Emerson, Adílson, Wanderley

Por Jorge Angrisano Santana | Em 20 de setembro de 2010

Paulo Autuori perdeu de 4×0 e caiu fora antes da segunda final de 2007.

Emerson Ávila embarcou na canoa furada e lavou a honra celeste batendo o Atlético-MG por 2×0.

Eu estava lá e vi a torcida emplumada passar 85 minutos em profundo silêncio antes de poder comemorar aquele título mineiro.

Respeito Emerson Ávila. Em uma semana, ele costruiu um time épico.

Adílson Batista levou pancada desde o anúncio de sua contratação até o momento em que deixou o clube.

As pancadas da mídia não me surpreenderam. Ser chutado por quem se diz cruzeirense, isto sim, foi decepcionante.

Por atitudes como as que vi nos últimos dois anos, perdi o respeito pelo torcedor. Ao menos, pelo torcedor condicional.

Pra mim, Adílson Baptista está no panteão dos heróis celestes.

De gente como João Ranieri, Nelo Nicolai, Fialho Pacheco, Américo Gasparini, Benito Masci, Cunha Lobo, Geraldo Souza, Morais, Cris, Edu Dracena e outros radicais da cruzeiridade que jamais deram a outra face.

Os fracos, os covardes, os traíras, as hienas que sucumbiram à campanha anticruzeirense da Era AB merecem desprezo.

Adílson Baptista poderia ter caído fora bem antes. Suportou a pressão. Recebeu e devolveu cada golpe. E saiu quando havia tempo para um novo treiandor remontar a equipe.

Não fugiu da luta. Não se acovardou. Não traiu o clube.

Isto deve ser valorizado. Como deve a ser valorizada a resistência de Wanderley Luxemburgo.

Pouco importa se ele ganha muito ou pouco, se dirige o time rival, se gosta ou não do Cruzeiro, se está ou não ultrapassado.

As circunstâncias são as piores possíveis, mas ele promete resistir. E só resiste quem tem história de vida pra contar.

Quem foi criado na casa da vovó, rodeado de luxos e mimos, usando roupas bacanas, com punhos rendados e luvas de pelica, não sabe merda nenhuma desta vida.

Teclar desaforos. Expelir ódio pelos poros é fácil. Encarar desafios é que são elas!

Não passo atestado de idoneidade, não afianço nada com relação ao caráter do treinador. Não o conheço pessoalmente pra fazer avaliações que, de resto, não interessam a quem se preocupa com bola rolando, não com a vida pessoal dos boleiros ou os bastidores dos clubes.

O que sei é que perguntado se ia cair fora, Luxa disse não. E contou porque pode dizer não.

Vou torcer para o Cruzeiro ser campeão e para o Atlético-MG ser rebaixado. Se estiver na Arena do Jacaré no próximo RapoCota, provavelmente, cantarei alguma musiquinha sacana contra o Luxa.

Isto é uma parte do futebol. Há outros aspectos, contudo, que vão além da rivalidade. As atitudes corajosas do Emerson, do Adílson e do Luxa são alguns deles.

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