Dançando com a sogra

Por Jorge Angrisano Santana | Em 12 de julho de 2010

A Espanha foi campeã. Mas existe Espanha? Galegos, bascos, valencianos e catalães responderão sim. 

E que é um país vizinho pelo qual não sentem a menor simpatia.

E este país campeão tem mais jogadores do Barcelona do que de seus clubes tradicionais. Joga à moda de um time estrangeiro, portanto.

Um time que, de tão rico, pode contratar os melhores jogadores do mundo pra fazer rodinha de bobo, a preferência dos ricos e perdulários catalães.

A Espanha não joga nem deixa jogar. Ao longo da Copa, fez um gol a cada 82,5 minutos. Um porre.

Dançar com a sogra em bodas de ouro é mais excitante.

A seu modo, os holandeses aceitaram a proposta barcelonista. Desceram a borduna em quem não queria jogar.

Resultado disto foi a final com maior número de cartões e passes errados da história.

Com a obrigação de vender o peixe dos patrocinadores, os mesa-redondistas disseram que o produto oferecido foi legal, bacana, joinha, mesmo!

Eu digo que foi uma pelada. A maior de todas as finais de Copa.

Os revanchistas dirão que a de 94 também foi insossa. Concordo. Mas foi disputada no verão, ao meio dia, e no deserto.

Antes de oferecer espetáculo, italianos e brasileiros tinham de sobreviver à insolação. 

Por isto, se arrastaram até à emocionante disputa de pênaltis. Algo que poderia ter salvado a final na fria noite de Joanesburgo. Mas nem isto os espanhóis permitiram.

A final de 90 também não foi lá essas coisas. Mas, a bem da verdade, mesmo entre a capenga Argentina a dura Alemanha, houve um mínimo de jogo vertical, em busca do gol.

Ontem, meus amigos, cada time chegou ao arco adversário duas vezes. Em 120 minutos!

Roda de capoeira é mais emocionante. Principalmente se o De Jong for chamado pra dançar.

Interessante também foi perceber as hienas, que torciam para o Cruzeiro perder a fim de derrubar seu treinador com a legação de que ele escalava três volantes, aceitarem até cinco no time delbosquiano.

E como nada pode ser tão ruim que não possa ser piorado, Vasconcelos, Carmona e Rizek defederam esse futebol como o ideal a ser adotado pelos clubes brasileiros nos próximos anos.

Ainda bem que fecharam o Mineirão. Quando ele for reaberto, tomara que essa febre malsã tenha passado.

Enquanto isto, vou apreciar outras rodas. A de capoeiristas esvoaçantes e a de sambistas com pandeiro, caixa de fósforos e cabrochas dançando miudinho.

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