Henrique: “Não apareço muito, mas tenho função importante”

Por Jorge Angrisano Santana | Em 23 de novembro de 2010

Pitacos de blogueiros e protagonistas acerca do Cruzeiro 3×1 Vasco, na Arena do Jacaré, Sete Lagoas, pela 36ª rodada do Campeonato Brasileiro de 2010, em 21nov10:

  1. Henrique, volante do Cruzeiro: Fico feliz, estou sempre dando o meu melhor pra ajudar o time e hoje não foi diferente. Sou um jogador que não aparece muito, mas tenho uma função importante. Isso é o que vale. Fico feliz pela Libertadores, mas a gente ainda acredita que possa chegar ao título. Tenho certeza de que o campeonato será defindido na última rodada. Vamos com tudo contra o Flamengo, acreditando que vai dar.
  2. Thiago Ribeiro, atacante do Cruzeiro: Estou exausto e com dor no corpo inteiro. Foram muitos piques no 1º tempo pelo lado direito. São muitos jogos na temporada e vai batendo o desgaste. Mas o importante é que fizemos um ótimo 1º tempo e, no 2º, administramos. Enquanto existir esperança de título vamos acreditar já que a diferença é de dois pontos e com um empate do Fluminense poderemos ultrapassar. Temos que fazer nossa parte, vencer os dois jogos restantes e ver o que acontece. Agora é procurar descansar, porque no próximo final de semana teremos mais um jogo difícil.
  3. Fábio, goleiro do Cruzeiro: As bolas entraram e a gente conseguiu um grande resultado. Fizemos um início de jogo muito forte, tivemos outras chances, mas o importante foram os três pontos. Conseguimos sair com mais uma vitória e continuamos em busca de nosso objetivo. Deus vai nos dar este presente, mesmo que seja na última rodada, mas temos de fazer por merecer, fazer a nossa parte, conquistar os nossos resultados.
  4. Edcarlos, beque do Cruzeiro: Desde que a minha filha nasceu, eu havia prometido fazer o gol para ela e não estava conseguindo. Mas, graças a Deus, pude fazer essa homenagem, hoje. Estou muito feliz. Futebol é assim, principalmente em uma equipe que tem grandes jogadores. Hoje, tive a felicidade de jogar, jogar bem e fazer o gol. É uma dor de cabeça boa para o Cuca. Agora é esperar que os adversários tropecem e que nós consigamos fazer o nosso papel. No futebol, tudo pode acontecer.
  5. Cuca, treinador do Cruzeiro: A equipe entrou com muita gana, vontade de vencer, com determinação, desde o primeiro momento, fazendo uma decisão, como tinha de ser. Encaixou muito bem a bola parada e fizemos os três gols. Tomamos um gol aos 45, que pô o Vasco de volta ao jogo. Se eles fazem o segundo, muda todo o emocional da partida. Então, o pessoal soube administrar bem, cadenciou e não correu grandes riscos, até porque o Vasco tem uma boa equipe, muito rápida. Domingo que vem, teremos ainda mais dificuldades contra o Flamengo, uma outra decisão. Pra gente ser campeão teriam que acontecer três tropeços de Corinthians e Fluminense. Já aconteceu um, do Corinthians, e, se houver mais dois tropeços e nós fizermos nossa parte, e vencermos os dois próximos jogos, que é muito difícil, poderemos ser campeões. Chegamos a duas rodadas do final do campeonato ainda com chances. Vamos nos manter vivos, se Deus quiser, até a última rodada. Temos que trabalhar só nosso jogo contra o Flamengo. Com a vitória do Avaí, embolou tudo lá em baixo. É um jogo decisivo para o Flamengo também. Cada um com sua necessidade. O Vuaden é um cara de diálogo, que tranquiliza o jogador, não enerva. Se impõe, da maneira que tem de se impor. Deixa o jogo correr um pouco mais do que os outros, é característica dele, mas é um cara de diálogo e todos podem conversar com ele. No meu modo de ver, o trio teve uma grande atuação.
  6. Zé Roberto, meia-atacante do Vasco: No 1º tempo, o time foi apático. O adversário entrou a cem por hora, a gente toma três gols e aí fica difícil correr atrás. Quando a gente começou a marcar, a tirar os espaços, já era tarde.
  7. Renato Augusto, meia do Vasco: Trabalhei forte pra conseguir essa oportunidade e graças a Deus pude aproveitar. Fico feliz pelo 1º gol como profissional, mas triste pelo resultado, pois tínhamos capacidade de sair da Arena do Jacaré com uma vitória. PC Gusmão me parabenizou pela atuação e pelo gol. Não saiu da forma como eu queria, pois queria os três pontos. Mas fiquei feliz pela a minha atuação e pelo gol.
  8. Paulo César Gusmão, treinador do Vasco: Se não temos grandes objetivos, precisamos lutar pelo que ainda nos resta, como é o caso da vaga na Sul-Americana. Temos que aproveitar. Quem pode jogar, aproveite e curta muito, pois um dia acaba. É muito bom poder ver o Carlos Alberto novamente. Sabíamos o quanto ele queria voltar e precisamos exaltar a sua vontade e dedicação apresentada em campo.
  9. Juca Kfouri, em seu blog: O Vasco tinha a bola e o Cruzeiro tinha o futebol, em Sete Lagoas, com a Arena do Jacaré repleta. Wellington Paulista perdeu um, dois gols, nem bem o jogo começava e aí Montillo resolveu bater o escanteio mais aberto,  para Roger, que pegou de bate-pronto para fazer 1 a 0, aos 13. Não satisfeito, o brilhante argentino bateu um segundo escanteio, desta vez no primeiro pau e Henrique enfiou a cabeça para fazer 2 a 0, aos 19. Só dava Cruzeiro, ou quase, só o Cruzeiro criava chances de gol, ou quase. Mas quando o Vasco as criava, Fábio as conjurava. E Montillo, aos 32, bateu mais um escanteio, sempre pela direita. A bola sobrou para Edcarlos fazer 3 a 0. Então, o Cruzeiro descansou e Renato Augusto, aos 44, acertou uma bomba cheia de veneno e molhada de fora da área e o goleiro cruzeirense, enfim, resolveu ser generoso: 3 a 1. O segundo tempo foi para constar e garantir também ao Cruzeiro uma vaga na Libertadores, a exemplo de Flu e Corinthians.
  10. Lédio Carmona, em seu blog: O início do Cruzeiro na Arena do Jacaré foi inspirador. O time jogava com marcação adiantada, sufocava o adversário e, em comunhão com a torcida, mandava em campo – mais precisamente, na segunda metade do gramado: era ataque contra defesa. O início do Vasco foi constrangedor. O time jogava sem força, sem rumo e sem nenhum volume. Sonolento, foi atropelado. Carlos Alberto, de volta após longo e tenebroso inverso, nada fazia. Zé Roberto, atuação pavorosa. Eder Luis no seu pior jogo pelo clube. E havia uma avenida nas costas do garoto Diogo. O caos parecia armado. Aos 33 minutos, o Cruzeiro já vencia por 3 a 0. Três cobraças de corner do mesmo lado (o lado de Diogo), três falhas da defesa, e gols de Roger, impecável, Henrique, espetacular, e Edcarlos. PC Gusmão tirou Jonathan, pôs Allan e equilibrou a marcação. Fez um gol com o garoto Renato Augusto, mas, diante da noite de Carlos Alberto, Zé Roberto e Eder Luis, era impossível e ilusório pensar em algo mais. O Cruzeiro ganhou porque queria mais e, no fundo, é muito melhor do que o atual Vasco. Só não precisava ter jogado sozinho e sem adversário durante 30 minutos. Foi aí que a partida se decidiu. Quase um pocket-show. 33 minutos, 3 gols e fim de papo.
  11. Elias Guimarães, no PHD: Com 20 minutos, já era prá ser de 5. E isso com menor posse de bola, mas com um futebol estilo avalanche, com nossos laterais indo prá cima, explorando principalmente o jovem lateral esquerdo suplente do bacaiau carioca. Marquei a diferença na batida dos escanteios do Montillo. Depois do 2º gol, deu pra vê-lo apontando pro Henrique como se dissesse: eu não te disse que ia cair ali? Nota 10 prá torcida. Protestou na hora certa, empurrou na hora certa, colocou pressão no adversário. E quando o gol sai no início do jogo, fica bão demais. Não sei se vai dar pra campeonar. Mas estamos firmes e fortes. Fazendo nossos resultados prá ver o que vai rolar. Libertadores já é um baita bônus. Afinal, chegar na Libertas com 36 rodadas é um feito. Ave, Cuca!
  12. Bruno Barros, no PHD: Fábio falhou sim, pois a bola perfeitamente defensável pra qualquer goleiro profissional. Mas todos sabemos quem ele realmente é, por isso não há motivos para preocupação. Jonathan, Leo, Edcarlos, Diego Renan tiveram boas atuãções. O Paraná joga demais, Henrique, ah o Henrique! Esse é o melhor volante do Brasileirão 2010, disparado. O Montillo nos fez lembrar o Talento Azul com sua maestria nas bolas paradas, fico imaginando os dois juntos. O adversário teria que entrar com uns 6 volantes pra segurar a dupla. Seria um sonho azul da cor do mar. O Roger fez sua melhor partida com a camisa estrelada, jogou muita bola, fez até o que não sabe, marcar. Com a bola no pé foi bem do primeiro minuto ao último, pra mim o melhor em campo. Thiago Ribeiro já teve jornadas melhores, mas foi bem. Já o Wellington Paulista deu dó. Os gols que ele perdeu foram de lascar! O primeiro então quando subiu livre, leve e solto foi inacreditável. O mundo todo sabe que é nessa posição onde reside nossa maior carência. Ano que vem o Zezé já sabe por onde tem que começar a busca por reforços. Wellington Paulista é no máximo, sendo gente boa, um bom reserva. Titular do Cruzeiro, não. Definitivamente não tem bola pra isso. Mas tomara que eu queime a língua e que ele faça gols que nos levem ao título nessa reta final. Acredito que teremos surpresas na próxima rodada. O Fluminense tá dando o título como favas contadas, é notório isso no semblante dos jogadores cariocas. E isso é que vai complicá-los. E o Vasco por sua vez tem um time interessante, que pode complicar pra pauliceia desvairada no domingo.
  13. Júlio César, no blog do Torcedor do Vasco: Os leitores começaram a dar pela falta da resenha de Cruzeiro 3 x 1 Vasco hoje, dois dias depois da derrota. Não falei nada sobre o jogo porque esse foi o primeiro compromisso do Vasco no ano que não pude acompanhar, seja no estádio, pela TV, rádio ou internet. Fui ao show do Paul McCartney em SP e não tive como conferir o jogo. Mas depois de ver que sofremos três gols em menos de 20 minutos, todos eles nascidos em jogadas de escanteio, posso afirmar quase com certeza que, mesmo que eu não tivesse tido um excelente motivo para estar ocupado, não teria valido a pena correr atrás de um lugar para ver o jogo. As reclamações dos leitores confirmam essa minha impressão. E diante de mais um jogo em que o Vasco entrou dormindo em campo, acaba sendo mais reconfortante imaginar que a atuação desatenta e sem vontade foi proposital.
  14. Matheus Caldas, no Blablagol: O Cruzeiro acredita. E faz muito bem. Depois de toda a celeuma criada em torno do jogo contra o Corinthians, cansei de ouvir que o Cuca mostraria sua face de chorão e que o Cruzeiro iria patinar nas rodadas finais, mais preocupado com armações e conspirações do que em jogar futebol. O time, por outro lado, deixou a chiadeira e o protesto pra torcida e ontem, contra o Vasco, se preocupou em jogar bola. E em alto nível, principalmente no 1º tempo. Sem Fabrício, machucado, Cuca mandou a campo Roger-”Chinelinho”-Galera-Flores-Secco. E, meus amigos, que partida do camisa 7. Armou, driblou, tocou e…MARCOU! Tanto gol quanto os adversários. Senhoras e senhores, alguma coisa cheira muito bem no reino da Raposa. Roger ajudando na marcação. Na meia-cancha? Dando raça na intermediária azul? Eu posso com isso? Cuca já não é mais aquele do Botafogo. Alguma coisa o professor falou pro marido da gata e botou sangue-nos-zóio do cara. O melhor da partida, sem sombra de dúvida. Cuidado pro Chinelinho não agarrar na grade. Se foi o melhor da partida, muito se deve ao fato de Walter Montillo, o Pirata Azul (ou Cowboy da Toca da Raposa) estar sempre marcado por dois jogadores. Montillo, mesmo quando não joga bem, faz o que se espera dele. Um grande jogador, sem sombra de dúvida, que consertou o meio-de-campo do Cruzeiro e tem tudo pra ser um dos craques do campeonato. Montillo cobrou os 3 escanteios que se converteram em gols do Cruzeiro. O primeiro pelo monstro (2ª vez no ano) que vestiu a camisa 7. O 2º do outro monstro que joga no meio do Cruzeiro, Henrique. E o 3º pelo Edcarlos (me abstenho de fazer qualquer outro comentário). A tendência era de uma goleada, porque o Cruzeiro mandava no jogo, o Vasco não tinha saída e o lado esquerdo do pessoal de São Januário era uma avenida só. Mas o Cruzeiro sossegou e o Vasco, no fim do 1º tempo, passou a equilibrar o jogo e achou seu gol em um belo chute de Renato Augusto que contou com uma falhinha de nada de São Fábio (que já tinha operado um milagre antes). Culpa da secada que eu e Alexandre (a.k.a. Nardoni) demos no melhor do Brasil um pouco antes. O 2º tempo veio e o jogo ficou morno, a não ser pelos chutes bizonhos de Casalbé (devidamente homenageados por Mito Leite) e uma ou outra jogada de perigo que parava nas atuações seguras de Prass e Fábio. Cabe ressaltar a atuação catastrófica (que faaaaaaaaaase, hein?) de W.  Parede. Relembrando seus piores momentos, o camisa 9 foi uma Parede no ataque do Cruzeiro, isso quando não tinha um rompante de “eu-sou-o-cara-dessa-p***ra” e destruia um ataque com uma matada no peito ridícula. Ah se o Cruzeiro tivesse ‘Loco’ usando a 13. O Cruzeiro aguarda os tropeços de Corinthians e Fluminense. Restam dois jogos para que um dos 3 times ganhe o campeonato mais equilibrado do Mundo. Cruzeiro merece, Fluminense merece, Corinthians me…bom, o Corinthians é um caso a parte. Pelo menos, por mais um ano, o Blá Blá Gol terá um representante mineiro na Champions League dos trópicos. Se ele vai credenciado como Tricampeão do Brasileiro, as próximas duas rodadas dirão.

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