Décio: “O Cruzeiro é do tamanho de seus sonhos”

Por Jorge Angrisano Santana | Em 5 de fevereiro de 2010

Pitacos de protagonistas e blogueiros acerca do Cruzeiro 7×0 Real Potosi, jogo de volta da fase classificatória da Libertadores 2010, em 03fev10, no Mineirão:

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  1. Kleber, atacante do Cruzeiro: Criou-se uma expectativa muito grande na minha saída. Depois que o torcedor soube que eu voltaria, a reação foi imediata, a recepção que eu tive no aeroporto diz tudo. Era um jogo que eu queria jogar. Queria estar em campo, sentir a torcida, sentir esse clima. Foi maravilhoso. O resultado diz tudo. Por tudo que aconteceu, é normal que a gente tenha uma reação assim no gol. A recepção do torcedor no aeroporto, o jeito que o torcedor se comportou depois que soube que talvez eu fosse embora. É normal que eu tenha uma reação assim. Espero que seja assim daqui para frente. Eu tenho uma meta de fazer ,uitos gols este ano. Está acontecendo. Espero que possa ser como no ano passado, que eu não me contunda, que eu tenha uma sequência boa e possa ajudar o Cruzeiro, fazendo gols. Se não fizer também, ajudar com passe e correndo, como foi hoje. Nosso time jogou muito bem hoje. Uma formação que a gente não costuma jogar. Pegou todo mundo de surpresa aí, mas é normal o time criar oportunidades jogando com três atacantes. Hoje, deu tudo certo, jogamos muito bem e o resultado elástico é fruto do que o time apresentou.
  2. Thiago Ribeiro, atacante do Cruzeiro: Sabia que o favoritismo era nosso, mas futebol é dentro de campo. Jogamos com seriedade, respeitamos o adversário e conseguimos a vitória. Pecamos em finalizações e poderíamos ter feito mais gols, mas o importante é que conseguimos uma grande vitória, que nos dá moral para pegar o Vélez. Espero que a gente faça uma grande Libertadores. Dá pra repetir a formação com três atacantes. Dá pra jogar assim tranqüilamente, desde que a gente se ajude. Sem a bola, temos de voltar para ajudar na marcação.
  3. Jonathan, lateral-direito do Cruzeiro: Não quisemos nos poupar, pois passamos muita raiva lá. Sofremos com viagem, jogo na altitude e violência do Real Potosí. Conseguimos descontar nossa raiva hoje, estamos de parabéns por conquistar esse resultado histórico. Eles batem muito, mas superamos isso e fizemos o placar.
  4. Bernardo, armador do Cruzeiro: Voltei a fazer gol. A gente treina bastante pra isso. Tive a felicidade de marcar um gol muito bonito. Desde quando subi, quero isso. Estou treinando, jogando e acho que esses jogos são uma preparação muito boa pra eu vestir a camisa 10. Essas coisas particulares procuro falar com a psicóloga. São coisas que acontecem fora de campo e isso abala um pouco. O Adílson ficou preocupado comigo, mas sempre procurei conversar com pessoas que iriam me ajudar e isso me ajudou. Este ano cheguei com a cabeça boa, focada. Foram algumas especulações sobre minha saída, mas falei que queria ficar no Cruzeiro para continuar trabalhando e tenho certeza que esse vai ser um ano bom. Tem que ter mais concentração. Acho que não é nem concentração, é caprichar. Levantar a bola, a minha batida na bola já é boa. Então é só tirar ela da barreira e fazer ela subir e chegar ao gol.
  5. Adilson Batista, treinador do Cruzeiro: Fizemos por merecer desde o início do jogo, independentemente da formação, que foi um pouquinho mais ofensiva. A gente criou situações, penetrações de volantes, chutes de laterais, todo mundo participando, jogando com seriedade, e poderíamos ter feito mais gols no primeiro tempo. No segundo, com a expulsão (deles), acabou facilitando também, e aí fizemos os gols. Temos que enaltecer o comportamento deles e dar os parabéns a todos que incentivaram. O Cruzeiro valorizou o resultado e entrou para a história do clube com uma goleada importante. (Jogar com três ou quatro atacantes) são situações que você pode fazer, mas ainda continuo, dentro da minha cabeça, com os dois só na frente. São circunstâncias, necessidades. Eu já fiz três atacantes no 2º tempo, quer dizer, ninguém está inventando nada aqui, inovando, criando. O atleta tem que te dar essa resposta. Para se jogar com três, como o Barcelona joga, o próprio Corinthians andou jogando, o pessoal do lado tem que ajudar, marcar, recompor. E, às vezes, eu não vejo isso no atleta brasileiro. Ainda, na minha cabeça, é começar com dois.
  6. Diego Renan, lateral-esquerdo do Cruzeiro, em seu blog: Fala, Nação Estrelada! Ontem, mais uma vez, tivemos uma noite impecável. O time esteve muito bem, jogamos com seriedade e saímos do Mineirão com um placar histórico. Depois do jogo, fui informado de que havíamos estabelecido um novo recorde no clube: a maior goleada na Libertadores. Muito legal, principalmente porque tive o prazer de estar em campo num dia tão importante. Agora, vamos ter um desafio enorme na fase de grupos, mas tenho muita confiança no time. Queremos esse título. Me lembro bem do dia 15 de julho de 2009. Era a final da Libertadores, o Cruzeiro lutou muito, mas saiu de campo derrotado pelo Estudiantes. Eu estava na arquibancada, ao lado do meu grande amigo Douglas Borges, goleiro do nosso time júnior. Antes do jogo, enquanto a torcida gritava o nome dos onze jogadores que iniciariam a partida, eu me virei para o Douglas e disse: “em poucos anos, estarei aqui, no Mineirão lotado, num jogo da Libertadores, com a torcida cantando meu nome”. Felizmente, minha previsão estava errada. Com muita fé e trabalho sério, consegui alcançar esse objetivo em pouco mais de seis meses. Estou muito realizado e disposto a dar meu máximo pelo Cruzeiro. Contei esse caso, pois, semana passada, quando eu estava na Bolívia, conversei com Douglas pelas internet e ele me lembrou desse fato. Ontem, quando cantaram meu nome, senti uma sensação incrível. Acompanhei a torcida no ritmo das palmas enquanto gritavam meu nome. Foi um momento mágico, que espero que se repita por inúmeras vezes. É isso, galera. Daqui a pouco tem um treino mais leve na Toca. Antes de me despedir, queria destacar a moral do meu pai, que ontem deu entrevista e tudo mais! Saudações celestes!
  7. Leandro Mattos, em seu blog: O futebol maiúsculo apresentado pelo Cruzeiro nesta quarta-feira, na goleada por 7 a 0 sobre o Real Potosí, foi chancelado ainda no vestiário do Mineirão, com a escalação certeira de Adílson Batista. O comandante estrelado fez valer a ampla supremacia técnica de seu time, escolheu uma formação bastante ofensiva e seus 11 titulares atropelaram, com personalidade, os bolivianos. Bastava um 0 a 0, mas a equipe azul não freou seu ímpeto ao marcar o primeiro tento e foi coroada com uma grande atuação. Com o amplo placar, a Raposa fincou os pés na fase de grupos da Libertadores da América e inaugurou de vez o sonho do tricampeonato da competição mais importante do continente. A torcida foi paciente e jogou junto com o time, como Adílson tinha pedido. Viu que o gol era questão de tempo, tamanhas as chances desperdiçadas até os 28 minutos, quando Wellington Paulista e Marquinhos Paraná ‘meiaram’ o primeiro tento e abriram a contagem no ‘Gigante da Pampulha’. O apetite cruzeirense era tanto, que o time, mesmo com quatro gols de frente, voltou para a etapa complementar com a mesma formação do primeiro tempo.
  8. Décio Lopes, em seu blog: O Cruzeiro aplicou uma chinelada – muito bem dada, aliás –no Potosi e, mais uma vez, mostrou o óbvio: se a maioria destes times da cordilheira tivesse um mínimo de qualidade, seguiria o caminho vitorioso da LDU. É… porque jogar lá no alto não passa de uma tremenda covardia. Não vou entrar de novo no mérito de permitir ou proibir, mas apenas afirmo que é uma baita covardia. Enfim, o que interessa é que o Cruzeiro despachou o Potosi e credenciou-se para uma bela Libertadores que vem por aí. Mais uma na história de um clube que, entra ano e sai ano, vive lá, entre os melhores do continente (aqui vai uma crítica, incluindo um mea-culpa, aos jornalistas de RJ e SP, quase sempre dando mais atenção aos clubes das duas cidades e valorizando muito menos do que deveria a trajetória de um clube como o Cruzeiro, quase sempre forte, consistente e brigando por títulos). Falando em brigar por títulos, penso que vai ser o caso em mais esta Libertadores. O time vem para brigar. Neste ano os brasileiros são favoritos absolutos para levantar a taça e, dentro deste grupo seleto, o Cruzeiro é um dos destaques. É um bom elenco, entrosado, motivado, bem treinado –apesar da pouca experiência do Adilson (que, note bem, é bom treinador!)… O Cruzeiro conseguiu, aos 48 do segundo tempo, manter Kleber; manteve Wellington Paulista, Fábio, Gilberto… e agora trouxe o Roger – um jogador de qualidade que, quando quer, ajuda muito os seus times e é capaz de desequilibrar. Cabe ao carrancudo treinador manter o (sempre bem acompanhado) rapaz na linha. O grupo dos mineiros já na primeira fase é difícil? Sim, certamente. Por isso estou com o Adilson: melhor poupar jogadores (não todos os titulares, mas alguns), mesmo que o preço seja perder o Campeonato Mineiro. É questão de prioridade. No ano passado, o Cruzeiro bateu na trave neste que seria mais um título importantíssimo para a história do clube. Os meses seguintes e a depressão geral que se abateu mostram claramente o quanto a torcida queria a Libertadores. O quanto quer a Libertadores.  Agora aparece uma nova chance e é bom ir com tudo a ela. Mesmo que o preço seja o estadual. O Cruzeiro é do tamanho dos seus sonhos, é do tamanho dos seus objetivos. Do tamanho da Libertadores.
  9. Lédio Carmona, em seu blog: Se me perguntassem qual é o melhor time do Brasil hoje em dia, eu ainda não saberia dizer. Poderia ser, por ordem alfabética, Corinthians, Cruzeiro, Flamengo, Internacional, São Paulo… Mas com certeza ele está entre aqueles que disputarão a Libertadores. Agora, se me perguntassem qual é o time do Brasil que eu mais gosto de ver jogar hoje em dia eu teria uma resposta bem mais objetiva: Cruzeiro. E não tem nada a ver com a surra aplicada no Real Potosi, ontem à noite, no Mineirão. Minha opinião estão relacionada à forma como joga e é escalada a Raposa, de Adílson Baptista. É bonito de ver o Cruzeiro em campo, muito embora nem sempre consiga chegar aos seus objetivos prioritários. O Cruzeiro que massacrou o Potosi (quatro vira) tem a cara do Cruzeiro que Adilson Batista quer ver em campo. Claro que acabou a moleza. Não haverá mais nenhum Potosi pelo caminho. A Raposa caiu no grupo mais difícil da primeira fase da Libertadores (Velez, Colo-Colo e Deportivo Itália, da Venezuela) e já estréia semana que vem contra o Velez, em Liniers. Mas é favorito para vencer a chave e seguir em frente. Porque é melhor, porque não tem medo, porque tem mais experiência do que ano passado e, praticamente, a mesma equipe que perdeu a final para o Estudiantes. No Cruzeiro, todo mundo joga bola. Os laterais são ótimos no apoio: Jonathan e Diego Renan só precisam ser menos afoitos na marcação. Seus volantes marcam, jogam e têm saída de bola irretocável (Henrique e Marquinhos Paraná). E, do meio para frente, Adílson pode entrar com Gilberto na armação, com Kleber e Wellington Paulista (Thiago Ribeiro) na frente, ou, simplesmente, jogar com os três atacantes, como ontem. Fora o banco, que sempre tem ótima opções. Ontem, Bernardo, Eliandro e Guerron entraram e fizeram gols. Bom lembrar que Paraná, o próprio Cruzeiro (1998), Palmeiras e Flamengo já jogaram contra esse mesmo pífio Potosi e ninguem ganhou de 7. Provavelmente porque nenhum deles entrou com a mesma fome de gols que o Cruzeiro mostrou ontem. Em determinado momento da partida, tinha quatro atacantes contra 9 bolivianos. Sete gols, um para cada jogador: Marquinhos Paraná, Thiago Ribeiro, Kleber, Jonathan, Eliandro, Bernando e Guerron. Cinco deles marcados por atacantes diferentes. Em resumo: o Potosí pode ser (e é) uma baba. Mas o Cruzeiro não tem nada com isso. E é fortíssimo. Com ou sem Kleber. Com ou sem Roger. Mas com um elenco completo, cheio de alternativas e faminto por vitórias e títulos.
  10. Mauro Beting, em seu blog: E foi pouco. Fosse 12 a 0, por aí, não teria sido demais. O Potosí é ruim sem ar, e muito pior com oxigênio. E o Cruzeiro foi muito melhor e mais sério o jogo todo. Mereceu conquistar a maior goleada da história celeste em Libertadores. Sem Gilberto, Adilson optou por Elicarlos protegendo a cabeça da área, Henrique e Marquinhos Paraná saindo para o jogo pelos lados em parceria com os cada vez melhores – ofensivamente – Jonathan e Diego Renan, e um trio de ataque: Kléber saindo bastante da área, Thiago Ribeiro mais aberto pela direita, Wellington Paulista mais centralizado. Deu mais que certo. Também pelo tudo de errado que fez o time boliviano. O Potosí só acertou pancadas nos cruzeirenses. Dois vermelhos foi pouco. Mas foi cômico um jogador ser expulso com 5 segundos de segundo tempo, depois de uma paulada – a milésima – em Kléber. Mais bizarro seria aos 7min, quando dois deles se acertaram ao errarem a bola e um adversário… O rival era tão fraco que, taticamente, fica difícil analisar mais detidamente o 4-3-3 usado. Mas prometo comentar a proposta no próximo. Guerrón entrou muito bem, aberto como um ponta pela direita. Um pouco menos de afobação, um pouco mais de apuro técnico, é opção mais que interessante para o mesmo 4-3-3 que, por vezes, pode prescindir de um armador. Ou, ainda melhor, de três volantes. E os passes de Thiago Ribeiro? E os lançamento dele? E o recuo para acompanhar o lateral adversário. Uma partida para guardar nos olhos dele. Um exemplo para ele mesmo.
  11. Mário Marra, em seu blog: O Cruzeiro fez o que tinha que fazer: 7 a 0 e foi pouco! Entretanto, chega a ser difícil analisar qual lição o time leva dos jogos contra o Potosí. A fragilidade do adversário não permite afirmar que o time rende bem com três atacantes, ou que Bernardo ressurgiu, ou que… É certo que o estilo do Cruzeiro é um estilo de time bem treinado e envolvente, o que garante que ninguém ganha antes da hora do time azul. É preciso jogar e é necessário anular as muitas virtudes treinadas na Toca. O Cruzeiro pode encarar qualquer adversário. Se algo foi possível avaliar sem risco algum, foi o treinador. Adilson não foi vacilante e indeciso. Passou longe do retranqueiro e chegou a abusar. Obviamente que alguém vai me lembrar da fragilidade do time das alturas, e é aí mesmo que o treinador merece o elogio. Ora, quantas vezes vimos vários clubes violentarem sua forma de jogar em partidas contra adversários fracos, mas competitivos. O jogo pedia ousadia e o time foi ousado. Quanto a Bernardo, três atacantes, Eliandro e algo mais, é bom manter a cautela. Nem foram ótimos e nem devem morrer queimados. Deixe o tempo trabalhar a hora certa.
  12. Geni e o Zeperrela, no PHD: Foi muito legal. Mas não gostei de ver a torcida gritando o nome do Adilson só porque ele colocou quatro atacantes. Quer dizer que quando coloca atacantes merece aplauso e quando tira atacante merece vaia? As coisas não são tão simples assim no futebol. Se fossem, era só colocar alguém da Turma do Didy lá pra treinar o time. Aí entraria em campo com Fábio, Eliandro, Ribeiro, Paulista, Kléber, Guerrón, Gilberto, Bernardo, Roger, Dudu, Lessa e Camilo. Pronto! Era só aplauso! Ele jogou com quatro atacantes porque estava contra um time ruim com dois jogadores a menos. Quero ver no dia que estivermos jogando contra um adversário forte e o técnico precisar reforçar o meio ou a zaga, qual será a reação da torcida…
  13. Matheus PenidoO principal mérito do time ontem foi manter a seriedade o tempo todo. Pontos pros jogadores, que mantiveram o ritmo forte até o fim como manda a cartilha do futebol com seriedade. E o grande mérito do Adílson não foi escalar 3 atacantes como muitos dizem, mas sim manter o time centrado e jogando coletivamente, sem estrelismos, até o fim. Coisa de quem leva a profissão a sério.
  14. Mariana, no PHD: Depois de fazer o gol, Bernardo ajoelhou e beijou a camisa, ficou emocionado. Podem falar que é demagogia dele blá blá blá, mas achei bonita sua atitude!

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