Nadando em dinheiro

Por Jorge Angrisano Santana | Em 22 de setembro de 2010

Mauro França

A revista Placar publica na sua edição de setembro mais um ranking dos maiores salários do futebol brasileiro.

A matéria é assinada pelos jornalistas Bernardo Itri e Ricardo Perrone, também responsáveis pelo levantamento publicado em maio de 2009.

A novidade desta edição é o ranking das maiores folhas de pagamento. O primeiro colocado da lista é Corinthians, com uma folha mensal de 5,05 milhões (incluindo 1,25 milhão de reais de patrocínio repassados a Ronaldo). Seguem-se Inter (5 milhões); Santos (4,8 milhões); Fluminense (4,2 milhões); Palmeiras e São Paulo (4 milhões); Flamengo (3,5 milhões); Cruzeiro (3,4 milhões); Grêmio (3,2 milhões); Atlético-MG (2,9 milhões); Vasco (2,35 milhões); e Botafogo (2,1 milhões).

Os dez maiores salários são os seguintes (em milhares de reais):

  1. Ronaldo (Corinthians): 1,8 milhão, sendo R$ 550 mil de salário e o restante de arrecadação de publicidade.
  2. Deco (Fluminense): R$550
  3. Deivid (Flamengo): R$475
  4. Fred (Fluminense): R$460
  5. Kleber (Palmeiras): R$373,5, incluindo pagamento dos seus direitos.
  6. Neymar (Santos): R$ 305, incluindo 125 mil de um novo acordo firmado com o clube.
  7. Roberto Carlos (Corinthians), Felipe (Vasco), D´Alessandro e Rafael Sóbis (Inter):   R$300

Na faixa de 250 a 299 mil reais aparecem 9 jogadores: Kleberson e Renato Abreu (Flamengo); Carlos Alberto (Vasco); Emerson (Fluminense); Souza e Leandro (Grêmio); Alecsandro e Tinga (Inter); Valdivia (Palmeiras).

Na faixa de 200 a 249 mil, são 11: 3 do Inter (Índio, Renan  Fabiano Eller);  2 do Fluminense (Conca e Belleti) e Santos (Leo e Keirrison); e um de Palmeiras (Marcos), São Paulo (Rogério Ceni), Flamengo (Diogo) e Corinthians (Edu).

Na faixa de 150 a 199 mil reais, aparecem outros 23 jogadores. Entre eles, Fábio, o único cruzeirense a figurar no ranking.

Constata-se uma crescente inflação nos valores pagos pelos clubes. Em 2009, apenas 14 jogadores recebiam salários acima de R$200 mil. Agora, são 30. Entre os 10 mais bem pagos de 2009, apenas 4 recebiam mais de300 mil.

Também entre os treinadores houve aumento dos valores. Parreira e Luxemburgo tinham os maiores salários em 2009, ambos com R$500 mil. Agora foram ultrapassados por Felipão, que recebe R$700 mil no Palmeiras, e Muricy, que embolsa R$ 550 mil no Fluminense.

Luxemburgo, agora no Atlético-MG, é o terceiro da lista, com R$500 mil (mais R$250 mil para a sua comissão técnica). A seguir, vinha Dorival Junior, demitido hoje do Santos, com 350 mil; Celso Roth (Inter), 300 mil; Joel Santana (Botafogo), 270 mil; Renato Gaúcho (Grêmio), 260 mil; Adilson Batista (Corinthians), 250 mil; Cuca (Cruzeiro), 230 mil; e PC Gusmão (Vasco) e Silas (Flamengo), ambos com 150 mil.

O aumento de salários não significa que os clubes estejam com os cofres cheios e contas em dia. Pelo contrário, a maioria tem dívidas monstruosas. Alguns contam com parceiros fortes para bancar o aumento de gastos, como Fluminense e Inter, respaldados por Unimed e Grupo Sonda, respectivamente. Outros optam pelo alongamento da dívida, dando como garantia para novos empréstimos as cotas de TV, patrocínios e até rendas de jogos. A maioria já comprometeu seus rendimentos futuros.

A irresponsabilidade administrativa pode até gerar bons resultados no curto prazo (o que nem sempre acontece). No longo prazo, é certeza de crise. A maioria dos cartolas, no entanto, não parece preocupada com o futuro. É mais cômodo armar a bomba e deixá-la explodir no colo de outros.

Algumas curiosidades:

  • O Flamengo gasta cerca de um terço do total da sua folha de pagamento com apenas 4 jogadores. Os salários de Deivid, Diogo, Renato Abreu e Val Baiano somam R$1,13 milhão.
  • No Inter, 12 jogadores recebem acima de R$150 mil. No Flamengo, são 7. No Fluminense, 6.
  • Deco vai receber R$9,6 milhões/ano no Fluminense. Desse total, 3 milhões vão para o centro social que jogador mantém em Indaiatuba/SP.
  • O Palmeiras pegou R$39,6 milhões de empréstimo junto ao BMG. Como garantia, deu as cotas de transmissão dos próximos cinco campeonatos paulistas.
  • Até 31/08, cada ponto ganho pelo Atlético-MG no Brasileiro custou R$225 mil. Em quatro meses, a comissão técnica de Vanderlei Luxemburgo recebeu R$3 milhões. E somou apenas 14 pontos.

Mauro Françca, 47, economiário, historiador, nasceu em Sete Lagoas, mora em Belo Horizonte.

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