Impossível não se preocupar

Por SÍNDICO | Em 9 de abril de 2019

FERNANDÃO

Não quero ser o chato ou a besta do apocalipse numa hora dessa, mas é impossível para quem tem um mínimo de preocupação com o Cruzeiro, apego aos números e conhecimento em gestão, não se preocupar com o rumo das coisas.

O estopim para as minhas preocupações ao ponto de externá-las em texto são as trágicas interações do nosso vice=presidente de Futebol com a imprensa.

Concordo com o Itair num ponto. Dinheiro gera dinheiro. Ao encolher o clube renegando o passado de conquistas e vitórias em busca da quitação dos passivos a qualquer preço o faturamento do clube cai junto e a crise se avoluma, vide os ex-grandes cariocas que pagam dívidas, revelam, vendem rápido, pagam dívidas e a dívida aumenta, trazendo desalento e perda de relevância. A saída, portanto, seria manter o futebol vencedor, ampliando sempre que possível o faturamento, impedindo que as dívidas tornem-se mais urgentes com uma rolagem responsável e previdente e buscando com as receitas extraordinárias momentos para amortização.

Ocorre que algumas coisas não andam certas pelos lados da Toca. Vou resumir em três aspectos mais preocupantes

  1. A falta de responsabilidade com as dívidas: Como dito, a estratégia de tentar aumentar o faturamento e permanecer com o “nariz fora da água, deve passar por ter atenção com as dívidas e priorizar as que devem ser pagas. Alguns credores inclusive aceitam renegociar valores ou dar descontos em juros e multas para receber sem maiores embaraços. O Cruzeiro teve duas receitas, em tese, excepcionais recentemente. A premiação da Copa do Brasil e a venda do Arrascaeta. Itair nos revelou que premiações são quase que integralmente consumidas pelas premiações em cascata (para jogadores e comissão técnica) assim como revelou que não utilizou o dinheiro do uruguaio para quitar dívidas. Além disso ainda foi revelado que o Cruzeiro corre riscos de perder pontos no Brasileiro se não quitar dívidas na Fifa (e que seriam antecipadas receitas para resolver isso, ou seja, o que entrou já saiu mesmo) e que o Cruzeiro corre risco de ficar sem o Mineirão por inadimplência.
  2. Falta de profissionalismo. Itair tem que falar do futebol. Mas fala de tudo. Pelos cotovelos. Lembro quando Pires de Sá assumiu que alguns caras do mercado privado toparam por a reputação em cheque para trabalharem no Cruzeiro. Gente profissional que vinha de grandes empresas. Aos pouquinhos a turma foi pulando do barco. Ficou, ao que parece, uma concentração de poder nas mãos do Serginho e do próprio Itair, que recentemente veio a contratar o filho do Perrela para dar uma mãozinha. O tempo e o mercado competitivo do futebol podem “perdoar” uma estratégia ousada com uma premiação alta, com algumas vitórias improváveis. Mas certamente os gestores do momento deverão aprender a aproveitar as oportunidades de negócio. Gente experimentada no mercado certamente ajuda nisso. Sentar à mesa para negociar com a Minas Arena, por exemplo, deveria ser prioridade, não jogar para a galera.
  3. Horizonte de médio prazo. As contas estão chegando e daí nosso Mitair saiu-se com essa hoje: “Acredito que o empréstimo vai sair. Se não sair, nós já temos o plano B, que é fazer um parcelamento a longo prazo com todos os credores do Cruzeiro. Acho que em 90 dias teremos a solução disso.” Certamente fazer um parcelamento de longo prazo com os credores é uma opção desde sempre. Talvez alternando com as amortizações em caso de receitas excepcionais. Quer dizer que vamos começar a pensar nisso agora? Ou melhor, se o empréstimo não sair? Nossa solução para a dívida do Mineirão é tentar virar a mesa? Mandar a torcida invadir? Além disso, o time do Cruzeiro tem a base envelhecida. As contratações estão sendo feitas com horizonte curto. Ou jogadores sem potencial de revenda ou empréstimo. Preocupa-me muito pensar que o próximo ciclo virá. E que quando ele vier o Itair sairá assobiando por aí, já que ele tem mercado, como ele mesmo disse.

FERNANDO ÁVILA, 34, gestor público, nasceu e mora em Belo Horizonte.

33 comentários para “Impossível não se preocupar”

  1. SÍNDICO disse:

    SE NÃO TEM DINHEIRO pra pagar o Mineirão, o jeito é ir pro Independênia ou pra Arena do Jacaré. Humildade e canja de galinha não fazem mal a ninguém.

    • SÍNDICO disse:

      O CRUZEIRO não paga a Minas Arena porque custa caro jogar num estádio de Copa do Mundo pra 10 mil torcedores, com ingresso médio de R$15. O resto é fumaça.

    • Fernandão disse:

      Na base do problema tem um contrato de exclusividade de 25 anos assinado por quem estava mais preocupado com as luvas dele do quem com estudo de cenário. O mais triste dessa história é que jogo após jogo o “Presidente raiz” mete 3 mil ingressos na mão de organizada, ajudando a evadir a renda das partidas. É muito, mas muito carona nos jogos do Cruzeiro. Tá numa média de 5 mil por jogo, sem contar mulheres e crianças. Pago regiamente o meu sócio cativo – por convicção. Se eu quisesse tava indo na faixa ou pagando mixaria todo jogo.

  2. SÍNDICO disse:

    POUCOS JOGADORES podem ser vendidos no atual elenco o. Romero, David, Murilo, Fabrunho, Cacá e Popó devem valer alguma coisa. Destes, Romero é o único na vitrine. E ainda nem foi adquirido em definitivo.

    • mrr disse:

      Agora o leite já derramou. Oremos por dois canecos esse ano, não conta o rural, pois precisamos de premiações descentes, as tais extraordinárias que o softdrink tanto conta.

    • Bruno 7L RJ disse:

      Raniel e Sassá têm mercado.

  3. SÍNDICO disse:

    AS SAÍDAS dos diretores Divino e Lage deveriam ser tomadas como indicadores do tamanho do problema financeiro e administrativo do clube. Mas o Conselho Deliberativo, ao que parece, é composto, em sua maioria, por lorpas incapazes de entender os problemas do clube.

    • Bruno 7L RJ disse:

      Todo mundo entende os problemas. Mas preocupam-se com os respetivos umbigos. Sobre as saídas, creio que os citados sabiam dos problemas financeiros, mas optarammpor sair diante dos obstáculos administrativos.

  4. SÍNDICO disse:

    ITAIR garante que o Departamento de Futebol custa apenas R$12 milhões por mês, R$1 milhão a menos do que em 2018. De onde sairão os R$156 milhões pra quitar um ano desta despesa?

    • Fernandão disse:

      O futebol se paga com sobras. O problema é o resto. 40 Mi bilheteria/sócio; 40 patrocínio/marketing; 120 televisão. O Cruzeiro deveria trabalhar com o custo de 200 milhões para tudo, não só futebol com base nisso daí. Tirando como base o último balanço publicado (2017) 68 mi de “despesas operacionais”, 28 mi de “gastos gerais administrativos” e por aí vai… Não há transparência.

      • Bruno 7L RJ disse:

        E quem cobra a transparência? Hein? Hein? Cadê Seu Perrella nessas horas? Ainda mais com o filhote lá agora…

  5. SÍNDICO disse:

    RECADO AOS BURROS. Deu no Superesportes: “Sobre sonho do Cruzeiro de gerir Mineirão, Minas Arena dá recado: ‘Colocamos R$666 milhões e queremos o retorno’. Diretor comercial da concessionária se posicionou depois que o clube celeste enviou ofício ao Governo de Minas solicitando administração do estádio”.

  6. SÍNDICO disse:

    GUSTAVO PERRELLA como diretor é só mais uma irresponsabilidade. Pires de Sá põe mais um no cabide pra se reforçar politicamente.

    • mrr disse:

      Dessa eu não sabia. Se estivesse em uma mesa de bar, pediria – ” Ôoo amigo, garçom, fecha a conta!”

  7. SÍNDICO disse:

    VILLA NOVA perdeu 16 pontos em julgamento no TJD, por escalar o meiatcante Pinguim irregularmente, e foi rebaixado para o Módulo II do Mineiro. Guarani se mantém no Módulo I. Cabe recurso ao pleno no TJD e, se for o caso, ao STJD.

  8. mrr disse:

    Pelo que entendi, o modelo de gestão adotado pelo Taí é contar com ovo no c… do mineiro. O passivo é enorme. A exemplo temos um elenco recheado de trintões. O refrigerante, ops, o presidente, ops, o vice está jogando para torcida a responsabilidade dando uma direta, ops, indireta que devemos encher os estádios, migrar para o tal banco como se não tivéssemos conta para pagar e família para criar, desconsiderando a realidade atual do Brasil de recessão. Fernandão está certo, o cara vive em uma realidade paralela e de quebra é irresponsável ou desesperado em dar um entrevista dessa na véspera da final do rural.

  9. HOJE EM DIA disse:

    MARCELO DJIAN, diretor do Cruzeiro, concorre ao premeio de melhor executivo de futebol a ser conferido pela Conferência Nacional de Futebol (Conafut) . Seus adversários na disputa serão Rui Costa, do Paranaense, e Alexandre Mattos, do Palmeiras. Djian ajudou o vice de futebol, Itair Machado, a montar o elenco bicampeão da Copa do Brasil no ano passado. Os outros postulantes também montaram times vencedores. Rui Costa conquistou a Copa Sul-Americana e Alexandre Mattos o Brasileiro de 201. Após vencer a taça continental no time paranaense, Rui Costa deixou o Athletico. A entrega do prêmio será em 17Mai, durante Conferência Nacional do Futebol, no Teatro CIEE em São Paulo. Os 55 jurados são jornalistas, pesquisadores e profissionaisde futebol.

  10. Bruno 7L RJ disse:

    CEC fez pelo menos 2 contratações sem necessidade: Dodô e Jadson. E eu teria liberado do TN, ainda mais contatando com Rodriguinho.

  11. Bruno 7L RJ disse:

    CEC precisa de um Bandeira de Melo urgente na história do clube. Já comentei isso 2 ou 3 vezes.

    • SÍNDICO disse:

      Sérgio Rodrigues serve?

      • Bruno 7L RJ disse:

        O candidato derrotado nas últimas eleições, né? Me pareceu uma boa aposta, apesar de não ter toda a vivência de mercado que o Bandeira tem. Mas eu apostaria nele. Gosto do nome do Pedro Lourenço tbm.

  12. Polaco disse:

    Só por curiosidade, seria interessante o Sr Fernandão, separar para nós as dívidas deixadas pela gestão anterior e as feitas pela atual gestão. Bom dia e um grande abraço!

    • Fernandão disse:

      Não tenho essa competência nem o acesso à informação. O que posso dizer é que isso não é tão importante assim. O fato gerador deve ser relativizado. Uma dívida pequena gerada há dez anos, se negligenciada se avoluma. Daí o cara fala “Dívida da gestão passada”. Ora, da gestão passada pombas! Dívida do Cruzeiro. É muito bonito pagar o Pyramids pelo Rodriguinho e não pagar o Defensor pelo Arrascaeta no discurso, mas é contraproducente sem efeito prático algum. A dívida negligenciada vira título de execução, vira penhora – exatamente pelo seu tempo e daí o devedor perde o poder de negociação.

      • Polaco disse:

        Ok, era apenas um curiosidade. Grande abraço!

      • SÍNDICO disse:

        MAIS OU MENOS ISTO: Zezé deixou R$96 milhões de dívidas com o governo. Gilvan entregou com R$360 milhões, com governo, clubes e fornecedores. Sá já levou a monstruosidade pra R$450 milhões.

  13. Bruno 7L RJ disse:

    Belo post. Mas como não há transparência, os pitacos ficam muito no campo da especulação.

  14. Romarol disse:

    Ótimo post! Só acho que não há dívidas sobre o Mineirão! o Cruzeiro tem as mesmas prerrogativas que as Frangas de não se cobrar nada para jogar. Ponto.

    • Fernandão disse:

      “Antes faltava diálogo, pelo que a gente acompanhava de longe e pelo que foi repassado pela imprensa. A gente ficou surpreso com a vontade da Minas Arena em equalizar os problemas. O tratamento que a Minas Arena e o governo têm dado ao Cruzeiro é espetacular. Querem equacionar e é um negócio que tem de ser bom para os dois. Existe um contrato que tem de ser respeitado”…
      “Esse débito antigo está na justiça. Vamos marcar uma reunião especificamente para isso. Estávamos esperando a volta do recesso judicial. E como estávamos com a janela aberta, nosso jurídico estava muito ocupado com a questão da multa do Fred. Então, agora, vamos sentar com a Minas Arena e o Cruzeiro quer pagar a dívida, tanto que está pagando com 25% da renda. A gente quer repactuar isso aí e ir pagando. É algo que a Minas Arena vai receber e equalizar o caixa dela”… –