Mineiro 1965: América 1×2 Cruzeiro

Por SÍNDICO | Em 25 de dezembro de 2010

Perfeito durante 85 minutos

Após dois empates consecutivos, acendeu-se o sinal de alerta no Barro Preto. Durante a semana, Felício Brandi, Carmine Furletti e Aírton Moreira revezaram-se nas preleções exigindo garra e decisão aos jogadores. Só jogar bonito não estava resolvendo. Outro empate desmotivaria a torcida. E uma derrota faria o América disparar na liderança.

O time celeste entrou em campo ligado. O tripé Piazza-Dirceu-Tostão tomou conta da partida. Defendeu, armou e atacou sem diminuir o ritmo um minuto sequer. Com seu estilo bruto, o veterano Vavá comandou a defesa. Ele precisava se redimir de atuações fracas que levaram sócios e torcedores a pedir sua saída do time num abaixo-assinado enviado à diretoria, com 500 assinaturas.

Batista, juvenil recém promovido, apavorou a dupla Jorge & Caiallaux. O Cruzeiro deu um baile no invicto América. O primeiro gol surgiu aos 33 do 1º tempo. Neco desarmou Geraldo e passou a bola a Wilson Almeida. Da entrada da área, o ponteiro acertou uma bomba de pé direito. Aos 5 do 2º tempo, Piazza desfez um ataque do América e passou com precisão a Dirceu Lopes. Da intermediária, o Baixinho chutou de curva acertando o ângulo, sem chance pra Capellani.

Tranqüilo, o Cruzeiro cadenciou o jogo impedindo que o rival tivesse posse da bola. Mas como a maré não estava nada favorável para Vavá, aos 40, ele desviou com a mão um chute de Geraldo. Pênalti. O zagueiro alegou toque involuntário. Foi expulso. Jair Bala converteu. O América passou os últimos 5 minutos dentro da área do Cruzeiro. Aos 45, uma bola bateu na trave, na risca e… Saiu! Sorte!

Comovida com o poder de recuperação da equipe, a diretoria abriu a mão e pagou Cr$100 mil de bicho a cada jogador. Poderia ter sido melhor se a liderança não tivesse caído no colo do Atlético. Menos mal que, 24 horas depois, os emplumados perderam de 3×1 para o Siderúrgica e desperdiçaram o presente ganho na véspera.

  • América 1×2 Cruzeiro, sábado, 14ago65, 16h, Estádio Independência, 6ª rodada do Campeonato Mineiro de 1965 – Renda: R$9.312.500 – Juiz: Juan de la Pasión Artés – Bandeiras: Geraldo Toledo e João Miguel Andere – Expulsão: Vavá, 40 do 2º – Gols: Wilson Almeida, 33 do 1º; Dirceu Lopes, 5, Jair Bala, de pênalti, 42 do 1º – Cruzeiro: Tonho, Pedro Paulo, William, Vavá e Neco; Wilson Piazza, Dirceu Lopes e Tostão; Wilson Almeida, Batista e Dalmar. Tec: Airton Moreira / América: Capellani, Luizinho, Jorge, Caiallaux e Murilo; Eduardo e Ney; Geraldo, Jair Bala, Mosquito e Nilo. Tec: Mário Pereira.

Vavá

Osvaldo Simplício nasceu em 27ago33, em Belo Horizonte. Começou a jogar no Tremedal, clube varzeano do Bairro Carlos Prates. Em 1955, foi descoberto por Adil de Oliveira, que o levou para o Cruzeiro, seu único clube profissional.

Vavá nunca se transferiu. Quando aparecia uma oportunidade, a Diretoria oferecia-lhe um modesto reajuste salarial. Ele ia ficando. Pra completar a renda, abriu, no bairro do Prado, uma oficina mecânica que virou ponto de encontro de jogadores e torcedores.

Valente e sempre fiel ao clube celeste, ele jamais reclamava ao perder a posição. Mesmo na reserva, mantinha-se motivado e preparado para voltar ao time. Durante 14 anos Vavá vestiu 403 vezes a camisa estrelada, conquistou oito títulos mineiros: 56 / 59 / 60 / 61 / 65 / 66 / 67 / 68 e um brasileiro, o de 1966.

Livro: 1966: O Cruzeiro descobre o Brasil

6 comentários para “Mineiro 1965: América 1×2 Cruzeiro”

  1. Danilo_VIX disse:

    Grande relato desse time que me parece ter sido a melhor fase dos tempos de Cruzeiro. Pena eu não ter nacido para acompanhá-lo de perto. Sorte ter o PHD nesses tempos presentes para nos brindar com grandes memórias do Time.

  2. OT
    POr falar em década de 60…
    Sensacional, emocionante e imperdível o programa PONTAPÉ INICIAL com entrevista do Embaixador Cruzeirense Milton Nascimento. Música, Cruzeiro, Esporte, Airton Senna. Impossível não se emocionar. Recomendo.

  3. Este jogo tem um detalhe histórico. A última partida do Cruzeiro no Independência em uma temporada regular. A partida seguinte, contra o Villa Nova, pelo Mineiro 1965, marcaria a estreia do Cruzeiro nos gramados da Toca III, em jogos oficiais.

  4. Danilo_VIX disse:

    Nesse Natal em família, aproveitamos para atualizar e conhecer algumas histórias do Cruzeiro. Meu pai, grande torcedor desde sempre, constou uma um tanto engraçada. O papo era sobre os salários dos jogadores atualmente (e a disparidade de ganhos entre jogadore do mesmo time, caso do Fluminense).

    Segundo meu pai, o Cruzeiro treinava na sede do Barro Preto em 67 e tinha-se um contato muito próximo entre torcida e jogadores, de modo que se podia escutar com clareza a comunicação entre os jogadores no coletivo. Numa dessas, sob um calor inferanl, o Tostão (jogando sempre com a cabeça erguida) procurou o ponta esquerda Lima (ex-Cirinthians) fez um belo lançamento e gritou: VAI!!!

    Lima, já desgastado com o calor, retrucou depois de desanimar para a corrida: vai você, você que ganha muito!

  5. Cláudio Ianni disse:

    Eu estava lá !!!…..!!!!!

  6. Walterson disse:

    Se bobear voce estava na estréia do Cruzeiro como profissional.

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