Ele mesmo, Dedé de Dona Dora!

Por Jorge Angrisano Santana | Em 14 de abril de 2006

Tempos de vacas magras. Endividado, o Cruzeiro buscava reforços fora dos grandes centros do futebol. Uma dessas revelações, Dedé de Dora, vindo do rio Grande do Norte, em 1985, passou ficou tempo no clube. O suficiente, contudo, pra revelar muita personalidade e algum talento. Não aceitou abreviar o nome – homenagem à mãe -, esquisito demais, segundo jornalistas e marqueteiros da época. E não se encabulava quando chamado a jogar. Partia pra cima das defesas e fazia a festa da torcida. Por conta da ganância dos cartolas do ABC, a aventura sulista do filho de Dona Dora resultou fugaz.

De sua passagem, ficou o bordão criado pelo narrador Fernando Vanucci. Brincando com o nome do jogador, no Fantástico, o narrador dedicava um pouco mais de tempo do que o habitual ao anúncio de seus gols. Confira um pouco da meteórica passagem do craque potiguar por Belo Horizonte, neste trecho da reportagem publicada em 26 de fevereiro de 2006 no Diário de Natal.

Dedé de Dora – Craque curraisnovense teve carreira atrapalhada por dirigentes, mas brilhou no Cruzeiro 

No início de 1985, Dedé de Dora saiu do ABC para o Cruzeiro-MG, emprestado por cinco meses. Os mineiros se interessaram por ele depois de uma reportagem nos jornais. ‘‘Fui destaque várias vezes. Nesse período que estive lá, o Cruzeiro participou de 20 jogos, joguei em metade deles e fiz 5 gols” – era o Campeonato Brasileiro em andamento. ‘‘Vez em quando eu fazia uma ‘graça’! E o Cruzeiro era forte…”

Assim, mais de uma vez, torcedores e entusiastas do futebol em Natal e outros cantos aguardaram ansiosamente pelo noticiário esportivo da segunda-feira, só para escutar de Fernando Vanucci: ‘‘Gol de quem, de quem, de quem? Ele mesmo, Dedé de Dona Dora…” Foram muitas vezes… ‘‘Cansei de ser destaque em tantas partidas!” O primeiro jogo em que atuou foi Cruzeiro x Santa Cruz-PE. ‘‘Eu era reserva, e entrei durante o jogo, Na segunda bola que recebi deixei um jogador na cara do gol – Cruzeiro 1 x 0; a bola seguinte eu mesmo recebi e fiz, 2 a 0’’.

Na partida seguinte, contra o Guarani-SP, já estava como titular fazendo das suas. Mais um jogo lhe vem à cabeça: Cruzeiro x Atlético-MG. Mais pelos detalhes que pela partida em si (deu Atlético, 2 a 0), a começar do número de pessoas no principal clássico mineiro – ‘‘Nesse jogo eu vi 80 mil torcedores! Um dos gols do Atlético foi de um jogador chamado Nelinho. Ô, chute! Falta com barreira, ele soltou o ‘canudo’! Quando eu me virei, a bola voltava do gol…”

Algum tempo depois, o Cruzeiro se mostrou realmente interessado em ficar com o homem. ‘‘O Cruzeiro tentou acertar com o ABC Cr$ 50 milhões mais uma série de jogadores, mas a pedida foi alta demais” – os dirigentes alvinegros pediram Cr$ 200 milhões, uma nota pra lá de preta. ‘‘Seria uma das maiores transações no país. Só de pensar que um carro novinho na época custava apenas Cr$ 6 milhões…”. Não deu outra: Dedé teve que voltar ao ABC. ‘‘É, não pensaram no atleta…”, lamentou.

Deixe um comentário

Você precisa fazer o login para publicar um comentário.