Mineiro 1965: Nacional 0x2 Cruzeiro

Por SÍNDICO | Em 23 de dezembro de 2010

Wilson Piazza fez a diferença

Tradicional clube do Bairro São Benedito, grande concentração de estabelecimentos comerciais de árabes em Uberaba, o alvinegro Nacional estava completando 21 anos. A visita do Cruzeiro incrementou a festa. Antes da partida, houve troca de flâmulas entre os 22 jogadores e foguetório intenso.

A defesa do Cruzeiro esteve bem, mas o ataque não. Como na época em que era meia-esquerda do Renascença, Piazza foi ao ataque e abriu o placar aos 30 do 1º tempo. Dirceu desarmou Tati e lançou o centromédio que, na corrida, driblou Dias I e chutou forte no canto.

Mesmo jogando em casa e em desvantagem no placar, o Naça não quis correr riscos. Manteve-se firme na defesa pra evitar uma goleada. O Cruzeiro continuou atacando até marcar outro gol aos 38 do 2º tempo. Fescina tomou a bola de Romildo e serviu Picinin, que só teve o trabalho de empurrá-la pra rede..

  • Nacional 0x2 Cruzeiro, domingo, 01ago65, 15h, Estádio JK, Uberaba, 4ª rodada do Campeonato Mineiro de 1965 – Renda: Cr$1.250.500 – Juiz: Juan de la Pasión Artés – Bandeiras: João Bernardino Alves e José Magalhães (Liga Uberabense de Futebol) – Gols: Wilson Piazza, 30 do 1º; Picinin, 38 do 2º – Cruzeiro: Tonho, Pedro Paulo, William, Vavá e Tião (Neco); Wilson Piazza e Dirceu Lopes; Wilson Almeida, Fescina, Picinin e Dalmar. Tec: Airton Moreira – Nacional: Lili, Dias I, Romildo, Batatais e Paulo Misson; Rubinho e Tati; Robertinho, Tinoco, Mané (Germano) e Dias II. Tec: Bell.
Bicho exótico

Fernando Pierucetti, o Mangabeira, torcedor do América e chargista da Folha de Minas nos Anos 1940, foi quem criou os mascotes dos clubes mineiros. O Cruzeiro ganhou a raposa por causa da esperteza de seu presidente Mario Grosso. O Atlético ficou com o galo carijó, pela plumagem alvinegra e por mandar no terreiro da Liga. Para o América, ele escolheu o coelho. Uma falha. Pela mania de criar casos –foi contra o amadorismo marrom e o profissionalismo, rompeu com a Liga, vivia tirando jogadores da Seleção Mineira– deveria continuar sendo o Pato Donald. Se não fosse possível, que fosse, ao menos, um pato genérico.

O Villa Nova, por causa dos ingleses da Mina de Morro Velho ou pela altivez com que comportava em seus domínios, ganhou o leão. E não reclamou. O Uberaba, por motivos óbvios, o zebu. Pela camisa verde, o Uberlândia ficou sendo periquito. Pela estridência que se supunha ter algo a ver com mineração, o Valeriodoce virou araponga. O jabuti, por sua carapaça intransponível como o aço representou o Siderúrgica.

Pelas sete lagoas de sua cidade, o Democrata ganhou o jacaré. O Guarani, de Divinópolis, cidade rival de Formiga, ganhou, e gostou, do tamanduá. O Renascença, devido ao uniforme onde prevalecia o negro, incorporou o urubu. Ou será que foi pelo freqüente sobrevoo de sua cancha pelos urubus que faziam ponto no curtume Santa Helena, no Bairro Ipiranga, e no Matadouro Municipal, no Bairro São Paulo, ambos vizinhos do Estádio dos Eucaliptos?

Faltou explicar o elefante do Nacional. Mangabeira nunca se manifestou sobre a escolha de um bicho estrangeiro. Desenhou e pronto. Os torcedores do Uberaba viram na tromba e na pança do bicho exótico alusões aos árabes bem sucedidos que controlavam o clube e o comércio da, então, maior cidade do Triângulo Mineiro. Mas não há provas.

Estes eram os times do Campeonato Mineiro de 1965. Ah, sim, para a Seleção Brasileira, o escolhido foi o Canarinho. E ninguém perguntou por quê.

15 comentários para “Mineiro 1965: Nacional 0x2 Cruzeiro”

  1. Cuné disse:

    Que ótimo post, bons tempos quando o JS dizia que o ataque não foi bem e ganhávamos de 2×0, hehe. Destaco Pierucetti, o Mangabeira, parece que ele tinha uma criatividade ímpar e era além de tudo, um visionário. Fez os mascotes já prevendo que a raposa naturalmente iria usar galinhas e coelhos como presas fáceis nos anos que viriam.

  2. Geniba disse:

    Fica chato se em todos os posts como este eu vier aqui agradecer e elogiar?
    Nada melhor do que unir história e futebol.
    Show de bola!

  3. Azul Celeste disse:

    OT. Além de um centro avante vamos ter que contratar um lateral direito: Luis Alvaro cita acerto com o Cruzeiro e aproxima Jonathan do Santos

  4. Mauro França disse:

    Esta série sensacional vai salvando o final de ano. Não aguento mais esse trololó de especulações e boatos.

  5. Geniba disse:

    Mais um belíssimo post da série que o Jorge está disponiblizando para nós sobre a heroica conquista do Campeonato Brasileiro de 1966, com Piazza fazendo gol driblando o goleiro e não temos nem uma dúzia de comentários, sendo que metade deles são para falar da ida do Jonathan para a Baleia (já que o mascote do Santos é um mamífero e não um peixe). Pois eu acho muito mais interessante o duelo entre Cruzeiro e Santos de 44 anos atrás.

  6. Eduardo Arreguy Campos disse:

    Nacional de Uberaba? Sinceramente, só me lembro do Nacional de Muriaé, grande naça. É Uberaba mesmo?

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