Cruzeiro na Libertadores V: 1976, Mundial em BH

Por SÍNDICO | Em 10 de agosto de 2010

Mauro França e Jorge Santana

Mundial

Com a conquista da Libertadores 1976, o Cruzeiro se credenciou à disputa da Copa Intercontinental, nome oficial do Mundial Interclubes, naquela época disputado em dois jogos entre os campeões da América do Sul e da Europa.

O Bayern Munich, tri-campeão europeu, que se recusara a enfrentar o Independiente nos dois anos anteriores, aceitou jogar contra o Cruzeiro. As partidas foram marcadas para 21nov76 em Munique e 21dez76 em Belo Horizonte.

Excursão

Os jogadores celestes mal puderam comemorar o título da Libertadores. A delegação nem retornou para Beagá, onde certamente teria uma recepção triunfal. De Santiago, o time seguiu diretamente para Paris, escala inicial de uma excursão que se prolongou por todo o mês de agosto.

Nem houve tempo para descanso. Apenas quatro dias depois do histórico 3×2 sobre o River, em 03ago76, o Cruzeiro empatou por 1×1 com o Saint-Étienne, tri-campeão francês e vice-campeão europeu. Em 08ago176, o time celeste venceu o Nice por 4×3, com uma grande exibição.

A excursão continuou na Espanha, onde se realizavam vários torneios de verão, que os clubes brasileiros aproveitavam pra reforçar o caixa. Em La Coruña, no Estádio Riazor, o Cruzeiro disputou o Torneio Tereza Herrera, pela segunda vez consecutiva. Venceu o PSV Eindhoven por 2×0 e perdeu para o Real Madri pelo mesmo placar, com dois gols de pênalti.

No torneio seguinte, no Estádio Vicente Calderón, em Madri, o Cruzeiro perdeu para o Athletic Bilbao por 3×1 e venceu o Racing White, da Bélgica,  por 2×0.

No Ramon Sanchez Pizjuan, em 24ago76, o Cruzeiro empatou com o Sevilla por 1×1, mas foi eliminado nos pênaltis, por 5×3. Raul Plassmann defendeu uma penalidade, mas o juiz mandou repeti-la. Dois dias depois, o campeão sul-americano bateu o Hajduk Split, da Croácia, por 4×2, terminado em 3º lugar no Torneio de Sevilla.  

A excursão encerrou-se em 29ago76, no Estádio Municipal de Almeria com uma vitória por 3×2 sobre o time local. Foram 9 jogos, 5 vitórias, 2 empates, 2 derrotas, 18 gols a favor, 14 contra.

Financeiramente, o saldo da viagem foi ótimo, mas o custo técnico foi alto. Jairzinho, Vanderlei Lázaro, Nelinho e Wilson Piazza voltaram contundidos. Os dois últimos com mais gravidade, ficaram três semanas afastados do Campeonato Brasileiro, na época, chamado Copa Brasil.

Copa Brasil

Em 04set76, menos de uma semana depois do último amistoso na Europa, com cinco desfalques, o Cruzeiro estreou na Copa Brasil empatando com o Botafogo por 0x0 perante 10.294 torcedores, no Mineirão.  

Os desfalques constantes afetaram o rendimento do time. Zezé Moreira jamais conseguiu escalar o time completo no campeonato. Para complicar, Joãozinho também se contundiu com gravidade e ficou de fora da maior parte dos jogos.

Em um grupo de 9 equipes, o Cruzeiro ficou em 2º lugar ao lado de Coritiba, Atlético e São Paulo. Pelos critérios de desempate, ficou na 5ª posição (3 vitórias, uma por mais de dois gols de diferença, que valia 3 pontos; 4 empates e uma derrota). Como somente os quatro primeiros se classificavam, o time celeste teve que disputar a repescagem, que valia uma vaga para a 3ª fase do torneio.

Na repescagem, o Cruzeiro enfrentou Portuguesa, Londrina, Uberaba e Confiança. Somou 8 pontos (3 vitórias, uma de 3 pontos, e 1 empate) e ficou em 2º, um ponto a menos do que a Portuguesa. No último jogo, precisava derrotar o Londrina por dois gols de diferença pra ficar em 1º. Em 27out76, no Mineirão, diante de um público de quase 40 mil torcedores, Palhinha fez 1×0 no início do 2º tempo e foi só. Para surpresa de muitos, a menos de um mês do duelo contra o Bayern, o campeão sul-americano foi eliminado do Brasileiro.  

Racha

A eliminação precoce conturbou o ambiente na Toca. Carmine Furletti, vice-presidente de futebol, e Elias Barburi, o Tóia, diretor de futebol, criticaram Zezé Moreira, cujo esquema de jogo consideravam ultrapassado. Barburi queria a demissão do treinador. Mesmo afastado por doença, Felício Brandi bancou o treinador e responsabilizou os dirigentes, que teriam reforçado mal a equipe, pela desclassificação.

Em meados de outubro, o clube contratou o uruguaio Pablo Forlan, que aos 31 anos estava aposentado em Montevidéu. Zezé Moreira contava com a experiência e a garra do lateral, que disputara duas copas do mundo e havia sido campeão intercontinental com o Peñarol em 1966.  

Inverno

O Cruzeiro embarcou para a Alemanha com problemas. Nelinho, Piazza e Joãozinho vinham de longa inatividade. Dirceu Lopes, há mais de um ano parado, também estava fora de forma. O time estava sem ritmo, pois só jogou duas vezes após a eliminação no Brasileiro. Com equipes mistas, empatou em Maringá, com o Grêmio local, e no Mineirão, com o América carioca, por 0x0.

Além de tricampeão europeu, o Bayern era a base da Seleção Alemã campeã do Mundo em 74. Tinha celebridades como Sepp Maier, Franz Beckenbauer, Gerd Muller e Paul Breitner entre outros. No campeonato alemão, estava em 3º, a 4 pontos do líder.

Os alemães até foram corteses. De acordo com Raul, forneceram agasalhos e material de treino aos cruzeirenses. O próprio goleiro foi presenteado por Maier com luvas apropriadas para jogos com neve.

O jogo foi disputado sob uma nevasca. Em tais condições, o Cruzeiro foi cauteloso. Queria ao menos empatar e trazer a decisão para o Mineirão. Nelinho e Joãozinho, que foi substituído por Dirceu Lopes no 2º tempo, não estiveram bem. Mesmo assim, o time resistiu até os 35 o 2º tempo, quando Ulli Hoeness cruzou da direita, Morais não alcançou e Gerd Muller, na entrada da pequena área, dominou e chutou no canto direito de Raul Plassmann.

Dois minutos depois, Rummenigge começou a jogada pela esquerda, Muller fez corta-luz e Kapellmann, da entrada da área, bateu rasteiro no canto direito de Raul pra definir o placar e colocar os alemães em vantagem na decisão.

  • Cruzeiro 0×2 Bayern München, terça-feira, 23nov76, 1º jogo da decisão do Mundial Interclubes 1976, Olympiastadion, Munique, Alemanha – Público: 22.000 pagantes – Juiz: Luis Pestarino (Argentina) – Gols: Muller, 35, Kapellmann, 37 do 2º tempo – Cruzeiro: Raul Plassmann, Nelinho, Morais, Ozires e Vanderlei Lázaro; Wilson Piazza e Zé Carlos; Eduardo Amorim, Palhinha, Jairzinho e Joãozinho (Dirceu Lopes). Tec: Zezé Moreira / Bayern: Sepp Maier, Bjorn Andersson, Franz Beckenbauer, Hans-Georg Schwarzenbeck e Udo Horsmann; Bernd Dürnberger, Conny Torstensson e Jupp Kapellmann; Uli Hoenes, Gerd Müller e Karl-Heinz Rummenigge. Téc: Dettmar Cramer. 1: Maier, Schwarzenbeck, Beckenbauer, Hoenes, Kapellmann e Muller conquistaram a Copa do Mundo 74 pela Alemanha. 2. Torstensson e Andersson disputaram as Copas de 74 e 78 pela Suécia. 3: Maier jogou as Copas de 66, 70, 74 e 78. Beckenbauer jogou as de 66, 70 e 74 e foi técnico da Alemanha em 86 e 90, quando conquistou o título. 4. Rummenigge tinha 21 anos à época. Era um talento em ascensão. Jogou as Copas de 78, 82 e 86.  

Mesmo apontando a neve como vilã, Nelinho não deixou de observar que muitos jogadores –os principais– estavam fora das suas melhores condições físicas e técnicas, em entrevista à Placar:

  • “A neve deixou o nosso time muito inseguro. Logo no início, perdi umas três bolas bobas porque ia dar o drible e ela corria ao invés de ficar no meu pé. Além disso, eu –como o Jair, o Joãozinho, o Piazza, o Palhinha e o Dirceu– estava em péssimas condições. Tanto que joguei plantado. Só desci umas duas vezes.”

Revanche

Sem compromissos oficiais, os jogadores voltaram à rotina de treinamentos. Palhinha, com dores musculares, e Jairzinho, gripado, não participaram da primeira semana de treinamentos. Zezé Moreira, que pretendia apurar a condição física e técnica do elenco, era só preocupação.

O Cruzeiro disputou apenas um amistoso entre os dois jogos. Em 11dez76, venceu o Uberaba por 3×0, no Mineirão, perante 4 mil torcedores. Raul e Jairzinho ficaram de fora, enquanto Dirceu Lopes e Joãozinho atuaram o tempo todo.

Mesmo reconhecendo a força do adversário, o clima entre os jogadores era de confiança. Todos achavam possível reverter o resultado e conquistar o título. Acreditavam no pouco tempo de adaptação dos alemães ao calor fizessem a diferença, como o frio e a neve tinha feito na Alemanha. Zezé Moreira analisou o adversário e deu a receita para vencê-lo, em entrevista à Placar:

  • “Eles praticamente não têm posição fixa em campo. Há sempre um jogador a mais na marcação dos atacantes adversários e a recuperação deles é impressionante. Temos que partir para um jogo coletivo, rápido e objetivo, como naquelas partidas contra o Internacional, pela Libertadores.”

Zezé Moreira ficou aborrecido com o desfecho do jogo de ida:

  • Nós nunca poderíamos ter nos apavorado com o primeiro gol e partido pra cima deles que nem loucos. Deveríamos ter ficado quietinhos, no nosso esquema, porque a derrota de 1×0 era um excelente resultado para o Cruzeiro. Agora, eles entram aqui com 2×0 no placar. Isso lhes dá muita segurança e apóia qualquer sistema defensivo.

Mas não havia perdido a esperança:

  • Chegaremos lá. Precisamos entrar com os onze jogadores em perfeitas condições técnicas e físicas, caso contrário, será difícil vencer. Estamos treinando duro porque não adianta apenas marcar os gols necessários. É preciso, também, não tomar.

Verão

Enfim, na quinta-feira, 21dez76, o Mineirão recebeu pela primeira e única vez na sua história uma decisão de título mundial. O público oficial foi de 113.715 pagantes.

Saí da Fafich, no Bairro Santo Antônio, por volta de 13h e parei pra tomar cerveja e fazer a resenha do futebol com os colegas no Jorobó, um boteco na Contorno, quase na esquina de Carangola.

Por volta de 15h, saímos para o Mineirão em vários táxis. Eu e o Nílton Figueiredo, colega de Sociologia, tomamos um fusca amarelo sem banco dianteiro.

Na Catalão, sobre o viaduto do Anel Rodoviário, o motorista puxou o freio de mão e recomendou: “Se vocês querem ver o jogo, melhor irem a pé.”

Travou tudo. As pessoas largavam os carros no meio da pista e saiam correndo em direção ao estádio. No estacionamento, saquei o lance: havia dezenas de ônibus de todas as partes do país: Bahia, Rio, Goiás, Espírito Santo, Mato Grosso, Paraná, São Paulo e inúmeras cidades do interior de Minas.

Quando consegui entrar, não havia mais divisão de setores. Tentei furar os bloqueios de cada um dos acessos às arquibancadas, cadeiras e geral, sem sucesso. O Mineirão estava entupido.

O jeito foi assistir à decisão no corredor. Escolhi o Bar 22, cuja televisão, uma Philco com Bombril –aquela palha de aço que dizia ter mil e uma utilidades- nas pontas antenas, atendia a uma multidão incalculável. Havia superlotação até nas áreas de circulação.

No dia seguinte, o Estado de Minas estampava a manchete “Trânsito infernal na ida e na volta. A decisão mudou a vida da cidade”.  Os jornais informaram também sobre a invasão de mais de 20 mil torcedores vindos em caravanas, que não encontrando ingressos à venda, arrombaram os portões do estádio. Esse foi, sem dúvida, o maior público da história do Gigante da Pampulha. (Jorge Santana)

O Bayern chegou à BH no dia do jogo. Os jogadores foram para o hotel, descansaram poucas horas e foram para o Mineirão. Reconheceram o gramado e se aqueceram sob estrepitosas vaias da torcida.

Zezé Moreira escalou uma formação mais ofensiva, com um ataque com Jairzinho pela direita, Palhinha, Dirceu Lopes e Joãozinho. Eduardo ficou no banco.

O calouro de Engenharia, João Chiabi Duarte, relata suas impressões:

“Eu me lembro de ter chegado ao estádio por volta das 16 h. Os portões se abriram por volta das 18 h. Lá dentro, não dava pra levantar e sair, porque se perdia o lugar. O time deles era uma verdadeira seleção campeã do mundo. Fiquei no hall de entrada para vê-los passar. Sepp Mayer o goleiro tinha mãos imensas. Beckenbauer carregava os sacos como qualquer outro jogador. Não tinha essa de roupeiro, cada um fazia a sua parte. Lembro até hoje da cena. O Bayern entrou para aquecer com os seus agasalhos vermelhos da Adidas (sonho de consumo de todos nós naquela época), um calor infernal. Foi a maior vaia que eu já tinha visto em um estádio de futebol…

O Cruzeiro precisava de uma vitória por dois gols no tempo normal para forçar a prorrogação e pênaltis. A gente acreditava demais nos nossos craques. O jogo começou depois das 21h. O Cruzeiro fez uma ótima partida e parou sempre nas mãos de Maier ou nos desarmes fantásticos de Beckenbauer ou do Schwarzenbeck (jogava duro e não perdeu uma antecipação naquele dia). Houve lances incríveis durante o jogo. Uma cabeçada do Jairzinho, de costas, que o Sepp Maier só defendeu porque tinha mãos enormes. Ou a grande defesa do Raul no chute rasteiro e forte do Rumenigge, que ele tirou com a ponta do pé.  

No Cruzeiro, Dirceu Lopes parecia se ressentir da longa inatividade e não conseguia ter vantagem sobre a marcação implacável de Kapellmann. No 2º tempo, Zezé Moreira trocou-o por Forlan, que entrou na lateral direita, e adiantou Nelinho para a meia, para aproveitar o chute do lateral. E ele mandou três ou quatro varadas em direção ao gol alemão. Todas espalmadas ou socadas por Maier.

Rumenigge dava trabalho nos contra-ataques, mas sentiu uma contusão e deu lugar a Arbinger, que entrou para marcar as boas combinações que Nelinho e Forlan faziam pela direita. Palhinha, Joãozinho e Jairzinho brigaram com valentia contra os gigantes do time alemão e criaram as oportunidades. Embora não tivessem feito os gols, lutaram muito, como de resto, todo o time celeste.”

Mesmo sem o título, os jogadores celestes deixaram sob os aplausos da torcida, em reconhecimento pelo que fizeram. Foi um belo espetáculo proporcionado por dois grandes times. Um show de técnica e tática

  • Cruzeiro 0×0 Bayern München, terça-feira, 21dez76, 2º jogo da decisão do Mundial Interclubes-76, Mineirão, Belo Horizonte. Público: 113.715 pagantes – Juiz: Patrick Partridge (Inglaterra) – Cruzeiro: Raul Plassmann, Nelinho, Morais, Ozires e Vanderlei Lázaro; Wilson Piazza (Eduardo Amorim) e Zé Carlos; Jairzinho, Palhinha, Dirceu Lopes (Pablo Forlan) e Joãozinho. Tec: Zezé Moreira / Bayern: Sepp Maier, Bjorn Andersson, Franz Beckenbauer, Hans-Georg Schwarzenbeck e Udo Horsmann, Weiss, Conny Torstensson e Jupp Kapellmann, Uli Hoeness, Gerd Müller e Karl Heinz Rummenigge (Alfred Arbinger). Tec: Dettmar Cramer.  

Alguns lances ficaram da decisão mundial ficaram eternizados: duas incríveis defesas de Raul Plassmann, um drible de Joãozinho deixando o Kaiser Beckenbauer de bunda no chão e uma cabeçada de Jairzinho que, com o arco escancarado, mandou a bola no travessão.

João Saldanha culpou a cabeleira Black Power do atacante pelo desperdício. Segundo ele, a bola amorteceu naquela touceira ornamental. Para provar sua tese, o cronista saiu pelas ruas do Rio de Janeiro com uma bola e uma câmera filmando cabeçadas de outros cabeludos. Todas sairam chochas. 

Links:

  1. Vídeo de uma emissora alemã, com os gols da partida, com uma impagável participação do repórter Paulo Roberto escalando o time do Bayern.
  2. Trecho de um documentário do Sportv sobre Jairzinho, com imagens rápidas do jogo do Mineirão.
  3. Fernando Sasso narra alguns momentos ada decisão.

72 comentários para “Cruzeiro na Libertadores V: 1976, Mundial em BH”

  1. César disse:

    Ótimo post. Eu mesmo não sabia quase nada da decisão , além dos placares. Muito bom.

  2. Renato-SP disse:

    Outra aula de Cruzeiro. Muito legal ler os relatos de quem esteve no estádio. Já tinha visto os gols do Bayern na Alemanha e todoa vez que assisto de novo fico impressionado com a neve no gramado.
    Coincidência ou não, tem uma coluna do JC Duarte falando sobre o Raul.
    Parabéns pelo post.

  3. Danilo_VIX disse:

    Maravilha, o post!!! Eu que nem havia nascido na época pude ficar emocionado ao ler os depoimentos e vendo os vídeos do youtube. Com mais essa aula de Cruzeiro, pude sentir todo o clima do mineirão e dos cruzeirenses que apoiaram e acreditaram no time…. Parabéns Mauro França e Jorge Santana; e que você constinuem a nos brindar com essas pérolas literárias.

  4. Frede disse:

    Clap clap clap!!! Excepcional o post! parabéns!

  5. Dylan disse:

    engraçado que se fosse hoje esse jogo eu nunca levaria um filho ou sobrinho de onze anos mas na época minha ida com meu tio e os colegas dele da ciências médicas foi sem crise e apesar de nunca ter visto o Mineirão tão cheio consegui assistir o jogo inteiro atras do gol da lagoa. Apesar do Cruzeiro ter feito uma grabnde partida,nao relaciono esse jogo as minhas melhores memórias de torcedor. Nao ganhamos o título mundial e Palhinha e Jairzinho se despediram do Cruzeiro logo depois. O time dos sonhos foi desmanchado. Pra mim foi um jogo meio frustrante,mas eu tenho certeza que se fosse qualquer outro o campeão europeu o Cruzeiro teria vencido. Nós nao tivemos a baba de pegar um Liverpool pela frente. Pegamos a Alemanaha campeã mundial. Paciencia.

  6. Recordar é viver… Este time do Cruzeiro dos anos 70 era mais completo do que o de Tostão, tinha bons jogadores do goleiro ao ponta-esquerda. As pessoas tomam ao Morais como um beque botineiro e sem recursos. Não é verdade. Aquilo era coisa plantada pela imprensinha marrom, cacarejante, muitos deles disfarçados de cruzeirenses que nunca foram. Darcy Menezes foi outro injustiçado. Assim, como Passarella o argentino, tinha uma impulsão descomunal e muita técnica, além de ser um bom cobrador de faltas. Vanderlei Lázaro não pode ficar marcado pelo pênalti perdido na final da Libertadores de 77, mas, pelo seu grande futebol. Era muito regular. rRaramente, os pontinhas faziam sucesso nas costas dele. E não ia mal quando subia ao ataque. Os outros são reconhecidos

    • Jorge Santana disse:

      Raul Plassmann, Pedro Paulo, William Cavalo, Procópio Cardozo Neto e Neco; Wilson Piaza, Dirceu Lopes e Tostão; Natal Baroni, Evaldo Cruz e Hilton Oliveira. Esse foi o time perfeito. Melhores, só os do Santos, Honved e, talvez, Real Madrid, os dois últimos dos Anos 1950. A Academoia Celeste era superior à Seleção Brasileira. Sem Pelé e Garrincha juntos, obviamente.

      • O time de 74/75 :
        Raul, Nelinho, Perfumo, Procópio e Vanderlei; Piazza, Zé Carlos e Dirceu Lopes; Eduardo, Palhinha e Joãozinho.
        Veja agora o time de 76 :
        Raul, Nelinho, Morais, Darci e Vanderlei; Zé Carlos e Eduardo; Roberto Batata, Palhinha, Jairzinho e Joãozinho.
        Eram muito bons e se a gente olhar posição a posição, é páreo duro.
        O time dos anos 70 era mais maduro e experiente. Os dos anos 60 tinha a genialidade de Tostão e Dirceu além do grande futebol de Piazza, Natal, Evaldo, Procópio e Raul é claro.
        Na dúvida, fico com os 3…

      • E o que dizer deste time de 92? Lembrar da exibição de gala nos 4×0 Racing na final da Supercopa. Higuita, Paulo César Bocão, Célio Lúcio, Luizinho e Nonato; Douglas, Boiadeiro, Luiz Fernando e Betinho; Renato Gaúcho e Roberto Gaúcho.
        O time campeão da Libertadores de 97? Dida, Vitor, Marcelo Djian, Gottardo e Nonato; Donizete Oliveira, Fabinho, Palhinha II e Elivelton; Marcelo Ramos e Cleisson.
        Ou lembrar do time tri-vice de 98? Dida, Vitor (Gustavo), Gélson Baresi, Marcelo Djian e Nonato; Marcos Paulo, Djair, Valdo e Muller; Marcelo Ramos (Alex Alves) e Fábio Jr.

      • Moema (MFox) disse:

        Esse time de 98 merecia melhor sorte… Higuita é o PC Borges? E o Bocão era Paulo Roberto, não?

      • Perfeito Moema… Eu gostava de chamar assim o PCB que era um grande cara. Gente boa até dizer chega… A falha no 2° gol do Palmeiras na final da Copa do Brasil de 98, não apaga as grandes coisas que ele fez antes. Depois ainda foi para o time das cocotas e não ganhou nenhuma do Cruzeiro…

  7. Moema (MFox) disse:

    Fantástico, simplesmente fantástico! Muito obrigada por compartilharem essa experiência conosco, fiquei até emocionada. Foi o relato mais detalhado dessa decisão que já li até hoje. Eu estava completando dois meses de vida na data do segundo jogo… Faço uma pergunta aos autores: recentemente ouvi de muitos cruzeirenses que a perda da decisão da Libertadores em 15/7/2009 foi a noite mais triste de suas vidas (futebolisticamente falando). Pra vocês, que vivenciaram ambos momentos, é possível comparar os dois eventos?

    • Jorge Santana disse:

      Qualquer derrota em decisão entristece. Mas é preciso ser realista. Bayern, Borussia e Estudiantes eram superiores ao Cruzeiro. Perder o título braileiro de 69, mesmo vencendo a última partida, o Brasileiro de 74, devido ao apito inimigo, a Mercosul de 98 e a Copa dos Campeões de 2002, quando tínhamos times melhores, foram momentos piores.

      • Moema (MFox) disse:

        Certamente perder decisão é sempre muito triste. Mas os 3 jogos que você citou, se não me engano, foram disputados fora do Mineirão. Assim como o Mundial de 1997 e a final da Copa do Brasil de 1998. Perguntei desses dois jogos especificamente (poderia acrescentar a Supercopa de 88 também, naquele empate com o Racing), pois imagino que a dor de perder o título em casa seja ainda mais marcante (eu não estava presente em nenhuma dessas decisões no Mineirão).

      • Jorge Santana disse:

        Não acho. Final tem o mesmo sabor e a mesma dificuldade seja lá onde for jogada. Quem chega à final, com o perdão da expressão, é foda. Fodão, como diz o Neto. Não levo em consideração o fator campo numa final. O desespero pela derrota contra o Estudiantes é coisa de amadores, torcedores nascidos ontem. Eu continuo mais aborrecido com a derrota para o Paysandu, por exemplo. Mesmo que ela valesse menos. E tb acho que, depois das finais contra o Santos em 66 e o River, em 76, a maior foi a do Mineiro de 77.

      • Jorge Santana,
        A vitória de 2 x 1 sobre o Palmeiras de Luxa decantado em verso e prosa como o melhor time do Brasil também tem que ser considerada feito heróico, não é mesmo ?

      • Moema (MFox) disse:

        É muito pessoal. Aquela derrota para o Paysandu doeu na época, pelas chacotas dos rivais, mas passou um mês e nem me lembro mais. Pra mim nem se compara à derrota na final do Brasileiro de 98 ou do mundial de 97.
        E, ser melhor ou pior, também acho que não muda muito. Não acho que a Copa do Brasil de 96 valeu mais do que a de 2003, sendo que na primeira éramos considerados zebras absolutas e em 2003 éramos os favoritos. São sabores diferentes, com a mesma satisfação.
        Concordo que quem chega à final é foda. Mas, quanto mais perto, mais dói… E em casa então, uma concentração de milhares de pessoas tristes juntas, deve ser muito marcante. E antes que alguém interprete mal, prefiro chegar à decisão e não ganhar o que ficar em terceiro, quinto ou último.

      • Jorge Santana disse:

        Tb prefiro ser finalista do que terceiro colocado. Na final do ano passado, o que mais me chamou a atenção foi a euforia despropositada da torcida. Coisa de quem não entende de futebol. Qq um com inteligência mediana sabia que não havia favoritismo algum.

      • Walterson disse:

        Teve gente que alugou trio elétrico, hehehe!

    • Mauro França disse:

      Moema, derrotas são smpre doídas, mas em 76 o sentimento não foi de decpção. A noite mais triste da minha vida futebolistica foi a da final do Brasileiro de 74. Disparado. Acho que não há termo de comparação entre a final de 76 e a de 2009. Por sinal, foi por ouvir de muitos torcedores que a perda da final de 2009 tinha sido a maior vergonha da história do Cruzeiro foi que resolvi faser esta série.

      • Minha também… aliás aquela derrota dói hoje e doerá pra sempre.

      • Moema (MFox) disse:

        Essa frase de “maior vergonha” pra mim é um absurdo sem tamanho… O time chega à final, uma campanha tão difícil, perde o jogo por 2×1 e isso é vergonha?
        Vergonha foi perder de 5 do Remo, do Potosi, de sei lá quem foi o outro que perdemos de 5, mas foram jogos pontuais que tiveram, no torneio, o peso de uma derrota simples. Se bem que vergonha mesmo é ganhar o primeiro jogo da final de 4×0 e conseguir perder o título no jogo de volta, como certos times rosados por aí.

  8. Carlos Campos disse:

    Excelente post! Agora, como informação QUE EU NAO TINHA, incrível como era o calendário do futebol brasileiro. Estreiamos no “BRASILEIRO” em setembro e encerramos nossa participaçao em outubro! Isso é incrível ! Provas de amadorismo. Mas, fica difícil a análise da história distante do contexto da época.Assisti esse jogo na TV. Transmissão ao vivo para BH, transmissão PRETO E BRANCA.UMA TRANSMISSÃO DE JOGO AO VIVO DO MINEIRÃO ERA COISA RARA! Acredito que foi a primeira vez na vida que assisti na TV um jogo do Mineirão. Como os tempos mudaram!AGORA, QUANTO AO JOGO, sem dúvida, FOI O MAIOR EVENTO FUTEBOLÍSTICO QUE O GIGANTE DA PAMPULHA ASSISTIU!

  9. Carlos Campos disse:

    E outro tema da época: COMO REALMENTE FALAVAM DO CALOR ! Só se falava disso na imprensa.Como a neve dificultou nossa vida, a imprensa só falava no calor. COMENTÁRIOS DE TODOS OS TIPOS: “podiam jogar o jogo em Manaus!” para matar os alemães. Nessa final não tenho dúvidas. Faltaram 10 minutinhos finais na alemanha. Seguramos o zero no placar até os 35 do seg. Foi uma pena perder lá! Se viéssemos com o empate…

  10. Um detalhe deste jogo foi o adesivo promocional feito pelo goleiro Vítor. Até uns dez anos atrás eu ainda tinha este adesivo intacto, dentro de um livro que ser perdeu. Alguém lembra, tem foto ou o próprio adesivo?

  11. Belíssimo relato de uma época que dificilmente retornará. Vivi esta decisão de muito perto. O video mostra Vilibaldo Alves narrando o jogo na Alemanha. Esqueci o nome do reporter mas, se não me engano eram os dois cacarejantes… Passados tantos anos é até compreensível que não tenhamos ganho daquele excepcional time do Bayern e soa hilariante os comentários das frangas sobre nossas duas derrotas em mundiais. É como disse um amigo cruzeirense… os caras não conseguem nem ser vice da Copa do Brasil e ficam tirando onda (lembrando que Vitória, Ceará, Brasiliense e muitos outros já foram até VICE da Copa Br)

  12. Evandro, os repórteres eram o Paulo Roberto Pinto Coelho, atleticano e famoso papagaio de pirata de tudo quanto era poster nos anos 70. Na TV era o Luiz Carlos Alves, cabelo pixaim e atleticano até a raiz da medula. Narrador daquela época era o Vilibaldo Alves, atleticano com certeza, mas, que narrava os jogos do Cruzeiro com profissionalismo. Aliás, a narração do 3° gol do Cruzeiro, na final da Libertadores de 76 de Joãozinho, é realmente memorável. Na dúvida chute atleticano… a chance de erro era mínima Evandro…

    • Jorge Santana disse:

      Evandro tá se fazendo de desentendido. Ele conhece todos os repórteres desde 1930…

      • Dylan disse:

        o Luiz Carlos Alves nao era reporter, era comentarista, João. E o narrador na Tv era o Sasso. Em 76 o Kafunga já tinha saido do papo de bola e quem fazia o programa era o Luiz Carlos e o Sasso. Nos jogos, um narrava o outro comentava.

      • Dylan,
        Era comentarista na 2ª fase da sua carreira, mas, foi à Alemanha e fez as reportagens relativas ao jogo.
        Se procurar no YOUTUBE vai achar um video dele com a camisa de gola rolê branca e um terno cinza, falando com um microfone gigante, sob vento intenso…

  13. Matheus Reis disse:

    Sensacional o post Mauro e Jorge. Coisa fina. Eu, que nem pensava em nascer em 76, não conheço da missa um terço. Inclusive, ouvira uma estória de que o jogo tinha ocorrido ao meio dia, para tentar usar o calor a favor do Cruzeiro. Também não sabia que o Fórlan havia jogado a partida de volta. Aliás, dos jogos só sabia o placar e olhe lá. Faz toda a diferença ouvir a história da boca de quem viveu e viu in loco essa partida. É uma pena que não tenhamos mais registros de imagens desse evento. E pensar que hoje, qualquer joguinho tem 19 câmeras e trocentos replays. Muito obrigado mesmo pelo post.

  14. Diogo Lara disse:

    Post sensacional… Meu pai tbm esteve no Mineirão este dia e me falou da multidão… Este link tem os melhores momentos da partida: 1 narração do Fernando Sasso

  15. Mauro França disse:

    Finalmente, volto a comentar depois de uma quarentena forçada. Agradeço ao Evandro e ao Arcanjo pela força na solução o problema. Também agradeço a todos, pelos comentarios, e em especial ao João Chiabi Duarte, cujas Páginas Heróicas tem sido importante fonte de pesquisa. Valeu mesmo. A série terá sequencia em breve, com a Libertadores-77.

  16. Walterson disse:

    Post fantástico, pra variar. Eu não me lembrava que o jogo tinha sido à noite. Sempre ouvi que foi às 16:00 h, com o sol a pino.

  17. Olivieri disse:

    Post fantástico! Parabéns, Jorge e Mauro.

    • Hugo 5erel0 disse:

      Vou atrasar uns 10 minutos no trabalho, mas valeu a pena ler o post. Não aguentei esperar até a noite. Sensacional. Quando voltar, quero ver os vídeos.

  18. Binho disse:

    Fantástico jogo. O que mais me marcou foi os canudos que Nelinho mandava e que Mayer pegava. Que goleiro. Sem dúvida um dos melhores de todos os tempos. Melhor que esse só o insuperável 5×4 contra o Inter. Saudade de futebol bem jogado.

  19. Ismail disse:

    Valeu Jorge e Mauro. Presentaço de dia dos pais.

  20. Naldo disse:

    Sensacional o post. Uma pena que o Cruzeiro perdeu para o Bayern. Porem, não há como negar que o time alemão era muito forte e que conseguiu o resultado já no primeiro jogo.

  21. Naldo disse:

    Feliz dia dos Pais a todos os pais do PHD! Que deus abençoe a todos e nos conceda mais um vitória celeste. Abraços. Naldo.

  22. Elias disse:

    Eu estava lá. Atrás do gol da cidade. Vibrei como nunca, sofri e, apesar do 0 x 0, me senti recompensado pelo sacrifício que era ir ao Mineirão naquela época, numa Kombi 69 lotada até a tampa. E, como já disse aqui, escapei por pouco de tomar uma xi.xi.za.da na cabeça ao abaixar prá prender o cadarço do sapato. Tadinha da moça que estava na minha frente, tomou na cabeça. Tinha tanta gente que não tinha jeito de mexer. Boas lembranças… bons tempos…

  23. Beth Makennel disse:

    Outro dia inesquecível de minha vida. Na época morava em João Monelvade e escutei pelo rádio. Não aguentei ouvir o jogo de volta e fiquei num canto rezando, roendo todas as unhas pudesse e muito nervosa pela falta de gols.Infeslimente, perdemos pela primeira vez o título que até hoje tanto sonhamos conquistar. Mas, realmente faltou um preparo melhor para nosso time que em forma venceria e nos daria este orgulho d ser campeão mundial. Uma pena!

  24. claudio(xina)lemos disse:

    Paginas Heroicas Imortais – Não tem outro nome para está passagem do meu time amado.

  25. Hugo 5erel0 disse:

    Acho que o público desse jogo foi cerca de 600 mil pessoas. Porque todo mundo que eu conheço diz que tava lá naquele dia.

    • Rogério disse:

      Só superado pelo jogo do milésimo gol do Pelé, que teve cerca de 2 milhões de pessoas.

    • mariana disse:

      KKK, é mesmo.

    • Arísio disse:

      Mas tem o gol mais bonito que o Pelé fez, no campo do Juventus, Rua Bariri. Algo perto de 562.000 pessoas viram o gol num estádio que só cabia 3.000…

    • ACRossi disse:

      Este jogo Hugo, consegui a proeza de estar no estádio e não conseguir assistir ao jogo. Tinha duas cadeiras cativas, e jovem e duro, vendi as cadeiras e comprei arquibancadas, para fazer um extra…rssrrssr….Ao chegar no estádio por volta de 19:00. já não entrava ninguém em cima, estavam mandando para as arquibancadas inferiores (embaixo da torcida da cachorrada). No primeiro ataque do cruzeiro, todo mundo levantou, na posição que estava, não via nada, preferi escultar o jogo no bar do estádio.O cara do boteco tinha uma tv pequena preta e branca, só se via sombras..rsrsrsrsrsrsr

  26. Rogério disse:

    Como é bom torcer para um clube que tem uma história sensacional. Parabéns pelo post, muito bem escrito.

  27. Claudinei Vilela disse:

    Vou copiar este post e enviar para alguns atleticanos….

  28. mariana disse:

    Que linda página heroica e imortal! Post, sensacional! Meu pai, que foi ao Mineirão, me conta sempre as histórias deste jogo. Aliás mto parecidas com os relatos feitos aqui por quem estava lá, principalmente a dificuldade de entrar, e como o mineirão estava lotado. Mas até hj, pensava que o 1º jogo tinha sido aqui. É bom demais ser Cruzeiro!

  29. DALMIR FERNANDES disse:

    Apesar de na época morar no interior, do interior de Minas, me lembro do jogo, aliás, minha paixão pelo cruzeiro começou quando o time perdeu (tiraram) o título pro Vaxco em 74. E olha que tudo isso no interior, sem interferência de parentes.

  30. Ricardo Malafaia disse:

    Essa série da Libertadores está cada vez melhor, muito útil a nós, os mais novos. Parceria alto nível mesmo, restando somente saber quem é o Chico e quem é o Tom.

  31. Vinicius Cabral disse:

    Meu pai me fala muito desta decisão. E não sente mágoas, como parece que ninguém que presenciou a decisão, sentiu. É o tipo de derrota que é contada com orgulho. Jogar com aquele time do Bayern, base da seleção campeã de 74, foi um grande feito.

  32. Leo Vidigal disse:

    Parabéns Mauro e Jorge. São textos como este que me fazem voltar sempre ao PHD.