  4. Marco Soalheiro disse:

    Na edição do post pelo JS ficaram algumas falhas de digitação. Mas sem perda de sentido. Fiquei surpreso em ter virado post, mas é mesmo um bom debate. Valeu JS! Em resumo, a seleção de 1994 teve muita coisa boa que é pouco valorizada por pura birra com um estilo defensivo extremamente sólido. Reitero: a bola mal chegava ao Taffarel.

  5. Arísio disse:

    “Mas, se é assim que funciona, paciência.”
    Já perdi a minha…

  6. Dylan disse:

    o time de 94 era muito eficiente,mas uma equipe opaca, sem brilho numa copa sem nenhum grande time.Quando se diz que o Romário ganhou sozinho é força de expressão . O que se quer dizer é que sem ele o Brasil nao teria vencido. E nao teria mesmo. Ele era o craque o do time, o fator de desequilibrio, fez 5 dos onze gols, deu passe pra nao sei quantos outros. Bebeto e Romário eram como Sneijder e RobbeN nesse time a.borrecido da Holanda em 2010. Quanto a seleção de 82, nao adiantA tentar desqualificar, é melhor entender porque aquele timaço entrou para o imaginário coletivo, nao apenas no Brasil, como símbolo do grande futebol. Eu sugiro a leitura do que escreve o Jose Miguel Wisnik em V.eneno Remédio, o melhor livro sobre futebol já publicado no Brasil.

    • Marco Soalheiro disse:

      Eu não desqualifico Dylan. Só acho que faltou um pouco de equilíbrio e que a de 1970, por exemplo, por ter ganhado e convencido, é o melhor exemplo para ser idolatrada.

  7. Serginho Chulapa? Passo!
    “Sem o Romário o Brasil não teria vencido…” Muito revelador isso!
    Em 70, será que o Brasil teria vencido sem o Pelé?
    Fica a dúvida também! O “Se” não existe!!!

  8. Nielsen disse:

    Se futebol, principalmente em Copa é puro entreterimento, por que em nome de Deus, não posso desejar e aplaudir um espetaculo de qualidade?
    Pergunto aos defensores de 94 e detratores de 82: Se fosse possivel, qual dos times vc pagaria para ver, com ambos jogadores em plena forma. O de Dunga, Mauro Silva e Raí, ou o de Falcão, Socrates e Zico?

    • Jorge Santana disse:

      Nielsen, grave os únicos jogos interessantes de 82, o show do Brasil sobre a a Argentina (aquele em que Maradona deu um coice na barriga do Batista) e o da Itália sobre o Brasil (aquele em que o Juiz anulou um gol lícito do Tardelli e o Rossi perdeu mais uns dois) e assista-os sempre que sentir falta de lescolesco. Se achar pouco, assista tb à vitória roubada do Brasil sobre a URRS, os passeios contra os amadores (ao pé da letra) da Nova Zelândia ou os bêbados (ao pé da letra) da Escócia. Mas não assista à sequência de vitórias que levou a Itália ao título, pois futebol vitorioso faz mal à saúde do torcedor brasileiro. Perder e coçar bicho de pé são duas preferências nacionais. Jamais discuta com elas.

      • Jorge Santana disse:

        E mais: 94 não precisa de defensores. Título fala por si mesmo. O que precisa de propaganda é a derrota. Os cultores da derrota dizem que ela foi injusta, ou os deuses do futebol castigaram o melhor time, ou teve complô pro time perder, ou o governo argentino comprou o Peru com carregamento de trigo, ou choveu, ou ventou, ou o centroavante estava em má fase, ou o juiz roubou, ou, ou, ou… O que dá ibope no Brasil é a derrota. Vitória não dá letra de samba-canção.

      • Vinicius Cabral disse:

        Eita!!!! Disse tudo!!!!

    • Hugo 5erel0 disse:

      Qual time você pagaria pra ver? O de Romário, Bebeto e Jorginho ou o de Waldir Perez e Serginho Chulapa?

    • Frede disse:

      O sucesso é algo que incomoda no Brasil. Interessantíssimo isso.

  9. Ernesto Araujo disse:

    Tradicionalmente, o Brasil sempre jogou de contra-ataque. Esse negócio de pressionar o adversário com a bola e atacar, o tempo todo, é utopia. Quem gostava muito de jogar desse jeito no futebol atual era o Marcelo Bielsa, o maior fregues da era Dunga seja com a Argentina, seja com o Chile. E pra quem ainda não viu: Uma das maiores armas da Alemanha é o veloz e qualificado contra-ataque.

    • Ernesto Araujo disse:

      Agora, todo treinador tem o direito de escolher a opção tática que achar mais conveniente. Se vai dar certo até o momento final, só o tempo pode dizer. O mundo parou para ver o Carrossel Holandes em 1974. Deu certo. Menos na última partida. Não existem fórmulas eternas e seguras de vitória.

      • Ernesto Araujo disse:

        Essa discussão Futebol Bonito x Futebol de Resultados é velha e na minha opinião, improdutiva. Entre um e outro, opto por VENCER pois esse é objetivo do ESPORTE. Apresentar resultados ESTÉTICOS é coisa para as ARTES.

  10. Nielsen disse:

    É, jogo bom mesmo foi a final de 94, aquile sim foi uma demonstração de um futebol de deuses. Engraçado que vc mesmo escreveu uns dias atrás que Copa é pra curtir, torcer sem escabelar, agora vem com essa de vitoria a qualquer custo? Em qualquer jogo de Copa, torço para ver um grande futebol, não importa se ele vem de Zico, Romário, Tostão, Zidane ou Maradona. Agora com o Cruzeiro já é diferente, se vencer de meio a zero impedido tá bom demais.

    • Jorge Santana disse:

      Nielsen, a final de 94 foi tão ruim, que ninguém foi às ruas receber a Seleção… Foi uma tristeza só. Alegria quem deu foi o Telê com os títulos de 80, 82 e 86. E pra ver bom futebol, esqueça o Cruzeiro. Torça pelo Santos neste Morrinhão. Vc vai se deliciar, emocionar, sonhar e tem grande chance de, no fim, comemorar o título. É a sua chance de juntar o lescolesco com a farra.

      • Nielsen disse:

        JS, vc consegue assitir novamente o jogo todo mais a prorrogação? Copa é pra curtir, se o Brasil vence bem, se não vence amén. Quanto a torcer pro Santos, parece que vc não leu o que escrevi acima. Se não se podia defender o time de 82, não colocasse o post.

    • Hugo 5erel0 disse:

      A final de 94 foi jogada num calor de 40 graus. Houve prorrogação. Os jogadores não tinham como se desgastar, mas o jogo não foi ruim. E o que você achou das finais dos times do Telê em 82 e 86? Ah, esqueci que ele nem chegou.

      • Nielsen disse:

        Quanta coerencia hein Hugo, usa como avatar um jogador que é simbolo da derrota do jogo bonito para o futebol de resultados e diz outra coisa…

      • Hugo 5erel0 disse:

        Cê tá enganado, Nielson. Cruyff foi um vencedor no Ajax e no Barcelona. Na seleção, chegou na final. Coisa que Telê nem chegou perto.

      • Nielsen disse:

        Zico, simbolo dos derrotados de 82 e 86, tb foi super vencedor no Flamengo, vá entender.

    • Frede disse:

      O barato da Copa não são nem os jogos é a bagunça e a festa com as vitórias.

  11. Dylan disse:

    meuc omentário foi simplesmente censurado. Ótimo. Sinal que falta argumento pra rebater. Quem faz proselitimso sobre liberdade de expressao não consegue conviver com diversidade de opinião dentro do próprio blog.

  12. Rodrigo-bsb disse:

    meu comentário foi simplesmente censurado. Que maravilha. Quem faz proselitismo sobre liberdade de expressao não consegue conviver com diversidade de opinião dentro do próprio blog.

  13. Dois times bons, em épocas diferentes, sendo que um foi campeão e o outro não ganhou nada.
    A grande virtude que acho do time de 1994 é que raramente o adversário conseguia efetuar algum chute perigoso contra o Taffarel. Tinha uma defesa bem sólida. Tirando as decisões por pênaltis, durante a copa toda o Taffarel quase que não trabalhou, é só ver os replays do jogos.
    Acho que coletivamente o time de 94 bem superior ao de 82, porém individualmente o de 82 seja superior.
    Vi uma entrevista do Luizinho, falando que faltou aquele time humildade para se defender quando o jogo estava 2 a 2 contra a Itália, subia ttodo mundo junto , o Júnior pela esquerda, o ´Júnior pela direita , o meio de campo, e só ficava ele e o Oscar , e oTelê gritando pro pessoal não subir.

  14. Daniel Carvalho - Porto Alegre disse:

    82 – futebol plástico, bonito de ver, que eu achava que seria campeão, e no final não ganhou. 94 – futebol defensivo, feio, de resultado – fomos campeões. Futebol é assim: teoria e prática. O negócio é chegar no meio-termo.

  15. Naldo disse:

    O time de 1994 era melhor que o 1982 e melhor que o de 2010. Ele era mesclado com jogadores acima da média como Romário e Bebeto e jogadores muito eficientes como, Mauro Silva, Mazinho e Zinho, alem de ter um líder como o Dunga. Era um time equlibrado.