Júlio Reis, o criador do Sócio da Reconstrução

Por Jorge Angrisano Santana | Em 10 de março de 2020

1. Quem é Júlio Reis? (onde e quando nasceu, ocupação dos pais, formação acadêmica, crenças etc.)

 Júlio Reis é um cruzeirense fanático, nascido em 30jun78 em Ipatinga. Formado  em Engenharia Civil com Pós em Engenharia de Produção e MBA em Finanças. Meus pais, Carlos José Caldeira Reis e Maria de Fátima Garcia Reis. Ele, repsonsável direto pelo meu fanatismo, engenheiro e ela, professora, ambos aposentados. Católico e com uma fé enorme em Deus, Jesus Cristo e Nossa Senhora de Aparecida.

2. Desde quando vc é cruzeirense? E por que é cruzeirense?

Desde que nasci tenho o Cruzeiro em minha vida. Tenho até hoje um conjuntinho dado por meu pai, que é um cruzeirense fanático como eu. Ele é a razão de tudo. Graças a Deus.

 3. Por que o Cruzeiro se tornou um modelo de irresponsabilidade administrativa e financeira?

Costumo dizer que futebol é terra de ninguém. O modelo de governança é feito para não haver fiscalização. O Conselho é praticamente formado por quem ganha as eleições e perde sua isenção na fiscalização. Com um maior rigor contra a corrupção na política, acredito que tem sido o lugar mais apropriado para malfeitores agirem sem preocupação. O Cruzeiro foi mais um. As coisas se tornaram piores aqui, pois houve um péssimo planejamento sucessório do Gilvan que redundou na contratação de pessoas de péssima índole para gerir o Clube.

4. O Cruzeiro tem como superar esta crise?

Tem sim. Não é fácil e depende muito de quem vai fazer isso e do apoio da torcida. Futebol tem o que costumamos dizer no mundo da Consultoria, “mato alto demais”. Medidas de austeridade podem reduzir os gastos em 50%. Ações comerciais e de marketing junto à torcida, podem alavancar muito as receitas. Esta dobradinha (austeridade nos gastos e aumento nas receitas) transforma déficit em superávit que é o primeiro passo para começar a amortizar as dívidas.

   5. O que os atuais gestores podem fazer para superar a crise?

O que precisam fazer é levantar um recurso (empréstimo ou até venda de ativos), trancar num cofre a sete chaves e somente usar para não perder mais patrimônio. Ter um mínimo dinheiro em caixa é fundamental para ter tranquilidade de operacionalizar as medidas de austeridade e alavancagem de receitas acima. Outra necessidade é um trabalho intenso de renegociação de dívidas e de débitos tributários e trabalhistas. Precisa ganhar fôlego para começar a pagar com esta virada para superávit.

 6. O que eles têm feito?

Pelo que acompanho, têm feito tudo isso. Talvez de uma maneira um pouco desordenada e com uma comunicação falha, mas o dever de casa está sendo feito. A folha de futebol tem sido adequada ao novo orçamento. Em torno de 100 colaboradores, com salários ou perfis inadequados, foram desligados. Novas medidas de arrecadação tomadas. Acordos com credores e um empréstimo estão sendo aventados. Acredito que para o tempo que tiveram, foi muita coisa. Só não foi bem comunicado com a torcida

 7 Como a torcida pode colaborar pra tirar o Cruzeiro desta situação caótica?  

Consumindo os produtos, tornando sócio e entendendo de fato nossa situação. Muitas medidas custosas para os Clubes são tomadas para atender a falta de paciência e exigência do torcedor. Não dá para esquecer nossa situação. Precisamos calibrar as expectativas em termos de investimento no futebol.

    8. O que é o sócio da reconstrução? Como será usado o dinheiro arrecadado?

Foi um projeto que idealizei com o objetivo de capitalizar rapidamente o anseio do torcedor em ajudar, com valor módico. A ideia era gerar uma Receita rápida para o Clube e ao mesmo tempo gerar uma base de potenciais “clientes” para outros programas de sócios e outros produtos. O primeiro dinheiro que entrou foi usado para pagar salários atrasados do pessoal, o que o fez mais importante ainda. 

    9. Pelo que li na imprensa, a mudança do estatuto será gradual. Quais seriam as etapas? Como ficará o estatuto no fim das contas?

Nesta parte, apenas contribuí fornecendo um documento com algumas propostas que havia feito em 2017. Pelo que acompanho, estão será duas fases, sendo que a parte “eleitoral” que julgo mais importante será tratada após estas eleições.

10 Os imóveis do Cruzeiro serão usado pra abater a dívida? Quanto vale cada um?

Acho difícil, pois depende de o Conselho aprovar e também é uma medida delicada. Se a cada crise, dispusermos de um patrimônio, corremos sérios riscos de ficarmos sem patrimônio, mas eu propus como uma alternativa para levantar capital de giro. Lógico que preferia que conseguíssemos por outras fontes, mas situações extremas às vezes demandam medidas extremas. Um jogador que evitássemos de perder, já poderia justificar tal ato.   Em avaliação recente, se não me engano, valem próximo de R$600 milhões.

11. O quarteirão do Barro Preto deveria ser vendido ou seria melhor se associar a uma empreiteira para dar outra destinação ao local?\

Sem dúvidas o espaço deve ser mais bem utilizado. Projeto de longo prazo, mas que deveria ter sido startado há muito tempo. Mas ficamos sentados sobre uma espécie de arrogância achando que não precisávamos explorar ao máximo nosso potencial.

12. Como o torcedor que mora no exterior poderá se associar ao clube e participar da reconstrução, mesmo sem ter CPF, contas em bancos ou cartões de crédito brasileiros?

Não tenho esta resposta, mas parece que após problemas iniciais está funcionando bem.

13 Os gestores estão repactuando as dívidas com os atletas de altos salários e contratos caros de imagem. Essa era a única saída?

Talvez a melhor. Isso praticamente é um empréstimo sem juros. O ideal era que perdoassem as dívidas, mas é utópico. Direito adquirido deles.

14 Sem um vultoso empréstimo bancário, como o que está sendo negociado, o clube pode ser obrigado a cessar suas atividades? Quanto a banca cobrará de juros por esse empréstimo?

Não acho irá cessar as atividades e sim ter muitas dificuldades, sofrendo sansões, ações, greves, perdendo patrimônio etc. O “score” do Cruzeiro no mercado é ruim, o juro não deve ser tão baixo. Mas a selim está baixa. Com o lastro dos gestores, dá para tentar algo.

15 Quando o torcedor celeste poderá soltar o grito de “É campeão!”, de novo?

É uma pergunta difícil, pois depende muito da assertividade das gestões daqui para frente. Acho que seguindo com esta austeridade, em 3 ou 4 anos, dá para começar a investir mais pesado. Nestes três anos, apenas com muita assertividade nos investimentos, teríamos alguma chance de êxito, pois o orçamento seguramente será limitado.

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