Desculpe, Tusta, mas não era, não!

Por SÍNDICO | Em 5 de março de 2008

Alex: Quando você começou, o Cruzeiro era o 3º time de BH. Imaginava que o clube cresceria tanto?
Tostão: Joguei 2 anos no Cruzeiro antes do Mineirão (63/64). O maior clássico mineiro era Atlético e América. O Cruzeiro tinha um time modesto e por isso tive muito altos e baixos, como é comum em qualquer jovem. Com o Mineirão, coincidentemente, o Cruzeiro formou um grande time com a chegada de Dirceu, Piazza, Natal e outros. Fomos pentacampeões mineiros e campeões da Taça Brasil, que era o principal campeonato brasileiro.

Uma mentira (criada, diga-se, por torcedores atleticanos da imprensa na tentativa de diminuir a importância histórica do Cruzeiro) repetida mil vezes acaba virando verdade. O que não deixarei acontecer de jeito nenhum.

Até cartolas do Cruzeiro repetem essa história de que o maior clássico mineiro antes do Mineirão era Atlético-MG x América-MG. Talvez pra ressaltar o poder de superação de seu clube. Mas se é bobagem, tem de ser desmistificada.

Não importa quem a repita ou por que o faz. E se os equivocados se baseiam em impressões para repetir a lorota, e isto está valendo, vamos também às minhas impressões. E, de quebra, com alguns numerinhos, Ok?

  1. No Bairro Universitário, periferia da cidade na época, onde nasci e me criei, havia uma só – repito: uma só – família de americanos. Ou melhor, de flamenguistas que também torciam pelo América-MG. Só o pessoal do Seu Eurípedes. Mais ninguém. Futebol era assunto de cruzeirenses e atleticanos.
  2. Estudei o primário no G. E. Olegário Maciel, centro da cidade. Que eu me lembre, só a Dona Zilah torcia pelo América-MG. Papo de futebol era entre cruzeirenses e atleticanos.
  3. Fiz o ginásio e o colegial no Municipal, onde o Tusta também estudou. Além do Scarponi, mais ninguém era americano. Entre os professores, uns 3 ou 4. E já bem idosos.
  4. Assisti ao jogo inaugural do Mineirão. Cheguei ao estádio por volta de 10h. Havia um banner, preso à cobertura, indicando a posição a ser ocupada pela torcida do Cruzeiro, à direita das cabines de rádio. Ao começar o jogo, os atleticanos, no meio da arquibancada, eram 50%. Os cruzeirenses, 30%. Americanos, vilanovenses, siderugicanos e os que só torciam por times de fora, ocupavam os restantes 20%.
  5. Assisti a todos – repito: a todos! – os clássicos logo após a inauguração do Mineirão. Era até covardia a diferença pró Cruzeiro na comparação com o América-MG. E olhe que o Coelho vinha de um vice-campeonato em 1964 e outro em 1965! Seu time era melhor do que o do Atlético-MG. Mas a torcida já era bem pequena naquele tempo.
  6. Seis anos depois de inaugurado o Mineirão, a Placar nº 74, de 31dez71, publicou pesquisa do Gallup, a primeira de caráter científico de que se tem notícia sobre torcidas mineiras. O Atlético (43%) levava ligeira vantagem sobre o Cruzeiro (42%). O América-MG comia poeira (5%). Isso numa época em que o Coelho ainda disputava títulos, não era tão fraco como hoje em dia. Alguém acredita que a 2ª torcida poderia ter sido ultrapassada, em apenas seis anos, pela 3ª a ponto de ficar 8,5 vezes menor? Nem como piada, meus caros amigos. A mesma pesquisa indicava vitória do Cruzeiro sobre o Atlético-MG entre os menores de 18 anos: 46% x 44%.

O América-MG era clube da elite da cidade. Dos médicos e políticos, principalmente. E se vangloriava dessa condição. Entre o povão, era traço. Sempre foi. O resto é conversa mole pra boi dormir.

  • A entrevista completa está no site do Alex, cujo link encontra-se ao lado, na blogosfera.

43 comentários para “Desculpe, Tusta, mas não era, não!”

  1. Mauro França disse:

    Cruzeiro x Patético é o maior clássico desde o final dos anos 20.

  2. Dylan disse:

    acho que o Tostão deve ter convivido com muitos americanos, pois o pai dele era torcedor fanático, mas eu me lembro desde criança também do América como a terceira força da cidade.
    Eu gosto do América embora meus amigos americanos odeiem que eu goste. Eles querem ser vistos como rivais, não como mascotes das duas outras torcidas. Agora eu deixo uma questão aqui: quem vocês acham que o americano, de maneira geral, odeia mais: o Cruzeiro ou os galináceos?

  3. Jorge Santana disse:

    Paulo Afonso, ex-cartola do América propôs na TV, nos Anos 70, uma aliança ao Coronel presidente do Atlético-MG. Queria organizar uma passeata conjunta das duas torcidas contra o Cruzeiro. Americanos e atleticanos, desd e a fnundação dos dois clubes são primos-irmãos. Já brigaram muito, mas são essencialmente, da mesma turma.

  4. Jorge Santana disse:

    Já que as provas são sempre na base do achismo, vamos a outras: Maurício, meu colega de serviço, é americano, mas jogou basquete no Atlético-MG. Minhoca, ex-presidente do Atlético-MG, foi destaque do salonismo do América-MG. A turma era uma só: Lourdes, Cidade Jardim, Santo Antônio, Carlo, Funcionários, São Lucas e adjacências.

  5. Dylan disse:

    e os três irmão dos Tostão eram atleticanos. O mais velho inclusive jogou no juvenil do Atlético….

  6. Franklin Bronzo disse:

    Turma, citada pelo Jorge, da elite política, financeira e social de BH. O que, aliás, persiste até os dias de hoje. Não é que o Cruzeiro já não tenha um grande contingente de profissionais liberais e de pessoas da classe média em sua torcida. Mas não é esta, dos seus primordios até pelo menos este momento histórico, a característica principal da sua massa torcedora. O que tende, talvez, a sofrer alterações, no tocante à proporção de cada classe sócio-econômica, à medida em que, ao longo do tempo, for-se acentuando nossa superioridade sobre o rival emplumado. Graças a Deus, somos um clube e uma torcida identificados com a força do trabalho e da produção laboriosa e honesta, desde o pioneiro Palestra Itália dos imigrantes.

  7. Gerson disse:

    O é assunto bem oportuno, quando criança sempre escutava que o América era a segunda torcida, mas não me lembro de ter assistido a nenhum Cruzeiro x América no Independência, os jogos eram no Barro Preto e Alameda e nesses jogos prevalecia a torcida da casa. Com a inauguração do Mineirão o Cruzeiro despontou como grande time e muitos torcedores do América migraram para o Cruzeiro. Acredito que a torcida do América tenha sido maior que a do Cruzeiro algumas décadas antes de 65, talvez até os anos quarenta. Quando era criança e morava na Floresta, a turma do bairro se dividia entre Cocotas e Cruzeiro, haviam só dois americanos. É bom lembrar também que até 65 o mineiro torcia para times do Rio em primeiro lugar.

  8. Arthur disse:

    Antes de 66 EU não estava aqui. De 66 a 70 EU era uma criança gostava do CEC azul e branco igual a minha bandeira do meu querido Pernambuco, e as estrelas me substituiram o arco iris. Desde que cheguei aqui, forma 5 anos de Penta campeão, com um timaço, e uma Taça Brasil! O que mais um garotinho que gostava de bola, com 8 anos de idade poderia pedir??? EU era MUITO FELIZ e não sabia!!!Em todo esse tempo, de 66a 70, inúmeras salas e colegas, pois EU era muito aberto, falava com todo mundo, e aguentava muita encheção por ser “baiano” e por ser azul, mas coelhista era raríssimo!, acontecia 1 aqui outro ali, em cada 20 a 40. A gente na época cantava “CRUZEIRO é de OURO, PATÉTICO é de PRATA, que torce por américa é c… vira-lata!” Em que pese a rivalidade CRU-cocotas, quem ficava em último naquele tempo era o cueio mesmo!!!
    ABS
    ART

  9. Ana disse:

    Eu passo! Nem sonhava em nascer e minha familia batia tambor pelos times do Rio no sul de minas… Mas não tenho a menor simpatia pelo America, por mim, não faz a menor falta, então acho que a empatia é mesmo entre cocotas e coelhos. Querendo, ou não, mantendo a pose, ou não, eles tiveram que nos engolir e hoje não há duvida sobre qual é o mais querido de minas…

  10. Ana disse:

    Eu passo, mas adoro ler essas historias…

  11. Edu Mano disse:

    Eu sou bem novinho… então não posso opinar… 🙂 he he he

    O América daqui a algum tempo vai ser um daqueles times que vc destrava no vídeo-game quando ganha um toneio. Ai vc seleciona nas equipes especiais bônus, na sessão times que já existiram. Uma peninha… pq o Mequinha dava um certo “charme” a mais para o Camp. Mineiro.

  12. Marcelo disse:

    A exatos 2 dias atrás, eu estava discutindo com mais 3 pessoas sobre as torcidas e suas classes sociais. Dois eram torcedores das frangas e outro era homem. Assunto vai e assunto vem, os 3 falaram na maior naturalidade assim: Porque o cam, tem mais torcedor de baixa renda, do povo!!! Na hora eu discordei, falei que os 3 estavam errados, argumentei, falei e falei muito…. mesmo assim senti que faltaram argumentos pra mim ganhar de 10×0 a discussão. Eu falo muito de coisas que meu pai me conta, outras que eu aprendi aqui….. mas é inegável que se vc for perguntar pra maiora esmagadora das pessoas, tanto das frangas, quanto os cruzeirenses, eles acham que o clube da classe operária é o listrado… se falar que o clássico da época já era a gente contra as cocotas, ai que ng acredita mesmo. Desde pequeno eu ouço meu pai falar, america e atletico eh a mesma coisa, tudo farinha todo mesmo saco, todo americnao eh atleticano. ps: JS, tudo que servir de argumento pra provar que sempre fomos do povo, vc posta ai pra gente aprender mais

  13. Damas disse:

    JS tem razão. O Coelho nunca teve torcida de peso que justificasse o tal Clássico das Multidões. Talvez quando o jogo era disputado na Alameda (estádio de capacidade reduzida) a coisa fica meio a meio. Depois do Mineirão o América nunca conseguiu colocar mais de 10.000 torcedores. Se não me engano o maior público do América foi no Brasileiro de 73. Contra o Coríntians deu mais de 40.000 pagantes. Mas neste hoje houve uma coligação com BH inteira torcendo pro Coelho.

  14. Klauss Mourão disse:

    Off.O SpfC queridinho da mídia, penou, suou pra virar o jogo em cima do Audax do Chile.O Cruzeiro faz sua parte, joga bem, detona os adversários e os “experts” sempre falam da fragilidade do adversário. OQue o PVC vai falar agora heim?

  15. Charles disse:

    Falou e disse, JS!

    Estou contigo!

  16. Ronaldo disse:

    Pra mim, o classico da multidao foi: Cruzeiro 1 x 0 Vila Nova em 1997! O resto é estadio cheio!

  17. Douglas de Sena disse:

    Pessoal, vejam o comentário no Arena Sportv de hoje: http://video.globo.com/Videos/Player/Esportes/0,,GIM798714-7824-MARCO+ANTONIO+RODRIGUES+CRUZEIRO+E+UM+TIME+LEVE+E+BOM+DE+BOLA,00.html

    O que acham?

  18. Charles disse:

    Mandou bem também, Ronaldo!

  19. FREDERICO disse:

    AMERICA NUNCA FOI A 2º FORÇA DE MINAS! ELE SÓ ERA MAIS FORTE NO FUTEBOL ATÉ 1925 QUE CNQUISTOU O DECA CAMPEONATO! O RESTO É FANTASIA DE COCÓTA!

  20. Ronaldo disse:

    valeu, Charles!

  21. Hércules disse:

    Querem mais um mito? O de que o Atlético tinha a maior torcida de Minas antes do Mineirão.
    A torcida mineira tinha preferência por times do Rio. Após o Mineirão o Cruzeiro tomou grande espaço no interior mineiro e se tornou o verdadeiro “time do povo”.
    A tendência atual é o América continuar na 2ª divisão e na margem dos “traços do IBOPE”.
    O Atlético, que dominava em Belo Horizonte, cada vez mais vai se restringindo à classe alta e Zona Sul, território que aos poucos o Cruzeiro vem conquistando pela imigração interiorana para a Capital e o crescimento dos “novos ricos”
    Até no interior mineiro, o único reduto que o Atlético tem é na classe alta, mas ainda nesse estrato social perde,e muito, para o Cruzeiro.

  22. Acho que há um problema entre o conceito de clássico e tamanho de torcida. Já li essa história zilhões de vezes, principalmente aqui. Ao que parece, a torcida do Cruzeiro já era a segunda de BH. Contudo, tradicionalmente, o clássico era entre os clubes Atlético-América. Afinal, pelo que parece, ambas as diretorias vinham do mesmo núcleo social.

    Os outsiders eram os cruzeirenses…

  23. Marcos Pinheiro disse:

    Gerson,

    O América NUNCA teve torcida maior que o Cruzeiro. Em 26mar1931 o Estado de Minas publicou, depois de apurados mais de 800 votos, o resultado de uma enquete feita para se apurar o clube mais popular da cidade e o Cruzeiro tinha quase 3,5 vezes mais torcida que o América.

    E a enquete foi feita apenas no Centro, não consultou ninguém na periferia, onde os palestrinos eram muito mais numerosos.

  24. Naldo disse:

    Bom!

    1 – Muito provalvelmente na época do decacampeonato, quando o time celeste era o Palestra, esta historia fazia sentido. É história por isso é lembrada.

    2 – América tradicionalmente engrossa para o lado do Cruzeiro e entrega a rapadura para a Cocota. Portanto nada mais precisa ser dito.

    3 – Cruzeiro X Atlético/América – Este é o maior clássico

    Sds

  25. Marcos Pinheiro disse:

    Voltando mais no tempo, no século retrasado o Governo do Estado de Minas trouxe 10.000 italianos para trabalharem na construção da nova capital.

    Em 1900 o censo apontou uma população de pouco mais de 13.000 almas em Bello Horizonte.

    Em 1920, eram cerca de 55.000 habitantes em BH. Desses, além dos italianos originais, haviam descendentes e outros italianos que vieram para cá por conta dos parentes que vieram para a construção da capital.

    Além disso, como nos conta o historiador Plínio Barreto, desde os primeiros anos o Palestra não era um clube só de italianos, mas também de brasileiros pertencentes à classe operária. E o América, conforme Barreto, sempre foi extremamente elitizado.

  26. Gerson disse:

    Só conheci um torcedor do América até hoje! Mais nada!!!

  27. Marcos Pinheiro disse:

    “CONCURSO VISCARDI
    TERCEIRA APURAÇÃO
    Como costumeiramente, segunda-feira foi levada a efeito a terceira apuração do Concurso Viscardi, plebiscito para ver qual o club mais sympathico de Bello Horizonte.
    A Commissão composta dos srs. Lysandro Pinto, Emilio Curtis Lima e Rubens Beratar, apurou a seguinte contagem:
    Athletico – 402 votos
    Palestra – 342 votos
    América – 94 votos
    Villa – 25 votos
    Fluminense – 16 votos
    Calafate – 12 votos
    Sete – 5 votos
    Guarani – 4 votos”

    Jornal Estado de Minas, 26mar1931

  28. Rafael Henrique disse:

    O que me intriga sobre esse assunto é o seguinte: se era tão “na cara” assim que o Cruzeiro sempre foi maior que o América, por que tantos cruzeirenses, inclusive que viveram àquela época, insistem em dizer o contrário, reputando que Galo e América eram as maiores forças, com as maiores torcidas ?

    Att.

    Rafael.

  29. Carlão Azul disse:

    Só posso falar por parte do interior. Aqui achar um americano sempre foi tarefa homérica.
    Neste momento, que me lembre não tenho certeza de NINGUÉM que torce ou (já tendo falecido) torcia pelo América em toda minha vida. Se tiver 10 americanos em Barbacena é demais.

  30. Dylan disse:

    Gerson, conheço vários torcedores do América, só na família de uma das minhas grandes amigas tem sete irmãos, todos americanos, todos detestam o Cruzeiro. Se você andar ali pelo funcionários, onde eu nasci e cresci, você vai encontrar vários velhinhos americanos tomando sol na praça.

  31. Naldo disse:

    Dylan,

    Eu tambem não conheço nenhum.

  32. Damas disse:

    Meu pai, que foi um ex-combatente da 2a. Guerra, contou-me certa vez que houve muita retaliação com os descendentes de italianos aqui no Brasil, por causa do fascismo. Isto de certa forma inibia a presença de público nos jogos do CEC (ex-palestra) no período pós-guerra que durou até o final da década de 50. Talvez isto explique o destaque dado ao CAM X Coelho. Como comecei a frequentar estádios a partir da década de 60, endosso o comentário de JS.

  33. Marcelo Bueno disse:

    Mudei para BH em 1960, ou seja, anos antes da era Mineirão. O Cruzeiro havia sido campeão mineiro no ano anterior, como o seria no ano de minha mudança e também no ano seguinte.
    Sua torcida era na época bem menor que a do Patético, mas no mínimo o dobro da torcida americana.
    Mas, curiosamente, o “Clássico das Multidões” era o jogo do Patético contra o Colelho, na leitura da imprensa local!
    Eu também estive em praticamente todos os jogos disputados pelo Cruzeiro a partir da inauguração do Mineirão. Nossa torcida ficava do lado direito das cadeiras cativas, enquanto que a do América ficava do lado esquerdo. Eram duas faixas entre as cadeiras cativas, fronteiriças ao setor destinado à torcida pateticana, que correspondia a quase o dobro dos setores reservados para Cruzeiro e América.
    Mas aos poucos o espaço para nossa torcida foi ficando pequeno. Me lembro bem que em alguns jogos, por falta de lugar no nosso setor eu e centenas de cruzeirenses iamos assistí-los no setor destinado ao Coelho!
    Aliás, já nessa época a torcida do América era de uns poucos gatos pingados, por isso o setor dela ficava sempre mais vazio que o da nossa.
    Nossa torcida foi aos poucos invadindo o setor destinado aos pateticanos, através de muitas brigas e repressão dos policiais militares. Gradativamente, passamos a ter espaço igual, senão superior ao destinado ao Patético no Mineirão.
    Eu também morei no bairro Funcionários, de 1960 a 1975. Esse bairro de classe média era um reduto americano, cujos torcedores eram, em sua quase totalidade, senhores de idade provecta, para não dizer bem velhinhos…
    Os filhos e netos desses americanos dos quais conhecí vários , com o sucesso daquele timão de Raul, Piazza, D. Lopes e Tostão desprezaram o Coelho e passaram a torcer para o Cruzeiro, que já era um clube dos italianos e dos belorizontinos proletários.
    Assim, eu também considero falso o que o Tusta disse. Talvez tenha feito isso para não desagradar seus familiares americanos…

  34. Klauss Mourão disse:

    O Tostão como verdadeiro gentleman que é, não quis desmentir o Alex que já foi afirmando tal situação. Excesso de cortesia talvez.

  35. Ana disse:

    Acho que o Sacho tocou em um ponto importante: talvez esse status de clássico tenha sido dado ao Cocotas X Coelhos não pelo tamanho da torcida mas pela “relevancia” social, na época. Claro que esse é um conceito elitista e preconceituoso, mas que combina com os personagens envolvidos: americanos, cocotas das antigas e imprensa mineira.

    Acho que hoje, nem na zona sul, nem na classe alta, há uma predominancia cocota. No interior principalmente:por exemplo, meu primo é medico, mora em um condominio de luxo no interior e é o único atleticano no local, atestado por ele mesmo.

  36. Eduardo Arreguy Campos disse:

    Usando um termo muito ao gosto do blogueiro, “aszelite” da capital se dividiam em atleticanos e americanos. Os cruzeirenses eram em grande número operários, pequenos comerciantes e pessoas que vinham do interior para residir na capital.

    Daí, como comiam na mesma mesa, a impessão, entre eles, de que atlético X américa era o maior clássico de Minas. Em termos de torcida, nunca foi.

  37. Marcos Pinheiro disse:

    Marcelo Bueno,

    No início da década de 60 o Cruzeiro não tinha apenas o dobro de torcedores do América, mas o quádruplo.

    Veja o resultado da enquete “O Mais Querido”, publicada no Estado de Minas de 2 de julho de 1965:

    “O Atlético confirmou ontem no encerramento do concurso instituído por Dom Serafim Fernandes de Araújo que é realmente o clube mais querido de Minas totalizando seus votos 344.374 número que poderá ainda ser aumentado já que os votos avulsos, cerca de 40 mil, somente serão conhecidos no decorrer no dia de hoje e amanhã. O Botafogo ganhou na Guanabara com 394.855 pertencendo ao Ypiranga, de Contagem, a liderança dos clubes interioranos com 255.256, enquanto que no várzea de Belo Horizonte, o Nacional está vencendo com 144.138 seguido do Bamba com 139.320. O Cruzeiro, que chegou a superar o Atlético antes da abertura do último envelope, com 25.523 de diferença, ficou no segundo lugar com 169.897 votos. Na Guanabara, o Fluminense foi classificado como segundo em preferência com 135.488. Coube ao Bela Vista, na disputa do interior, o posto de 2º lugar com 165.618. – Resultados – Faltando aproximadamente 40 mil votos a serem apurados, que não influenciarão no resultado final de Atlético, Botafogo e Ipiranga, a classificação do concurso Clube mais querido é a seguinte:

    Minas
    1. Atlético: 344.374
    2. Cruzeiro: 169.897
    3. América: 44.673
    4. Siderúrgica: 32.122
    5. Vila Nova: 19.912
    6. Democrata: 10.338
    7. Guarani: 8.515
    8. Uberlândia: 4.144
    9. Renascença: 2.663

    Guanabara
    1. Botafogo: 394.855
    2. Fluminense: 136.488
    3. Vasco: 56.362
    4. Flamengo: 38.832
    5. Bangu: 2.814
    6. América: 1.694”

  38. Walterson disse:

    Não posso opinar sobre um passado tão remoto mas lá pelos anos 70 e início dos 80, em Montes Claros, só conheci um americano (hoje, se vivo, deve andar pelos 60 anos). E a única lembrança que tenho do América são de jogos duríssimos contra nós e, estranhamente, moleza contra as frangas. Agora percebo que não é tão estranho assim.

  39. Frederico disse:

    A Siderúrgica tinha altos torcedores…

  40. Marcelo Bueno disse:

    Não conhecia essa enquete, Marcos. Obrigado. Como eu morei no início da década de 60 no bairro Funcionários, antigo e tradicional reduto coelhista, fiz uma análise baseado apenas na proporção entre cruzeirenses e americanos moradores da região. Mesmo pq desde o advento do Mineirão a torcida americana praticamente foi inexistente…

  41. Enfim a verdade vem à tona narrada pelo personagem vivo da mesma…

    É isso aí Sanjorge… comece a soltar suas reminiscências… precisamos saber um pouco da história inicial do Cruzeiro (pós-Guerra) quando você na sua juventude já discutia futebol com o Damasceno.

    COncordo com você neste quesito pois meu avô sempre disse exatamente o que você descreve, mas, se me permite, uma correção deve ser feita…

    Você não morava no Bairro Suzana? Aquele do Ônibus Suzana-Cruzeiro?

  42. Carlão Azul disse:

    Confiram no link abaixo várias pesquisas feitas em várias épocas, incluindo essas acima citadas pelo M.Pinheiro:

    http://paginas.terra.com.br/esporte/rsssfbrasil/miscellaneous/torcidasmg.htm

  43. Carlão Azul disse:

    E que para completar foram reunidas e publicadas pelo Cruzeirense das pesquisas Marcos Pinheiro

    http://paginas.terra.com.br/esporte/rsssfbrasil/miscellaneous/torcidasmg.htm