Geraldão, o homem-bomba dos Anos 80

Por SÍNDICO | Em 22 de março de 2008

Geraldo Dutra Pereira nasceu em Governador Valadares, em 1962. Família de classe média, ele pôde escolher o que fazer da vida sem a pressão de ter que prover o sustento de seus familiares. Antes dele, o irmão, Tião, havia sido atleta profissional e campeão carioca pelo Flamengo, em 1978.

Aos 15 anos, Geraldão resolveu levar a sério a vocação para o futebol. Sua primera estação doi infanto-juvenil do Cruzeiro, treinado por Osvaldo Rossi. “Jogador tem de saber conviver com as adversidades. Saudade de casa, dos pais, irmãos e amigos é a maior delas. Mas eu vim para Belo Horizonte disposto a enfrentar desafios e seguir minha vida com independência”, contou em entrevista a Jaeci Carvalho, na TV Alterosa.

Rossi tentou fazer dele um centroavante à imagem e semelhança de Serginho Chulapa. “Fiz várias partidas com a 9, marquei gols de cabeça, mas não gostei. Passar o jogo de costas para o gol esperando lançamentos não me agradou, por isso, depois de o 0 x 0 contra o Atlético, na Vila Olímpica, avisei ao treinador que voltaria ser beque”.

Deu certo. Com apenas 17 anos, recebeu convite para jogar em Doha, no Catar. “Procópio Cardoso Neto foi quem me levou pra lá. Pra mim, ele foi mais do que treinador, foi um verdadeiro pai.”

Em 1983, Geraldão voltou ao Cruzeiro, que entrava no 6º ano sem títulos. Mas o zagueiro teve a sorte de reencontrar seus amigos da base. A geração que Osvaldo Rossi formou estava madura e assumira o time principal. E foi ao lado de Eugênio, Douglas, Eduardo Lobinho, Ivan e Gomes, que ele foi campeão estadual em 1984. “Foi o melhor time em que joguei. Era uma família. E todos estávamos imbuídos do propósito de devolver ao Cruzeiro a hegemonia do futebol mineiro”.

Cruzeiro 4 x 0 Atlético-MG, quarta-feira, 05dez84, 21h, no Mineirão, partida de ida da final do 2º turno do Campeonato Mineiro de 1984 – Público pagante: 52.869 – Renda: CR$193.687.500,00 – Juiz: Edson Alcântara do Amorim – Expulsão: João Francisco, após invadir o campo para protestar contra a anulação do 5º gol marcado por Seixas – Amarelos: Geraldão (Cru) , Heleno, Elzo e Everton (Atl) – Gols: Carlinhos Sabiá, 5, Tostão II, 10, Carlinhos Sabiá, 15, e Carlos Alberto Seixas, 22 do 2º tempo – Cruzeiro: Ademir Maria, Carlos Alberto, Geraldão, Eugênio e Ademar; Douglas (Luis Cosme), Palhinha I (Orlando) e Tostão II; Carlinhos Sabiá, Carlos Alberto Seixas e Joãozinho. Tec: João Francisco / Atlético-MG: João Leite, Nelinho (Jaílton), Fred, Luizinho e Elzo; Vitor (Tita), Heleno e Everton; Sérgio Araújo, Reinaldo e Eder Aleixo. Tec: Procópio Cardoso Neto.

Em 1987, Geraldão participou do início da campanha que daria outro título mineiro ao Cruzeiro. Convocado, por Carlos Alberto Silva, para a seleção Brasileira, conquistou o Pan-americano, em Indianapolis, o Pré-Olímpico, na Argentina, e a Copa Stanley Rous, nos Estados Unidos.

A projeção internacional, valeu uma transferência para o Porto, pelo qual sagrou-se campeão europeu e mundial. “Minha única frustração no futebol foi não ter disputado a Copa de 90. Eu havia sido vice-artilheiro do Campeonato Português naquela temporada, marcando 19 gols de falta, mas Sebastião Lazzaroni, mesmo sabendo disso, não me convocou”.

Porto 2 x 1 Peñarol, domingo, 12dez87, Estádio Nacional, Tóquio, Japão, decisão do Mundial de Clubes – Público: 80.000 – Gols: Gomes, 42 do 1º tempo; Vieira, 35, do 2º, e Madjier, 20 da prorrogação – Porto: Mlynarczyk; João Pinto, Lima Pereira, Geraldão e Inácio; Jaime Magalhães, André, Sousa e Rui Barros; Rabah Madjer e Fernando Gomes (Quim). Tec: Tomislav Ivic / Peñarol: Eduardo Pereira; Marcelo Rotti, Eduardo Trasante, José Herrera (Jorge Gonçalvez) e Alfonso Dominguez; Eduardo da Silva, Daniel Vidal, José Perdomo e Diego Aguirre; Jorge Cabrera (Gustavo Matosas) e Ricardo Vieira. Tec: Oscar Tabarez

Do Porto, Geraldão foi para o Paris Saint-Germain, depois para o México e para o Grêmio. Aos 31 anos, mesmo sem ter sido vítima de contusões sérias, ele encerrou a carreira. “Escolhi ficar ao lado da família e acompanhar o crescimento dos filhos, Dandara e Guilherme”.

Mas o futebol continuou reclamando sua presença. Mesmo com três fazendas para administrar, Geraldão fez o curso de treinador de futebol na escola Nacional de Educação Física, no Rio de Janeiro. Seu primeiro emprego foi o de treinador e, depois, administrador do recém-fundado Ipatinga, em 1997.

Depois foi técnico do CRB, de Maceió, e do Marítimo, de Funcha, Na Ilha da Madeira, Portugal. Neste clube foi ainda gerente de futebol, cargo que também ocupou no Democrata de Governador Valadares.

Cidadão do mundo, Geraldão fala inglês, francês, espanhol e árabe. Para a torcida celeste, contudo, importante foram as 172 partidas e os muitos gols que fez pelo Cruzeiro. O mais bonito em 24 de setembro de 1986, no Estádio Alberto Silva, em Teresina. Na vitória de 3 x 0 sobre o Piauí, ele abriu o placar aos 7 do 1º tempo, batendo falta. O goleiro Batista saltou, mas chegou atrasado e não pôde espalmar a bola, tamanha velocidade com que ela viajou do círculo central ao seu arco.

Neste sábado, contra seu clube de coração, Geraldão reinicia, no Democrata, a carreira de treinador. Que tenha toda sorte do mundo. Mas só a partir de 18h quando terminar a partida.

23 comentários para “Geraldão, o homem-bomba dos Anos 80”

  1. Gerson disse:

    Geraldão foi um baita zagueiro e era um dos destaques daquele time de 84. Foi muito novo pro exterior, acho que precursor do que acontece hoje. Se tivesse jogado mais tempo por aqui nos teria dado mais alegrias ainda. Taí um bom nome que poderia vir a trabalhar no Cruzeiro um dia.

  2. Dylan disse:

    cruzeirenses não gostam muito de recordar os anos 80, pois nos lembramos do auge da hegemonia atleticana, de um monte de cabeças de bagre e de dois míseros títulos. Com isto acabamos relegando ao esquecimento bons jogadores como o Geraldão, e até alguns acima da média como Tostão II. Só o Douglas frequenta as listas. Mas sem dúvida foi a nossa idade das trevas…
    agora, até quando é hegemônico o Atletico dá vexame. Se não houvesse campeonato mineiro, ninguém nem lembraria daquele time.

  3. Hércules disse:

    Era complicado torcer para o Cruzeiro nos anos 80, mas a paixão aguentava o tranco rs . Lembro-me do Geraldão, Douglas, Ivan, Eduardo, Tostão II….. Se o Douglas jogasse em períodos melhores do Cruzeiro, seria titular da seleção brasileira, deu azar de jogar no clube certo, mas no momento errado.
    Que o Geraldão tenha sucesso no DEM-GV, menos hoje,claro.

  4. Dylan disse:

    acho que não Hercules..ele jogou muito no time do inicio dos anos 90 e mesmo assim não teve chances. O Douglas deveria ter sido titular da seleção na copa de 86.

  5. Mauro França disse:

    Ótimo post. Grande Geraldão, que muito honrou a nossa camisa. Também desejo lhe sorte como treinador, mas a partir de amanhã.

    Quanto ao Douglas, ele poderia ter sido titular em 86 e em 90 também. Na primeira Telê preferiu levar Elzo, na segunda Dunga era o preferido de Lazaroni. Em 87, com Carlos Alberto Silva, ele fez 11 jogos pela Seleção.

  6. Mauro França disse:

    A primeira metade da década de 80 foi mesmo um período de vacas magras. Mas o Cruzeiro chegou montar bons times em alguns períodos, com bons jogadores. Além dos já citados acrescento Roberto César, Mauro Madureira, Edmar, Carlinhos Sabiá, Carlos Alberto Seixas, Zezinho Figueroa.

  7. Mauro França disse:

    Off topic:
    Juca Kfouri deu a dica no seu blog, fui conferir e vale mesmo a pena: Num site especial, a Rádio Nacional disponibilizou a narração radiofônica da final da Copa de 58, Brasil x Suécia, além de vídeos e outras curiosidades.
    O link é: http://www.radionacional.am.br/wordpress/

  8. Ricardo disse:

    Me lembro muito bem do Geraldão. Houve um clássico em que ele estava convocado pra Seleção Brasileira e não colocou o pé numa dividida e tomamos o gol…

    No dia 18 deste mês o Zezinho Figueroa estaria fazendo 55 anos.

  9. Jorge Santana disse:

    Ricardo, qual foi o clássico em que o Geraldão tirou o pé? É normal o torcedor, frustrado, escolher um culpado nas derrotas. Eu assisti a todos os clásicos da época e, sinceramente, não vi nada disso. O Atlético-MG vencia a maioria dos clássicos naquela épocas por ter mais time. Muito mais, é bom que se diga. Abs, JS

  10. Ricardo disse:

    Se não falha a minha memória JS, em 86 ou 87. O Sérgio Araújo entrou pelo meio da defesa e ele não dividiu. Concordo que eles tinham uma equipe melhor, eu não seria insano a ponto de não reconhecer isso. Vou verificar no meu Almanaque par ter certeza do jogo e do resultado. Abraços

  11. Klauss Mourão disse:

    Depois daquela armação toda ano passado envolvendo a gatinha manhosa e o patético mineiro, escolhi o Democrata -GV para ser um dos times rebaixados. Mas com o Geraldão de técnico, estou revendo meus conceitos. Ele merece ter muito sucesso, foi um baita zagueiro e tem amor ao Cruzeiro. Que consiga, pois, muitas glórias na profissão. Mas que começe amanhã sua trajetória de conquistas. Hoje , sinto muito não dá pra torcer por ele.
    Abs.

  12. fabio velame disse:

    Bom hj tem Democrata x Cruzeiro, pelo menos a ótima notícia de q vai vir oq tem de melhor do Cruzeiro(tirando é claro os contundidos) não faz sentido jogar com reservas hj, já q o confronto contra o San Lorenzo é só no início de Abril…
    Apesar de gostar do democrata daqui da cidade, não tem jeito de torcer contra o Cruzeiro, mesmo odemocrata precisando do resultado, pro cruzeiro pouca diferença faz, seperder e ganhar, já pro Democrata talves é a continuação dele na 1ª divisão…

  13. fabio velame disse:

    to agarrado lá no mamundão hj…

  14. Jorge Santana disse:

    Ricardo, em 87, Geraldão jogou as duas partidas das quartas-de-final da Copa Brasil (Morrinhão) contra a Cocota: 0x0 e 1×1 (Douglas e Renato Morungaba). Ao final do 2º jogo, a torcida aplaudiu o time pela raça com que jogou, apesar das desclassificação. Depois, Geraldão fez mais 2 amisstos: em Arraial do Cabo, contra a Cabofrienese, e em Montes Claros, contra o Cassimiro de Abreu. Sinceramente, não me lembro de nada que desabonasse a tuação em qq desses jogos. Abs, JS

  15. Jorge Santana disse:

    Velame, faça a chamada e veja se o Tinão e o Arreguy compareceram. Se não responderem presente ou não estiverem uniformizados, o que se configuraria como atitude de torcedor dúbio, corte o ponto deles. Abs, JS

  16. Jorge Santana,
    Em 87 disputou-se a Copa União e fomos eliminados pelo Inter de ênio Andrade com um gol de Amarildo aos 4′ do 2* tempo da proroogação.
    E não me lembro do Geraldão ter aliviado lance algum.
    Geraldão ficou queimado por um jogo do Brasil contra o Chile no qual perdemos de 4 x 0, no qual ele falhou em 2 gols e depois disto não voltou mais…
    Confere.

  17. Jorge Santana disse:

    Chiabi, o Geraldão jogou apenas até maio de 87. Disputou, portanto, a fase final do Morrinhão de 86, alguns amistosos e o início do Mineiro de 87. O jogo a que se refere o Ricardo deve ser o Cruzeiro 2 x 3 Atlético-MG, em 10mai87.

    O Cruzeiro jogava pelo empate pra conquistar o 1º turno. Os gols foram, pela ordem, de Marquinhos, Ernani, Luizinho, de pênalti, Sergio Araújo e Edson.

    Também não me lembro de ele ter tirado o pé de alguma dividida. Mas isto pertence ao reino das impressões. Não adianta discutir, pois se o torcedor acha que foi, foi. Questão de interpretação.

    Abs,
    JS

  18. Rafael Henrique disse:

    Não me lembro desse jogador. Tinha apenas 10 anos em 1989 e até então, ligava mais para o Flu carioca que para o Cruzeiro. Coisa de menino que sempre morou em Vitória-ES, quase extensão do RJ. Excelente post. Valeu, Jorge, por apresentar a nós, cruzeirenses mais jovens, essas grandes figuras.

    Att

    Rafael.

  19. Geraldão….grande zagueiro…e um excelente cobrador de faltas…..

  20. claudio(xina)lemos disse:

    Geraldão tirando o pé???????????? Nunca vi!!!!!! naquele 1×1 da quartas de final do brasileiro 1986 ele foi claramente empurrado no gol de empate das frangas, não me lembro porquem talvez o marquinhos bundinha, sei lá, sei que empuram ele descaradamente as frangas empataram, só precisavam do empate e foram desclassificadas pelo guarani de campinas. Saudações velho geraldão sorte depois do jogo de hoje.!!!!

  21. Franklin Bronzo disse:

    Zagueiro que aliava a força física a uma ótima técnica. Firme, confiável, raçudo, tecnicamente competente. Jogasse no Rio ou SP, teria chegado, fácil, à Seleção Brasileira.

  22. Franklin Bronzo disse:

    Foi boa essa geração do Geraldão. Eugênio, Eduardo Lobinho, Ivan, Wiiliam Douglas Humia de Menezes…Este foi o maior da geração, um craque perfeito. Elegante, raçudo, técnico, um verdadiro camisa 5, digno herdeiro da mística do capitão Wilson Piazza. Por não jogar em clubes do eixo, foi injustamente preterido em várias seleções nacionais. Mormente a de 1986, do emplumado Telê Santana, que o trocou pelo colega de plumas Elzo. É brincadeira?!…Agora, diziam que um outro grande nome teria sido o Ivan, que — não sei por que cargas d’água — não emplacou.

  23. Naldo disse:

    Geraldão,

    Foi um dos grandes nomes do Cruzeiro na década de 80, vacas magras. Lembro-me dele no Cruzeiro e na seleção sempre com grandes atuações. Teve azar em um lance na Copa América contra o Chile, quando furou ao tentar tirar uma bola de cabeça e acabou redundando em gol adversário. Pagou muito caro principalmente por jogar fora do eixo e nunca mais voltou a seleção. Jogador de seleção fora do eixo nunca pode ser bom, tem que ser sempre o melhor. “Geraldão. Você não perdeu nada em não ter participado do vechame de 1990 comandado por Lazaroni.”