1966: O Cruzeiro descobre o Brasil

Por SÍNDICO | Em 19 de dezembro de 2010

O Descobrimento do Brasil

Campeonato Mineiro de 1965 e Taça Brasil de 1966

Em 1955, foi disputada a primeira edição da Copa dos Campeões, atual Champions League, com a participação dos campeões nacionais europeus. O Real Madrid foi o vencedor.

No rastro do sucesso do torneio, a Confederação Sul-americana criou, nos mesmos moldes, a Copa Libertadores das Américas, cuja primeira edição seria disputada em 1960.

Para indicar o representante brasileiro no torneio continental, a Confederação Brasileira de Desportos -CBD- criou a Taça Brasil. E assim surgiu, em 1959, o primeiro clube campeão nacional de futebol.

Até 1958, o campeonato brasileiro era de seleções estaduais. Num país com as dimensões do Brasil, era impossível realizar um campeonato nacional de clubes à moda européia. Meios de transportes precários para um país continental impediam tal empreitada.

Para tornar viável seu torneio nacional de clubes, a CBD adotou o formato de copa e regionalizou a disputa.

O torcedor gostou. Além do título sul-americano, seu time poderia disputar também o mundial em melhor-de-três contra o campeão europeu. Oportunidade que o Santos não desperdiçou em 1962 e 1963 vencendo Benfica e Milan, respectivamente.

Para disputar a Taça Brasil, um clube teria de ser campeão estadual, vencer torneios específicos como os que organizaram as federações carioca e fluminense ou vencer a própria Taça Brasil do ano anterior.

O primeiro campeão brasileiro foi o Bahia, em 1959. O Palmeiras foi o segundo, em 1960. Depois, o Santos venceu cinco edições seguidas. Coube ao Cruzeiro de Tostão, Dirceu Lopes e Wilson Piazza, tomar de Pelé e Cia. o título brasileiro, em 1966.

Neste capítulo, conto a história do primeiro título brasileiro do Cruzeiro, jogo a jogo, desde o Campeonato Mineiro de 1965.

Recorri, para tanto, às minhas memórias, a entrevistas com torcedores, dirigentes e jogadores da época. E aos jornais Diário da Tarde, Diário de Minas, O Diário, O Debate, Jornal dos Sports, Jornal do Brasil, Gazeta Esportiva e Estado de Minas.

Para captar um pouco do sabor do futebol dos Anos 60, usei, sempre que a memória me ajudou, os mineirismos futebolísticos (às vezes mais brasileiros até do que mineiros), essa deliciosa linguagem criada por torcedores, jornalistas e locutores de rádio.

Nesse dialeto, os nomes dos clubes eram abreviados ou substituídps pelos de seus mascotes. Nos jornais, rádios e televisões, a descrição dos lances vinha carregada de tonitruantes adjetivos. E os bordões criados pelos narradores se eternizarm em nossos ouvidos amantes do futebol.

Procurei o máximo de informações sobre os jogos para registrar nomes dos atletas e treinadores que viveram a glória de atuar no primeiro campeonato disputado no Mineirão, o espaço mais democrático daquela Belo Horizonte de um milhão de habitantes.

Segundo o Diário de Minas (31jul65), o Governador Magalhães Pinto decretou que a arquibancada custaria Cr$1.000 e a geral, Cr$500. Os demais ingressos, destinados aos endinheirados, não foram tabelados.

Naquela ocasião, o estádio tinha 70 mil lugares nas arquibancadas, 35 mil nas gerais, 15 mil cadeiras de setor, 2 mil cadeiras para turistas, imprensa e autoridades, e 5.000 cativas, a maioria de propriedade dos bancos oficiais.

Elas eram integralmente ocupadas dias de clássicos, mas ficavam vazias nos demais jogos. Tomando como base o público e a renda do primeiro superclássico, verifiquei que o preço médio do ingresso era de Cr$900. Daí calculei a provável lotação de cada jogo do Campeonato Mineiro. Na Taça Brasil, esta média subia devido à majoração dos preços dos melhores lugares.

Muitas vezes, os jornais deixavam de informar detalhadamente os públicos pagante e presente dando sempre mais ênfase à renda da partida. Importante era reafirmar, a cada rodada, como o Mineirão estava contribuindo para elevar os clubes mineiros ao patamar de riqueza dos cariocas e paulistas.

Finalmente, cumpre lembrar que o Campeonato Mineiro de 1965, passaporte ao Cruzeiro para a Taça Brasil, só terminou em fevereiro de 1966.

Em 2006,  comemorou-se, não só os 40 anos do maior título do futebol mineiro, aquela Taça Brasil que abriu os caminhos do mundo para o Cruzeiro, como também os 40 do primeiro título celeste na Era Mineirão.

Livro: 1966: Cruzeiro descobre o Brasil

56 comentários para “1966: O Cruzeiro descobre o Brasil”

  1. Carlos Campos disse:

    Quanto custa o livro? Já foi lançado? É um momento de marketing histórico…1996- O ANO DO PRIMEIRO TÍTULO BRASILEIRO PARA MINAS GERAIS – 1976- UMA DÉCADA DEPOIS MINAS GERAIS CONQUISTA A AMÉRICA….

  2. Carlos Campos disse:

    O nosso departamento de marketing já esté se movimentando: VAMOS FAZER A REPLLICA DA TAÇA BRASIL, q tinha posse transitória e levar para o nosso memorial. ALIÁS, poderia aproveitar e fazer uma REPLICA tamanho normal da LIBERTADORES> Visitem o museu do Boca e sigam o exemplo do clube da Bomboneira!

    • Ernesto Araujo disse:

      Vários museus de vários clubes podem servir de inspiração para o Cruzeiro, não apenas o do Boca. Mas inspiração só. Gostaria de ver um projeto criativo e diferenciado. O brasileiro é criativo e não precisa viver dependente do pensamento dos outros.

    • Mauro França disse:

      Livro que o Jorge escreveu e que ainda não foi publicado.

      • Acredito que este(s) post(s) sobre a Taça Brasil são parte não publicada do livro anterior e que estariam, novamente, num livro ainda a ser publicado.
        Não se constituem, até onde sei, de um livro específico de 1966.
        De qualquer maneira, são precioso resgate da história constituída de Páginas Heróicas Imortais e não de lenga-lenga e mitos urbanos do futebol mineiro, brasileiro e mundial.

  3. Celeste disse:

    Muito bom. Mais um pouco da bonita história do maior de Minas.

  4. Eduardo Arreguy Campos disse:

    O post desmitifica o argumento de que o campeão da taça brasil fazia poucos jogos. Se só podia participar o campeão estadual, ninguém era campeão fazendo só cinco ou seis jogos, porque antes tinha que passar pela peneira do estadual.

    • Jorge Santana disse:

      Pra ser campeão codo mundo em 2002, o Brasil disputou 25 partidas. Dezoito na fase eliminatória e 7 na fase final. O argumento do número de partidas não se sustenta,

    • Mario Lucio Vaz disse:

      Esse argumento de poucos jogos e quem não que conhecer a historia dos campeonato br. Em 1979 o Palmeiras ficou na 4º colocação com apenas 5 jogos. Neste ano, o maior inchaço de clubes promovido pela política militar transformou o campeonato em uma única divisão contando com 94 clubes.
      O regulamento inicial, os clubes de São Paulo e Rio de Janeiro, entrariam somente na segunda fase do campeonato. Como o campeão e vice do ano anterior (Guarani e Palmeiras). Os Joos do Palmeiras que entrou na terceira fase: Comercial de Ribeirão Preto -SP, São Bento-SP, Flamengo-RJ venceu as 3 partida e classificou para Semifinais, mais dois jogos contra o Inter-RG perdeu um 3 x 2 e empate a 1 x 1, o Internacional foi o campeão ganhando do Vasco.

      • Mario Lucio Vaz disse:

        * Como o campeão e vice do ano anterior (Guarani e Palmeiras) entraram na terceira fase.

      • Embora seja um feito dificilimo de igualar, a invencibilidade no Brasileiro em épocas anteriores a 1980 era mais fácil pela quantidade de jogos.
        Indiscutivelmente, algumas edições da Taça Brasil, tiveram mais jogos para o Campeão, do que algumas edições do Brasileiro pós-70.

  5. Fabrício disse:

    Não se sustenta mesmo. Cai por aí a tese do JK…

    • Acredito que é perda de tempo dar argumentos ou contraargumentar com este tal de JKfouri.
      Vocês estão fazendo, exatamente, o que ele quer. Dar audiência para ele.
      Se todos os torcedores destes times deixassem o cara, com os recalques de gambá dele, de lado ele mudaria a prosa. Ele e os outros PATETAS nacionais que o seguem, sempre por motivos bairristas e passionais.
      Mas como a maioria absurda de torcedores fora do Eixo, ficam “pagando pau” para o pateta-mor-gamba-declarado, ficamos tentando mostrar FATOS para quem tem opinião tendenciosa formada e objetiva somente audiência e ibope.

  6. LUIZ ANTONIO disse:

    Valeu SANJORGE.
    Belo presente para a nação azul.
    Já podemos adquirir esse livro pela Internet?
    Estou ansioso para conhecer a mais bela história de 66.
    É o que me falta.
    Grande abraço.

  7. Paulistas e Cariocas, como bem ressaltado no texto, preocupavam-se com o Campeonato de Seleções e Torneio RJ-SP.
    O Bahia, assim como as frangas em 1971 e Cruzeiro em 2003, aproveitaram-se da “desatenção” ou “despreparo” dos times do Eixo para campeonarem (sem nenhum demérito para estes times, pelo contrário!).
    Daí o Santos, que tinha sérias limitações e concorrência no âmbito estadual e regional, resolveu fazer o óbvio, aproveitar o que eles não viam. Campeonou na Taça Brasil, na LIbertadores e no Mundo (é claro que tinha um time quase imbatível comandado pelo Rei Pelé).
    Este quadro, eleva ainda mais o feito do Cruzeiro ao desbancar o todo-poderoso no auge de sua fama.
    O título do capítulo deveria ser: “O Brasil descobre o Cruzeiro e Minas Gerais”.
    P.S. e olha que o “honramos o nome de Minas” está, absurdamente colocado, em hino de outro time.

  8. Pedro disse:

    pq ninguém atende a merda do telefone ai em casa?

  9. Naldo disse:

    OT – Eu estou em uma Lan-House no Shoping popular ao lado da Rodoviária não posso perder muito tempo porque o relógio tá andandando. Mas o encontro do PHD foi excelente, perdeu quem não foi ou não pode ir.

  10. Eu estava comentando isso com meu irmão!

    Como era diferente as reportagens sobre os jogos dessa época..
    Depois que encontrei a revista Placar de 79 aqui em casa que entendi o verdadeiro significado das crônicas de futebol.

    Os detalhes que eles transmitem em um texto nos transportam para aquela época.

    Publiquei essa crônica no blog sobre o segundo jogo de 66 http://squadraazzurra.wordpress.com/2010/12/01/foi-mais-uma-noite-infernal/

    O autor é desconhecido, mas a forma com que escreveram é indescritível.

    Pode ter certeza que vou querer ler esse livro “1966: Cruzeiro descobre o Brasil”

    Abraços!

    Luciana

  11. Frede disse:

    Muito bom!! Excelente!! Já no aguardo pelo próximo capitulo da saga!

  12. OT
    JS, Vc podia fazer um post com as maiores baboseiras PHD do ano… mesmo sabendo que corro o risco de ter algum eleitor fiel, você selecionaria as 10 maiores M3RDAS escritas no ano
    Você somaria mais três indicações do “voto/indicações dos comentaristas” (certamente sabemos da sua tendência ao escolher as 10 e teríamos direito de escolher ao menos três proferidas pelo síndico).

    todos (que lessem o post) votariam nas três maiores… que seriam premiadas como “AS potocadas PHD do ano)…

    estive lendo algumas que são lapidares… e nem vou falar quais são para não influenciar o público e a crítica… mas são campeãs…
    e estou ansioso para ver a ideia vingar e ver a campanha dos comentaristas pela eleição das tres MAIORES.

    • claudio(xina)lemos disse:

      voto para a maior m3rda escrita aqui este ano foi do cara que falo que os técnicos gauchos estão acabando com o futebol brasileiro e citou o Adilson.

    • Celeste disse:

      O espaço é democrático, mas tem hora que a moçada extrapola. A citação que mais me doeu no ouvido foi nó pós jogo da última rodada, quando alguém chamou o ABap de lixo humano. Não dá nem para chamar de baboseira. É muito mais que isso. Felizmente, na quase totalidade das vêzes, o debate é de alto nível. O PHD é uma família.

  13. OT – Aviso de decisão
    Na semana que vem tem mais.
    O Xina ainda não conseguiu recuperar do encontro de ontem e valho-me deste comentário para avisar aos ganhadores e aos pagantes do Bolão Cruzeiro.Org-PHD que o almoção-prêmio será consumido no próximo domingo, 26/12, no Fogo de Chão em Beagá.
    Os quatro ganhadores e os pagadores da aposta devem entrar em contato para os detalhes na lista do Bolão.
    Quem não pode comparece neste sábado e quiser nos dar a honra de acompanhar-nos, mesmo não tendo participado do Bolão, fica o convite.
    P.S. Porque citei o Xina? Pq ele, como lanterna do bolão, teve o direito de “bater o martelo” sobre local e data.
    Os ganhadores e pagadores devem detalhar as presenças e ausências somente na lista do Bolão, preservando os demais comentaristas do Blog e outros espaços do tema. (até para não causar inveja dos ganhadores e pagadores!) 😆

  14. Pedrosa disse:

    Alguém sabe me falar qual o próximo confronto do Cruzeiro no brasileiro sub-20?

  15. Marco Soalheiro disse:

    Pessoal, me preocupam muito boatos de que o Leonardo Silva por ir parar no nosso rival. Sinceramente, seria uma tremenda bola fora da diretoria perder essa queda de braço. Precisamos do nosso capitão e zagueiro artilheiro com contrato renovado. Alguém tem informações de bastidores sobre isso?

    • SquadraAzzurra5stelle disse:

      Não consigo imaginar LS vestindo aquela camisa código de barras e muito menos a rosa, mas se isso acontecer, definitivamente o que vale no futebol tupiniquim hoje em dia é $$$.

      Isso me cheira empresário ou bmg, onde o segundo, está cada vez mais abusando do seu poder econômico, em todos os sentidos, no futebol tupiniquim. De olho nelas MP e PF!

      Saudações Celestes.

  16. O relato do Rossi, sobre o segundo jogo, foi emocionante, foi como estar “in Loco”… Grande Rossi figuraça…
    PS: Fato lamentável foi a derrota pras franguinhas….como é ruim perder pra elas…..

  17. Celeste disse:

    Depois que li várias vêzes o post cheguei a conclusão que foi o Brasil quem descobriu o Cruzeiro. Esse jogo ficou gravado na memória de muitos torcedores de outros clubes paulistas. O Santos tinha o Pelé e um monte de títulos.

  18. Leo Vidigal disse:

    Demais! Vou me permitir repetir o comentário do dia 15, que ninguém deve ter lido:

    Esse hino em homenagem àquela Taça Brasil nos foi cantado pelo neto do Piorra, em um bar quando dezenas de cruzeirenses comemoravam a conquista da primeira Copa do Brasil, em 1993. JS e Evandro devem se lembrar…:

    “Ê Cruzeiro, você foi campeão do Brasil
    Honrando sua cor azul anil
    Venceu o Santos de Pelé
    Mostrou que é bom, e deu olé

    Ê Cruzeiro, você traz alegria
    Mostrando à massa
    A sua academia

    Raul na meta
    Procópio e Neco
    William, Pedro Paulo, Piazza e Natal
    Dirceu Lopes, o furacão
    E o grande artilheiro Tostão
    Evaldo que não é de brincadeira
    E lá na ponta corre o Hilton Oliveira”

    • Walterson disse:

      Em um post lá atrás, tem um link para um artigo do Nassif, com um video do youtube e esta música de fundo.

    • Leo,
      No dia do lançament da camisa 10 histórica de 76, na loja Cruzeiromania, com a presença de centenas de torcedores e charanga da TFC, eu puxei esta música para o pessoal cantar… como o ritmo é meio lento, a maioria não agradou, mas deu para cantá-la umas três vêzes com algumas outras pessoas, Dirceu Lopes e outros ouvindo.
      Se você observar, a primeira frase é: você foi CAMPEÃO DO BRASIL. sabendo a letra de cor eu tenho condições de ficar esperand CBF reconhecer alguma coisa???

  19. Celeste disse:

    Grande Thiaguinho. Será que vai ter oportunidade no time principal ou vai ter que ganhar experiência?

  20. Celeste disse:

    Anderson Uchôa: Mais um para o time do Cuca.

  21. Pedrosa disse:

    2×0, esse ataque do Cruzeiro com Thiaguinho, Élber e Sebá deixa quaquer defesa louca. Quem sabe a solução do nosso ataque está na base? Eu particularmente confio muito no Dudu e no Bernardo.

  22. Vamos Cruzeiro querido de tradiçãoooooo
    do sub 20 ser campeãooooooooo….

  23. Celeste disse:

    O Cruzeiro foi bastante superior ao Vasco no primeiro tempo. Tocou bem a bola no meio de campo e atacou o tempo todo. Teve momentos que pareceu um treino de ataque x defesa. Agora é cuidar de administrar o jogo e se possível marcar logo o terceiro gol.

  24. Eduardo Arreguy Campos disse:

    O Cruzeiro deu um passeio no vasco neste primeiro tempo. Pode até não ganhar o jogo, mas está dando um prazer imenso ver o futebol que estes meninos estão jogando.

  25. Emilio disse:

    Passou da hora desse Thiaguinho ter uma chance no time principal.

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