Cruzeiro na Libertadores: 1975, a guerra (II)

Por SÍNDICO | Em 3 de fevereiro de 2010

Mauro França e Jorge Santana

Para ler a Parte I.

Paralelamente com a Libertadores, o Cruzeiro disputava a Taça Minas Gerais, na qual utilizava o time reserva na maioria dos jogos. Os titulares só fizeram uma ou outra partida pelo torneio local.

Uma delas foi a goleada de 4×0 sobre o Nacional de Muriaé, no Mineirão, disputada entre a volta da Colômbia e a partida da Libertadores contra o Vasco.

No domingo, 23mar75, o Cruzeiro enfrentou o Vasco em São Januário. Apenas uma vitória manteria as chances de classificação dos cariocas, que só tinham um ponto.

Aos 17 do 1º tempo, Luiz Carlos abriu o placar para o Vasco. Aos 21m Vanderlei empatou . E o placar de 1×1 permaneceu até o final, embora o Cruzeiro tenha dominado a partida.

A revista Placar registrou o panorama do jogo após do gol de empate:

  • “O Cruzeiro fez o que quis com o Vasco, impondo-se tanto na defesa como no ataque. Só nos 10 minutos finais é que o time carioca, levado por sua torcida, causou alguns problemas aos mineiros. Mas, terminado o jogo, restou no campo a imagem de um Cruzeiro que só não venceu por falta de sorte. Uma equipe poderosa e pronta a representar bem o Brasil”.

Cruzeiro 1×1 Vasco, domingo, 23mar75, Estádio São Januário no Rio, 4ª rodada do Grupo 3 da Libertadores 1975 – Público: 40.000 – Renda: Cr$ 389.230,00 – Juiz: Cesar Orozco (Peru) – Gols: Luiz Carlos, aos 17, e Vanderlei, aos 20 do 1º tempo – Cruzeiro: Raul Plassmann, Nelinho, Darci Menezes, Souza e Vanderlei Lázaro; Zé Carlos, Eduardo Amorim e Dirceu Lopes; Roberto Batata, Palhinha e Joãozinho. Tec: Ílton Chaves / Vasco: Andrada, Gilson Paulino (Celso Alonso), Renê, Miguel e Alfinete; Alcir e Zanata; Jorginho Carvoeiro (Galdino), Bill, Roberto Dinamite e Luiz Carlos. Tec: Mário Travaglini.

No clássico colombiano, o Atlético Nacional venceu o Deportivo Cali por 2×1, em Medellín, e embolou o grupo.

O Cruzeiro tinha agora os mesmos cinco pontos que o Deportivo, com o Nacional logo atrás com quatro.

Mas tinha a vantagem de enfrentar os colombianos no Mineirão. E quase ninguém duvidava de uma classificação tranquila para as semificnais.

O primeiro adversário foi o Atlético Nacional, no domingo, 06abr75. Os 39 mil torcedores presentes no Mineirão tinham como certa a vitória celeste.

A confiança aumentou ainda mais quando Palhinha marcou aos 25 e aos 45 do 1º tempo.

Mas os colombianos, regiram de forma assombrosa. Londero, aos 11 minutos, Victor Campaz, aos 12, e, novamente, Londero aos 33, decretarm um 3×2 inacreditável.

Foi uma verdadeira página heróica. Pela primeira vez, um time colombiano vencia um jogo no Brasil.

E o Cruzeiro, também pela primeira vez, perdia uma partida de Libertadores em casa. O clima no Mineirão, após a partida, era de Maracazo.

Cruzeiro 2×3 Atlético Nacional, domingo, 06abr75, Mineirão, Belo Horizonte, 5ª rodada do Grupo 3 da Libertadores 1975 – Público: 39.479 – Renda: Cr$ 408.975,00 – Juiz: José Romei (Paraguai) – Gols: Palhinha, aos 25 e 45 do 1º tempo; Londero, aos 11, Victor Campaz aos 12 e Londero aos 33 do 2º. – Cruzeiro: Raul, Nelinho, Darci Menezes, Morais e Souza; Piazza e Zé Carlos (Aender); Eduardo, Palhinha, Dirceu Lopes e Moacir (Cândido). Tec: Ílton Chaves / Atlético Nacional: Raul Navarro, Gerardo Moncada, Francisco Maturana, Teofilo Campaz e Gilberto Salgado; Diaz e Eduardo Retat; Tamoyo, Victor Campaz, Hugo Londero e Tortoriello. Tec: Cesar Lopes.

Com a inesperada derrota a situação ficou complicada. O Deportivo Cali empatou com o Vasco (0x0), no Rio, e chegou aos mesmos 6 pontos do Nacional. O Cruzeiro ficou com 5.

Pra se classificar, o time mineiro teria de vencer o Cali e torcer pela derrota do Nacional diante do eliminado Vasco, que ainda não havia uma vitória sequer no torneio.

Na quinta-feira, 10abr75, quase 19 mil torcedores foram ao Mineirão e viram o Cruzeiro vencer o Deportivo Cali por apertados 2×1, gols de Palhinha e Dirceu Lopes, um em cada tempo, os dois aos 8 minutos, e Abel da Graça, aos 20 do 2º tempo.

Em São Januário, pra sorte do Cruzeiro, o Vasco bateu o Nacional por 2×0.

O Cruzeiro terminou em 1º lugar no grupo com 7 pontos, um à frente dos colombianos e, de novo, chegava à fase semifinal da Libertadores.

Cruzeiro 2×1 Deportivo Cali, quinta-feira, 10abr75, Mineirão, Belo Horizonte, 6ª rodada do Grupo 3 da Libertadores 1975 – Público: 18.902 – Renda: Cr$ 212,634,00 – Juiz: Mario Fiorenza (Venezuela) – Gols: Palhinha, 8 do 1º tempo; Dirceu Lopes, 8, e Abel da Graça, 20 do 2º. – Cruzeiro: Raul Plassmann, Nelinho, Darci Menezes, Morais e Vanderlei Lázaro; Wilson Piazza, Eduardo Amorim e Dirceu Lopes; Roberto Batata, Palhinha e Moacir. Tec: Ílton Chaves / Deportivo Cali: Pedro Zappe, Alvaro Contreras, Miguel Cardacci, Osvaldo Calero e Alvaro Castro; Jairo Arboleda (Reyes), Abel da Graça; Henry Caicedo, Torres, Barone e Juan Barroso (Gonzalez).  Tec: Raul Rodrigues.

O Cruzeiro somou 7 pontos ganhos, com três vitórias, um empate e duas derrotas, 10 gols a favor e 9 contra.

Dessa vez, os adversários na semifinal seriam os argentinos do Rosário Central e do Independiente. (Continua)

84 comentários para “Cruzeiro na Libertadores: 1975, a guerra (II)”

  1. Nem esta vitória do Vasco depurou a raiva pela roubalheira de 74…

  2. JS, acho que estou bisoiando demais o BLOG… Fui pole 4 vezes nos últimos dias…

  3. Dylan disse:

    incrivel como o Cruzeiro não teve vida fácil nessa primeira fase. As vezes a memória trai. Na minha cabeça tinha sido uma supercampanha até a derrocada final. Provavelmente porque os jogos da semifinal foram tão empolgantes.

    • Sobrinho disse:

      Pois é! Teve até virada de time colombiano dentro do Mineirão. Achei que nunca antes na história deste clube isso tinha acontecido.

      • Damas disse:

        Cê tá igual ao Morais marcando o JRLima. Não perde uma dividida. É bem verdade que de vez em quando cê toma uns “elásticos”. Mas beque que é beque nunca pode deixar de chegar junto. rsrsrs

  4. Claudinei Vilela disse:

    Na boa……viajei no tempo aqui…
    Esses relatos são fenomenais, com um poder de sintese enorme, que faz com que o leito se sinta no estadio…..
    Ouvi até o barulho da torcida

  5. Naldo disse:

    E pensar que esse mesmo time que sofreu na Libertadores no surrupiou o título do Brasileirão de 1974, brincadeira! Esta dívida do seu armandinho é eterna.

  6. Naldo disse:

    Mas os colombianos, regiram de forma assombrosa. Londero, aos 11 minutos, Victor Campaz, aos 12, e, novamente, Londero aos 33, decretarm um 3×2 inacreditável. O gringos às vezes aprontam… vamos ficar de olho no Real Madri, digo, Potosi.

  7. Naldo disse:

    De 39.000 no primeiro jogo, o público despencou para 19.000 no segundo, quando o time mais precisava. Efeito da derrota inesperada. Não era muito diferente de hoje em dia não.

    • Rogério disse:

      É verdade, mas nesta situação o Cruzeiro dependia do Vasco que pelo que entendi não tinha nenhuma chance de classificar, daí o desanimo da torcida.

  8. ACRossi disse:

    Bom dia….Além de não depender só dele, a derrota para o Atletico Nacional foi uma das mais inesperadas, aquelas que deixam gosto de cabo de guarda-chuvas na boca….Vem ai outra que deixou uma ressaca de amargar….no próxima parte, contra os argentinos lá…..saudações celestes.

  9. Palmeira. disse:

    Estou gostando desta “novela” Cruzeirense. Fico na expectativa do próximo capítulo.

  10. Mario Lucio Vaz disse:

    E parabéns pela segunda parte, uma derrota dessa em Bh nos dia de hoje o pau caia no Adilson.

    Hoje vou da uma de Atleticano como, Alexandre Kalil, Vanderlei Luxemburgo , Diego Tardeli e Ricardinho. Assista aos jogos da Libertadores pelo SporTV.

  11. carfelix disse:

    Bacana hein, acabei de ler o Cap I e II, emocionante, passagem difícil…que venha o Boca !!!

  12. carfelix disse:

    Mauro e JS, uma curiosidade, o público de 19 mil (pequeno né) mais como o jogo foi Quinta-Feira, sabem me dizer quel foi o horário?

  13. Cleber Mendes disse:

    O empate de 1 a 1 contra o Vasco eu assisti pela televisão. Morava em Araguari na época e me lembro que o jogo aconteceu numa manhã de domingo. Salvo engano, creio que este, sim, é o primeiro jogo do meu Cruzeirão MultiSuperCampeão válido pela Libertadores transmitido pela tv.

  14. Cleber Mendes disse:

    Me lembro também da enxurrada de críticas por causa dessa inesperada derrota para os colombianos. Não só a imprensa rural atletiqueira de BH, mas também a do famigerado eixo mandou fogo contra o Maior de Minas. Quando o Corínthians, aliás gambá, perdeu para Deportivo Cuenca e El Nacional, e o Internacional perdeu para o El Nacional, ambas as derrotas lá no Equador, na Libertadores de 1977, as críticas foram, pelo que me lembro, menos venenosas.

    • Naldo disse:

      É porque o time do Cruzeiro já tinha detonado o Santos de Pelé e ja incomodava o eixo. Birra antiga.

    • Claudinei Vilela disse:

      Estes caras borram de medo do Cruzeiro e tem antipatia de nos por sermos os verdadeiros campeões…..

      É aquela historia, procuram de todo jeito pra falar mal e quando não acham nada, inventam tipo…..”voces tem mal halito”

      • Renato-SP disse:

        É de dar asco essa imprensa de cá. Sempre com desdém, com desprezo e aquela arrogância costumeira. Um exemplo é a CBN no quadro 4 em campo. O tapado do Guioti não consegue contra-argumentar pois está sempre com a boca aberta. O desprezo do boçal ancora é nojento. Ouvindo outros programas de outras emissoras é sempre a mesma coisa. Gostaria que o MAIOR VENCEDOR DE TÍTULOS BRASILEIRO atropelasse os dois daqui e ainda o carioca.
        A caminhada continua hoje! Força Cruzeiro!!!

    • simone b de castro disse:

      Pois eu já sabia! Engraçado é que o Orlando Augusto, em seu programa de ontem detonou o sogro do Kléber, falou que foi uma tremenda falta de respeito, e que vários cruzeirenses o vaiaram, que não era o momento de se fazer a brincadeira, etc… Não entendi…Tá ficando mala como o Alberto Rodrigues ou é só pq seu programa é (dizem) patrocinado pelo patético?

  15. Ricardo Malafaia disse:

    Só para deixar o registro, essa série LA é muito legal mesmo. Altamente viciante. E de quebra ajuda aos mais novos – meu caso, que completo 28 anos em 2010 – a perceber as dificuldades em se disputar uma Libertadores.

  16. simone b de castro disse:

    Essa LA de 1975 foi só a preparação para nosso campeonato no ano seguinte! E como eram difíceis esses jogos com o Vasco, hein? E sempre ajudado pela arbitragem, só para variar. Nem aguento ouvir o nome daquele Armando Marques! Aff!

  17. Celso Libertadores disse:

    Salve Cruzeirão! Bora galera! Pra cima! Sócio do Futebol na mão, fiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii!!!!

  18. Marcelo P. disse:

    Uma coisa que pouca gente fala é que fora esse time (75, 76, 77), só o atual conseguiu participar três vezes seguidas da LA (08, 09, 10). Falta um título pra coroar…

    • Marcelo P. disse:

      Uma outra curiosidade: apesar da teoria de que os pontos corridos esmagam os times off-eixo, o Cruzeiro é, ao lado do Santos, o segundo clube em número de participações pós 2004: SPFW (7), Cruzeiro e Santos (4), Inter, Fla, e Palmeiras (3).

      • Marcelo P. disse:

        Acho que em ambos os casos deixar de reconhecer os méritos do treinador é uma tremenda má vontade…

  19. Claudinei Vilela disse:

    Libertadores de 75 ainda não tinha nascido…..

    Libertadores 2010, estarei no Mineirão hoje empurrando o esquadrão!

    • Damas disse:

      Daqui a pouco ele fala que a primeira vez que ele foi no Mineirão foi na final de 2003 e quando o pai dele o passava pelo portão das crianças o porteiro perguntou: “quantos anos vc tem menino?” E ele respondeu: xxxinco.

  20. rdish disse:

    Vocês viram que as novas camisas do time do Cruzeiro já estão em pré-venda no site Netshoes?

    http://tinyurl.com/cruzeiroazul
    http://tinyurl.com/cruzeirobranca

    São imagens ilustrativas apenas. Mas o que importa é a pré-venda, com previsão de envio pro dia 02 de março. Alguém encara o possível abadá?

  21. carfelix disse:

    Apesar de torcedor rival o Damas podia dar uma relato sobre sua primeira e “emocionante” ida a um jogo da Libertas. Damas, você já foi a um jogo da Libertas? Fale a verdade, de seu relato. Mauro e JS vão fazer um post. Fala Damas !!!

    • Naldo disse:

      O Damas não era nem nascido na última vez que o time dele participou da Libertadores, e, aguarda anciosamente, o dia de ir pela primeira no Minerirão assistir a um jogo do seu time do coração.

      • Rogério disse:

        Que isso Naldo, dizem que o Damas foi um dos fundadores do CAM.

      • Damas disse:

        Foram tantas. A que guardo com maior tristeza foi o furto do Zé Roberto Rato em cima da gente no Serra Dourada no jogo contra o Flamerda. Expulsou Palhinha (ele mesmo, o velho Palha de vcs que jogou no CAM), Rei, Éder e não sei mais quem. Foi no início da década de 80 e o CAM era a base da Seleção Brasileira (aquela de 82, que todos reconhecem ser a melhor de todas)

      • carfelix disse:

        Foram tantas não Damas!!! Para de lero-lero, envia o seu testemunho então para o JS, que ele vai bolar o POST. Sem contar vantagens viu !!! kkkk

      • Naldo disse:

        Intriga da oposição.

  22. claudio(xina)lemos disse:

    Caro Raul Miranda respondi seu OFF Toppic no post anterior!!!!

  23. Alex Martins AMC disse:

    Que tal uma resenha na barraca da Goretti antes do jogo!!!

    • cassius disse:

      A turma aqui do PHD é meio traumatizada com encontros pré-jogo. Parece que tem um tanto de botinha de gelo…