Cruzeiro 4×2 Guarani: Vacilo, sufoco e reação

Por Jorge Angrisano Santana | Em 16 de setembro de 2010

Mauro França

Desfalques já não é novidade. Para enfrentar o Guarani, de volta a Sete Lagoas, o Cruzeiro vai a campo sem Fábio, contundido; Paraná, suspenso e contundido; Roger, Jonathan e Diego Renan, suspensos. Para compensar, Cuca conta com as voltas de Everton, Montillo e Wellington Paulista. Rômulo e Pablo entram nas laterais e Rafael ganha uma rara chance no gol.

1º TEMPO

O jogo começou bastante movimentado. Rômulo deu uma amostra da estratégia celeste com duas boas arrancadas pela direita, que resultaram em dois escanteios nos primeiros 2 minutos. Com amplo domínio territorial, o Cruzeiro imprimia velocidade nas jogadas de ataque, com muita movimentação para fugir da marcação.

Algumas boas jogadas foram criadas, desperdiçadas por falhas no último passe ou interceptadas pela marcação bugrina, atenta nos minutos iniciais. O primeiro chute a gol foi aos 6, quando Fabrício arriscou de fora da área. A  bola saiu à esquerda do gol com certo perigo.

O Guarani saia para o jogo timidamente. A correria de Apodi era sua principal válvula de escape. Encaixou um bom contra-ataque aos 4, quando Mazola aproveitou um escorregão de Leo no meio de campo para chegar na área celeste e cavar um escanteio. Aos 9, Fabão cobrou uma falta na intermediária e Rafael defendeu no meio do gol.

Na resposta celeste, aos 10, Wellington Paulista penetrou pela esquerda, bateu cruzado, rasteiro, à esquerda do gol e caiu sentindo a coxa. Sem ter como continuar, foi substituído no minuto seguinte por Wallyson.

Em um lance quase isolado, o Guarani chegou com perigo aos 21. Mazola ganhou de Edcarlos, foi ao fundo e rolou para Apodi que, da entrada da área, bateu forte para grande defesa de Rafael.

Montillo não encontrava espaço e participava pouco do jogo. Thiago Ribeiro era a principal arma ofensiva, buscando as jogadas de fundo pelos dois lados do campo. Depois de algumas tentativas frustradas, aos 26 ele driblou seu marcador, foi ao fundo pela esquerda e cruzou na medida para Rômulo escorar de cabeça para o fundo do gol. Cruzeiro, 1×0.

Vagner Mancini foi expulso aos 28 por reclamação. O Guarani tentou sair um pouco mais para o jogo. Sem muita força de ataque, pouco conseguiu. Mazola fez boa jogada pela direita e cruzou para a batida de Mário Lúcio, defendida por Rafael, aos 31. E ficou nisso.

Sem perder o controle da partida, o Cruzeiro diminuiu o ritmo e passou a trabalhar mais a posse de bola.  Depois de uma troca de passes no campo de ataque, Rômulo, aos 39, fez belo lançamento para Montillo, que penetrou por trás da zaga, pela direita, e com um lindo toque de primeira deixou Wallyson de frente para o gol vazio. Aí foi só empurrar para o fundo das redes. Cruzeiro, 2×0.

Os jogadores do Guarani se enervaram. Quiseram briga depois de uma disputa de bola no meio de campo entre Wallyson e Mazola, aos 40. E seguiram reclamando. Aos 43, depois de cometer uma falta de ataque próximo à linha de fundo, Mazola deixou o pé para atingir Leo, sem muita força. O juiz, num arroubo de rigor, lhe aplicou o cartão vermelho.

Nos minutos derradeiros o jogo deu uma esfriada. O Cruzeiro apenas tocou a bola esperando pelo intervalo.

2º TEMPO

Fabrício reclamou de cansaço e foi substituído por Fabinho. O Guarani trocou Aislan e Baiano por Fabiano e Geovane.

Com menos de um minuto de jogo, o Guarani chegou com perigo. Márcio Careca cruzou da esquerda e Mário Lúcio, de frente para o gol, errou a cabeçada e jogou pela linha de fundo.

Depois disto, só deu Cruzeiro, que se fartou de criar e desperdiçar oportunidades para ampliar o marcador. Aos 4, Rômulo desceu para a direita e cruzou para o peixinho de Thiago Ribeiro.  Douglas desviou de leve, Fabão e Apodi se chocaram na tentativa de cortar e a bola entrou. O juiz viu falta de Wallyson em Fabão e anulou o gol.

Aos 9, Montillo cruzou da esquerda, Thiago Ribeiro não alcançou e Douglas, esperto, desviou com a ponta dos dedos para escanteio. No rebote da cobrança, Fabinho dominou na entrada da área e, livre de marcação, isolou por cima do gol.

O Guarani assistia o Cruzeiro jogar. Agora com liberdade, Montillo comandava o time e aparecia por todos os lados, distribuindo o jogo com categoria e toques rápidos. Aos 12, Rômulo arriscou de fora e acertou o travessão.  No rebote, Wallyson chutou duas vezes, à queima-roupa, e Douglas fez duas grandes defesas.

Aos 15, Wallyson recebeu lançamento pela esquerda, levou até a área e tocou para o gol na saída de Douglas. O bandeira anulou o lance marcando, com acerto, impedimento. Dois minutos depois, depois de jogada de Thiago Ribeiro pela direita, Rômulo bateu forte da entrada da área para outra defesa salvadora de Douglas.

Aos 18, Cuca trocou Henrique por Farias, com a intenção de deixar o time mais ofensivo, além de poupar o volante. Não funcionou. A alteração desmantelou o sistema defensivo celeste. Mesmo com um a menos, o Guarani ganhou o meio de campo e passou a chegar ao ataque sempre com perigo.

Aos 24, Mário Lúcio aproveitou um erro na saída de bola, avançou e lançou para Geovane, que penetrou pela área, cortou Leo e bateu cruzado, rasteiro, no canto esquerdo de Rafael. Guarani, 1×2.

O jogo ficou dramático. Com Fabinho na lateral e Rômulo, Everton e Pablo no meio, a marcação desapareceu.  Aos 29, Paulo Roberto invadiu a área pela esquerda, passou no meio de três marcadores e soltou uma bomba no ângulo direito de Rafael. Guarani, 2×2.

Menos mal que a reação não tardou. Aos 30, Montillo cobrou escanteio da esquerda, houve um desvio no primeiro pau e Fabinho apareceu do outro lado para cabecear para o gol.  Cruzeiro, 3×2.

Apesar do gol, o sufoco continuou. O Guarani não desistiu e seguiu criando situações de perigo. Aos 32, Fabão cobrou falta na intermediária e Rafael se esticou todo para desviar a escanteio, em grande defesa. Aos 37, em lance que começou com outro erro da zaga, Paulo Roberto cruzou, Edcarlos desviou contra sua própria meta, Rafael salvou e, no rebote, Geovane isolou por cima do travessão.

Depois do sufoco, o Cruzeiro voltou a marcar presença no ataque com jogadas de Thiago Ribeiro. Aos 38, ele conseguiu um escanteio pela direita. Na cobrança, Farias dominou no meio da área e foi travado na hora do chute.

Aos 40, Thiago Ribeiro recebeu na área pela esquerda, cortou para o meio e bateu para o gol. Douglas fez a defesa e cedeu escanteio. Depois da cobrança curta de Montillo, Thiago Ribeiro lançou para a área e Farias apareceu do outro lado para, de cabeça, empurrar para as redes. Cruzeiro, 4×2.

Na reta final, o Cruzeiro ainda perdeu duas boas chances para ampliar em jogadas de contra-ataque, com Wallyson, aos 45, e Rômulo, aos 48.

O Cruzeiro quase complica um jogo que estava praticamente decidido. Não aproveitou as oportunidades criadas na primeira metade do 2º do segundo tempo e, depois da substituição equivocada de Cuca, tomou sufoco e sofreu o empate. Depois, mostrou poder de reação e confirmou a vitória, que no final das contas é o que importa. Mas fica o alerta: Qualquer vacilo pode custar caro.

Mauro França, 47, cruzeirense, economiário, historiador, nasceu em Sete Lagoas, mora em Belo Horizonte.

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