Netflix de carnaval

Por SÍNDICO | Em 11 de fevereiro de 2018

Sugestões de filmes disponíveis no Netflix pra este carnaval, pela GAZETA DO POVO.

  1. A FELICIDADE NÃO SE COMPRA (It’s A Wonderful Life, 1946, EUA) — Diretor: Frank Capra. George Bailey (James Stewart) é um sujeito frustrado. Os seus sonhos não se realizaram e a sua existência foi inteiramente dedicada aos outros. Cansado da vida que leva, ele decide se suicidar. Porém, a visita de um anjo lhe fará repensar essa decisão.  Este talvez seja, ao lado de Casablanca, o maior clássico do cinema norte-americano. Até os dias de hoje, é visto religiosamente por antigas e novas gerações. Basta chegar a época do Natal para que as pessoas o revisitem ou o vejam pela primeira vez. A sua história de vida em comunidade, a maneira como reforça o poder da família e a descoberta do protagonista de que o amor pelo próximo pode ser uma vocação são profundamente inspiradoras. É impossível não se comover com os erros e acertos de George Bailey.
  2. OS DEZ MANDAMENTOS (The Ten Commandments, 1956, EUA) — Diretor: Cecil B. DeMille. Baseado na narrativa bíblica, o filme mostra a vida de Moisés (Charlton Heston) desde o seu nascimento até a velhice, passando pela carreira bem-sucedida como general, o recebimento dos Dez Mandamentos, a condução dos hebreus pelo deserto e a divisão do Mar Vermelho. No livro A Política da Prudência, Russell Kirk elenca os dez princípios conservadores. O primeiro deles é crença numa ordem moral transcendente. Ora, Os Dez Mandamentos é o filme que narra justamente a origem dos preceitos morais que guiaram as principais religiões do Ocidente e influenciaram parcialmente as leis sociais. Além disso, houve uma época em que os épicos bíblicos eram uma das principais atrações do cinema hollywoodiano. Não por acaso, o maior nome desse gênero cinematográfico foi Cecil B. DeMille e Os Dez Mandamentos é o seu melhor longa.
  3. BRAZIL, O FILME (Brazil, 1985, Inglaterra) — Diretor: Terry Gilliam. Em um futuro distópico, no qual a tecnologia e o governo exercem um poder opressor, um simples funcionário administrativo (Jonathan Pryce) tenta corrigir um erro e é considerado inimigo do Estado. No campo político, uma das coisas que os conservadores mais desprezam é o crescimento do Estado. Em Brazil –O Filme, por meiode uma sátira política, o público percebe como a burocratização estatal, quando elevada a níveis insuportáveis, se transforma num pesadelo para os cidadãos e uma inimiga da liberdade individual. Terry Gilliam disse que o título se originou do exotismo e do poder de escapismo que a palavra Brazil poderia ter para o morador de uma cidade cinzenta e industrial. No entanto, os brasileiros, diante da trama do filme, sabem que o título tem significado muito maior.
  4. A ÁRVORES DA VIDA (The Tree Of Life, 2011, EUA) — Diretor: Terrence Malick. Paralelamente a uma narrativa que recria a origem dos cosmos e as primeiras manifestações de vida, é mostrada a tentativa de reconciliação de Jack (Sean Penn) com a família, o passado, a cidade natal e Deus.  É o mais hermético desta lista. A montagem fragmentada, a narração em off e as narrativas paralelas costumam afastar o público. No entanto, quem tiver a coragem de enfrentar essas dificuldades será recompensado com uma obra de arte visualmente estonteante e uma história impactante de reconciliação e amores divino e familiar.
  5. ERA UMA VEZ EM NOVA YORK* (The Immigrant, 2013, EUA) — Diretor: James Gray. Na década de 1920, a imigrante polonesa Ewa Cybulski (Marion Cotillard) chega aos Estados Unidos, mas logo é separada da irmã na alfândega quando descobriram que esta se encontra doente. Sozinha em Nova York, ela trabalha como prostituta para o cafetão Bruno Weiss (Joaquin Phoenix). O que a faz continuar esperançosa é a fé de reencontrar a irmã e voltar pra Polônia. James Gray é o melhor diretor entre os que surgiram nos meados da década de 1990 e esta  é a sua obra-prima. Mostrando destreza técnica e fazendo referências visuais aos filmes da trilogia O Poderoso Chefão, ele pinta um retrato da guerra travada entre os valores tradicionais da personagem conservadora e a corrupção moral de uma sociedade em transformação. Como em todos os seus filmes, a fé e os valores que a estruturam são essenciais pra que a protagonista permaneça forte e persistente num mundo repleto de saídas fáceis. Pra achar esse filme no catálogo é deve-se digitar “A Imigrante”.
  6. ATÉ O ÚLTIMO HOMEM (Hacksaw Ridge, 2016, EUA e Austrália) — Diretor: Mel Gibson, Desmond Doss (Andrew Garfield) é um patriota que deseja defender os Estados Unidos na Segunda Guerra Mundial, mas em razão de sua religião ―Adventista do Sétimo Dia― e de um trauma familiar, se recusa a pegar em armas. Inicialmente, isso se torna um problema, já que os outros membros do exército não se sentem confortáveis com essa posição. Posteriormente, quando sua coragem e seus talentos como socorrista se revelam da mais alta importância, a percepção dos seus parceiros muda. Outros filmes de Mel Gibson poderiam estar aqui (Coração Valente e A Paixão de Cristo), mas além de ser o único disponível na Netflix, Até o Último Homem é o filme mais bem-resolvido do diretor. As principais características de Gibson estão presentes: o homem simples capaz de realizar atos heroicos, a violência catártica e cenas tecnicamente complexas (a batalha no topo da montanha é assombrosa). A recusa do protagonista em se armar até mesmo na guerra pode causar estranheza, mas é importante lembrar que isso não se deve a uma posição política ou social, mas por motivos pessoais e religiosos.
  7. FIRST THEY KILLED MAY FATHER (2017, Camboja e EUA) — Direção: Angelina Jolie. Durante o genocídio cambojano, perpetrado pelos comunistas, a jovem Loung Ung (Sareum Srey Moch) luta pra sobreviver e se reencontrar com os familiares.  É um filme irregular. Angelina Jolie ainda caminha em direção a um estilo cinematográfico e é possível ver que algumas escolhas são inferiores às outras. Entretanto, isso não impede que haja momentos emocionantes (muitos envolvendo o amor entre a protagonista e os familiares) e que a história mostre ao espectador como o totalitarismo do regime comunista foi um dos maiores males que já assolaram o mundo.

22 comentários para “Netflix de carnaval”

  1. SÍNDICO disse:

    O CONSERVADORISMO pode ser descrito de maneiras diferentes. Uma vez que não se trata de ideologia, mas de uma filosofia de vida prática, as adaptações ocorrem de acordo com as transformações culturais profundas e as particularidades de determinadas regiões. No entanto, entre essas variáveis, nota-se a presença constante de certos valores, os quais parecem imutáveis e indiferentes às influências externas. Fé, tradição, liberdade, família, crença na força do indivíduo, a santidade da vida, reconhecimento da imperfeição humana, propriedade privada e intervenção estatal mínima são alguns desses valores que, embora não compartilhados exclusivamente pelos conservadores, são por estes fortemente estimados. Como é sempre importante ver essas características representadas no cinema, eis uma lista com 7 filmes disponíveis na Netflix nos quais algumas delas são vistas sob uma luz favorável. (GAZETA DO POVO)

  2. Miguel Tolentino disse:

    Anotado! Não vi boa parte deles. Seguem as minhas indicações: 1 Nebraska — 2 Lion — 3 Match Point — 4. Her — 5 Whiplash — 6 Pulp Fiction — 7 Babel.

  3. Bruno 7L RJ disse:

    Carnaval o que emplaca é série!

    • Bruno 7L RJ disse:

      The Walking Dead, Vikings, Breaking Bad…

    • Bruno 7L RJ disse:

      Se vc gosta do universo Marvel, pode ver os filmes do heróis de Nova York, Os Defensores. Veja na sequência Demolidor 1ª Temporada, Jessica Jones, Demolidor 2ª Temporada, Luke Cage, Punho de Ferro e finalmente Os Defensores. Se sobrar tempo veja O Justiceiro.

  4. Celeste disse:

    Valeu, Jorge! Excelentes dicas.

  5. Paulo Souza disse:

    Os Dez Mandamentos é um filme realmente espetacular, mas somente até a travessia do mar vermelho. Depois fica muito chato. Faz parte de minha coleção.

    • Paulo Souza disse:

      Emocionante o momento em que Moisés vai ao encontro de sua mãe Joquebede. Tem de ser muito forte para não chorar. O amor de Nefertiti por Moisés também é algo que transcende.

  6. Paulo Souza disse:

    Minhas indicações: Quo Vadis (1951), Na Natureza Selvagem (2007) e Os Canhões de Navarone (1961).

  7. SÍNDICO disse:

    MINHA LISTA, provavelmente, não está no Netflix: Viver — Sonhos de Um Sedutor — O Homem que Matou o Facínora — A Hora e Vez de Augusto Matraga — Rastros de Ódio — Annie Hall — Amarcord — Lawrence da Arábia — Rocco e Seus Irmãos — Bom Dia, Noite! — Central do Brasil — O Sétimo Selo.

  8. matheus t penido disse:

    Filmes: Gran Torino – Bravura Indômita- Django livre – O sol é para todos – Clube da luta – Feitiço do Tempo – O Silêncio dos Inocentes – Doze homens e uma sentença – Scarface- Ilha do Medo.

  9. matheus t penido disse:

    Séries: Breaking Bad – House of Cards – Dr. House – Narcos.