O lugar do Cruzeiro no cenário do futebol

Por Jorge Angrisano Santana | Em 21 de agosto de 2010

Gustavo Sobrinho

Nos últimos anos, o Cruzeiro deixou de conquistar os títulos nacionais e internacionais que sua torcida acostumou-se a comemorar entre 1991 e 2003.

Esta situação tem levado boa parte da torcida a cobrar dos dirigentes e dos profissionais do clube resultados melhores do que a real posição que o clube ocupa no cenário nacional e internacional.

Proponho analisarmos as mudanças do calendário ao longo do tempo e como o clube tem se desempenhado em cada um dos contextos pra discutirmos qual será sua posição futura no cenário do futebol.

A Copa Libertadores, principal competição de clubes da América do Sul, começou a ser disputada em 1960. Para participar dela, o futebol brasileiro teve de indicar seu campeão nacional. E o fez criando a Taça Brasil, disputada entre 1959 e 1968.

Em 1967 e 68, além da Taça Brasil, foi disputado o Robertão, torneio oficioso derivado do antigo Rio-São Paulo.  Em 1969 e 70, o Robertão, agora chamado de Taça de Prata, foi o único torneio nacional de clubes.

Em 1971, a CBD criou o Campeonato Nacional de Clubes, no mesmo formato da Taça de Prata: parte por pontos corridos, parte triangular final (que, depois, foi substituído por pleiofes).

Assim, entre 1959 e 1987, os clubes brasileiros só tinham três disputas relevantes: estaduais, Brasileiro (em suas várias denominações) e Libertadores.

Nesse período, o Cruzeiro conquistou 15 estaduais, 1 nacional e 1 continental. E foi vice-campeão nacional três vezes: 69, 74 e 75. Em outras cinco edições foi semifinalista. No torneio continental, o clube chegou ao vice-campeonato em 1977.

Em 29 anos, portanto, o Cruzeiro esteve 9 vezes entre os 4 melhores do Brasileiro e 2 entre os finalistas da Libertadores.

No final dos Anos 80, a Confederação Sul-americana de Futebol ampliou seu leque de competições criando a Supercopa (88 a 97), a Copa Master da Supercopa (92, 95), a Copa Ouro (93, 95, 96), a Recopa Sul-americana (a partir de 89), a Copa Conmebol (92 até 99), a Mercosul (98 até 01) e a Copa Sul-americana.

Foi nesse período que o Cruzeiro viveu sua fase de ouro, aproveitando-se das diversas competições para conquistar títulos e prestígio internacional.

Entre 1990 e 2004, o clube ganhou ao menos um torneio por ano. Foram 9 títulos estaduais (90, 92, 94, 96, 97, 98, 02, 03, 04), 5 nacionais (93, 96, 00 e 03 duas vezes) e 6 continentais (Supercopa 91 e 92, Master, 95, Ouro, 95, Libertadores, 97, e Recopa, 98).

Além dos títulos, o clube foi vice do Brasileiro 98 e foi semifinalista em 3 edições. Chegou ao vice da Supercopa em 88 e 96, da Mercosul em 98 e da Copa do Brasil em 98.

No início deste milênio, CBF e Conmebol começaram a enxugar o calendário. A partir de 2001, os classificados pra Libertadores, que passou de 20 para os atuais 39 participantes, foram excluídos da Copa do Brasil.

Nesta nova conformação, Brasileiro e Libertadores se tornaram torneios de elite, enquanto Sul-americana e Copa do Brasil passara a ser de 2ª linha.

O Cruzeiro começou bem o milênio com as conquistas dos torneios Sul-Minas de 01 e 02 e a Tríplice Coroa de 2003.

Desde 2004, contudo, as conquistas escassearam. Entre 2004 e 2006, só dois estaduais. Em 2007, ele alcançou o 5º lugar no Brasileiro e voltou, após 3 anos à Libertadores.

Nos anos seguintes, o time celeste esteve entre os 4 primeiros do Brasileiro e chegou ao vice da Libertadores em 2009.

Apesar os bons resultados do último quadriênio, quando esteve sempre na companhia dos clubes mais ricos do país no topo do Brasileiro, o Cruzeiro se distanciou deles em termos de orçamento e de investimentos no time.

Disto resulta perda de competitividade e dificuldade de conquistar títulos de maior expressão no continente. O que não parece ser percebido por torcedores, dirigentes e jornalistas.

Resta saber se estes segmentos vão conspirar para que o clube cresça e consiga ser mais competitivo ao lado das grandes forças que estão se formando no cenário do futebol brasileiro ou se vão apenas cobrar, criticar, perseguir dirigentes e profissionais.

É certo que o clube não vive uma fase de ouro como a dos anos 1990 / 2003 e tampouco sabe o que lhe reserva o futuro.

Pode ser que, com o apoio de sua gente, entre na elite do futebol brasileiro. Mas também pode acontecer de, perseguido pela mídia, teleguiados e termocéfalos, fique sempre tentando se destacar entre o pelotão intermediário. Ou o cenário pode ser ainda pior?

Gustavo Sobrinho, 24 anos, cruzeirense, engenheiro de produção, nasceu e mora em Belo Horizonte.

Deixe um comentário

Você precisa fazer o login para publicar um comentário.